Comunicado de Imprensa - A OpusGay e os Outros (PortugalGay.pt)
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Comunicado de Imprensa - A OpusGay e os Outros




Setembro 2003

O texto apresentado recentemente no site da Associação Obra Gay (www.opusgay.org) de que é Presidente António Serzedelo e Vice-Presidente Anabela Rocha é, para além de insultuoso à maioria (inequívoca) dos activistas do movimento GLBT é mentirosa e ultrajante para mim em particular, pelo que passo a responder a alguns pontos que me suscitaram maior atenção e repúdio.

Lê-se no comunicado/texto/notícia:

"Querem imprimir-lhe a marca de partido, ao que a Opus Gay e outras ONG´s independentes se tem oposto."

- Deve ser uma das meias-mentiras presentes: na realidade as outras ONGs de que fala efectivamente não se querem aliar a qualquer cor politica, mas quanto à Associação em causa (que passaria a partir daqui a identificar com as siglas "OG"), já o mesmo não posso afirmar... na manifestação/marcha final do Fórum Social Português (FSP) estavam lado-a-lado no pelotão da frente: a CGTP Intersindical, o Partido Comunista, António Serzedelo e Anabela Rocha. No segundo bloco da marcha (onde a OG não teve qualquer representação) todos os restantes movimentos sociais onde se inclui aqueles que a OG teima há longa data em apontar de subordinados, influenciados, sob as ordens ou seja lá o que for, pelo Bloco de Esquerda.

- Comenta ainda a OG que por ordem do extinto GTH se esvaziou o então Fórum GLBT. Lamentavelmente não foi essa a razão que nos levou a todos reunir e decidir em conjunto, de livre vontade e não por ordem de alguém, abandonar esse espaço informal e priveligiado de diálogo. Fi-lo (falo aqui a nível pessoal porque não tenho o direito de falar pelos outros) por diversas posições análogas, intriguistas, e ditaturiais tomadas pela OG, com quem definitivamente chegamos à conclusão ser impossível trabalhar. Nunca a politica foi motivo fosse do que fosse, muito menos dessa situação. Somos, assumidamente, movimentos sociais não sucursais de qualquer partido político.

- Refere ainda uma "rede informal LGBT europeia" que a OG "desconhecia". Não sei qual a pretenção do dirigente da OG, será que está a visionar um "pentágono OG", centro de toda a informação e com representantes em todos os locais. Não sabia a OG e não sabiam outras Associações e grupos que trabalham no movimento GLBT Português, onde eu me incluo (até poucas semanas atrás não conhecia a rede em causa). Ao contrário daquilo que é pretendido no parágrafo a que me refiro, o movimento GLBT está de facto unido, atrevendo-me a dizer, que 99% dos activistas GLBT estão juntos, o restante 1% é precisamente a OG. É grosseiro e mentiroso dizer que colegas nossos estiveram em Fóruns Sociais no estrangeiro com o "suporte económico" da OG. A OG colaborou tal como outras associações para que fosse possível levar alguns nossos representantes lá fora (pois não somos todos ricos). Nota importante: a presidente do Clube Safo, Fabiola Cardoso, não foi a lado algum pois nessa altura por motivos pessoais de força maior não se pode ausentar do país. Já quanto ao nosso brilhante e estimado amigo e activista Paulo Vieira, não sabia que emprestar (desenrrascar) um amigo era patrocinar, mas tem muita coisa que eu não sei... Quanto ao "aval"... temos aqui assunto para um filme, no primeiro Forum foi porque todos contribuímos de uma forma ou de outra para isso, e no segundo foi como convidado da organização, não precisando do aval de ninguém muito menos da OG.

- Quanto ao assunto Ilga-Portugal versos Ilga-Europa/Mundo, será que este senhor não tem nada para fazer em casa que está constantemente preocupado com o alheio?

- Cita ainda a referida OG, que alguém tenta conotar-nos com um determinado partido!? Estou mesmo confuso! Quem tenta fazer o quê a quem? Quem é esse "alguém"??? Este texto está ele repleto de acusações e associações de um partido político (no caso o BE). Afinal as únicas pessoas que vejo a tentar fazer essa conotação com o Bloco de Esquerda são precisamente os membros da OG que preferem esquecer que há realmente filiados de outros partidos nas fileiras de todas as associações. Isto é tão mais estranho quanto a própria OG tem divulgado diversas vezes iniciativas de contacto com o Partido Socialista*. E não é por isso que cai o Carmo e a Trindade (pelo menos no nosso ponto de vista). Já no meu caso, João Paulo - PortugalGay.PT, não sou filiado em qualquer partido ou clube desportivo, faz dois anos que não participo nas eleições e nunca fiz nenhum contacto formal com nenhum partido político.

- Mais uma vez repito que não sei qual a pretenção deste senhor, dirigente da OG. O nome da nossa colega, activista, presidente do Clube Safo, Fabiola Cardoso, foi falado entre as pessoas que foram possíveis, e em consonância com trabalhos anteriores, acharam (e muito bem) que os restantes não se oporiam a esta proposta. O conjunto dos grupos GLBT, do qual a OG não faz parte, não tem que fazer uma "consensualização" de nada com a OG tal como a OG não se preocupou minimamente em fazer a "consensualização" das suas propostas para o FSE com as outras associações GLBT (pelo menos não o tentou fazer comigo). Colocar entraves a uma congénere, que como ele diz mais acima, até apoiou, até deu aval, até tem apoiado, não é em nada abonatório à sua posição de activista... Temos o consenso da maioria dos activistas GLBT, temos a concordância da maioria dos outros movimentos sociais participantes do FSP, para depois sermos vetados por uma Associação dita Gay.. lindo...

