
A cientista Maria Odette Santos Ferreira reagiu, ontem, com "surpresa e emoção" ao Prémio Universidade de Lisboa, com que foi distinguida pelo seu contributo para a descoberta do VIH2, a segunda estirpe do vírus da sida. "Foi com muita surpresa que recebi o prémio e também com uma certa emoção por a Universidade de Lisboa (UL) achar que eu merecia esta distinção. Dediquei toda a minha vida à investigação e isto representa um grande reconhecimento desse trabalho", afirmou a cientista, em declarações à agência Lusa.
O júri, presidido pelo reitor da UL, António Nóvoa, salientou a projecção internacional do trabalho de Odette Santos Ferreira, considerando que este permitiu aprofundar no plano mundial o estudo da infecção do vírus da imunodeficiência humana. Odette Santos Ferreira, hoje professora catedrática e jubilada da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, realizou em Portugal os primeiros testes de VIH e, com base nos resultados, fez "o primeiro alerta ao Governo", ainda no início da década de 1980. Na sequência da investigação, a cientista detectou que havia doentes com imunodeficiência internados no Hospital Egas Moniz que não apresentavam exactamente as mesmas características que, na altura, classificavam o vírus da sida. "Fizemos uma série de testes e isso permitiu despistar, em 1983, a existência de uma nova estirpe do VIH, que até aí não era conhecida e que foi classificada de VIH2", explicou. O vírus da imunodeficiência humana tem duas estirpes, ambas divididas em variantes que predominam consoante as zonas geográficas.