Respostas de políticos sobre questões GLBT (PortugalGay.pt)
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Respostas de políticos sobre questões GLBT



17 Dezembro 2001

Uma iniciativa conjunta OpusGay, PortugalGay.PT, GayPT.com, Expresso das Nove.

Nota: faltam algumas respostas neste documento. Serão colocadas on-line oportunamente.


Pedro Santana Lopes
Câmara Municipal de Lisboa
Respostas enviadas por email, Sábado, 15 de Dezembro

Pergunta - Como encara em termos de multiculturalidade a existência de minorias no seu concelho e designadamente de uma comunidade Gay?

Com naturalidade.

Pergunta - Pensa que existem cidadãos gays e lésbicas nele? Sabe se encontram organizados de alguma forma? Acha que tem algum interesse para o munícipio a existência de organizações de defesa dos interesses destes cidadãos?

Naturalmente que a nossa candidatura reconhece a existência em lisboa de organizações de defesa dos interesses destes cidadãos, reconhecendo o mérito do trabalho que desenvolvem.

Pergunta - No caso de vir a ser eleito/a que medidas tomará relativamente a esta minoria sexual? (por exemplo: facilitará as festas e eventos culturais e cinematográficos de temática gay/lésbica; apoiará as associações e grupos de defesa desta minoria, seguindo as directivas comunitárias, evitando a clandestinidade e guetização?)

A política a seguir pela Câmara estará imbuída de um espírito de tolerância. Não somos nem pela clandestinidade nem pela guetização e todos os projectos que nos forem propostos serão avaliados nesse sentido. De qualquer modo, estamos abertos e aguardamos as propostas da comunidade glbt e não retiraremos o apoio a qualquer realizaçõa que conte com o reconhecimento do munícipio.

Pergunta - Admitiria na sua lista um/a vereador/a assumidamente gay ou lésbica se fosse competente?

Naturalmente que sim. O critério é precisamente a competência e não a orientação sexual.

Pergunta - Que mensagem gostaria de enviar às minorias e aos gays e lésbicas do seu munícipio?

Vamos estar na Câmara Municipal em prol de todos e não só em prol de alguns e atentos a qualquer descriminação ilegítima em função da raça, da religião ou sexo.

Açores e Madeira
pelo Expresso das Nove

Telefonámos, voltamos a telefonar e não descansámos até conseguirmos encontrar as pessoas mais inacessíveis do País nesta altura do ano: os candidatos às autárquicas nos Açores e na Madeira. Uns responderam às questões colocadas por nós sobre a homossexualidade com a maior das descontracções. Alguns falaram sem preconceitos. Outros assumiram tê-los publicamente. E a outros ainda (apesar de tentarem agradar a deus e ao diabo) fugiu-lhes a boca para a verdade...

Perguntas

1 - É gay? Se o fosse, assumi-lo-ia durante uma campanha eleitoral?

2 - É a favor da discriminação positiva da homossexualidade, enquanto minoria?

3 - O que pensa da adopção de crianças por parte de casais gay?

4 - Faz-lhe confusão ver dois homens ou duas mulheres a namorar na rua como muitos casais heterossexuais?

5 - Se o seu filho fosse gay tentaria esconder esse facto durante uma campanha eleitoral?

José António Cardoso
candidato do PS à Câmara Municipal do Funchal

1 - Não sou gay e não sei (se por acaso o fosse) como assumiria publicamente essa condição.

2 - Não sou a favor de qualquer discriminação, seja ela qual for, a não ser em situações em que o cidadão viva numa condição abaixo de um patamar elementar de assunção do valor da cidadania. Os homossexuais são pessoas como quaisquer outras. Não vejo necessidade de integrá-los numa condição diferente da de qualquer outro cidadão. Da mesma forma que não o faço em relação às mulheres ou aos homens que assumem a sexualidade no contexto da sua característica biológica tradicional.

3 - Não sou capaz, francamente, de assumir em definitivo um juízo sobre essa matéria porque acho que é um quadro polémico, não em relação aos casais, mas em relação à criança. Ainda não tenho apurada a resposta para uma dúvida dessas.

