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Terça-feira, 28 Dezembro 2004 00:59

LITERATURA
Morreu a escritora lésbica americana Susan Sontag



Faleceu hoje, aos 71 anos, a escritora e ensaísta norte-americana Susan Sontag, uma das mais reconhecidas e irreverentes intelectuais dos EUA. A morte da escritora foi anunciada pelo porta-voz do hospital oncológico de Sloan Kettering, em Nova Iorque, onde Sontag estava internada, padecendo de leucemia, depois de na década de 1970 ter sofrido de cancro da mama. Autora de 17 livros, traduzidos em mais de 30 línguas, Sontag foi distinguida com alguns dos mais cobiçados galardões literários, como o National Book Award, que lhe foi atribuído em 2000 pelo romance histórico "Na América", o Prémio Príncipe das Astúrias das Letras (Espanha, 2003) ou o Prémio Jerusalém da Literatura (o mais prestigiado de Israel para escritores estrangeiros, em 2001). De destaque também o aclamado ensaio sobre a estética homossexual "Notes on Camp" (1964), que a lançou como promissora jovem escritora, o romance "Sob o Signo de Saturno" (1972) ou o "best-seller" "O Amante do Vulcão" (1992). Conhecida pelos múltiplos interesses, do jornalismo à filosofia, do cinema à fotografia, Sontag destacou-se como uma das vozes mais irrequietas entre os intelectuais da América, onde se tornou famosa pela sua prosa provocadora e por declarações polémicas. Eterna activista dos direitos humanos e feminista convicta, Sontag era conhecida pela sua capacidade de conversar horas sobre os temas mais variados, o que a levou um dia a lamentar que as televisões a olhassem como "uma máquina de opinião", cita a edição online do diário espanhol "El Mundo". Em 2001, desencadeou uma onda de protestos quando afirmou que os atentados de 11 de Setembro não tinha sido o "ataque cobarde" à civilização de que todos falavam, mas uma consequência nefasta das acções e da política de alianças das sucessivas administrações norte-americanas. Em 2003 voltou a insurgir-se contra a guerra desencadeada pelo Presidente George W. Bush no Iraque, confirmando a alcunha de "a mais europeia dos intelectuais americanos".


Filha de uma família judía, Sontag nasceu em 1933 em Nova Iorque, a sua cidade de sempre, mas passaria a infância e adolescência entre o Arizona e Los Angeles, antes de ingressar na Universidade de Chicago, passando depois pelas universidades de Harvard e Oxford. Em 1968, é enviada como correspondente para o Vietname, um conflito que a marcará profundamente e que reforçará a suas convicções pacifistas. Vinte e cinco anos depois volta a um cenário de guerra, desta vez na Bósnia Herzegovina para alertar o mundo da escalada de horror vivida na Jugoslávia em derrocada. Com Sarajevo debaixo de um sangrento cerco, Sontag desloca-se à cidade, onde dá aulas de arte dramática e encena juntamente com outros intelectuais a peça "À Espera de Godot", de Samuel Beckett. Entre 1987 e 1989, presidiu ao Centro Americano PEN, uma organização internacional de escritores dedicada à defesa da liberdade de expressão, através da qual liderou numerosas campanhas a favor da libertação de escritores perseguidos ou detidos em vários pontos do globo.

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