PORTUGAL: Apresentado programa do QueerLisboa18 (PortugalGay.pt)
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Segunda-feira, 8 Setembro 2014 13:29

PORTUGAL
Apresentado programa do QueerLisboa18



O QueerLisboa18 divulga em comunicado o que podemos encontrar nesta edição onde atinge a maior idade.


O PortugalGay.pt como parceiro mídia divulga aqui o mesmo e espera por todos os nossos cibernautas entre 19 e 27 do corrente no cinema S. Jorge e Cinemateca em Lisboa sem esquecer o Queer Porto 3 e 4 de Outubro na Casa das Artes.

Uma retrospectiva da primeira fase da obra de John Waters; um programa que junta pela primeira vez a filmografia completa do britânico Ron Peck; um inédito de Derek Jarman exibido pela primeira vez fora do Reino Unido e que serve de pretexto a um olhar à sua obra e à forma como moldou a iconografia queer dos anos 80 e 90; um programa dedicado ao Cinema Queer africano; a par de uma ambiciosa selecção dos filmes queer mais relevantes de 2013 e 2014, são alguns dos pontos altos do Queer Lisboa 18 – Festival Internacional de Cinema Queer, cujo programa completo foi apresentado hoje em conferência de imprensa. Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (Brasil), de Daniel Ribeiro, eFlores Raras (Brasil), de Bruno Barreto, são os filmes de abertura e encerramento do Festival, que este ano conta com um total recorde de 135 filmes de 38 países diferentes, sendo a maior edição do Festival até à data.

A edição que assinala os 18 anos daquele que é o mais antigo festival de cinema de Lisboa fica marcada também pelo anúncio da chegada à cidade do Porto, este ano com a Retrospectiva de Waters, e a partir de 2015, com aquela que será a primeira edição do Queer Porto. Este ano, que o director do festival, João Ferreira, afirma como sendo o de um “ponto de viragem para o Queer Lisboa, em que o festival conhece mais um salto qualitativo”, é também marcado pelo lançamento do livro Cinema e Cultura Queer, onde se traça um panorama do cinema queer internacional, através do que foi a programação do Queer Lisboa desde 1997, e onde se reúne conjunto de ensaios que faz aquela que é a primeira abordagem exaustiva da história do cinema queer em Portugal.

Pela primeira vez, Portugal sobe à segunda posição de país com mais filmes programados, com um total de 18 títulos, superado apenas pelo Reino Unido, com 20 filmes. França e Alemanha estão representadas com 17 títulos cada, no ano em que o Queer Lisboa conseguiu o apoio do Programa MEDIA, da Comunidade Europeia, um importante impulso para a promoção do cinema europeu no Festival. O Queer Lisboa 18 é financiado pela Câmara Municipal de Lisboa / EGEAC, pelo ICA – Instituto do Cinema e do Audiovisual, pelo Programa MEDIA, e um conjunto de apoios privados, contando com um orçamento de cerca de 130.000€, ao qual acrescem as receitas previstas em 20.000€, totalizando 150.000€.

Da última edição do Festival de Cannes, o Queer Lisboa 18 consegue assegurar a estreia nacional de alguns importantes títulos como Party Girl (França), de Marie Amachoukeli, Claire Burger e Samuel Theis, galardoado com o Ensemble Prize e o Caméra d’or, que nos conta a história de uma empregada de bar de 60 anos, Angélique, que refaz a sua vida de forma surpreendente, num registo que joga com os limites entre ficção e documentário. Também estreado na secção Un Certain Regard em Cannes, Xenia (Grécia), de Panos H. Koutras, conta a história de dois irmãos, imigrantes ilegais na Grécia actual, onde procuram um pai há muito perdido. Estes dois títulos competem para a melhor longa-metragem, a par de filmes comoSomething Must Break (Suécia), de Ester Martin Bergsmark – vencedor do Hivos Tiger Award este ano em Roterdão -, Los Tontos y Los Estupidos (Espanha), de Roberto Castón – que estreia este mês em San Sebastián –, ou Stand, (França) de Jonathan Taieb, um título que promete ser uma das surpresas desta edição, ao propor um corajoso olhar à homofobia na Rússia. Bergsmark, Castón e Taieb estarão presentes em Lisboa para apresentarem os seus filmes.

