Reportagem: Marcha do Orgulho LGBT em Lisboa 2012 (PortugalGay.pt)
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Reportagem

Marcha do Orgulho LGBT em Lisboa 2012

Sábado, 23 de Junho, o Príncipe Real em Lisboa voltou a pintar-se de múltiplas cores para celebrar a 13ª Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa.

Aqueles mais pontuais foram presenteados com a animação do coro londrino "Pink Singers", enquanto os restantes marchantes à boa maneira lusitana iam chegando mesmo em cima da hora. Passados cerca de trinta minutos da hora marcada sentia-se as primeiras agitações no sentido de dar início efetivo ao desfile. Os "mestres de cerimónia" iam alinhando os diferentes coletivos, enquanto o carro de som aumentava o volume e a precursão dava os primeiros arrufes.

Iniciava-se desta forma a Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa 2012, que do jardim do Príncipe Real ia percorrer as ruas de São Pedro de Alcântara, Rua da Misericórdia, Rua Garrett e Rua do Carmo, para na parte final atravessar a parte baixa da Praça do Rossio e terminar na Praça da Figueira.

Nesta praça concentraram-se em frente ao carro de som, puderam assistir à leitura resumida do manifesto e aos discursos proferidos pelas diferentes entidades que organizaram esta edição.

Destaque

Uma breve nota de destaque para Faradiva que durante toda a marcha foi incansável convidando os marchantes (e não só) a clamarem palavras de ordem nunca esquecendo também um lado mais ligeiro com momentos de humor aqui e ali. Teve também papel no final apresentando cada um dos intervenientes e as entidades que representavam. Teve oportunidade também de fazer referência, a meio da marcha, que no dia 7 de Julho é dia da Marcha do Orgulho LGBT no Porto à tarde e do Porto Pride à noite.

O Resumo do Resumo do Manifesto

A atriz Joana Manuel fez uma leitura resumida do manifesto deste ano, não deixando de mostrar a energia e salientar as principais preocupações dos organizadores da Marcha deste ano. Salientou a importância de uma educação para a diversidade que inclua a formação dos professores e restante pessoal de ação escolar no combate ao preconceito, passando pela alteração dos manuais educativos tornando estes mais diversos e representativos da diversidade sexual e de género. E promovendo também uma educação que previna ações de bullying entre alunos e alunos e professores.

A importância de a Ordem dos médicos por fim à sua influência na apreciação dos processos de transexualidade terminando a ingerência na autonomia das equipas multidisciplinares. Assim como desafiou a mesma Ordem e a Ordem dos psicólogos a adotarem os mesmos critérios de avaliação seguidos pela Associação Mundial Profissional da Saúde Transgénera. Não esquecendo a sexualidade sénior, reprimida no geral e que nos casos das pessoas LGBT lhes impõe um regresso ao armário. Também fez referência à alteração da lei da adoção no sentido de uma parentalidade responsável, onde os casais do mesmo sexo sejam sujeitos aos mesmos critérios de avaliação que são impostos a todos os outros casos. Não se entendendo que uma criança seja educada e amada por um casal do mesmo sexo e apenas um dos pais seja reconhecido legalmente.

Discursos

Os discursos tiveram logo início assim que o último marchante chegou à Praça da Figueira tendo começado por Inês Ribeiro das Panteras Rosa. Salientando que a crise económica promovida por uma sociedade capitalista e patriarcal acentua a discriminação dos grupos minoritários e que por isso é preciso marchar pelo direito a termos direitos. Numa referência às pessoas transexuais reclamou o direito à história dos nossos corpos, e rejeitou a patologização destas pessoas.

Margarida Faria da Amplos (Associação de Mães e Pais pela Liberdade da Orientação Sexual) reforçou a razão da presença desta associação na Marcha, expressando que muitas vezes é preciso fazer das fraquezas forças na defesa dos filhos e filhas dos pais que fazem parte da Amplos, e num jeito quase de desabafo diz em relação a esses pais "o que alguns andaram para aqui chegar", mostrando assim que é um caminho muitas vezes difícil, mas que é de certeza mais fácil quando constantemente trabalhado e partilhado por todos os intervenientes.

Nadia da UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta) e uma das organizações não-LGBT mais antiga destas andanças, não deixou de fora a importância de marchas como esta existirem e da dedicação da UMAR em fazer parte delas.

De Coimbra veio Ana Cristina Santos que pela Associação Não Te Prives, que começa por salientar que temos alguma coisa que festejar, mas ainda temos muito porque dizer não: não à desigualdade, não à discriminação, não ao preconceito. Ainda não temos o respeito por todos os nossos direitos, e por isso estamos atentos para denunciar todas as formas de discriminação.

O Poly-Portugal, na voz de Alistair, fez referência que embora estejamos em crise, essa crise é económica e não de afetos, não no amor. "Os beijos não se esgotam" disse, tal como não se esgotam segundo as suas palavras, as possibilidades de relações afetivas e amorosas entre duas ou mais pessoas.

Cátia da rede ex aequo, salientou que recentemente a comunidade havia dado um passo pequeno, mas mais um passo, com a aprovação em concelho de ministros do estatuto do aluno e ética escolar, onde é referido o respeito devido por todas as orientações sexuais dos alunos, e este passo só foi pequeno porque nesse mesmo estatuto não se lê o mesmo respeito pela identidade de género.

Uma estreia nas lides da Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa, foi a presença da Associação de Alunos do ISCTE representada pelo João, que exaltou a homofobia e o machismo vivido no meio universitário, com especial referência (em bom vernáculo) a diversos cânticos utilizados durante as praxes.

Quase no final das intervenções, Letícia, falou-nos pela APF (Associação Planeamento Familiar), amplificando a falta de informação correta, isenta e esclarecida dos meios disponíveis nomeadamente na procriação medicamente assistida, salientando a necessidade de um discurso livre de preconceitos e julgamentos baseados em valores pessoais.

Terminou estas intervenções a representante da ILGA-Portugal, Júlia, que agradeceu a presença do grupo coral britânico "Pink Singers" e anunciou a festa que a sua associação ia ter no Teatro do Bairro onde estaria presente o referido grupo coral mas também o coro da ILGA e mais animação.

Faradiva encerrou os dicursos no papel de marketing na promoção da festa da Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa que iria decorrer no Teatro Aberto, em Santos e convidando todos também a permanecerem ainda na Praça da Figueira pelo tempo que quisessem com o DJ a animar as hostes.

Marcha

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23 Junho 2012
 
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