Prosa - Dois Tipos (PortugalGay.pt)
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Set 2001



João e Hugo encontraram-se na net e após algumas horas de conversação trocam os números de telefone e marcam para no dia seguinte irem á praia, Hugo diz qual é a praia e diz também que leva alguns amigos gays.

João chegou mais cedo do que o combinado e foi para o bar da praia, pouco tempo depois chega Hugo mas eles não se conhecem pessoalmente.

Hugo vai-se sentar na mesa do João e este fica assustado com o que vê.

E pergunta com um ar muito sério: Perdão, que está a fazer???

Hugo diz tu não és o João? Eu sou o Hugo.

Pois... mas... podes-te levantar e dar uma voltinha para eu te ver melhor?

-Sim!!

E é aí que tudo começou: João disse que Hugo era bicha, este não gostou a começou a falar alto.

João repetia e abanava a cabeça dizendo que isto não me está a acontecer.

Mas estava... João disse que ser gay não é ser bicha e não compreendia Hugo porque no dia anterior tinha perguntado se este tinha algum tique e a resposta foi não, e detesto bichas para mim são desprezíveis e deviam ser queimados(as) em praça publica.

(se assim fosse ele estaria lá para ser queimado).

João disse: pára e olha como te vestes, tu não tens só tiques és bicha!!!

Hugo irritado disse se o problema era a roupa ele tirava.

João responde rindo não querendo acreditar no que ouvia, despe-te se quiseres e como fazes aos tiques também os despes?

Hugo leva a sério e começa a despir-se no bar.

Toda a gente estava com os olhos postos nos dois, João quase que chorava.

As pessoas estavam todas a comentar aquilo, umas a favor do João outra a favor do Hugo, uns dois ou três casais saíram indignados com aquilo.

Na praia já se sabia que estava um homem de tanga e que era gay e pretendia tirá-la, toda a gente queria ver e correram para o bar, o bar encheu dentro e fora com gente fofoqueira.

João dizia que se não fosse ser paciente e compreensivo já o tinha abandonado, mas como era, esperava pelas bichas suas amigas que ele convidara.

João tenta em vão arrastar Hugo para fora do bar para irem resolver aquilo noutro sítio.

Hugo dizia que tinha de ser resolvido ali e que João não tinha tomates para se assumir.

João perde a cabeça e coloca-se em cima de uma cadeira e diz eu sou gay, mas não consigo estar ao pé de bichas, pois isto sim é aberração, um homem ter voz irritante, ter gestos de putas doidas, dar gritinhos, abanar-se, etc.. que nojo.

Hugo tira o resto que lhe restava e fica nu, completamente nu e agarra João num acto brusco e coloca a mão de João no seu pénis.

O dono do bar chama a polícia e as pessoas tiram fotos, filmam, tapam os olhos, saem do bar, riem-se, comovem-se, etc...

João vê o quanto foi estúpido e parvo ao agir daquela forma com Hugo, mas já era tarde de mais: a polícia estava a prende-los os dois.

Todas as mulheres diziam que Hugo era um desperdício, pois, na realidade o corpo de Hugo era fabuloso, todo muito bem definido.

A polícia já na esquadra colocam os dois em celas separadas.

Os polícias daquela zona não se lembram de algo parecido lhes ter acontecido antes e por isso chatearam Hugo e aproveitaram-se dele não deram a roupa e às vezes apalpavam-no fazendo que não era nada, com João foi diferente, pois, ele após uma hora estava em liberdade.

João foi para casa e não conseguia dormir, passou toda a noite a pensar no Hugo enquanto este era observado, gozado e apalpado pelos polícias de cima a baixo.

No dia seguinte foi a esquadra e Hugo não o quis receber estava com nojo dele próprio.

João esperou e resolveu ir as traseiras da esquadra e começou a falar, pois, sabia que Hugo o escutaria.

Resolveu ir tentar de novo ir a esquadra falar com Hugo, mas desta vez quem o impedia de entrar era um polícia que devia estar a gostar de ver Hugo nu numa sela

João nem pensou e deu-lhe o que merecia que foi um soco, foi imediatamente preso e desta vez colocaram-no na mesma cela de Hugo para ver no que dava.

João entrou muito tímido e com um enorme sentimento de culpa e reparou que Hugo nem se mexia, despe algumas peças de roupa e dá-lhe para que Hugo se tape.

Este olha-lhe e agradece, pede desculpas pelo incomodo e começa a chorar.

João consola-o e começa a gostar dele, depois beija-lhe no rosto e Hugo começa a responder aos afectos que João lhe dirige.

Os polícias com medo de que Hugo contasse a João o que eles fizeram-lhe de maldade deixaram eles a sós para que a noite deles apagasse as mágoas.

Naquela noite fizeram tudo.

E a sorte deles foi chegar o chefe da polícia que estava da férias na Madeira, que também era gay, e ao entrar vi-os nas maiores das cumplicidades, saiu e dirigiu-se aos polícias de serviço, estes contam o que se passou ao chefe que manda libertarem imediatamente os dois cidadãos.

João e Hugo saem da esquadra com lágrimas nos olhos.

João pede desculpa a Hugo e pede-lhe em namoro, este aceita.

Afinal o que faltava a João era coragem para estar com um homem (seja este gay ou gay bicha) esta distinção que João queria fazer era uma distinção meramente psicológica.

Passados dezassete anos ainda namoram, pois, Portugal mudou mas ainda não deixa que este casal de pombinhos se case.

 

 

J.G
j.g.g@portugalmail.pt

13 Setembro 2001
 
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