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Terça-feira, 22 Abril 2008 12:07

PORTUGAL
Jornalista afirma ter medo do "delinquente" Mário Machado



Líder dos 'hammerskins' ficou indignado com a ligação ao homicídio de Alcino Monteiro


O jornalista Daniel Oliveira assegurou ontem no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, que foi ameaçado por Mário Machado por questões políticas. Assistente no processo contra o intitulado líder dos Portugal hammerskins, o antigo dirigente do Bloco de Esquerda retratou o arguido como um "delinquente" e uma "pessoa desequilibrada" que lhe inspira medo.

Daniel Oliveira apresentou ao colectivo de juízes presidido por João Felgar a sua versão do episódio ocorrido em Dezembro de 2006 junto a S. Bento, em Lisboa, onde foi abordado por Mário Machado e Vasco Leitão. Segundo o jornalista, Machado pediu explicações sobre um artigo do Expresso onde o colunista o apelidava de Marcolas - um criminoso brasileiro -, embora durante toda a conversa nunca se tenha mostrado indignado com o texto. "A forma e o teor das afirmações de Mário Machado não deixavam perceber que estivesse ofendido. Bem pelo contrário, tanto ele como Vasco Leitão passaram o tempo todo a rir, estavam nitidamente a 'gozar o prato'", defendeu Daniel Oliveira, adiantando que durante toda a conversa Mário Machado o insultou de "paneleiro de merda" e "paneleirão".

Quando questionado pelo juiz se as ameaças não teriam sido causadas pelo conteúdo do texto de opinião - onde o jornalista afirmava que Mário Machado escondia os seus crimes comuns sob justificações políticas -, Daniel Oliveira argumentou que todo o episódio teve motivações ideológicas. "Não me consigo pôr na cabeça das outras pessoas, ainda para mais na de uma pessoa desequilibrada, como considero o Mário Machado, mas o facto de ele me chamar paneleiro, sabendo que eu defendo os direitos dos homossexuais, e de dizer que as cordas já estavam penduradas para enforcar os danieis deste país demonstra claramente as motivações políticas das ofensas."

Perante as declarações de Daniel Oliveira, o advogado de Mário Machado defendeu que o seu cliente tinha apenas demonstrado o direito à indignação contra um artigo "escrito de forma genérica". José Manuel Castro concluiu que o jornalista não tinha razões que o levassem a temer pela sua integridade física e a alterar as suas rotinas. O que mereceu resposta pronta de Daniel Oliveira. "Eu pergunto se só devo ter medo quando for mesmo espancado. Devo lembrar que o Mário Machado simulou que me ia esmurrar, disse que se eu voltasse a escrever sobre ele me partia todo, para eu ter cuidado a andar na rua e que me arrancava a cabeça", recordou, para logo acrescentar que Mário Machado tem um historial de "agressões a outras pessoas e foi condenado pela participação, activa ou passiva, no homicídio do emigrante cabo-verdiano Alcino Monteiro, no Bairro Alto".

Se até aí Mário Machado se tinha limitado a acenar negativamente com a cabeça, quando Daniel Oliveira lembrou o episódio passado em 1995, o líder dos hammerskins levantou-se indignado, no que foi acompanhado pela sua família na sala do público. Perante a confusão momentânea, gerou-se um ligeiro compasso de espera, durante o qual o juiz apelou à calma. A situação voltou à normalidade rapidamente, através da intervenção dos polícias, que se limitaram a repreender os presentes.

Depois da audição a Daniel Oliveira, o julgamento de 36 skins prossegue com a audição dos inspectores da PJ. Ontem, ouviram-se risos durante os relatos de agressões a antifascistas.

(por Pedro Viela Marques)

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