
Contra as "vergonhosas e infundadas mentiras" veiculadas pelo 'best seller' "O código Da Vinci", o Vaticano vai iniciar o que apelida de "cruzada" para repor factos históricos colocados em causa pelo romance de Dan Brown. A posição oficial da Igreja surgiu pela voz do arcebispo de Génova. Apontado em vários círculos como possível sucessor de João Paulo II, o cardeal Tarcisio Bertone manifestou-se, aos microfones da Rádio Vaticano, "atónito e preocupado com a quantidade de pessoas que acreditam nas mentiras divulgadas" pelo livro.
Apesar das declarações do autor em sentido contrário, o Vaticano acredita que Dan Brown teve a clara intenção de "desacreditar" a instituição, ao lançar propositadamente dados apócrifos sob a capa da veracidade. A título de exemplo, Bertone refere a nota, apresentada no início do livro, que assegura que as múltiplas referências feitas à arte, arquitectura, rituais e sociedades secretas são "factos históricos".
As "distorções e os erros" alegadamente transmitidos no livro vão motivar a realização do primeiro seminário, subordinado ao tema "Estória sem história", em que responsáveis eclesiáticos prometem escalpelizar as inexactidões históricas e factuais do enredo. A cruzada contra o mais popular romance da actualidade não se limita a debates ou colóquios. Através do arcebispo de Génova, o Vaticano lançou ainda um apelo claro aos católicos para que "não comprem nem leiam o livro" .
"Ele desvirtua até a história do Santo Graal, que em nada está relacionado com os descendentes de Maria Madalena, como aponta", afirmou o cardeal genovês, citado pelo matutino "The Times".
Ainda antes da nova polémica em que se viu envolvido, Dan Brown adensou as críticas à Igreja, ao afirmar que "uma organização tão antiga e poderosa como o Vaticano não poderia alcançar o poder que ostenta sem guardar alguns segredos de família".