- No parágrafo onde se pretende fazer curriculum dos ditos apoios dados pela OG ao Clube Safo, vejo por um lado um envergonhado pedido de desculpas... "Desculpa lá ter vetado o teu nome!". Mas muito mais que isso, sinto um cheirinho a chantagem. Afinal António Serzedelo apresenta o seu programa de rádio como "independente" e agora vem dizer que num comunicado da Opus Gay que deram um espaço regular no referido programa. Quem deu o espaço? A OG ou o António Serzedelo? Onde está a independência? E quais as razões para essa doação? Ter um espaço de rádio com uma voz alternativa com o movimento lésbico ou ter uma "nota de débito" que possa ser apresentada nestas situações?

- A rede informal nacional, composta por todos os que abandonaram deliberadamente e livremente o então Fórum GLBT, não é clandestina. Não estamos na lei seca e não contrabandeamos "shots". Diz a OG estar "aberta ao diálogo". Que tipo de diálogo pergunto eu? Queimaram todas as oportunidades que lhes foram dadas. Que tipo de diálogo??? O dictadorial praticado por vocês, que quase deitaram por terra projectos importantes como o Jornal "el gê bê tê" apresentado no Fórum Social Português em Junho deste ano e um pouco por todo o país. Que tipo de dialogo vocês tem novo que nós não conhecemos, será o do tipo "gostamos muito de dialogar com vocês desde que vocês façam o que nós queremos."?

- Terminando os comentários aos diversos parágrafos, falo do último onde sou visado directamente. Não sou, nem eu nem o PortugalGay.PT membros fundadores da ILGA Portugal, não somos mas teríamos todo o gosto. Depois estamos no FSP como um site GLBT, que já teve ocasião de se apresentar a esse Fórum, onde comuniquei que eu como responsável pelo site estou colectado como empresário em nome individual. E esta comunicação foi feita ao microfone numa assembleia plenária perante centenas de delegados... delegados esses que, tal como eu, não encontraram em nenhum documento do FSP razão alguma para o PortugalGay.PT não poder participar como organização com fins lucrativos. Estou também nesse Fórum como activista gay, como sócio de uma associação gay e lésbica, e mais que isso como cidadão... ainda não entendi a sua preocupação quanto à minha presença! Faço sempre os meus discursos, cito sempre as minhas fontes, não uso nunca de forma ilícita o trabalho dos outros. E não, não estou presente neste Fórum graças ao encobrimento dos meus colegas GLBT, mas sim graças à efectiva transparência e lealdade para comigo primeiro, e depois para com todos e todas as outras. Quanto á acusação de boicote ao surgimento de novos protagonistas vindos do norte, lamento que não haja mais pessoas a trabalhar na minha área. Mas vou lembrar o senhor de algo que está careca de saber mas que omite no seu testemunho: a minha única quesília foi com o (entretanto extinto) Grupo NÓS em 2001, por razões subejamente discutidas em sede própria, as quais o senhor também esta farto de saber, e que tirando esse incidente, nunca, e repito nunca, criei oposição ao trabalho dos outros (pelo contrário: apoiamos diversas iniciativas do Grupo Nós). Contudo sou livre de decidir com quem quero trabalhar. Quanto à Opus Norte, fui uma única vez a uma reunião desse núcleo da OG como observador, nunca tive qualquer tipo de actividade com os seus representantes, e se a mesma desapareceu terá sido por outras razões que desconheço. Sei que perdeu gente tão valiosa como o nosso conhecido Nuno Carneiro, que pela sua formação e capacidades é um elemento de grande valor mas que por isso mesmo sabe bem o que pretende da sua vida.

Termino toda esta reflexão refazendo a forma como o senhor activista presidente da OG termina:

Já sentimos há muito. O que este senhor faz é uma luta de personalidades. É lamentável, desleal, e muito negativo para o movimento GLBT, que tenhamos para além de lutar contra o sistema, ter que conseguir energias para ouvir e ler para depois desmentir e ripostar contra alguém que teima ignorantemente em estar na "spotlight". Não é de estrelas que este movimento precisa, ponha-se no seu lugar meu senhor.

João Paulo
Editor

Correcção [23/9/03 21:48]:
A frase assinalada com * tinha originalmente a seguinte redacção:

    Isto é tão mais estranho quanto na própria OG a vice-presidente Anabela Rocha é filiada no Partido Socialista, e a OG tem divulgado diversas vezes iniciativas de contacto com o Partido Socialista.

No entanto removemos esta frase nesta versão on-line do comunicado pois Anabela Rocha no seu blog (www.anabelarocha.blogspot.com) vem desmentir esta afirmação ao escrever hoje (23/9) pelas 20:10 o seguinte:

    Militância partidária
    Para que conste, e como não faço qualquer suspense do assunto, não sou, nunca fui e julgo nunca virei a ser, militante de qualquer partido. Respeito quem entende participar dessa forma na vida cívica. Nunca o farei porque, no momento do aperto, no momento em que uma crítica individual pode causar a perturbação e a complexidade necessária num dado processo, nunca vi, nesse momento, um partido não pedir disciplina partidária. E é só.

Fica aqui a correcção.

Ver também...

Texto retirado do site OpusGay.ORG
Comentário de José Manuel Fernandes ex-presidente da ILGA Portugal sobre este assunto
Notícia PortugalGay.PT referida no texto
Comunicado de imprensa em que PortugalGay.PT refere os bloqueios da Opus Gay no processo do FSP (27 Maio 2003)

 
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