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Quinta-feira, 11 Abril 2013 10:22

PORTUGAL
Rita Ribeiro como Angelina na peça "Gisberta"



Com estreia marcada para 1 de Maio, a actriz Rita Ribeiro representará o papel de Angelina, mãe da transexual Gisberta Salce Júnior, mulher transexual selvaticamente torturada durante três dias e atirada para um poço para morrer afogada, na peça ?Gisberta?.


Encenada e escrita por Eduardo Gaspar, a peça irá ao palco no Teatro Rápido, em Lisboa, um espaço teatral inovador onde as peças têm uma duração de 15 minutos de quinta a segunda-feira.e os preços de entrada são invulgarmente baixos.

Para Rita Ribeiro esta peça é o seu primeiro monólogo em 40 anos de carreira. Em declarações ao JN, a actriz ressalvou "a dificuldade da temática". "Mas este tema não pode ser tabu. A diferença não pode ser um impedimento para amarmos. Amar é aceitar o outro e não tentar que ele seja como nós queremos. Por isso, aqui estou eu, como uma mãe, com uma enorme incapacidade em perceber porque razão 'aquele menino' que ela recebeu nos braços se torna numa mulher. Mas que ama. E é importante perceber o contexto dos familiares destas pessoas e da identidade de género na sociedade atual".

Eduardo Gaspar, também em declarações ao JN, airmou que teve a ideia da peça em fevereiro último, na altura em que se assinalava os sete anos da morte de Gisberta,. "Queria construir algo sobre a temática 'Mãe'. Quando vi essa notícia questionei-me: como é que será para uma mãe ter uma filha transexual? Daí, a falar com algumas pessoas sobre o assunto, foi muito rápido e surgiu a ideia da peça"

Durante a peça Angelina vai relatar a um jornalista imaginário (Rita Ribeiro estará só em palco) factos da vida do ?seu menino?, desde a infância até ao momento em que parte do Brasil em busca do seu direito de ser vista e respeitada como mulher, da sua dificuldade em aceitar a identidade de género da filha e das várias tentativas de a dissuadir, sempre com o amor de mãe presente e uma revolta contra aqueles que mataram Gisberta, a quem ela nunca tratou no feminino.

A peça conta com o apoio e consultoria do Grupo Transexual Portugal..Seguem-se alguns factos sobre este lamentável acontecimento.

No dia 25 de Fevereiro de 2006 escrevia-se num blog um curto post contendo a seguinte frase: ?A partir de agora, já não basta lutar contra a homofobia, a transfobia fez a sua entrada.?

O post era sobre o assassinato de Gisberta Salce Júnior, uma mulher transexual emigrante brasileira, que segundo constava teria sido barbaramente assassinada. Na altura pouco se sabia deste crime, mas em pouco tempo escabrosos pormenores começaram a aparecer.

Na altura a comunidade LGBT debatia fervorosamente se o crime teria sido homofóbico ou transfóbico. As evidências e declarações dos jovens desfizeram posteriormente as dúvidas, denunciando claramente o crime como transfóbico.

Gisberta era transexual, seropositiva, toxicodependente, prostituta e sem-abrigo, e foi encontrada morta a 22 de Fevereiro no fundo de um fosso submerso com dez metros de profundidade, num edifício inacabado na cidade do Porto,

Os acusados foram 14 jovens, entre os dez e os dezasseis anos, na sua maioria alunos internos da Oficina de S. José, pertença da Igreja Católica, cujos representantes na altura chegaram ao desplante de afirmar que Gis os ?assediava? ou que os jovens tinham "circunstâncias atenuantes", porque um seu colega andaria a ser assediado por um pedófilo, argumentos que depressa foram postos de lado com as provas que iam surgindo e pelas declarações dos alunos implicados.

De acordo com os mesmos, a 19 de Fevereiro, o grupo de rapazes penetrou no edifício inacabado e abandonado onde Gisberta pernoitava, amarrou-a, amordaçou-a e agrediu-a com extrema violência, a pontapé, com paus e pedras. O grupo confessou igualmente ter introduzido paus no anús de Gisberta, que apresentava grandes escoriações nessa zona do corpo, e tê-la abandonado no local. O corpo apresentava igualmente marcas de queimadura com cigarros.

A 20 e 21 de Fevereiro, voltaram ao local e repetiram as agressões. Na madrugada de 21 para 22 de Fevereiro, atiraram finalmente o corpo de Gisberta para o fosso, numa tentativa de ocultação do crime, não sem antes terem tentado infrutíferamente queimá-lo. Soube-se posteriormente que Gisberta ainda estava viva, que lhes pediu ajuda, que os pedidos foram ignorados e que morreu afogada.

Um delegado do Ministério Público deu o mote da pena ao afirmar aos media que Gisberta ?foi uma brincadeira que correu mal?. 13 dos 14 jovens foram considerados culpados, não da morte de Gisberta nem da tortura que lhe infligiram durante três dias mas de ?maus tratos? (a ?brilhante? conclusão do tribunal foi que não foram os jovens que a assassinaram mas sim a água) e condenados a penas entre os 11 e os 13 meses de internamento em centros educativos. Como a Oficina de S. José à qual pertenciam. O mais velho (16 anos) foi julgado posteriormente como adulto. É dele uma célebre frase dita aos media: ?detesto homens com mamas?.

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