
Recentemente, numa conferência global na Grécia sobre a missão Cristã, os participantes discutiram como o assolar do VIH/SIDA em África pode reformular a visão religiosa e as práticas nesse país. A pandemia forçou muitas igrejas a debaterem-se com os temas sensíveis da sexualidade e da morte, e colocou alguns Católicos Romanos em desacordo com a hierarquia da igreja devido à oposição do Vaticano quanto ao uso de preservativos. Alguns pastores e catequistas acreditam que as próximas décadas podem levar as igrejas africanas a reordenar a base da teologia, colocando a assistência social e os cuidados de saúde acima dos sermões e do evangelismo tradicionais.
Isto poderia, por sua vez, promover a cooperação entre as igrejas Católica e Protestante e instigar um novo movimento na fé, dizem alguns líderes. "Temos pastores que estão a perder mais tempo a enterrar membros das suas congregações que a pregar para eles," disse Jacinta Maingi, que coordena um programa de VIH/SIDA e dá seminários por toda a África com líderes religiosos.
Um estudo de Março das NU previu que mais de 80 milhões de africanos podem morrer de SIDA até 2025 e o número de infectados por VIH pode ascender a 90 milhões, mais de 10% da população deste continente, sem a expansão de programas de prevenção e melhoria do acesso aos fármacos. Maingi sugeriu uma "teologia da SIDA" que permita aos doentes permanecer com as suas crenças.
"Mensagens como 'a SIDA é o castigo de Deus pelo pecado,' estão ainda muito presentes," disse o Reverendo Johannes Petrus Heath, um Anglicano residente na África do Sul que lidera uma rede confidencial para líderes religiosos africanos com VIH. "O nosso credo e os ensinamentos de Jesus são ensinamentos de inclusão holística. Mas [a fé] teve mais de 2000 anos de aperfeiçoamento da doutrina da exclusão. Esperamos conseguir usar a SIDA e o VIH para trazer de volta a inclusão para a Cristandade."