Para a Competição de Documentário, Julia (Alemanha, Lituânia), de J. Jackie Baier, Castanha(Brasil), de Davi Pretto, e Hello Stranger (Suíça), de Thomas Ammann são alguns dos títulos revelados que contarão também com a presença dos realizadores. Para a Competição de Curtas-Metragens, destacam-se Frei Luís de Sousa (Portugal), dos Silly Season e Kinéma, assim como Pride (Bulgária), de Pavel G. Vesnakov - vencedor do Grand Prix em Clérmont-Ferrand -, Mondial 2010 (Líbano), de Roy Dib - vencedor do Teddy Award deste ano -, e finalmente But You Are a Dog (Suécia), de Malin Erixon, realizadora vencedora do Prémio de Melhor Curta-Metragem da última edição do Queer Lisboa.

O realizador Manuel Mozos, o programador do British Film Institute, Michael Blyth e a directora do Mix Copenhagen, Lene Thomsen Andino (na competição de longas-metragens); a programadora Ana Isabel Strindberg, o performer Miguel Bonneville e o ensaísta Martin P. Botha (na competição de documentários); o realizador André Godinho, a produtora Joana Ferreira e o jornalista britânico Ben Walters (na competição das curtas-metragens); Fernando Vendrell, Joana de Verona e o director do Curtas Vila do Conde, Nuno Rodrigues (na competição de filmes de escola europeus), compõem o júri da presente edição.

A secção Queer Art, com um total de 26 filmes, prossegue a sua aposta numa série de cinematografias mais arrojadas. Destaque para a Retrospectiva de Ron Peck com os seis títulos da sua obra, dando-se a conhecer assim o cinema do realizador de Nighthawks (1978), um dos títulos pioneiros do cinema gay. Peck estará em Lisboa para apresentar esta sessão. O documentário Nan Goldin – I Remember Your Face (Alemanha), de Sabine Lidl, é também um dos filmes a ver no Queer Art, assim como Before the Last Curtain Falls (Alemanha), de Thomas Wallner, documentário que acompanha o espectáculo Gardenia, do coreógrafo Alain Platel. Na ficção, destaque para Stella Cadente (Espanha), de Luís Miñarro, um muito original olhar ao breve reinado de Amadeo de Saboia na Espanha da segunda metade do século XIX, que não deixa de sugerir reflexões sobre o presente da Europa.

O Queer Art cruza-se este ano com a secção Queer Pop, numa homenagem a Derek Jarman. No Queer Art é apresentado Will You Dance With Me? (Reino Unido), filme inédito de Jarman, que resulta de um conjunto de filmagens que o realizador fez em finais de 1970 num clube gay londrino e que deveriam fazer parte do filme Empire State (1987), de Ron Peck, também exibido este ano. No Queer Pop, oportunidade para ver os filmes de tournée e os telediscos que Jarman fez, não apenas para os Pet Shop Boys, mas para intérpretes e bandas como Marianne Faithfull ou os The Smiths, ajudando a definir toda uma iconografia que marca os anos 80 e 90.

Biografia do realizador pornográfico gay mais icónico dos anos 70, falecido no passado mês de Junho, Peter de Rome: The Grandfather of Gay Porn, de Ethan Reid, é outro dos pontos altos do Festival, juntamente com Mondo Homo: A Study of French Gay Porn in the 70s, de Hervé Joseph Lebrun, ambos incluídos na secção Hard Nights.

Apresentado na Cinemateca Portuguesa, o programa Queer Focus on Africa, uma colaboração com o Africa.Cont, sugere um olhar à forma como o cinema queer se tem vindo a desenvolver no continente africano, resgatando títulos emblemáticos como Touki Bouki (Senegal), de Djibril Diop Mambéty ou Appunti per un’Orestiade Africana (Itália, Marrocos), de Pier Paolo Pasolini, e propondo uma série de debates, instalações e performances com artistas africanos convidados. De 20 a 27 de Setembro, a Cinemateca Portuguesa será palco também de exposições da egípcia Amanda Kerdahi, e do franco-argelino Kader Attia.

O Queer Lisboa 18 tem este ano como mote uma expressão inspirada na Retrospectiva de John Waters, a ter lugar na Cinemateca Portuguesa entre 20 e 26 de Setembro e na Casa das Artes do Porto, nos dia 3 e 4 de Outubro. “18 Years of Filth” será o slogan provocatório que vamos ver espalhado um pouco por toda a cidade de Lisboa e do Porto, numa justa homenagem a um dos nomes maiores que contribuiu para definir o Cinema Queer. Entre outros, os espectadores do Queer Lisboa terão a oportunidade de ver o clássico de Waters, Polyester (1981), com os famosos cartões Odorama, tendo desta forma a experiência completa proposta por este irreverente realizador.

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