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Segunda-feira, 29 Agosto 2011 02:36

SIDA
Jovens gays norte-americanos em relações estáveis têm tendência a não usar preservativo



O mais forte indicador do não uso do preservativo no sexo anal num grupo de rapazes gays nos EUA foi que a relação foi considerada como "séria", revelou um estudo. O sexo desprotegido foi oito vezes mais provável em relacionamentos sérios do que em encontros casuais.


Este estudo, conduzido pela Northwestern University, em Illinois, EUA reforça conclusões anteriores de que mais de dois terços das transmissões de VIH entre homens nos EUA acontecem entre parceiros sexuais numa relação estável e apenas um terço entre os parceiros ocasionais.

Neste estudo, os pesquisadores comentaram, "não havia quase nenhum sexo desprotegido nas relações classificadas como casuais". Isto sugere que as estratégias de prevenção do VIH entre homens gays podem precisar de se concentrar mais na prevenção dentro do contexto de negociação entre os casais do que nas tomadas de decisão individuais".

O estudo

O estudo incluiu 122 homens jovens (com idades entre os 16 e 20 anos) que fizeram sexo com homens (HSH). Dois terços classificaram-se como gays e quase um quarto como bissexuais, enquanto os 11% restantes usaram ​​outras categorias (queer, com dúvidas, etc).

O grupo foi recrutado por meio da "amostragem bola de neve" no qual um número de participantes foi inicialmente identificados e depois estimulados a recrutar outros (e recebendo 10 USD por cada novo participante). O facto de terem relações sexuais de risco ou apenas sexo protegido não foi um crítério de recrutamento.

Os pesquisadores realizaram três pesquisas de parcerias sexuais, comportamentos de risco e outros fatores relativos a um período de seis meses anteriores. As entrevistas ocorreram no início do estudo e, em seguida, seis e doze meses depois tendo cada participante recebido 40 USD por entrevista. Foram reconhidos dados de 117 participantes que relataram um total de 416 parceiros sexuais (3.5 em média).

A idade média dos participantes foi de 18.5 anos e 23% eram menores de 18 anos. Seis por cento (sete indivíduos) relataram saber que tinham VIH; 81% já tinha realizado o teste e 60% disseram que tinham feito o teste nos últimos seis meses.

Apenas dois participantes relataram conscientemente ter feito sexo com um parceiro HIV positivo. Uma situação tão rara que não pode ser validada em termos estatísticos.

Resultados

Metade (49%) dos participantes relataram estar num relacionamento sério no momento da entrevista, definido como tendo "alguém que se sentem comprometidos, acima de todos os outros", e 80% relataram ter tido pelo menos um relacionamento sério durante o período de estudo. Doze por cento tinham um parceiro (sério ou não) durante esse tempo.

Apesar do compromisso ser relatado com freqüência, os relacionamentos de longo prazo não foram comuns: apenas 8% dos participantes relataram ter o mesmo parceiro seis meses depois. Durante o período de estudo de 18 meses, 20% dos participantes relataram nenhum relacionamento "sério", 23% um, 27% dois, e 28% três ou mais, até um máximo de cinco. Neste grupo, a maioria dos parceiros eram mais velhos, em média, dois anos.

A violência nas relações não era incomum - 11% relataram ter havido agressões físicas por parte do seu parceiro, mas apenas duas pessoas relataram situações de sexo não-consensual.

O estudo encontrou uma média de 5,74 episódios de sexo desprotegido com cada parceiro sexual.

Estar num relacionamento considerado sério foi, de longe, o mais forte indicador de ter relações sexuais desprotegidas. Havia 7,82 vezes mais probabilidades de esta situação acontecer dentro de um relacionamento sério do que em um encontro casual (um aumento de 682%), e foi altamente significativo (p = <0,001).

Esta associação tornou-se ainda mais significativa quando os 12% casos em que os parceiros sexuais eram mulheres foram eliminados: o sexo desprotegido passou a dez vezes mais prováveis ​​dentro dos relacionamentos homem com homem considerados sérios em comparação com os classificados como ocasionais.

Ter um relacionamento que durou mais de seis meses aumentou o risco do sexo sem proteção em 62%, o uso de drogas antes do sexo em 45%, e violência dentro da relação em 88%.

Idade do parceiro importa

O sexo desprotegido foi relacionado com a idade dos parceiros. Havia uma probabilidade 20% maior de relações sexuais desprotegidas por cada ano de aumento da idade do parceiro, chegando a ser seis vezes mais comum com parceiros que tinham cinco ou mais anos de idade. Um estudo recente dos EUA descobriram que ter um parceiro com cinco ou mais anos duplicava o risco de infecção pelo VIH. Dado que a prevalência do VIH em homens que fazem sexo com homens aumenta rapidamente durante a partir dos 20 de idade este pode ser um importante fator contribuinte.

Tipo de relação também

Os pesquisadores na sua nota introdução indicam que as relações podem ser "sérias" pelas razões errados, como participantes que se sentem dominados, ou que acham que não há mais ninguém disponível. Também houve participantes que indicaram ter um relacionamento sério com a vontade de querer ter um relacionamento duradouro. Este factores emocionais tinham relação com o facto de os jovens terem sexo desprotegido. Efectivamente os que diziam querer ter um relacionamento duradouro tinham duas vezes mais probabilidade de terem sexo desprotegido. O facto de alguém se sentir "dominado" não influenciava a probabilidade. E os que tinham relacionamnentos abertos, em que ambos os parceiros tinham liberdade para terem relações sexuais com terceiros, o sexo desprotegido foi 32% menos provável.

Conclusões dos investigadores

Os investigadores têm consciência de que o seu estudo "sugere que relacionamentos sérios são o contexto em que acontecem mais episódios de sexo desprotegido na amostra da população urbana de jovens homens que fazem sexo com homens", e recomendam que a possibilidade de usar esta informação na prevenção pode ser potencialmente importante, mas defendem que mais estudos são necessários para compreender como abordar a duração relativamente curta dos relacionamentos nesta idade.

E eles alertam que, se bem que os relacionamentos sérios podem ser estatisticamente um fator de risco para o VIH, existem muitos "outros benefícios emocionais e de saúde que podem vir com o estar numa relação íntima, romântica e positiva."

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