4 - Não, não me faz confusão.

5 - Não, absolutamente.

Miguel Albuquerque
candidato do PSD à Câmara Municipal do Funchal

1 - Não sou e acho que esse problema não tem de ser extravasado para a política, uma vez que tem a ver com a vida íntima de cada um.

2 - Não sou a favor de discriminação nenhuma. Não tenho qualquer complexo a esse respeito.

3 - É um problema complexo e tem de ser bem pensado. Penso que as primeiras experiências nesse âmbito foram feitas na Suécia, por decisão do Supremo Tribunal. É preciso analisar os factores, não apenas do ponto de vista de quem adopta mas, sobretudo, tendo em conta o bem estar psicológico e físico das crianças. Todas as avaliações devem ser feitas única e exclusivamente segundo esses critérios.

4 - Não me faz confusão nenhuma, não tenho nada a ver com o que cada um faz do quarto para dentro ou na sua vida privada. Não tenho nada a ver com isso! (E na rua?) - Também não tenho qualquer problema!

5 - Não aproveitaria isso politicamente, mas também não teria qualquer problema, nem tentava esconder. Filhos são filhos, em qualquer circunstância.

Berta Cabral
candidata do PSD à Câmara Municipal de Ponta Delgada

1 - Não sou e dificilmente posso responder a essa pergunta. São questões que só deve falar delas quem passou pela experiência.

2 - Não sou a favor de discriminação negativa ou positiva. [Os gays] são pessoas como outras quaisquer. Temos que respeitar a sua livre orientação, temos que ser tolerantes e, acima de tudo, compreendê-los como pessoas.

3 - Essa é uma situação muito complicada que tem mais a ver com a aceitação por parte da sociedade do que com as pessoas em si. Penso que ainda há algum percurso a fazer até que essa situação seja bem aceite pela sociedade em geral (que é como é e nós dificilmente poderemos mudá-la de um dia para o outro). Contudo, acredito que, com o evoluir da situação, se possa, mais cedo ou mais tarde, caminhar nesse sentido.

4 - Penso que não faz parte da nossa cultura e, como tal, não é uma situação que qualquer pessoa veja com muita naturalidade. Porque uma coisa é aceitar a situação em teoria, outra coisa é na prática sermos confrontados com ela. Penso que a sociedade ainda não está preparada para ver uma realidade dessas assim, digamos, em sítios públicos. De qualquer forma, quem respeita, respeita em todos os sentidos e, portanto, são pessoas. Cada um fará e terá os comportamentos que entender.

5 - Não vejo razão para isso. Felizmente, tenho um filho e uma filha e não há situações dessas na minha família. Mas são temas que não têm nada a ver com campanhas eleitorais, mas sim com a postura de cada um em cada momento.

Rui Bettencourt
candidato do PS à Câmara Municipal de Ponta Delgada

1 - Não sou gay, mas assumiria se fosse. O presidente da Câmara Municipal de Paris assumiu-se sem problemas e ganhou as eleições.

2 - Não gosto de discriminações positivas. Penso que deve haver um equilíbrio em que toda a gente tenha um apoio igual, a não ser em casos de fragilização. Se ele não existe, não devemos ser nós a fragilizar ninguém, fazendo discriminação positiva.

3 - Essa é uma questão tão pessoal que eu não sei responder. Depende das condições específicas e da consciência de cada um.

4 - Não.

5 - Não, isso era apenas com ele.

António Bulcão
candidato da CDU à Câmara Municipal da Horta

1 - Não sou mas, se o fosse, certamente que o assumiria. Não devemos ter vergonha do que somos.

2 - Eu não sei o que é a discriminação positiva da homossexualidade, mas acho que não deve existir discriminação de qualquer espécie e pronto.

3 - Prefiro crianças felizes com casais gay do que infelizes com os ditos casais normais.

4 - Nenhuma. Devemos fazer o que bem entendermos com o nosso corpo e ninguém tem nada a ver com isso.

