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Segunda-feira, 16 Abril 2012 07:25

ANGOLA
Kuduro e transexualidade



Titica é ousada, brilhante, bela e está tempestuosamente a conquistar Angola. Muito bom para uma transexual num país católico africano onde a homossexualidade é ilegal e punível com trabalhos forçados e de transexualidade nem se fala.


Nascida em Luanda, a cantora e bailarina Titica assumiu a sua transexualidade há quatro anos no seguimento de uma cirurgia de aumento mamário no Brasil.

Agora com 25 anos, Titica é a nova cara da fusão do rap com o techno conhecido como Kuduro.

De dia as suas músicas ouvem-se vindas de automóveis, de noite enchem as pistas de dança e aos fins-de-semana tornou-se na banda sonora imprescindível das festas de crianças e jovens.

Nomeada como melhor artista de Kuduro de 2011, aparece regularmente na TV e na rádio e actuou no concerto anual Divas, com a presença do presidente José Eduardo dos Santos, onde ela própria foi nomeada Diva.

Treinada em ballet, envolveu-se primeiro no Kuduro como dançarina, em grupos populares como os Noite e Dia, Propria Lixa e Puto Português.

Em Outubro passado lançou a sua primeira música, “Chão”, que até ao momento é das músicas de Kuduro mais tocadas em Angola.

Este mês terá a primeira digressão internacional com datas fixadas em Portugal, Reino Unido e Estados Unidos.

Em declarações à BBC durante uma sessão de maquilhagem para o vídeo do seu novo êxito “Olha o Boneco”, que conta com a presença de Ary, uma popular cantora de Kizomba angolana, Titica afirmou estar contente com o seu sucesso.

"Graças a Deus, sou muito feliz, demorei um pouco a chegar aqui e envolveu muito sacrifício mas graças a Deus, tudo correu bem para mim," afirmou.

Surpreendentemente tímida para uma artista tão extravagante e atrevida, Titica declinou comentar sobre a sua transexualidade quando inquirida, mas afirmou que o seu recente estrelato não foi fácil.

"Fui apedrejada, agredida, e existe muita discriminação contra mim, muita gente o demonstra. Existe um grande tabu," afirmou.

Apesar do tabu, Titica não parece ter falta de fãs e a maioria parece estar mais interessada na sua música do que na sua transexualidade.

"Gosto da Titica, gosto mesmo muito. Alguns dizem que é mulher, outros que é homem, não sei realmente, somente gosto da sua música," disse um jovem que apareceu para ver as filmagens do vídeo na faixa de praia de Luanda conhecida como Ilha.

Um amigo acrescentou: "Antes era um homem, mas agora, segundo as informações que existem, é uma mulher. Os angolanos podem ser muito discriminatórios mas não, nós realmente apoiamo-la e gostamos muito dela, e gostamos bastante do trabalho que tem feito."

Hugo Salvaterra, que tem estado envolvido nas filmagens de um documentário sobre o Kuduro para a televisão sueca, disse que Titica era primeiro uma artista e depois uma transexual.

"Titica tem talento, faz boa música e é fantástica em palco, é por isso que as pessoas gostam dela. O Kuduro abriu definitivamente as portas para a sua aceitação. A sua música é boa, entretem-nos e portanto aceitamo-la. Através da história da músca, a arte é isso que faz, transcende e quebra tabus", acrescentou, comparando-a a Chuck Berry que conquistou audiências negras e brancas na América segregacionista dos anos 60.

“A mesma criatividade que fez nascer o Kuduro em Angola também acolheu a sua primeira artista transexual”, afirmou ainda.

A par da integração na música local, que já a viu partilhar palcos com artistas angolanos internacionais como Anselmo Ralph, foi convidada a actuar no consulado angolano em Houston, Texas, como parte das celebrações dos 10 anos de paz.

A independência de Portugal em 1975 seguida de 27 anos de guerra civil que terminou em 2002 fizeram dos angolanos um povo mais aberto a novas ideias, pese embora uma resistência firmada em certos sectores da sociedade.

ANGOLA: Kuduro e transexualidade

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