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Sexta-feira, 13 Maio 2005 00:59

PORTUGAL
Aborto é mais grave do que infanticídio, diz pároco



A frase, no mínimo polémica, provocou ontem ondas de contestação: "Matar uma criança no seio materno ainda é mais violento do que matar uma menina aos cinco anos". A comparação foi feita pelo padre Domingos Oliveira durante a missa de 7.º dia de Vanessa Pereira, a criança alegadamente maltratada até à morte pelo pai e pela avó paterna. E teria passado despercebida não fosse o caso de uma jornalista da Visão lhe ter dado relevo, no meio de outras afirmações mais previsíveis proferidas pelo sacerdote, como a de que o aborto é "um crime gravíssimo" e a de que se deve responsabilizar "a sociedade que favorece o uso de contraceptivos".


A Igreja Católica - que inicia no próximo domingo uma "semana da vida", iniciativa em que se propõe aos párocos sugestões de homilias e orações - apressou-se a reagir, pela voz do bispo de Leiria-Fátima, Serafim Ferreira e Silva: "Não posso colocar no prato de uma balança a Vanessa e no outro prato o bebé de quatro semanas que nem chegou a ver a luz do dia. Não posso dizer: aquela vale mais e aquela vale menos. A vida humana não tem preço, é um valor absoluto e por isso não posso comparar nem quantificar". O reitor do santuário lembrou, a propósito, um texto do Concílio Vaticano II (1962-65) que afirma que o aborto e o infanticídio são crimes "abomináveis".

Na Assembleia da República, o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, proclamava, irado, que as declarações do sacerdote são "inaceitáveis" e que o seu partido repudia "totalmente este tipo de intervenções na praça pública".

Domingos Oliveira, de 56 anos, 14 dos quais passados na paróquia de Lordelo do Ouro, no Porto, parecia ontem surpreso com as reacções que as suas palavras desencadearam. "O que quis dizer é que uma criança no seio materno não pode defender-se, enquanto uma criança com cinco anos [como a Vanessa] podia chorar, pedir ajuda, apresentar sintomas. Isto é menos traição [menos grave] do que atacar um ser indefeso", explicou ao PÚBLICO.

O sacerdote não compreende também por que razão é que os jornalistas não deram o mesmo relevo a outras declarações que proferiu na missa de sábado - mandada celebrar pela mãe da pequena Vanessa, a criança encontrada morta nas águas do rio Douro na semana passada. "Falei de outros mecanismos não tão visíveis, mas que também levam à morte", como, por exemplo, "as uniões de facto".

Para o sacerdote, é claro como a água que a vida começa no momento "da fecundação do óvulo". Mais à frente, acrescenta: "Pelo que sei, os cientistas falam em 18 dias. Aos 18 dias já há vida humana".

E nem o facto de em breve a despenalização do aborto poder vir a ser de novo referendado em Portugal o faz vacilar nas suas convicções. "[Isso] não invalida as conclusões dos cientistas. Não podemos também ir atrás dos outros países da Europa [onde o aborto não é crime há muitos anos]. Não são países cristãos, não reconhecem a lei de Deus que é não matar". com A.M.

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