Recortes de Imprensa - Transexual assassinada no Porto. (PortugalGay.pt)
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Recortes de Imprensa - Transexual assassinada no Porto.




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Sábado, 25 de Fevereiro de 2006

Jornal Público
Sábado, 25 de Fevereiro 2006

http://jornal.publico.clix.pt/noticias.asp?a=2006&m=02&d=25&uid=&id=65511&sid=7203

Menores da Oficina de S. José relatam agressões violentas e sevícias sexuais

por Tânia Laranjo

tribunal já decretou medidas cautelares

Jovem de 16 anos ficou em prisão preventiva, enquanto um dos menores será internado em regime fechado. Outros onze ficaram em regime semi-aberto e um foi ilibado



Calmos, terão assistido aos desenhos animados, enquanto comiam chupa-chupas. Brincaram, fizeram cócegas uns aos outros, por mais do que uma vez foram chamados à atenção pelos funcionários judiciais de que deveriam fazer pouco barulho e manter alguma serenidade.

Foi assim o dia dos 13 jovens, suspeitos da morte de um sem-abrigo do Porto, que só às 19h00 de ontem conheceram as medidas cautelares que lhes foram aplicadas pelo Tribunal de Menores. Ficaram a saber que apenas um irá passar os próximos três meses internado num centro educativo, em regime fechado, enquanto outros dez podem sair dos centros para onde foram transferidos.

Para os dois restantes, as medidas foram diferentes. Um regressou ainda ontem à Oficina de S. José, a instituição onde estava acolhido; outro foi ilibado de todas as suspeitas. Menos sorte teve o último jovem, já com 16 anos. Porque a lei penal é mais dura, foi indiciado pelo crime de ofensas corporais qualificadas , agravadas pelo resultado, e viu ser-lhe aplicada a mais grave medida de coacção. Foi ainda ontem transferido para o Estabelecimento Prisional de Custóias, em Matosinhos, onde irá aguardar julgamento.

Os relatos, contados pelos jovens, durante estes dois dias, foram autênticas histórias de horror. Ao que o PÚBLICO apurou, no Tribunal de Menores alguns dos rapazes aceitaram falar à magistrada do Ministério Público e depois ao juiz e terão dado conta de que agrediram violentamente a vítima. Terá sido no fim-de-semana passado, no sábado e no domingo, e, em alguns momentos, com requintes de malvadez. O sem-abrigo, de 45 anos, terá sido amordaçado, espancado, apedrejado. Os menores ter-lhe-ão ainda introduzido objectos no ânus.

No tribunal, terão admitido que, depois, o abandonaram e o deixaram morrer. O que só terá acontecido na madrugada ou durante a manhã de terça-feira, altura em que os jovens ainda terão pensado em incendiar o cadáver, para ocultar o crime.

Depois, ainda nesse dia, ao que tudo indica à noite, alguns terão regressado à garagem abandonada, no Campo de 24 de Agosto, junto à Avenida de Fernão de Magalhães, onde o sem-abrigo se encontrava sem vida. Tê-lo-ão atirado para um fosso e só na manhã seguinte um dos menores contou o sucedido a uma educadora. O rapaz terá indicado o local onde o cadáver se encontrava e as autoridades foram imediatamente alertadas.

Julgamento dentro de três meses



Os bombeiros, que foram chamados a resgatar a vítima, ainda se terão cruzado com alguns dos jovens, que tinham ido à garagem perceber se teriam deixado vestígios. Gisberto, assim se chamava a vítima (transexual e toxicodependente), foi depois encontrado seminu. As marcas das agressões já não eram visíveis, porque o corpo apresentava evidentes sinais de degradação.

No entanto, o facto de ainda não ser conhecido o resultado da autópsia terá sido determinante para que o juiz não optasse pelo internamento em regime fechado da maioria dos jovens, conforme chegou a ser admitido no dia anterior. Sem conhecer a causa da morte e também sem ter percebido exactamente quem teriam sido os autores das agressões, o magistrado terá optado por uma solução intermédia, que, dentro de três meses, altura do julgamento, terá de ser reavaliada.

No Tribunal de Menores, foram poucos os jovens que tiveram a companhia dos familiares. E a reacção dos responsáveis das Oficinas de S. José, uma instituição de acolhimento onde 12 dos 14 jovens viviam, não terá sido a mais compreensiva. Um responsável, que se dirigiu ao tribunal, deu conta aos magistrados de que não veria com bons olhos o regresso dos menores à instituição. Porque o seu comportamento poderia contagiar os mais novos e porque seriam poucos os que estariam verdadeiramente arrependidos.

