
O presidente da futura Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, anunciou hoje depois das 10:00 (hora de Lisboa), diante do Parlamento Europeu, a retirada da sua equipa de comissários, a fim de evitar que o executivo fosse rejeitado pelos eurodeputados."Cheguei à conclusão que se a votação fosse hoje, o resultado não seria positivo para as instituições europeias e para o projecto europeu", declarou Barroso, sob os fortes aplausos do hemiciclo."Compreendo a situação. A consequência é que a Comissão Prodi ficará mais tempo em funções", respondeu o secretário de Estado holandês para os Assuntos Europeus, Atzo Nicolaï, que representa a presidência da UE em Estrasburgo.Confrontado com o provável chumbo à sua equipa, Barroso encontrou-se previamente, hoje de manhã, com os chefes das principais formações políticas do PE - Hans-Gert Poettering, pelos conservadores; Martin Schulz, pelos socialistas e Graham Watson do grupo dos Liberais e Democratas Europeus - a fim de lhes pedir o adiamento da decisão e a remodelação da quipa.O principal problema, mas não o único, residia no comissário italiano Rocco Buttiglione, cujas convicções decalcadas das teses mais conservadoras da Igreja Católica sobre a homosexualidade e o casamento são consideradas pelos grupos mais à esquerda do PE incompatíveis com o seu pelouro da Justiça, Liberdade e Segurança.