
Uma pesquisa feita em 2006 pela Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia) mostrou o grau de preconceito de homossexuais e bissexuais com relação a pessoas com HIV. Os resultados na época ficaram assim: dos quatrocentos entrevistados, 58% dos respondentes afirmaram que não teriam relação sexual com uma pessoa declaradamente HIV soropositiva e 60,5% não estabeleceriam uma parceria regular com esta pessoa.
Uma sondagem recente intitulada "Levantamento de necessidades em HIV/AIDS entre homossexuais soropositivos no Rio de Janeiro”, realizada entre agosto e dezembro de 2007 com homens homossexuais soropositivos (em sua maioria de 35 a 45 anos), confirma os dados da pesquisa anterior.
Os resultados impressionam, já que se passaram 30 anos do surgimento da Aids e neste curso, décadas de luta dos ativistas para combater o preconceito e a discriminação.
"Há um preconceito gerando a rejeição, inclusive dentro da comunidade homossexaul, isto é, observamos uma estratégia de rejeição e não de consenso, como se as pessoas estivessem achando que desta forma vão se proteger melhor, demonstrando uma falta de confiança no preservativo. É necessário resgatar a estratégia calcada na aceitação do outro e na confiança na camisinha”, avaliou Veriano Terto Jr, que coordenou a pesquisa com o cineasta Vagner de Almeida, a psicóloga Cristina Pimenta e o médico Juan Carlos Raxach.
A pesquisa também investigou os dilemas enfrentados pela soropositivo, como a preocupação com a reinfecção dele e do parceiro levando ao impasse.
“Há um impasse quando o relacionamento está caminhando para uma configuração mais linear. Os entrevistados disseram sentir-se na obrigação de contar sobre sua situação sorológica. O problema é que revelar a soropositividade para os parceiros pode implicar rejeição”, afirmou o sociólogo.
Outro dilema enfrentado pelos soropositivos é o medo da "Cara da Aids" em seu corpo.