Paralelamente, no Tribunal de Instrução Criminal do Porto, onde o jovem de 16 anos estava a ser ouvido, o magistrado também terá tido pouca contemplação com o comportamento do rapaz. Aceitou a sugestão do Ministério Público, que defendia a prisão preventiva, depois de dar como válidos que estavam em causa indícios de ofensas corporais qualificadas, agravadas pelo resultado (morte). Crimes que podem ser agravados por, na base do alegado assassinato, poder estar o ódio à orientação sexual da vítima.


Jornal Público
Sábado, 25 de Fevereiro 2006

http://jornal.publico.clix.pt/noticias.asp?id=65507&sid=7203

Gisberto veio para portugal concretizar o sonho de ser mulher

por Natália Faria

No bilhete de identidade, lia-se Gisberto, de 45 anos, nascido em S. Paulo. Na vida real, era Gisberta, transexual, das mais cobiçadas do Porto. Nos últimos anos, a cocaína e a doença roubaram-lhe a vontade de viver.

Facto: chamava-se Gisberto, nasceu em 5 de Setembro de 1960, em S. Paulo, no Brasil. Facto: emigrou para Portugal em 1980, para dar corpo ao sonho de ser mulher - fez implantes mamários, mas não chegou a concretizar a mudança de sexo, porque a cocaína e a prostituição lhe travaram o passo. Facto: decidiu chamar-se Gisberta e ainda hoje lhe fazem a vontade - os amigos referem-se-lhe sempre no feminino. Ficou famosa nos palcos pelas imitações de Daniela Mercury, com quem, diz quem a conheceu, até era parecida fisicamente. Facto: acabou morta, supostamente às mãos de um grupo de 14 miúdos, o cadáver putrefacto arrancado de um poço com 15 metros de profundidade.

"Era uma mulher calmíssima. Adorada por toda a gente", recorda Rute Bianca, transexual e parceira das muitas noites vividas em cabarés e boites. "Era uma mulher belíssima, profundamente dócil, com um discurso coerente, assertivo e muito informado. Nesse sentido, distinguia-se das outras prostitutas com quem trabalhamos", completa Raquel Moreira, psicóloga do Espaço Pessoa - uma instituição de apoio a prostitutas no Porto. Nos últimos anos, a psicóloga habituou-se a vê-la na Rua de Santa Catarina, à cata de clientes. "O aspecto físico degradou-se um bocado, mas mantinha a atitude maternal em relação às outras utentes", recorda ainda Raquel Moreira.

Mas isso era antes. Nos últimos meses, Gisberta - ou Gis, como era conhecida entre amigos e clientes - pouco corpo tinha para vender. "Estava completamente desestruturada, física e psicologicamente. Tinha-lhe sido diagnosticado HIV e a tuberculose estava num estado muito avançado. Tinha simplesmente perdido a vontade de viver", caracteriza Cristina Sousa, técnica da Abraço, que lhe perdeu o rasto em Dezembro do ano passado.

Por essa altura, o apartamento onde Gisberta chegou a viver, no centro do Porto, há muito ficara para trás. Isso era no tempo em que a transexual descontava como empregada de mesa na Bustus e era cobiçada pelos empresários do circuito travesti do Porto. "Quando veio o êxito do Feijão com Arroz, personalizava como ninguém a Daniela Mercury. Tinha o cabelo comprido como ela, sotaque, sabia dançar o samba, era comunicativa e alegre como ninguém." É ainda Rute Bianca que recua aos anos dourados.

Acabou ilegal no país

Percorramos a geografia dos seus dias por datas. Chegou a Portugal em 1980, numa altura em que os transformistas começam a efeminizar os corpos. Vinha munida de visto e trabalhou ao balcão de uma discoteca, ao mesmo tempo que saltou para os palcos. O que ganhava deu-lhe para arrendar um apartamento T0, na Travessa do Poço das Patas, onde vivia com dois cães, Carolina e Leonardo. "Eram tudo para ela, e quando os animais morreram, Gis começou a entrar em declínio", conta Rute Bianca. Por declínio entenda-se o consumo de cocaína, que a foi deixando mirrada - logo, com aparência imprópria para aparecer em palco. Foi aí que começou a prostituir-se. "Era a única maneira de arranjar dinheiro", desculpa-a Rute Bianca.

Por aqueles dias, era comum Gis bater à porta da Abraço, para acompanhar amigas. Esteve internada um mês no Hospital de Joaquim Urbano. Seguiu-se outro período na comunidade terapêutica O Lugar da Manhã, de Setúbal, de onde viria a fugir. Voltou à Abraço tempos depois. Só queria um emprego. Mas os vistos tinham caducado, pelo que se tornou imigrante ilegal. A Abraço participa o seu caso ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e à Delegação de Saúde. Cristina Santos, a técnica da Abraço, voltou a saber de Gis pelos jornais. Que noticiaram a sua morte. Gis faria 46 anos em Setembro.


