
Educação, castidade e fidelidade sexual são as únicas formas de combater a Sida, disse neste final de semana o Papa João Paulo II, reiterando a política do Vaticano dias após a igreja na Espanha dizer que apóia o uso da camisinha e mais tarde recuar a sua posição. “O Vaticano (...) considera que é necessário acima de tudo combater a doença de maneira responsável aumentando a prevenção, notavelmente através da educação sobre o respeito dos valores sagrados e formação de uma prática correta de sexualidade, que pressupõe a castidade e a fidelidade”, disse o pontífice no discurso de posse da nova embaixatriz da Holanda no Vaticano, Monique Patricia Antoinette Frank. Os comentários do Papa vieram dias após bispos espanhóis afirmarem que apóiam o uso da camisinha. Na terça, 18/1, o bispo Juan Antonio Martinez Camino, porta-voz da Conferência Episcopal espanhol, disse que “os preservativos têm um lugar na prevenção global da Sida”. Mas na quarta-feira à noite, a Conferência emitiu um comunicado dizendo que os comentários do bispo “devem ser compreendidos no contexto na doutrina católica, que diz que o uso de preservativos é uma conduta sexual imoral”. Grupos ativistas gays da Espanha reagiram ao recuo da igreja e criticaram seu “ataque de lucidez”. O Papa afirmou que a igreja está se mobilizando para combater a Sida, argumentando que ela garante acesso ao tratamento necessário. Em seu discurso à embaixatriz, João Paulo II falou sobre a necessidade do “absoluto respeito à vida humana, da concepção à morte natural”, em referência ao aborto e a eutanásia, cujas práticas são incessantemente criticadas pela igreja.