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Sexta-feira, 27 Setembro 2013 09:24

PORTUGAL
Queer Lisboa 17 - Quinta-feira



O Queer Lisboa é um espaço diverso que acolhe todo tipo de gente, nestes dias o São Jorge recebe este festival de cinema reconhecido a nível mundial, e os espaços comuns são prova disso mesmo.


Exemplo disso esta conversa escutada hoje pelos presentes pouco depois do almoço, chega alguém com farda de trabalho e diz:

- Então arquitecto que fazes, estás a ver gajas nuas?

Pareceu-me bastante adequado, afinal este é o Queer Lisboa 17! E hoje falo-vos de três filmes, são eles “The Comedian” uma ficção do Reino Unido realizada por Tom Shkoink, “Facing Mirrors” uma produção entre o Irão e a Alemanha conduzida por Negar Azarbayjani, por último “Uncle Bob” realizado por Robert Oppel dos Estados Unidos.

The Comedian

Na verdade este filme é tudo menos uma comédia. Mostra-nos um comediante que deixou de ter piada, se é que alguma vez teve. A sua vida amorosa fica uma ensarilhada com ele no meio a sua amiga com quem partilha apartamento numa ponta e na outra um jovem que conheceu numa viagem de autocarro depois de mais uma má atuação.

Apaixonado pelo jovem e no mesmo momento que desenvolve um afeto mais intenso pela sua amiga, ambas as pontas desta meada tem ciúmes e não conseguem viver a situação e desequilibram o centro da meada, o nosso comediante. Perdido neste reboliço de sentimentos, perde a concentração e de seguida o emprego, depois ser convidado a sair do apartamento que dividia com a sua amiga, regressa a casa dos pais. É depois deste reencontro que numa viagem de táxi faz uma espécie de reflexão com o taxista e organiza as suas ideias com a certeza que toda esta tempestade vai passar.

Uncle Bob

Trata-se de um documentário que procura mostrar quem foi Robert Oppel, que na 46ª cerimónia da entrega dos Óscares atravessa o palco completamente nu, e que depois disso tornou-se uma referência na luta pelos direitos LGBT.

O seu sobrinho e realizador do documentário foi à procura dos amigos e das pessoas que com ele conviveram na expectativa de não deixar esquecer a memória e o trabalho dos seu tio que propositadamente aboliu um dos pês do seu nome passando a assinar Opel.

Como antes falei da produção portuguesa “O Carnaval é um Palco, a ilha uma festa” este é também um produto digno de registo mas enquanto produção para o grande ecrã algo longo, apenas com menos três minutos que a produção portuguesa, tornou-se chato...

Facing Mirrors

Foi o deslumbramento. Um filme realista, a imagem crua da luta pela liberdade, não a liberdade colectiva, não é um 25 de Abril ou um Stonewall Inn, trata-se de integridade pessoal, é disso que nos fala Facing Mirrors.

Uma mulher transexual vê-se impedida de continuar a sua transformação física pelo pai. Uma família de três, ela, o irmão e o pai viúvo que fixa as suas decisões na honra, na vergonha, do supostamente certo perante o islão.

O irmão submisso sofre em silêncio a angustia da irmã.

Aviso: spoiler...

Eddiah que será Edi mais tarde, quando tenta fugir de casa conhece Rana uma mulher, mãe, casada mas que tem o seu marido preso por não ter honrado dividas, e sendo ela o único sustento para além de ter de pagar as dividas da família, conduz um táxi.

Edi oferece uma elevada quantia, quantia que Rana precisa muito, para que esta leve Edi a uma localidade fora de Teerão. Na viagem Rana fica a saber que Edi é uma pessoa transexual isso deixa-a perturbada, desenrola-se uma série de eventos levando Rana a ter um acidente que a leva ao hospital.

Edi presta-lhe socorro e desenvolvem a partir dai uma relação de grande amizade, levando mesmo Rana a procurar o pai de Edi que já recuperou a filha e tem um casamento arranjado para ela, e tenta demove-lo a casar a filha mas não consegue, o senhor é um absolutista acreditando que todos estão errados apenas ele está certo na sua ideia de que casar a filha é o melhor para ela e que o que ela sente não passa de uma alucinação.

Depois da intervenção de Rana o irmão de Edi decide no próprio dia do casamento ajudar a irmã tendo Rana como cúmplice. Compra-lhe um bilhete de avião para Alemanha, onde Edi inicia o seu tratamento hormonal e posterior marcação de cirurgia, mantendo sempre contato com Rana a sua grande amiga.

Uma história cheia de acção, muito bem contada, e que mostra durante o filme em diversas ocasiões a vida das mulheres presas ao jugo da policia dos costumes, e às regras castradoras com a desculpa da religião.

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