
Manifestantes de defesa dos direitos LGBT juntaram-se na passada sexta-feira, em Nova York, a milhares de espectadores, tocadores de gaitas-de-foles e bandas, no desfile do dia de St. Patrick, santo padroeiro da Irlanda. Em causa está o facto de não ter sido autorizada a participação de um bloco LGBT na parada e as declarações do chefe responsável pelo desfile, John Dunleavy, que comparou os activistas gays americanos de origem irlandesa a neonazistas, membros do Ku Klux Klan e prostitutas.
Durante o desfile Dunleavy preferiu não comentar o assunto. "Hoje é dia de St. Patrick. Nós celebramos a nossa fé e a nossa herança irlandesa, o resto é secundário". Dias antes Dunleavy tinha declarado a um jornal: "Se um grupo israelita quiser desfilar em Nova York, vocês deixarão os neonazis participar? Se os afro-americanos desfilarem no Harlem, eles serão obrigados a aceitar membros do Ku Klux Klan?" justificando assim a sua recusa em aceitar o bloco LGBT.
Os manifestantes carregavam placas com os dizeres: "Nós podemos desfilar em Dublin e Cork, por que não em Nova York?" O desfile da cidade é o mais antigo do país e chega a atrair 150 mil participantes.
A Irlanda é um dos países da europa com maior tradição religiosa católica (em 1973 mais de 90% da população ia regularmente à missa) mas que não ficou de fora dos escândalos de abusos sexuais por padres. Nos últimos anos tem havido uma revolução tecnológica no país e que também tem sido acompanhada pelos costumes (o divórcio só é permitido desde 1995) e por uma secularização, mas pelos vistos ainda não chegou a alguns Irlandeses além mar.