Jornal Público
Sábado, 25 de Fevereiro 2006

http://jornal.publico.clix.pt/noticias.asp?id=65510&sid=7203

Tia de antigo aluno denuncia violência na instituição

por Natália Faria

Roubos constantes, violência dos monitores sobre os menores: o relato traçado por Henriqueta Vilas Boas, tia de um menor que passou quatro anos na Oficina S. José, é tudo menos abonatório para a instituição.

"O meu sobrinho diz que os miúdos apedrejavam pessoas na rua, que se roubavam uns aos outros e que os monitores lhes batiam com a cabeça nas paredes", contou ao PÚBLICO. O sobrinho de Henriqueta foi encaminhado para a Oficina de S. José pelo Tribunal de Menores de Paredes, depois de ter sido abandonado pela mãe. "Pedi a guarda do miúdo, nas férias e fins-de-semana, e, ao fim de três anos, consegui a tutela". Só depois de obtida a tutela é que a tia terá conseguido retirar o miúdo da instituição, em Junho de 2005. Nos três anos anteriores - os mesmos que o rapaz passou na Oficina de S. José, onde entrou aos 11 anos e saiu aos 14 -, Henriqueta diz que viveu um pesadelo. "Aos fins-de-semana, ele ia para casa num silêncio absoluto. Triste e nervoso", recorda.

Acresce que o sobrinho começou a ser violento com os colegas e professores da Escola EB 2,3 Ramalho Ortigão. "Éramos chamados constantemente à escola, onde os miúdos da Oficina eram rotulados como perigosos. No caso do meu sobrinho, andavam a dopá-lo e, quando o efeito da medicação passava, tornava-se violento."

Os insistentes pedidos para conhecer o que se passava no interior da Oficina terão esbarrado na recusa dos responsáveis. "Em três anos, nunca me deixaram ver o sítio onde ele dormia. Não passávamos do gabinete." Explicações para os roubos constantes, nenhuma. E muito menos para o facto de o sobrinho, que nunca saíra de Paredes, ter passado a conhecer as ruas mais perigosas do Porto, aquelas onde os gangs actuam. "Já desconfiava que os gangs tinham origem na Oficina. Denunciei o caso à Comissão de Protecção de Menores, ao tribunal, à Segurança Social, e ninguém fez nada", indigna-se Henriqueta.

O director do Centro Distrital de Segurança Social, Luís Cunha, diz desconhecer a existência de qualquer denúncia. "A ter havido denúncias, ter-me-iam chegado às mãos", afiança, acrescentando ter boas referências sobre a Oficina de S. José. "É evidente que estas situações terão que ser analisadas, mas só quando houver certezas sobre o que realmente se passou".

Já Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, acredita tratar-se de "um caso pontual". "A instituição acolhe rapazes com antecedentes complicados e é natural que se desencadeie alguma violência entre os miúdos, mas trata-se de uma instituição credível", reagiu. Para o responsável, o problema reside no facto de os tribunais encaminharem rapazes com antecedentes criminais para instituições que não têm vocação para os receber. "Uma instituição relativamente aberta, como é a Oficina, não está vocacionada para receber jovens com antecedentes criminais. Não sei se não deveríamos regressar aos modelos das casas de correcção", advoga. O PÚBLICO voltou a não conseguir falar com os responsáveis da Oficina de S. José.


Jornal Público
Sábado, 25 de Fevereiro 2006

http://jornal.publico.clix.pt/noticias.asp?id=65508&sid=7203

Vigília juntou 50 pessoas

por Natália Faria

Houve velas acesas, cartazes com palavras a gritar indignação e medo, e a música Amazing Grace murmurada a cerca de 50 vozes. Tantas quantas as pessoas que se reuniram, ao início da noite de ontem, na vigília de repúdio pela morte da transexual Gisberta. Local escolhido: o parque de estacionamento onde foi encontrado o corpo, na Avenida de Fernão de Magalhães.

Amazing Grace porque "é uma música que fala de morte e de perdão, que é agora o mais importante", explicava Fernando Mariano, de 18 anos, membro da Panteras Rosa - Frente de Combate à Homofobia. I once was lost, but now I am found, foi um dos versos murmurados. Menos incómodos, mesmo assim, que a pergunta escrita, a vermelho, num cartaz: "Quantas Gis terão que morrer para que se quebre o silêncio?". Ou ainda "De onde vem tanto ódio?".

O voluntário da Abraço Nuno Viegas não sabe as respostas. Mas diz esperar que o episódio sirva para "lançar o debate sobre a educação que estamos a dar aos nossos jovens". "A responsabilidade pelo crime é das crianças, mas é, sobretudo, do Estado, que continua a não promover a educação cívica nem sexual nas escolas", acusa. Ausente da manifestação, a ILGA Portugal apelou, em comunicado, à mobilização de todos os partidos para que, em sede de revisão do Código Penal, sejam introduzidos agravamentos penais explícitos para crimes motivados pela homofobia.

