PortugalGay.PT
PortugalGay.PT
1.Índice 2.On-Line 3.Apoio 4.Espaço Aberto 5.PortugalGay.PT 0. Texto...
PortugalGay.PT
Sondagem da Semana: 3 a 9 Fev 2010 - Qual a sua opinião sobre a visita de Bento XVI a Portugal de 11 a 14 de Maio de 2010?
Stop Trans Patologização 2012Nós Apoiamos a Igualdade
Índice
ÍndiceApoioPolítica & Direitos

Carta Aberta



NOTA:
Este documento não foi subscrito pelo PortugalGay.PT.
Isto signfica que o conteúdo ou não foi submetido a subscrição pelo PortugalGay.PT pelos autores ou que a referida subscrição não foi aceite pelo PortugalGay.PT.

O conteúdo desta página é da exclusiva responsabilidade dos signatários.
[o que é isto?]

13 Março 2004

Carta aberta a Miguel Sousa Tavares

Ridículas são estas afirmações
Por FABÍOLA NETO CARDOSO

Para Miguel Sousa Tavares (Opinião in Público, 12 Março 2004) é óbvio que "um casal homossexual não oferece garantias para criar e educar equilibradamente uma criança". Invoca o direito a uma "infância saudável" e ironiza com a vontade dos homossexuais de "brincarem aos pais e mães".

Qual a argumentação máxima eruditamente utilizada? Olhemos "para a natureza", para elefantes e focas. "Já viram elefantes 'gays' ou focas lésbicas a criarem filhos em comum?" Não sou zoóloga nem vou citar exemplos dos muitos especialistas que investigam a homossexualidade nos animais mas não consigo de recordar noções básicas sobre a vida destes mamíferos.

Os elefantes vivem em bandos, cada bando é formado por várias fêmeas que se inter-ajudam e pelas suas crias. Cada um destes grupos é liderado por uma matriarca. Os machos assim que iniciam a maturidade sexual deixam o grupo e passam a vaguear em pequenos grupos de jovens. Machos e fêmeas apenas se juntam durante os períodos de procriação.

As focas (Família Phocidae) apresentam grandes diferenças comportamentais relativamente à reprodução, verificado-se uma grande variabilidade entre as diversas espécies, observando-se unidades familiares isoladas (de machos, fêmeas e crias) como na foca anelada, até aos grupos poligâmicos e extremamente dimórficos dos elefantes marinhos.

Muito heterossexuais e de família tradicional os dois exemplos escolhidos.

Esgota-se-me a paciência para este tipo de argumentação. A natureza diz-nos que o modelo pai/mãe/crias não é único nem o mais frequente. Muitos outros são igualmente naturais e funcionais. Gays e lésbicas sempre tiveram filhos, sempre os educaram da melhor maneira que puderam, o mais equilibradamente possível. Como qualquer outra mãe ou pai. Com pelo menos tanta (se não mais) preocupação pelos "direitos legítimos" das crianças.

"Brincar aos pais e mães" afirma, referindo-se a gays e lésbicas. Brincar brincam alguns heterossexuais, quando se esquecem do planeamento familiar, quando têm filhos só porque é isso que se espera deles, sem se questionarem se têm condições psicológicas, emocionais, afectivas, práticas para tal. Brincam os Governos quando continuam sem implantar uma verdadeira Educação Sexual nas escolas. Brincam os especialistas que debitam afirmações avulso sem fundamentação científica credível.

Esgota-se-me a paciência para este tipo de argumentação. Gays e lésbicas não brincam com este assunto. Sabem muitas vezes na pele o que é ser discriminado, invizibilizado, negado, ofendido, ridicularizado. Não pensam duas vezes, pensam duzentas antes de decidir ter/criar/apoiar uma criança. E se o fazem é porque consideram ter amor, força, condições, alegria e capacidade suficiente para tal. Não é isto natural? Que tipo de "garantias" extra oferecem os heterossexuais? Nenhumas! A única diferença é que o sistema social cultural e político heterosexista vigente insiste em negar o que se torna cada vez mais evidente: existem muitas maneiras de amar e todas são naturais e legítimas.

E por falar em "direitos legítimos de terceiros inocentes" lamento saber que partilha da opinião de Luís Vilas Boas, de que um desse direitos é passar a infância numa instituição! Eu obviamente não partilho dessa opinião e lembro-me da Convenção sobre os Direitos das Crianças da UNICEF, que Portugal ratificou em 1990. Ela reconhece que a criança "deve crescer num ambiente familiar, em clima de felicidade, amor e compreensão" de modo a desenvolver um "espírito de paz, dignidade, tolerância, liberdade, igualdade e solidariedade". Espírito que bem falta neste país.

Não percebo, sinceramente não percebo. Conhece assim tantos casais de homossexuais com filhos que sejam uma desgraça de pais? Leu assim tantos estudos sobre o tema que esteja completamente seguro do que afirma?? Que o leva a pensar assim? Porque é tão claro para si, e para muitos outros, aquilo que para mim é tão revoltante? Aquilo que o meu conhecimento do mundo diverso em que vivemos nega diariamente.

Não são só opiniões, teorias, visões do mundo. São pessoas, sentimentos, projectos de vida. Porque é que é ridículo? Não percebo!

Pode explicar-me?

 

 

Artigo de opinião que originou esta resposta:

Outros comentários recebidos no PortugalGay.PT sobre o artigo de opinião de Miguel Sousa Tavares:

João maguskrool@hotmail.com
15 Março 2004 19:46

 

 

Anónimo
16 Março 2004 1:10

 

 

ver também:
Declarações de Villas Boas e diversas reacções


ÍndiceApoioPolítica & Direitos
PUB Google


© 1996-2010 PortugalGay®.PT - Todos os direitos reservados
© 1996-2010 PortugalGay®.PT - Todos os direitos reservados


A Sua Opinião
Tem alguma sugestão ou comentário a esta página?


Publicar a pergunta e resposta em portugalgay.pt/blog.

Nota: o PortugalGay.PT reserva-se o direito de selecionar e/ou alterar as perguntas editadas nesta secção.

Sistema de autenticação
Por favor marque as caixas UM e QUATRO.
Depois clique em OK.

                             
PortugalPride.org: Sabia que este mês há eventos em 3 cidades no mundo?
Phoenix, AZ; Phuket, Thailand; Sydney, Australia
Fala Connosco!
800 20 69 19 - Número Grátis
© 1996-2010 PortugalGay®.PT - Todos os direitos reservados
Informação sobre Publicidade | Contactos | Mapa do Portal

Portugal Gay | Portugal LGBT Pride | Blogs LGBT em Portugal | Casamento Civil para Todas as Famílias | Queer Lisboa / Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa | Jovem Gay | Não Mesmo | Hot Gay Portugal Guide | Mr Gay Portugal