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Fev 2004

Esta mensagem foi recebida anonimamente através da página de sondagens da semana: http://www.portugalgay.pt/sondagens/. O texto foi editado pelo PortugalGay.PT para expandir as abreviaturas e introduzir a divisão em parágrafos.
Dum lado os gays, supostamente inteligentes e letrados, que querem a adopção, doa a quem doer, porque temos que ter direitos iguais a toda a gente (e porque não?) e não há mais conversa, porque agora até já estamos na CEE e portanto temos que estar ao nível dos países mais “civilizados”.

Do outro lado os homófobos, também supostamente inteligentes e letrados, alguns até ocupando cargos públicos de certa responsabilidade, bradando que seria a maior infelicidade para qualquer criança ser educada por uma casal homossexual. No entanto sem o mínimo escrúpulo em reenviar bebés para as suas famílias biológicas em que já existe um historial de maus-tratos. Até que, por fim, quando estas são barbaramente assassinadas, se instaura um rigoroso inquérito e se conclui que os ditos responsáveis tiveram uma actuação exemplar.

No meio disto tudo as crianças como meros adereços ou armas de arremesso.

Mas pesando os prós e os contras sou a favor da adopção por gays. E muito simplesmente porque os argumentos "contra" me parecem inconsistentes ou, até, incoerentes... Argumenta-se, por exemplo, que sendo educado por um casal do mesmo sexo, a criança não tem as figuras parentais homem e mulher, equilibradas e "normais" que lhe permitam desenvolver a sua personalidade de uma forma saudável e integrada (ou coisa que o valha, não tenho a mínima pachorra para este jargão pseudo-intelectual, ridículo e ainda por cima inútil...).

Mas nos internatos e quejandos, onde se encontram essas tais figuras parentais equilibradas e normais? Em gente como o inefável Dr. Villas-Boas? Em gente como a sagaz Dra. Catalina Pestana que, quando entrou para a direcção da Casa Pia, prometeu que acabariam os abusos sexuais porque iria dar preferência a gente casada e com filhos para trabalhar como funcionários dessa instituição, esquecendo, muito convenientemente, que 3 dos "arguidos" da novela Casa Pia são casados e com filhos (Carlos Cruz, Hugo Marçal e Manuel Abrantes)?

Será que uma criança criada por um casal heterossexual em que o pai espanca regularmente a mãe (ou vice-versa...) ou em que o pai abusa sexualmente das filhas, virá a ser psicologicamente mais sã que uma criança educada por um casal do mesmo sexo, em que há um mínimo de respeito e educação?

Outro argumento também muito utilizado, não só pelos homófobos como pelos próprios gays e heteros gay-friendly, tem a ver com a inserção social e a "crueldade natural" da criancinhas (como se os adultos fossem melhores...). Pois... mas e daí? Se uma criança for vítima de discriminação na escola por motivos de raça, deficiência física, etc. deveremos impedi-la de frequentar a escola ao invés de punir os seus torcionários? Para combater a violação das mulheres deveremos proibi-las de sair à rua (ou impor-lhes o recolher obrigatório) em vez de punir os violadores? Nunca ouviram falar de uma coisa chamada educação (e não me estou a referir a regras de etiqueta)?

Além disso num país em que, num centro comunitário gay e lésbico, é possível vermos um gay a referir-se a outro como “aquela bicha” (em tom depreciativo), faria mais sentido preocuparmo-nos primeiro com a nossa própria crueldade e discriminação e só depois com a dos outros. Se de cada vez que alguém fosse discriminado por motivos relacionados com orientação sexual os gays e filogays manifestassem o seu repúdio de forma clara e veemente e os responsáveis fossem chamados à ordem, provavelmente pensariam duas vezes antes de fazerem das suas e já não se poderia usar a “crueldade natural” da criancinhas, como argumento hipócrita que só demonstra que quem o utiliza, no fim de contas se está cagando para os putos e é tão homófobo como os outros.

De facto um casal de lésbicas pode até nem ser o ideal, mas entre isso e deixar as crianças a criar bolor nos internatos em que os outros internos mais velhos e/ou mais fortes, funcionários e companhia as sujeitam a abusos físicos/psicológicos/sexuais, parece-me que a escolha não é assim tão difícil.

No fim de contas o ideal não existe e a "arte" consiste em escolher o menor entre dois males e não entre o bem e o mal.

Sabem que mais? Eu já estou com'ó Herman, nem peço às pessoas que aceitem tudo incondicionalmente. Se têm problemas de auto-estima e ficam mais felizes a discriminar, então que discriminem (que é pró lado que eu durmo melhor) e vão pró c... campo apanhar flores, mas ao menos dêem-se ao trabalho de arranjar melhores argumentos para se justificarem.

26 Fev 2004
 

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