Paula Proença, de 28 anos, segurava uma das faixas a acusar "Hoje Portugal vê-se ao espelho". E o que leva uma estudante a uma vigília quase exclusivamente composta por técnicos, prostitutas e transexuais? "Estou chocada e assustada com um crime destes. É importante alertar as pessoas, porque parece óbvio que houve motivações homofóbicas por detrás deste crime." "Conhecia aqueles miúdos", relatava às televisões Bruna, prostituta. "Insultam, atiram pedras às pensões e arrasam o que lhes aparece à frente", acrescenta. Conhecia Gisberta, mas perdera-lhe o rasto há alguns meses. Diana Silva, outra transexual de 39 anos, também. "Era respeitada por toda a gente. Acabou como acabou porque Portugal nada faz para ajudar as pessoas como nós. Porque é que nem conseguimos um emprego como os outros?"

"A sexualidade ainda é factor de exclusão", concordava Nuno Tavares, psicólogo. E, no caso de Gisberta, meio caminho andado para os buracos da cidade. "Continuamos sem respostas que cheguem para os sem-abrigo. No Porto, são cada vez mais. A grande maioria não está ligada ao mundo da prostituição, mas, mesmo assim, não podemos permitir que estejam sujeitos a actos de violência deste género", diz Jorge Mayer, voluntário da FasRondas. No caso, pelas ruas do Porto, todos os domingos. A vela que segurava ameaçava apagar-se a todo o momento. A memória que todos guardam de Gisberta não.


Jornal de Notícias
Sábado, 25 de Fevereiro 2006

http://jn.sapo.pt/2006/02/25/grande_porto/travestis_medo.html

Travestis com medo

por Helena Teixeira da Silva

Insegurança Transexuais e travestis receiam novas agressões na rua e acusam a Polícia de negligência Alguns já decidiram sair de Portugal

Aprimeira vez dói sempre mais. "A primeira pedra, o primeiro ovo quebrado na cara, o primeiro extintor. Para já não falar nas bocas, que são foleiras, e também doem". Depois, desenvolvem-se carapaças. "O medo não desaparece, mas aprendemos a fazer de conta que está tudo bem". Não há outra maneira de viver para quem vive à noite disfarçado de mulher porque, também por dentro, é uma mulher que sente que é. "Mesmo se a sociedade continua a querer tapar os olhos e encontra no insulto a única forma de lidar connosco, os travestis".

Valéria de Oliveira tem 22 anos, uma sensualidade minuciosamente esculpida num corpo de quase dois metros, que exibe temporariamente na Rua de Gonçalo Cristóvão, e um "medo terrível" de ser atacada por miúdos idênticos aos que assassinaram, no fim-de-semana passado, um transexual, no Porto. Já foi assaltada e já foi raptada. "Sempre por rapazes entre os 15 e os 18 anos. São muito piores que os homens maduros", garante. Por isso, arrumou a mala e vai para a Alemanha. "Só volto quando Portugal superar a crise e ganhar respeito pelas pessoas. O país, e sobretudo esta cidade, está muito pior em termos de segurança e pior na educação".

Patrícia, ainda fragilizada pelo tratamento facial de metacril (variante do botox), apanhará boleia na viagem, e corrobora. "Nunca ninguém defende um travesti. Nem sequer a Polícia, que só aparece quando não é precisa". E não podem andar armadas. "Aí, a Polícia já aparece", ironiza. "Se um rapaz possui uma arma branca para sua defesa ninguém se inquieta, mas se é uma de nós, já somos consideradas marginais".

Só há "um truque", que nem sempre é eficaz "Ficamos perto umas das outras. Se aparece alguém juntamo-nos logo". A estratégia será generosa, mas nem todas alinham no movimento. Filipa Santos, 21 anos, recusa-se. Passa da uma da manhã e ela está ali, indiferente ao frio e ao resto, sozinha. Pelo menos, aparentemente. "Se for preciso - e nunca foi -, o meu namorado aparece", assegura. "Nem sequer uso navalhinhas, o que não quer dizer que não tenha medo. Tenho medo, claro, mas agora estou sobretudo triste pela morte macabra de uma amiga que não merecia o que lhe fizeram.".

"Já me deixaram em coma"

Filipa não confia na Polícia, apesar de ter um pai polícia. "Para eles, sou uma fora-da-lei". Tem 30 anos e o desassossego estampado no rosto de onde sobressai uma cicatriz. "Atacaram-me, partiram-me o maxilar e deixaram-me em coma". O discurso é tão veloz como o olhar, atento à Rua de Santa Catarina, onde está parada. "Morro de medo, sobretudo dos miúdos. Quando os vejo, regresso logo à pensão".


