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Segunda-feira, 27 Maio 2019 23:57

CINEMA QUEER
Boys Don't Cry (1999)



É difícil de acreditar que “Boys Don't Cry“ faz, em 2019, 20 anos.


Cinema Queer é uma seção de opinião sobre filmes de temática LGBT+
Nota: o texto pode conter "spoilers"

9/10

Erroneamente catalogado por muitos como um filme homossexual, Boys Don't Cry é uma adaptação da história real de Brandon Teena (nascido Teena Brandon), assassinado em 1993, num horrendo crime de transfobia que é recordado até hoje.

Desde a infância que Brandon se comportava como rapaz, e isso acabou por ser mais evidente na adolescência. A partir desse período passou a identifica-se claramente como sendo do género masculino, no entanto a sua mãe sempre rejeitou a sua identidade de género, continuando a referindo-se a Brandon como filha e Teena, mesmo após a sua morte.

Em parte por esta relação difícil, em parte por problemas com a justiça, Brandon acaba por sair de Lincoln, a sua cidade natal e muda-se para City Falls. Pouco tempo depois inicia um romance com Lana Tisdel, e conhece por seu intermédio os ex condenados John Lotter e Marvin “Tom” Nissen, sendo que nenhum deles sabe que Brandon é um homem transexual. É quando as questões sobre a sua identidade de género são descobertas que se desenrola a parte mais trágica da história.

A banda sonora é uma referência inevitável neste filme, com músicas country, rock e blues que complementam as situações e personagens, incluem a natureza das relações entre as mesmas e a violência contra pessoas LGBT+.

Kimberly Peirce, Hilary Swank e Chloë Sevigny são as três mulheres responsáveis por esta obra icónica do cinema LGBT+.

Kimberly Peirce, corajosa escritora e realizadora que conseguiu a custo angariar o suficiente para fazer este pequeno filme independente (Swank recebeu $3,000, para terem uma ideia do quão pequeno foi o orçamento) e o levou até aos Óscares. Quer Chloë Sevigny - num papel irrepreensível como Lana - quer Hilary Swank, acabaram nomeadas para Melhor Actriz Secundária e Melhor Actriz, respectivamente.

Hilary Swank, uma desconhecida na altura (não pensem sequer no Karate Kid 4!) acabou mesmo por ganhar o Oscar. E o seu discurso de agradecimento foi um dos mais marcantes, que ecoa até hoje em todos os que o ouviram nessa noite:

E por último, mas certamente não menos importante, quero agradecer a Brandon Teena. O seu legado vive através do nosso filme para nos lembrar de sermos sempre nós mesmos, de seguir os nossos corações, de não nos conformarmos. Anseio pelo dia em que nós não apenas aceitemos as nossas diferenças, mas realmente celebremos a nossa diversidade. Hilary Swank

“Boys Don't Cry“ é um filme ao qual é impossível ficar indiferente. É um dos grandes marcos do cinema LGBT, e dos direitos humanos. E continua tão actual e relevante hoje como foi há 20 anos.

www.imdb.com/title/tt0171804/

CINEMA QUEER: Boys Don't Cry (1999)

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