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Sexta-feira, 7 Junho 2019 13:52

CINEMA QUEER
Rocketman (2019)



Uma fantasia musical sobre o lançamento para o estrelato de Elton John


Cinema Queer é uma seção de opinião sobre filmes de temática LGBT+
Nota: o texto pode conter "spoilers"

8/10

Antes de mais ficam os avisos para quem, como eu, vai desprevenide: “Rocketman” é, em grande parte, um musical. Na verdade, não admira muito, considerando o legado musical riquíssimo com que Elton John nos brindou ao longo das últimas quase 5 décadas. Há também algumas incongruências temporais (da data de composição de algumas músicas ou conhecimento de algumas personagens), mas nada que afecte o rumo da história.

Dito isto, podemos falar do elefante no meio da sala? O debate que se tem estendido por toda a crítica e audiências: “Rocketman” vs “Bohemian Rapsody”?

É simples: o primeiro deixa o segundo a milhas de distância. E é perfeitamente irrelevante que “Bohemian Rapsody” tenha sido nomeado para melhor filme do ano. Não deixa de ser uma biografia de Freddie Mercury modificada, lapidada, hetero-washed, ajustada para a ‘família tradicional’ ver.

Já “Rocketman” não é nada disto. Há uma crueza, uma honestidade, um desconforto, uma dor quase insuportável que nos acompanha grande parte do filme. Não há cenas de sexo censuradas (tirando na terra de Putin), nem omissões sobre as falhas de Reginald Dwight. Não se esconde o alcoolismo, as drogas, o fundo do poço. Nas palavras do próprio Elton John:

Alguns estúdios queriam diminuir o sexo e as drogas para que o filme recebesse uma classificação PG-13. Mas eu não levei uma vida com classificação PG-13 Elton John

Quanto às interpretações, é ainda muito cedo para fazer previsões, mas Taron Egerton - que efectivamente canta todas as músicas no filme - tem fortes possibilidades de vir a ser nomeado para o Oscar de Melhor Actor.

Richard Madden (o agente e amante) e Bryce Dallas Howard (a mãe), actor e actriz em crescente de carreira, estão ambos perfeitos nos seus papéis secundários, o que se traduz numa sensação de realismo que nos transporta para dentro do ecrã. É uma daquelas raras grandes produções que consegue ser intimista e causar em nós empatia emocional.

A realização e fotografia são exímias, com Dexter Fletcher a não desiludir e a aprender com a experiência de “Bohemian Rapsody”. A direcção artística, idem. Mas a cereja em cima do bolo é mesmo o guarda-roupa, absolutamente deslumbrante (nada que surpreenda para quem conhece a excentricidade do cantor em palco).

Este “Rocketman” é a jornada - bem contada, o argumento é excelente - de uma criança que, sem afecto, sem lugar no mundo, sem direcção que não seja a música, chega até onde chegou Elton John.

Ao sair do cinema, uma citação de um outro grande filme - Os Condenados de Shawshank - martelava-me a mente: “Andy Dufresne, que rastejou por um rio de merd* e saiu limpo do outro lado.”

Elton John é Andy Dufresne. E “Rocketman” é a sua história de redenção.

https://www.imdb.com/title/tt2066051/

CINEMA QUEER: Rocketman (2019)

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