Jornal de Notícias
Sábado, 25 de Fevereiro 2006

http://jn.sapo.pt/2006/02/25/grande_porto/menores_terao_usado_para_molestar_a_.html

Menores terão usado pau para molestar a vítima

por Nuno Miguel Maia e Nuno Silva

medidas Tribunal enviou para centros educativos 11 dos 13 suspeitos da morte de travesti e jovem de 16 anos ficou em prisão preventiva Alguns dos rapazes admitiram as agressões

Onze dos 13 menores suspeitos do envolvimento na morte de um travesti, no Porto, foram enviados para centros educativos um deles ficará em regime fechado e os restantes em semiaberto. Um regressou à instituição de acolhimento e outro ficou sem qualquer medida cautelar, com os pais. Já o jovem de 16 anos, interrogado no Tribunal de Instrução Criminal do Porto, irá aguardar julgamento em prisão preventiva na cadeia de Custóias, indiciado pelo crime de ofensa à integridade física grave agravada pelo resultado.

A s decisões relativas aos rapazes com idades entre os 13 e os 15 anos foram tomadas, ontem, pelo juiz do Tribunal de Menores, Jorge Santos, e anunciadas ao início da noite. Segundo o JN apurou, alguns dos jovens interrogados confessaram a prática de agressões violentas continuadas e mesmo de sevícias a Gisberto - a vítima. Enquanto alguns dos rapazes mantiveram-se em silêncio, outros terão admitido inclusive actos de agressão sexual com um pau, chegando mesmo ao ponto de amordaçar e infligir queimaduras ao homem. Ao que apurámos, quando o cadáver foi retirado ainda haveria alguns sinais disso.

As agressões, que terão envolvido cerca de uma dezena de jovens, terão ocorrido durante pelo menos dois dias (sábado e domingo), envolvendo pedras e paus, mas o corpo terá sido lançado para o fosso apenas na terça-feira, ou seja, no dia anterior à sua retirada do local por parte das autoridades. O travesti, um brasileiro de 45 anos, estava com as calças em baixo e era visível uma grande ferida em redor de uma nádega.

Afogamento provável

Ontem, os resultados da autópsia ainda não eram conhecidos. O corpo continua depositado nas instalações do Instituto de Medicina Legal do Porto e não apareceu qualquer familiar para o reclamar. O funeral será suportado por um grupo de travestis, que está a levar a cabo uma campanha para promover a trasladação para o Brasil (ler página seguinte).

De acordo com fonte conhecedora do processo, existe a forte possibilidade de a morte ter sido causada por afogamento. É que o corpo de Gisberto estava totalmente submerso no fosso, a uma profundidade de cerca de três metros. Um indício de que a vítima terá sido lançada para a água, provavelmente inconsciente, mas ainda com vida. Se o travesti tivesse sido lançado para água já morto, o corpo estaria a boiar, uma vez que, sem respirar, não era possível a inundação das vias nasais e a submersão completa.

Entretanto, os 11 jovens começaram ontem à noite a ser encaminhados para centros educativos situados em diferentes pontos do país, por determinação do Instituto de Reinserção Social, que indicou os locais com vagas.

Segundo uma fonte daquele organismo, uma das preocupações, nestes casos, é fazer com que os jovens não contactem uns com os outros durante o período de duração da medida cautelar. Entre as opções, contam-se os centros educativos no Porto, Guarda, Lisboa, Castelo Branco, Viseu, Aveiro, entre outros estabelecimentos.

Alguns deles já estavam sob a atenção da Comissão de Protecção de Jovens em Risco e possuíam antecedentes por delitos sem relevância.

As medidas cautelares ontem aplicadas têm a duração de três meses, podendo ser prorrogadas pelo mesmo período. Nessa altura terá lugar a audiência de julgamento, na qual serão decididas as medidas tutelares, que poderão ir da simples admoestação ao internamento em centro educativo em regime fechado por um período máximo de três anos.

O julgamento dos menores será presidido por um juiz de Direito, que será acompanhado por dois cidadãos, designados como juízes sociais e nomeados pela Assembleia Municipal da respectiva comarca.


Diário de Notícias
Sábado, 25 de Fevereiro 2006

http://dn.sapo.pt/2006/02/25/tema/gisberta_e_recordada_como_mulher_bel.html

Capa DN 25 Fevereiro 2006

Gisberta é recordada como uma mulher belíssima, cordial e dócil

Gisberta, nascida Gilberto Salce Júnior na cidade de S. Paulo, Brasil, há 46 anos, acabou morta no fundo de um fosso malcheiroso. A "mulher belíssima, muito cuidada, profundamente feminina e dócil", que chegou a Portugal há uns 25 anos, agonizou mais de 48 horas até soltar o último bafo de vida. As notícias anunciaram a morte de um homem, mas é no feminino que a tratam as associações que privaram com o transexual e lhe prestaram auxílio: "Era uma senhora", diz Raquel Moreira, do Espaço Pessoa, que lidava com "Gis" há quase dez anos.

