
A organização pró-direitos humanos Human Rights Watch (HRW) condenou hoje o assassinato de três lésbicas e o clima de homofobia existente na África do Sul, considerado um dos países socialmente mais avançados no continente. "O recente assassinato brutal de três lésbicas demonstra que a promessa constitucional na África do Sul de uma proteção igualitária ainda precisa se tornar realidade", diz a HRW em carta dirigida ao presidente Thabo Mbeki. A ONG se refere ao assassinato a tiros de Sizakele Sigasa, de 34 anos, e Salome Masooa, de 24 anos, mortas no dia 8 de julho em Soweto, sudoeste de Johanesburgo. Sigasa, que era ativista de direitos humanos e do movimento a favor dos gays, havia assumido abertamente sua homossexualidade. A HRW menciona ainda o assassinato de outra lésbica Thokozane Qwabe, de 23 anos, na província de Kwazulu-Natal. A vítima apareceu nua, com golpes mortais na cabeça e sinais de que havia sido estuprada.
"O clima de sexismo e homofobia violenta exige do Governo ações para cumprir o compromisso de que a igualdade e a tolerância se tornem realidade para os homossexuais", diz a carta, divulgada no mesmo dia em que a África do Sul comemora o Dia da Mulher.
Apesar de ser a maior economia do continente, o avanço social na África do Sul esbarra nos costumes conservadores e sexistas e o país possui alto índice de violência doméstica.
"A pobreza, os preconceitos, a homofobia e o sexismo estão construindo um sistema aceito no qual muitas mulheres não se atrevem a andar abertamente nas ruas", diz a ativista dos direitos homossexuais Jessica Stern.