
A administração da SIC vai decidir nos próximos dias se os portugueses poderão ver um beijo gay na série ‘Aqui Não Há Quem Viva’. ‘Gustavo’ (Luís Gaspar) e ‘Fernando’ (Diogo Morgado) já estão preparados para aquele que poderá ser um momento histórico na TV nacional e tanto Francisco Penim como Teresa Guilherme defendem a cena.
“Para mim isto é trabalho. É um beijo simples. Dar um beijo ou um estalo é a mesma coisa”, salienta Luís Gaspar, intérprete de ‘Gustavo’. O actor acredita na receptividade do público: “A relação dos dois é muito afectiva e carinhosa. Eles dão-se muito bem e as pessoas vão aceitar. Gostava que fosse um beijo de carinho, sem carga sexual, e espero que o vejam assim. Por isso acredito que não chocará, até porque há cada vez menos preconceitos.”
No original espanhol de ‘Aqui Não Há Quem Viva’ o beijo aconteceu no primeiro episódio. Por cá, a haver beijo “será lá mais para a frente. Talvez daqui a duas semanas eles se beijem”, refere Teresa Guilherme, directora da produção nacional da SIC, ao CM. A exibição do beijo, garante-nos fonte da estação, será discutida nos próximos dias com a administração. Para o director de Programas e para Teresa Guilherme a cena “é perfeitamente normal e para a estação também, mas, como é uma novidade, temos de levar o assunto à administração”, diz a responsável.
“As pessoas ainda se chocam com estas cenas, mas acho que se devia exibir. É um beijo carinhoso, nos lábios. É mais um carinho entre dois homens. Não é um beijo de cariz sexual. Apesar disso, ainda não sei se vai para o ar”, conclui.
INFANTE JÁ O FEZ NO TEATRO
Na peça ‘O Beijo da Mulher Aranha’, o personagem interpretado por Diogo Infante também beijou um homem. Para o actor e director do Teatro Maria Matos, “a única diferença agora é que o beijo” poderá acontecer “numa obra de ficção portuguesa. Há muito que na ficção estrangeira mostram beijos entre homens”.
Quanto à polémica gerada no Brasil, que levou ao corte, por parte da Globo, do beijo entre ‘Júnior’ (Bruno Gagliasso) e ‘Zeca’ (Eron Cordeiro) na novela ‘América’ (SIC), Diogo Infante não acredita que o mesmo se passe em Portugal.
“Somos um País de brandos costumes e muito comodistas. Sinceramente não creio que vá gerar polémica. A generalidade dos portugueses está sensibilizada para estas questões”, afirma ao CM.