Umas duas semanas antes de ser violentamente agredida no parque subterrâneo que lhe servia de casa, Gisberta confidenciou a uma técnica sobre "uns miúdos que de vez em quando apareciam na obra e se metiam com ela", embora não tenha referido qualquer agressão. Aconselhada a sair, afirmou apenas: "Posso estar muito mal, mas continuo a ter a força de um homem, não vai ser por causa de uns miúdos..." Mas Gisberta há muito estava débil, fruto das maleitas do HIV e da hepatite, que a deixavam cada vez mais fragilizada.

Foi-se alterando o acompanhamento que recebeu do Espaço Pessoa ao longo dos anos. Quando aquela instituição abriu portas, em 1997, o contacto era feito através das equipas de rua, que lidam com a população que se prostitui. Gisberta, que em tempos havia feito espectáculos de transformismo em algumas casas gay portuenses, vendia o corpo na Rua de Santa Catarina. Nani Petrova, um dos travestis mais antigos da cidade, lembra mesmo que "Gis" chegou a actuar em bares míticos como o Sindikato e o Bustos, mas "não fazia do show a vida profissional, era mais prostituição".

Todos assinalam a beleza de outros tempos e a sua cordialidade: "Era uma jóia, uma pessoa muito bonita, parecia uma rapariga autêntica, maravilhosa", descreve Petrova, que a conheceu há "uns vinte anos".

Também Raquel Moreira não esquece a beleza de Gisberta, entretanto destruída pela doença e pela toxicodependência. "Era uma mulher muito educada, muito dócil, diferente do que é normal encontrar na rua", diz. Gisberta era uma "pessoa informada sobre a realidade nacional e internacional", aproveitando os tempos que passava no Espaço Pessoa para ver os telejornais e comentar a actualidade com os técnicos e outros utentes.

À medida que a saúde se foi degradando, o cuidado com o corpo e o aspecto também definharam. A partir de 2003/2004 começou a recorrer ao centro "com mais regularidade, praticamente todos os dias, já muito frágil para trabalhar". "Tomava banho, comia alguma coisa, trocava de roupa e, sobretudo, estava connosco", acrescenta Raquel Moreira, que faz questão de vincar a "atitude até didáctica com as outras utentes, falando-lhes dos cuidados que deviam ter. Tinha carisma, até".

O último registo de Gisberta data de 4 de Fevereiro. "As coisas estavam a ficar complicadas em termos de saúde". Acorreu à Associação Abraço há cerca de três meses: "Apesar de estar indocumentada, conseguimos que o Hospital Joaquim Urbano [onde esteve 22 dias] a tratasse", explicou ao DN Andreia Ramos. Daí transitou para uma comunidade terapêutica em Setúbal, de onde fugiu uns dias antes do Natal. "A partir daí foi o descalabro. Estava muito debilitada, cheia de problemas de saúde. Tentámos minimizá-los, mas não fomos capazes", diz.

Gisberta estava fraca, sem forças nem moral para reagir a actos de violência. "Era uma estrangeira num país estrangeiro", lamenta a amiga e também transexual Rute Bianca.


Diário de Notícias
Sábado, 25 de Fevereiro 2006

http://dn.sapo.pt/2006/02/25/tema/onda_solidariedade_compatriotas_e_am.html

Onda de solidariedade de compatriotas e amigos

O Consulado do Brasil no Porto recebeu numerosos telefonemas de conhecidos, amigos e compatriotas do sem-abrigo morto no passado fim-de-semana, num prédio abandonado na Avenida Fernão de Magalhães, no Porto.

Uma funcionária do consulado disse ao DN que nenhuma destas pessoas deixou qualquer tipo de contacto.

"Não ficamos com nenhuma morada ou telefone." Isto apesar de o objectivo das pessoas que contactaram o consulado ter sido proporcionar um funeral digno à vítima.

No entanto, na representação diplomática do Brasil no Porto, sem excluir a possibilidade de apoiar nas despesas do funeral, estão ainda, em conjunto com as autoridades, a verificar a nacionalidade de Gisberta. "Temos que confirmar se de facto é cidadão brasileiro", disseram.

Durante todo o dia de ontem, inúmeras pessoas que conheciam a vítima acorreram à delegação do Porto do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML), onde está depositado o corpo. Amigos e conhecidos que se mostraram dispostos a realizar o funeral de Gisberta.

Um agente funerário encarregue de realizar o enterro terá mesmo efectuado as primeiras diligências no INML. Segundo o DN apurou, serão amigos brasileiros que afirmaram mesmo ter já contactado a família da vítima, do outro lado do oceano.

No caso em que os corpos depositados no INML são de proveniência estrangeira, pode ainda haver um contacto com a embaixada respectiva para a realização do funeral. Neste caso, o DN sabe que não foi realizado, até agora, qualquer tipo de contacto.


