À porta da Comuna, em Lisboa, há um cartaz que avisa: o espectáculo ‘Beijos e Abraços’ contém cenas e linguagem susceptíveis de ferir alguns espectadores. E, ao entrar para a Sala 1 daquele espaço da Praça de Espanha, em Lisboa, é bom que o espectador se prepare para tudo, porque Luís Assis escreveu um texto que lhe saiu das entranhas e, em cena, ‘obriga’ os actores a um desempenho não só orgânico como bastante violento, frequentemente de difícil digestão.
Aqui ninguém vem ao engano: no cartaz que publicita o espectáculo vêem-se dois casais homossexuais a beijarem-se. Dois homens e duas mulheres. Porém, será este um espectáculo exclusivamente dirigido a um público homossexual? Não.
O texto, complexo e que não apresenta soluções – não dá lições de vida, nem procura receitas fáceis para a felicidade – tem como temas a fidelidade, o amor, a estabilidade das relações conjugais e o exercício de poder dentro do casal. Ou seja, temas universais. Com um cheirinho de activismo gay e lésbico – mas não em demasia –, o espectáculo ganha também uma vertente política que acrescenta ao seu interesse. É, de resto, a segunda produção de uma trilogia que Luís Assis baptizou de ‘Sex Shop Trilogy’ e com a qual pretende questionar tabus da sociedade e da cena teatral portuguesas.
Depois de ‘Gay Solo’, apresentado em tom de comédia, ‘Beijos e Abraços’ é o lado dramático desta trilogia que encerrará com ‘Castidade’ (título provisório), também produzido pela Cassefaz e a estrear em 2008.
Para já, o público – mas só maiores de 18 anos – poderá ver este espectáculo que nos apresenta o casal Alberto (Luís Assis) e Ricardo (Paulo Diegues), e o casal Ângela (Maria Camões) e Diana (Cláudia Andrade). Uma aventura que começa com o convite para um ‘swing’...
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www.portugalgay.pt/teatro/]