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REINO UNIDO: De transexuais, lésbicas e casamentos


Segunda-feira, 31 Outubro 2011 20:48 (19:48Z)



REINO UNIDOSão histórias de compromissos para vidas que ultrapassam as fronteiras do género.

Num primeiro registo, duas trans lésbicas casaram depois de uma delas se ter submetido a uma cirurgia de correcção de sexo.

O casal já vivia como um par lésbico há anos, mas nenhuma se tinha submetido à CCS até agora. Ambas, Jenny-Anne Bishop e Elen Heart tinham sido anteriormente casadas com mulheres e tiveram filhos antes de se assumirem como trans.

Quando se conheceram em 2004, Jenny-Anne, agora com 65, e Elen, 68, eram consideradas homossexuais. Mais tarde identificaram-se como transexuais e começaram a viver como mulheres, assumindo-se como lésbicas. Jenny-Anne submeteu-se então à cirurgia e as duas casaram.

Embora ambas tenham ido de vestidos de noiva, Elen -- que já tinha sido casada duas vezes durante 27 anos -- foi referida como “noivo” e o seu casamento civil ficou selado com a declaração que eram agora “marido e mulher”. No entanto, numa cerimónia posterior na Igreja, foram declaradas “esposa e esposa”.

"A lei viu-nos transitar desde um casal gay para um casal lésbico e para um casal hetero que pode casar," Jerry-Anne, cujo casamento anterior com uma mulher durou 31 anos, referiu aos media, "mas basicamente somos somente duas pessoas que se amam e que quiseram declarar e celebrar publicamente a nossa relação”.

"Queremos encorajar outros casais trans a celebrarem as suas relações e especificidades," acrescentou Jerry-Anne.

Uniões civis existem na Grã Bretanha para casais do mesmo sexo, mas não o pleno casamento, embora os seus integrantes tenham o estatuto de esposos/as.

Noutro registo, Sarah Brown e Sylvia Knight são consideradas o primeiro casal de Cambridgeshire a tomarem o inusitado caminho do casamento, divórcio e união civil -- tudo para que Sarah pudesse ser legalmente reconhecida como mulher depois de se submeter à CCS.

E apesar da discriminação sofrida desde que iniciou a transição para uma vida de mulher, Sarah não se arrepende de ter dado o salto.

No fim de semana passado foi nomeada como uma das mais influentes personalidades LGBT pelo jornal Independent na rubrica “Sunday’s ‘pink list’” pelo seu papel na luta por uma maior visibilidade e respeito das pessoas trans na sociedade.

Descreve-se a si própria como “provavelmente a única activista trans no Reino Unido eleita para um cargo político”.

Mas mesmo numa cidade relativamente liberal como Cambridge, a vereadora Sarah encontrou abusos e comentários ofensivos.

“Experimentei três tipos de discriminação – transfobia, homofobia e misoginia,” afirmou. “desde a transição para mulher tornei-me de repente uma cidadã de segunda classe”.

“Subitamente o meu espaço pessoal foi invadido e começei a ter homens a tocarem-me, algo que não tinha experimentado anteriormente”.

“Também pessoas completamente desconhecidas apareceram a indagarem-me sobre a minha genitália o que considero ser extremamente rude.”

Depois de ter andado numa escola católica e ter estudado informática no Trinity Hall Cambridge, Sarah conheceu a também estudante Sylvia – agora consultora do Citizens’ Advice Bureau.

O casal deu o nó em 2001, seis anos antes de Sarah se submeter à CCS. No entanto a lei forçou a anulação do casamento para que Sarah fosse oficialmente reconhecida como mulher – algo que ela luta para alterar.

“Tinha implicações reais como, por exemplo, se fosse considerada culpada de um crime podia acabar numa prisão masculina,” afirmou.

“Quando estávamos no tribunal em Cambridge para o divórcio tivémos de nos convencer do que fazíamos. Saímos de mãos dadas e a chorar”.

E pesando ter perdido contacto com o seu pai por ter transitado, considera que a vida como um homem já não era suportável.

“Poderia tê-lo feito mais cedo mas tinha medo da reacção pública e da discriminação. embora as coisas fossem muito desagradáveis e dolorosas passei muito tempo a fugir do assunto”.

Sarah, que era consultora de uma companhia antes de dedicar as suas energias como vereadora, e pertence ao executivo do LGBT+ Liberal Democrats onde preside ao grupo de trabalho trans, submeteu-se à CCS em 2007.

Desde a transição faz tratamento hormonal.

Stan Reid, o presidente do Cambridge City Council afirmou que Sarah merece reconhecimento nacional depois de tantas batalhas.

“Sarah dá à comunidade LGBT de Cambridge uma voz forte e o seu trabalho a derrubar barreiras e por uma maior aceitação já vem de há muito tempo”, afirmou.

Embora Sarah seja presentemente a única pessoa trans do Cambridge City Council, não é a primeira. Em 2007 Jenny Bailey – ex vereadora Liberal Democrata trans – foi empossada como prefeita da cidade.

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reino unido transexual religião casamento família lésbicas gay

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