Faz agora um ano desde que o meu agora-falecido Pai acordou-me com uma chamada e disse algo como, "O World Trade Center acabou de cair."
Na altura pensei que ele estava com delírios mas de qualquer forma acordei a minha outra metade e liguei a televisão. Como vocês, passei o resto do dia colado ao ecran. Tinha o meu computador portátil na cama comigo, usando e-mail e o telefone Internet para comunicar com dirigentes gays e testemunhas em Nova Iorque.
Escrevi uma longa reportagem sobre a reacção dos gays e a perspectiva gay da questão. Fui o primeiro jornalista a indicar que o Padre Mychal Judge era homossexual e alguns dos meus editores submeteram-me a uma dose incomum de verificação de factos durante essa semana. Obviamente, isto tudo foi agora relatado pela Associated Press, o New York Times, e todos os outros.
Esta semana voltei a falar com os entrevistados de Nova Iorque e Washington das minhas reportagens originais e, se bem que com alguma dificuldade, convenci-os a partilharem os seu pensamentos e sentimentos passado um ano.
Andy HummNota de tradução: neste texto utilizou-se a expressão 9/11 para indicar o 11 de Setembro pois é a forma mais comum de indicar datas para os Norte Americanos. Da mesma forma manteve-se a expressão "América" e "Americanos" quando se poderia ter utilizado "Estados Unidos da América" e "Norte Americanos" pois todo o texto original foi escrito por Norte Americanos.
Michael Musto
Andres Duque
Barbara Rabb
Sean Strub
Jay Blotcher
John Aravosis
Michelangelo Signorile
Ralph Buchalter"Como um homem homossexual em Nova Iorque," continua Ralph, "o que senti no último ano foi uma diminuição nas diferenças relativas entre homossexuais e heterossexuais quando lutavamos contra as diferenças que os ataques focaram entre o Ocidente e o não-Ocidente. As bandeiras Americanas que decoravam literalmente todos os bares gays na cidade pareciam marcar este evento como um em que os homosseuxais estavam literalmente e abertamente inseridos e de uma forma que nunca tinha acontecido antes. Devido ao 'movimento gay', qualquer que seja a forma como o definimos desde os últimos 25 anos e qualquer que seja a nossa desilusão com o mesmo hoje em dia, havia trabalhadores abertamente homossexuais no Trade Center, com amigos e parceiros no exterior, e o seu desaparecimento nessa manhã pôs-nos a todos directamente dentro da caixinha."
Os meus pensamentosO meu amigo Clint, eu e as pessoas com quem ele trabalha estiveram em luta contra um virus incomum nas últimas semanas com sintomas raros. Antes do meu médico garantir-me que era uma "coisa" que andava por aí e que toda a família dele a tinha apanhado, Clint e eu pensamos em voz alta, "Talvez os terroristas tenham posto algo na água de San Diego." O facto de estarmos 10% sérios ao afirmar isto é uma das consequências desta realidade pós 9/11.
Tive que fazer viagens intercontinentais três vezes desde 9/11 e acho que as pessoas são um bocadinho mais simpáticas com os Americanos. Este efeito não vai durar muito tempo, mas foi interessante ser odiado um bocadinho menos que o habitual devido ao defeito de ter nascido num certo país. Muitas pessoas no resto do mundo têm uma relção de amor/ódio, fascínio/repúdio com a América que, após o 9/11, parece ter balançado um bocadinhozito para o lado do amor por uns tempos.
Eu sou uma daquelas pessoas que espera que caiam mais coisas da prateleira. A água pode estar envenenada, as pontes podem ruir, pode ser libertada radiação, e existe mais uma dezena de cenários assustadores.
Pelo menos, um ano depois, acho que detectei alguma complacência entre o público em geral e nos funcionários públicos. Eu voto nos Democratas excepto quando voto à esquerda dos Democratas -- para o Partido Os Verdes, o Partido Paz e Liberdade, etc. Não sou um conservador. Mas sinto que o governo não consegui evitar a entrada de terroristas e a sua livre movimentação nos Estados Unidos.
Se queremos evitar mais 9/11s, o Big Brother tem de mostrar mais interesse em quem está por aqui, de onde vieram, o que fizeram no passado, e o que pretendem fazer. É lixado. E é necessário.
Rex Wockner.
tradução PortugalGay.PT