
Os bispos de Portugal e Espanha assumiram-se ontem, em Fátima, contra o uso de embriões humanos como objecto de investigação científica. Em conferência de Imprensa, no final do Encontro, o Secretário-geral da Conferência Episcopal Espanhola (CEE), Pe. Juan António Martinez Camino, disse ser desfavorável à reprodução humana artificial porque “vai contra o direito fundamental à vida”, salientando que a Igreja não concorda com a concepção do embrião “como objecto e não como um ser com direitos inalienáveis”. Estando Portugal e Espanha a aguardar lei relativa a esta matéria, o Porta-voz da CEE considera que as normas propostas, e em análise, “não estão pensadas do ponto das crianças produzidas em laboratório, mas do ponto de vista dos laboratórios”.
O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Carlos Azevedo, disse que a reprodução assistida cria injustiças e quebra relações entre pais, filhos e irmãos. Os bispos artilharam «documentos e argumentos éticos para estabelecer limites e denunciar práticas injustas que as leis facultarão».
A realização de casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo em Espanha foi também um dos temas em análise. Sobre esta matéria, os bispos referem, em comunicado final, que «a agressão cultural ao conceito do matrimónio que acontece em Espanha, apresentada como se fosse um avanço e uma conquista da humanidade, exige um trabalho pastoral de esclarecimento fundamental da perspectiva cristã e uma clara defesa da verdade da natureza humana».
Os bispos manifestaram ainda preocupação quanto ao ensino de religião e moral católica existente nos dois países, reconhecendo «a importância da Escola Católica para que os pais possam cumprir a missão que lhes é própria», referem em comunicado.