5 - De modo algum. Não devemos ter vergonha dos nossos filhos. Há que aceitá-los tal como eles são.

Nuno Melo Alves
candidato do PP à Câmara Municipal de Angra do Heroísmo

1 - Não sou. Sinceramente não sei, mas se o fosse assumiria na minha vida quotidiana e, portanto, também na campanha. Não faria disso cavalo de batalha mas também não esconderia. Se o fosse, mas não sou.

2 - Não sou a favor de nenhuma discriminação, nem positiva nem negativa. Penso que as pessoas são como são. Existem diferenças e factores comuns, portanto, quer seja entre as raças, as religiões e, neste caso, a sexualidade. Por isso não deve haver discriminação, nem positiva nem negativa. Há que respeitar as opções de cada um.

3 - Sinceramente, não concordo, por uma razão muito simples. Penso que, da forma como a nossa sociedade está organizada, os outros miúdos, os outros pais e todo o ambiente que se geraria à volta de uma situação dessas penalizaria em demasiado as crianças em causa. E julgo faltar ainda muito tempo até que haja ambiente psicológico para que isso aconteça. Não quer dizer que o casal (de homens ou mulheres) tivesse falta de capacidade para criar uma criança. Nada disso é posto em causa (são pessoas como todas as outras). O importante seria o bem estar da criança e julgo que, para já, não existem condições. Até porque todos nós sabemos que os miúdos têm muita agressividade (ingénua, mas dizem aquilo que pensam) e imagino o mal estar que certos comentários dos colegas poderiam gerar numa criança.

4 - Não me faz nem mais nem menos do que com casais heterossexuais. Julgo que, às vezes, essa situação se nota mais na comunidade homossexual por se tratar de uma minoria (estamos muito mais habituados a ver carícias e ternura entre os casais heterossexuais) mas penso que não há grande motivo de para "impressões". Nem mais nem menos que noutra situação qualquer.

5 - Por enquanto ainda não tenho filhos mas, se tal acontecesse, se eu já tivesse interiorizado isso e se tivesse uma boa relação com ele, seria um filho como outro qualquer. As escolhas sexuais não têm nada a ver com a campanha eleitoral. Se, hipoteticamente, o assunto viesse à baila, não teria problema nenhum em assumir. A escolha seria dele. Podia agradar-me ou não de acordo com as minhas opções, mas respeitaria sempre.

Sérgio Ávila
candidato do PS à Câmara Municipal de Angra do Heroísmo

1 - Não sou mas, imaginando essa hipótese na teoria, acho que as pessoas devem assumir aquilo que são, com toda a naturalidade.

2 - Acho que a melhor forma de nos respeitarmos a todos é não fazermos discriminação, nem positiva nem negativa. A única forma das pessoas serem realmente cidadãos por igual é não havendo qualquer tipo de discriminação. Nem para mais nem para menos.

3 - Essa é uma questão muito complexa, sobre a qual não tenho opinião formada porque não tenho conhecimento generalizado da situação.

4 - Não, trata-se da escolha de cada um, não tem que me fazer ou deixar de fazer confusão.

5 - Não, aquilo que defendemos para os outros é aquilo que defendemos para os nossos filhos. Não devemos ter um discurso para fora e outro discurso para dentro de casa, não é?

Arlindo Pinto Gomes
candidato do PSD à Câmara Municipal de Câmara de Lobos

1 - Não sou. Se fosse, não sei...

2 - Acho que não deve haver discriminação. Nem positiva nem negativa.

3 - Não, sou contra, não me parece correcto. Embora não seja contra essa classe social, também não apoio que constituam família, nem que adoptem crianças.

4 - A mim não me incomoda absolutamente nada e aceito com o devido respeito. Assim como aceito o casal de namorados homem e mulher.

5 - Eu tenho duas filhas e penso que, hoje em dia, não há que esconder essas situações (embora elas não sejam totalmente normais para determinada classe da população). Se elas são bem reais...

 
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