Entrevista: Carlos Castro (PortugalGay.pt)
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A Crónica Social

Carlos Castro:

Porque é que
então vou perguntar
a uma figura pública
se é homossexual e
a um político não
perguntam?
AS: Carlos, você escrevendo poesia é também um escritor do efémero. Porque você escreve crónica social, que a madame tal estava chique que o senhor tal...

CC: É verdade. Eu já não escrevo bem esse tipo de crónica. A minha crónica é mais uma crónica de costumes, de há uns anos a esta parte. Eu acho que tenho uma forma de escrever, ridicularizar determinados personagens da vida portuguesa, não entro muito nessa do vestir, do pentear... foi uma fase que achei muito engraçada em 77 quando eu apareci com um pseudónimo, era um pseudónimo feminino que eu usava, mas depois, que as coisas sabem-se todas neste país, e pronto... foi isso achava muito engrançado. Agora não, não acho piada. E acho que uma crónica social, uma crónica de costumes é realmente para dizer a verdade, por exemplo dizer que o Ministro da Cultura anda com a Bárbara Guimarães porque ele é o Ministro da Cultura e tem que assumir que anda com a Bárbara Guimarães.

AS: Mas qual é o mal do Ministro da Cultura andar com a Bárbara Guimarães?

CC: Porque eles escondem-se, porquê? E eu pergunto porque eles se escondem? Porque é que então vou perguntar a uma figura pública se é homossexual e a um político não perguntam? É a mesma história.

AS: Diga-me aqui uma outra questão... essa fase da sua vida em que fazia crónica social não lhe trouxe dissabores?

CC: Eu nunca tive grandes problemas com pessoas, com crónicas que eu tivesse escrito e acho que muita gente até achou piada...

AS: Aqueles que foram elogiados, os outros...

CC: Não, não, não... Se eu quisesse e se me tivesse vendido, mas eu nunca me vendi.

AS: Diz-se que alguns colonistas são pagos para falar de A, B ou C e que algumas pessoas pagam para que as fotografias delas saiam...

CC: Para que apareçam, aliás é o que eu digo! Eu a pouco tempo estive na CNL no programa da Luisa Castelo Branco e foi abordado esse tema e eu saí cruxificado por vária revistas, porque eu disse que havia realmente lobbies dentro das revistas. Porque não é possível fazer-se a imagem de uma pessoa, constantemente todas as semanas, a aparecer, a aparecer, constantemente, e aquela pessoa andar como se estive na camisa e nas calças do personagem que escreve aquelas crónicas.

AS: Portanto nessas revistas mundanas são pessoas que pagam aos jornalistas ou à revista para que as fotografias delas saiam com alguma consecutividade.

CC: Eu acho que há uma regra de ouro em algumas revistas cor-de-rosa, acho que é tudo muito peneirado, tudo muito bem feito. Mas há outras revistas que estou convencidíssimo que isso acontece.

AS: Mas você está convencido ou tem a certeza?

CC: Do convencimento à certeza não vai muita grande distância... Cá em Portugal quando se fala de uma coisa é porque essa coisa já aconteceu de certeza.

AS: Já agora fale-nos numa crónica que tenha trazido alegrias e de uma outra que tenha trazido chatices.

CC: Tantas, tantas... eu mudei de escritório, e andei durante um mês a deitar do 2º andar ao rés do chão, milhares e milhares de revistas escritas por mim e coisas escritas a meu respeito e fiz uma limpeza total... por isso já vê.

AS: Mas agora quem quizer fazer o historial da sua vida...

CC: Não, não. Há um livro meu de crónicas de costumes, que é o Chique e o Choque, lançado aí a quatro anos...

AS: Mas está a fugir à pergunta ou esqueceu-se... alegrias e tristezas...

CC: Tristezas... tristezas foi quando escrevi sobre alguém que desapareceu, pessoas muito importantes a quem não se deu valor. Actores grandes por este país e nunca se olhou direito a essas pessoas, acho.



Esta entrevista foi transmitida no programa Vidas Alternativas da Rádio Voxx (91.6 Lisboa, 90.0 Porto) no dia 19 Julho 2000.
Transcrição autorizada para o site PortugalGay por António Serzedelo.
 

Carlos Castro

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