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Domingo, 14 Setembro 2003 00:58

PORTUGAL
Spencer Tunick Celebra Naturalidade do Corpo em Santa Maria da Feira



"Se estiverem indecisos, façam-no.


No final, ainda me vão agradecer". Se, por momentos, houve hesitações, elas não transpareceram. Minutos antes de começar a primeira instalação na madrugada de ontem, em Santa Maria da Feira, Spencer Tunick subiu a um escadote de metal, de megafone na mão, para dar instruções a 295 pessoas - de todas as idades, incluindo crianças de colo -, que voluntariamente se preparavam para tirar a roupa. Eram quase sete da manhã. O artista norte-americano levantou-se antes das cinco, uma hora antes de os participantes começarem a chegar. Foi preciso deixar o sol nascer. Depois disso, a rua Elísio de Castro, o anfiteatro da praça Gaspar Moreira, o chafariz da praça da República foram cobertos por uma massa humana. Primeiro, na rua, os participantes deitaram-se de barriga para baixo - uma posição que Tunick não captava desde 1995. Depois, no anfiteatro, sentaram-se. E, ao redor do chafariz, ficaram em várias posições. A última instalação teve lugar na Biblioteca Municipal da Feira apenas com os corpos femininos. Andrew Einhorn ocupava-se da parte do vídeo, absorvendo e acompanhando os passos de Tunick, que estava bem disposto. Era necessário orientar o trabalho. Era preciso tirar do corpo, explicou, "tudo o que pode ser retirado". [...] "As pessoas despem-se de complexos, o que é importante e necessário. Todas deviam experimentar uma coisa destas." Cândido Coutinho, 47 anos, de Esposende, resolveu não deixar escapar a oportunidade. "Este tipo de trabalho mexe com muita coisa, com consciências, com mentalidades", comentou. As palmas dos participantes ouviam-se, sobretudo no final de cada instalação. A primeira manifestação colectiva sonora aconteceu mal tiraram a roupa. Obviamente que as esculturas de corpos não resistiram a olhares ora mais desconfiados, ora mais compreensivos. Manuel Muro fez 10 quilómetros e gostou do que os seus olhos viram. "É um bom espectáculo. Nascemos assim e no tempo de Adão e Eva andava-se desta forma", disse. Mas, de quando em vez, ouvia-se um "Que espectáculo triste..." Antes ainda de captar os corpos femininos na biblioteca, Tunick revelou aos jornalistas que sentiu uma especial preferência pela segunda instalação, no anfiteatro, onde as pessoas estavam sentadas, ligeiramente de perfil e viradas para o mesmo lado. "Nunca fiz uma instalação assim e acho que fui muito bem sucedido." Agradeceu a presença aos participantes, que dentro de quatro meses vão receber, pelo correio, uma impressão de uma das instalações que o autor vai seleccionar, e adiantou que gostaria de expor os seus trabalhos em Portugal. Muito provavelmente no Porto, uma cidade que adorou e que consta já na sua lista dos mais bonitos espaços europeus. O artista veio a Santa Maria da Feira a convite do Festival Sete Sóis Sete Luas que decidiu enquadrar o seu trabalho no Imaginarius, Festival Internacional de Teatro de Rua, que hoje termina, na cidade da Feira.

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#portugal #porto ano 2003

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