Diário de Notícias
Sábado, 25 de Fevereiro 2006

http://dn.sapo.pt/2006/02/25/tema/vigilia_repudia_violencia_contra_hom.html

Vigília repudia violência contra homossexuais

Enquanto a chuva gotejava entre as frinchas do subterrâneo frio, sujo e triste onde Gisberta vivia, silêncio e velas assinalaram a solidariedade e repúdio pela sua morte violenta. Entre amigas da profissão, transsexuais e travestis, técnicos de várias associações - que trabalham com esta população marginalizada - e mesmo cidadãos anónimos, foram cerca de meia centena as pessoas que fizeram questão de participar, ontem à noite, na vigília pelo cidadão brasileiro alegadamente morto por 14 menores.

"De onde vem tanto ódio?", " Basta de violência", "Quantas Gis terão de morrer para se quebrar o silêncio?", podia ler-se nos cartazes empunhados pelos participantes. Entre as pessoas que, de uma ou outra forma estariam ligadas a Gisberta, surge Maria de Fátima. Moradora nas traseiras do parque de estacionamento, nunca conheceu Gis mas fez questão de aparecer: "Porque tenho presenciado certas coisas que me incomodam, miúdos que vêm para aí e ateiam fogos e atiram pedras aos sem-abrigo." "Estou aqui por solidariedade e para dizer basta de violência contra os homossexuais e os travestis em particular, embora todos corram o risco" , diz Artur, também conhecido da vítima.

"Para além da responsabilidade óbvia destes jovens, há a responsabilidade do Estado, que não providencia educação cívica e sexual nas escolas", diz por sua vez Nuno Viegas, voluntário da Abraço na área da prevenção. Para este activista, não significa que as oficinas de S. José "não façam um trabalho meritório, mas há problemas e eles têm que ser discutidos".

Festas para angariar fundos

Amigos e pessoas solidárias vão organizar festas em bares gay da cidade para angariar fundos que permitam pagar a trasladação do corpo de "Gis" para S. Paulo, no Brasil, onde vive a família: "A família não tem possibilidades, mas vamos ver o que podemos fazer entre nós."


Diário de Notícias
Sábado, 25 de Fevereiro 2006

http://dn.sapo.pt/2006/02/25/tema/silencio_total_instituicoes_menores.html

Silêncio total nas instituições de menores

E ao terceiro dia as Oficinas de S. José mantêm o silêncio. A porta da instituição fecha-se logo quando se pergunta por um responsável e o telefone é desligado na cara a quem pretende falar com o director, o padre Alberto Tavares.

Uma atitude que não obtém a concordância do padre Lino Maia, presidente da União das Instituições Particulares de Solidariedade Social e também director da Pastoral Social e Caritativa da Diocese do Porto, entidade proprietária das Oficinas de S. José.

"O silêncio não é eloquente. Já tive oportunidade de transmitir isso aos seus responsáveis. Não devem ter nada a temer mas assim passam uma ideia diferente para a opinião pública", disse ao DN Lino Maia.

No Centro Juvenil de Campanhã, uma instituição onde se encontrava acolhido um dos menores envolvidos no crime, não há também abertura para falar do caso.

A funcionária que atende o telefone mal percebe que do outro lado da linha está um jornalista, não quer sequer saber o que pretende: "Não tenho ninguém para falar consigo." Do outro lado da linha o silêncio e um sinal de chamada interrompida.

O Centro Juvenil de Campanhã é uma instituição privada de solidariedade social (IPSS) com várias valências: unidade de emergência, lar juvenil e centro de acolhimento. Era nesta instituição que se encontrava internado o menor que não resistiu à pressão e denunciou o crime a um professor.


Diário de Notícias
Sábado, 25 de Fevereiro 2006

http://dn.sapo.pt/2006/02/25/tema/prisao_preventiva_para_adolescente_1.html

Prisão preventiva para adolescente de 16 anos

por Alfredo Teixeira e David Mandim



O rapaz de 16 anos envolvido na morte do transexual sem-abrigo no Porto vai aguardar julgamento em prisão preventiva. O adolescente, que vivia nas Oficinas de S. José, foi ouvido durante toda a tarde pela juíza Isabel Ramos. A decisão foi conhecida ao final do dia, mas o Tribunal de Instrução Criminal (TIC) não divulgou os crimes de que o menor é acusado.

Dos restantes 13 rapazes, todos menores de 16 anos, apenas um teve uma sanção mais gravosa, sendo encaminhado para um centro educativo em regime fechado. Dez dos outros menores vão ser distribuídos por centros educativos (ver caixa), mas ficarão internados em regime semiaberto. Um regressa às Oficinas de S. José e outro para junto da família, uma vez que não foi indiciado por qualquer crime. Nos próximos três meses, o Ministério Público (MP) terá de tipificar a acusação e iniciar-se-á o julgamento.

