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SIDA: Campanhas Não Têm Conseguido Desmontar Mitos


Terça-feira, 13 Janeiro 2004 00:58 (23:58Z)



SIDAA maioria (86,9 por cento) dos adolescentes portugueses diz não conhecer qualquer pessoa infectada com HIV e um terço deles conclui que, assim sendo, a sida só pode ser uma doença inventada como medida de repressão sexual. Um grupo considerável (31,9 por cento) acredita tratar-se, além do mais, de um problema que a pílula previne. Por que surgem estas respostas? Porque os jovens estão mal informados e as campanhas audiovisuais continuam a falar do vírus da imunodeficiência humana (HIV) sem o explicar, sem especificar as vias de contágio e sem esclarecer o que fazer para evitá-lo. A conclusão é de Orquídea Lopes, uma professora portuguesa cuja tese de doutoramento, apresentada na universidade espanhola de Salamanca, foi distinguida com o Prémio Extraordinário, atribuído à melhor entre as melhores teses de doutoramento e que vai ser entregue no próximo dia 28. O trabalho tem por base um inquérito realizado, a mil jovens com idades compreendidas entre os 14 e os 16 anos, em escolas portuguesas de 15 distritos. Tendo em conta que a maioria dos jovens possui conhecimentos sobre a doença, obtidos preferencialmente através da televisão, o estudo pretendeu fazer um diagnóstico das crenças e comportamentos dos mais novos e, ao mesmo tempo, avaliar uma amostra de 44 "spots" de prevenção difundidos entre os anos de 1990 e 2000. Alguns números encontrados são alarmantes: mais de metade (53,5 por cento) dos inquiridos estão confiantes de que não correm riscos de contrair a doença porque não têm relações sexuais com parceiros que consumam drogas; um em cada cinco (19,7) diz que conclui, através da observação, se uma pessoa está infectada ou não. É certo que muitos (41,6) garantem que só se envolvem sexualmente depois de recolher informações sobre o companheiro. Mas Orquídea Lopes pergunta onde é obtida essa informação e constata que os jovens se baseiam no diálogo com o parceiro ou com terceiros para compreender se este está ou não infectado. Para a autora da tese, neste campo as campanhas de prevenção têm, antes de mais, de ajudar os jovens a distinguir HIV de sida e esclarecer que não se percebe se um indivíduo está infectado através da aparência física, até porque há pessoas que estão contaminadas e desconhecem o seu estado de saúde. Um quinto (22,6 por cento) dos inquiridos no trabalho ainda não tinham tido qualquer experiência sexual; cerca do dobro (40,8) já trocara beijos e carícias; 20,1 por cento tiveram sexo com uma ou mais pessoas e 16,4 por cento estiveram perto. Na altura do inquérito, realizado em 2002, a maior parte (63,3 por cento) dos adolescentes não tinham qualquer tipo de experiência sexual e 12,3 tinham relações. Orquídea Lopes defende que as campanhas têm de ser positivas e incentivar aqueles que optam por não ter uma vida sexual a não mudarem a sua conduta: "Estamos numa cultura da erotização, numa sociedade em que os jovens tendem a condenar cada vez mais uma rapariga de - por exemplo - 14 anos que ainda seja virgem e é preciso que se retardem os comportamentos sexuais até à maturidade de cada um, sem forçar, respeitando opções". A autora da tese de doutoramento premiada sugere, por exemplo, "spots" com imagens de pessoas glamourosas, saudáveis, plenas de imaginação e conhecidas do público adolescente. Para os que optarem por uma vida sexual activa, Orquídea Lopes defende que não basta informar acerca da existência do preservativo e que deve ousar-se explicar como se utiliza, como cada jovem pode resistir à pressão daqueles "que se negam a usá-lo por se sentirem como que ofendidos pelo facto de o parceiro aparentemente duvidar do seu estado de saúde e do seu percurso sexual".

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