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Quarta-feira, 27 Setembro 2006 10:04

EUA
Catolicismo pouco preocupado em relação a excomunhão de padres casados



A excomunhão de Emmanuel Milingo pelo Vaticano devido ao facto de ser casado é, para alguns de seus seguidores nos Estados Unidos, "irrelevante", e também não preocupa outros sacerdotes casados que se dizem católicos e que não concordam com ele.


Para Cheryl Cavalconte, de Rhode Island, ordenada sacerdotisa católica em 1967 pelo bispo Robert Allman, de Nova York, e simpatizante de Milingo, assim como seu marido Charles, que também é padre, o assunto "é irrelevante".

"Roma não mudará, e é fútil a tentativa de mudar Roma", disse Cavalconte à Efe ao comentar a decisão do Vaticano. Cheryl e seu marido Charles, que foi ordenado padre antes de ambos se casarem, atualmente celebram casamentos bodas, batismos, funerais e fornecem assistência religiosa em sua comunidade. Para Cheryl Cavalconte, "quando Milingo, os bispos Peter Paul Brennan, Joseph Gouthro e tantos outros" tomaram a decisão que tomaram, se afastaram "da 'comunhão' da Igreja Católica".

O Vaticano, além de Milingo, excomungou também Brennan, Gouthro e Patrick Trujillo, titular da arquidiocese de Nossa Senhora de Guadalupe de Nova Jersey.

Mas, "a esta altura, o que o Vaticano faz ou não faz é irrelevante", reiterou Cavalconte. "Aqui a questão é em quem acreditamos, em última instância, a quem devemos responder por nosso chamado vocacional: a Deus ou à Igreja?", disse.

"Quando Jesus distribuiu a eucaristia disse 'a ti Pedro, que me negarás, a ti Judas, que me trairás, e a todos os demais que me abandonarão'" ressaltou Cavalconte. "E se até a essas pessoas, sabendo o que fariam, Jesus deu a comunhão, como podemos nos considerar excomungados quando cumprimos com nossa vocação?".

Cavalconte afirmou que há em todo Estados Unidos pelo menos 1.500 padres católicos que se casaram e continuam exercendo o ofício sacerdotal.

Entre eles está John Schuster, padre católico e casado que vive em Seattle (Washington) e que, em conversa telefônica, disse à Efe que há muito "não se interessa pelo que Milingo faz, porque o que busca é estabelecer outra Igreja". Sua posição é bem diferente. "Nós queremos mudar a Igreja dentro da tradição católica", acrescentou Schuster, que foi "padre dentro do sistema" durante 18 anos e que exerceu o sacerdócio casado por outros 23 anos.

Schuster disse que "Milingo tem um histórico de atitudes extravagantes e se vinculou à Igreja da Unificação". Para ele, "a mudança será possível desde dentro da Igreja Católica quando as pessoas prestarem atenção à forma como a Igreja conduzida", acrescentou. Schuster foi além: "A homossexualidade é abundante entre padres e bispos. Os homens heterossexuais vão, os homossexuais ficam".

Da mesma forma que os Cavalconte, Schuster exerce seu oficio de padre "dando apoio espiritual aos que se aproximam, sabendo que falam com um padre católico que é casado".

"Eu dou apoio espiritual, e quando as pessoas falam de seus problemas matrimoniais, dou apoio matrimonial, como sacerdote e como homem casado, porque tenho a experiência", afirmou.

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