O mais velho dos adolescentes chegou às 10.30 ao TIC e saiu por volta das 20.00 banhado em lágrimas e com um capuz a esconder a face, enquanto entrava no carro da Polícia Judiciária. Tudo sob o olhar e as lágrimas do pai, a quem foi permitido um contacto com o filho antes do transporte para a prisão. O pai recusou falar aos jornalistas.

A decisão do juiz Jorge Santos, do Tribunal de Família e Menores do Porto, foi conhecida ao final da tarde de ontem. Sete dos menores que não tinham prestado declarações no dia anterior foram ouvidos ontem de manhã e o magistrado necessitou da tarde toda para ponderar a medida cautelar de guarda a aplicar aos menores, quase todos em internato nas Oficinas de S. José, estando outro internado no Centro Juvenil da Campanhã e dois com as famílias.

Esta medida é válida por três meses, até à realização de novo julgamento, depois de estar enquadrada a acusação do MP. Entretanto, e ainda ontem, o tribunal informou o Instituto de Reinserção Social de Lisboa com vista à colocação dos menores em centros educativos.

Recorde-se que os 14 jovens eram suspeitos da morte do transexual de 45 anos que pernoitava num edifício inacabado no Campo 24 de Agosto. Os factos terão ocorrido no fim-de-semana. Alegadadamente, a vítima foi agredida até à morte, a murro, pontapé e à pedrada, e o cadáver terá sido lançado, dias depois, para um fosso da mesma estrutura embargada há 15 anos. Depois de um menor ter contado o ocorrido a um professor, o alerta foi dado e o corpo seria resgatado pelos bombeiros na quarta-feira, dia em que também os menores foram detidos.


Diário de Notícias
Sábado, 25 de Fevereiro 2006

http://dn.sapo.pt/2006/02/25/tema/obra_parada_15_anos_solucao_municipa.html

Obra parada há 15 anos sem solução municipal

Um esqueleto de betão armado permanece há 15 anos na Avenida de Fernão de Magalhães. A obra foi embargada pela autarquia e até hoje não foi encontrada qualquer solução urbanística para o prédio, cujo projecto inicial previa a instalação de um centro comercial. À Câmara do Porto têm chegado várias propostas do proprietário para concluir o imóvel, situado numa das zonas nobres da cidade. Até hoje não foi encontrado qualquer consenso.

Com o proprietário, a autarquia apenas obteve um acordo: transformar o esqueleto do prédio num parque de estacionamento, pago a 50 cêntimos à hora. A Câmara do Porto, através do seu gabinete de comunicação, confrontada com os trágicos acontecimentos que ali tiveram lugar, não tem mais nada a dizer, senão que o parque contribui para a segurança do local. De facto, entre as 08.00 e as 24.00 um funcionário permanece naquela área.

Encerrado o parque, toda zona é tomada pela prostituição e pela toxicopependência. Foi aqui, neste prédio inacabado da Fernão de Magalhães, a avenida que liga o Estádio do Dragão à Baixa da cidade, que Gisberta viveu os seus últimos dias. No local foi encontrado um colchão, poucas roupas e algumas latas de comida. O corpo foi encontrado na quarta-feira num poço de 10 metros, submerso em três metros cúbicos de água.

Os moradores da zona alertam para o perigo que o buraco nas estruturas do imóvel representa. Uma situação de que a autarquia descarta responsabilidades. Do gabinete de comunicação asseguram que o poço foi vedado, após uma vistoria realizada pelo Departamento de Trânsito e Intervenção na Via Públicas, realizada em Janeiro. Mas da vedação não resta qualquer sinal.

A vistoria concluiu que as estruturas do prédio se encontravam em condições de segurança, não havendo, portanto, qualquer risco de derrocada. Foi apenas recomendado que se continuasse a utilizar sinalização.

O líder da oposição na Câmara do Porto, embora considere necessário encontrar uma solução para aquele problema urbanístico da cidade, recusa estabelecer um nexo de causalidade entre o estado do imóvel e o crime. "Seria demagógico da minha parte" diz Assis, uma vez que "se não fosse ali aconteceria noutro local".

Também Rui Sá defende que se encontre uma solução para um problema que acaba por ser o fruto de muitas "mudanças de planeamento urbanístico". Teve conhecimento, nos tempos em que passava uma tarde por semana, na qualidade de vereador, a atender munícipes de várias tentativas para encontrar uma solução. "Um arquitecto, há muito velhinho procurou-me várias vezes", recorda.

O prédio da Fernão de Magalhães, casa de sem-abrigo, é um dos vários prédios abandonados na cidade. Até há pouco tempo o edifício da Pedreira da Trindade era um dos maiores albergues para os excluídos do Porto. Recentemente foi encontrada uma solução e o esventrado imóvel será finalmente acabado, dando lugar a um hotel.


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