
Quem terça-feira à noite foi à discoteca Lux, na Ribeira de Lisboa, para tomar uns copos, já estava atrasado para o 2.º Festival W.A.Y. (who are you?). É que os artistas, enredados em exibições de genitália de pressupostos eróticos – porque é esse o mote desta edição –, já tinham começado a mexer. As inevitáveis “instalações” abriram as lides performativas, que prosseguiram com leituras decalcadas da experiência nova-iorquina de Filipa Francisco. A “peça” mais viva da noite, ‘Porno for Pyrus’, foi protagonizada por Miguel Loureiro com uma “entourage” de doze jovens muito “fashion”. Numa espécie de rábula de registo irónico e em tom de decoro, o actor divagou sobre a sua vida (homo) sexual, recorrendo a exemplos práticos tais como introduzir no seu corpo o cabo de uma escova de dentes ou uma banana. Depois, num canto, Margarida Bettencourt e João Galante enfiados numa espécie de cubo iluminado com alguns buracos para o exterior, alimentavam a curiosidade de quem se acotovelava para ver (mal) uma nudez estática, nada estimulante e disfarçada com muita maquilhagem. Enquanto isso, nas casas de banho femininas seis portas abriam-se espaçadamente deixando entrar visitantes incrédulos e curiosos (alguns já meio irritados por esperar sem saber para quê) para uma espécie de ‘tête-à-tête’ de poesia e desenho, engendrado por Mónica Calle.