
O regulamento dos Prémios Portucale/Cidade Gaia foi aprovado por maioria na Assembleia Municipal (AM) Gaia, com cinco abstenções da CDU e do Bloco de Esquerda e com 43 votos favoráveis do PS e da coligação PSD/CDS-PP/Independentes.
O patrono do Prémio Portucale/Cidade Gaia de Solidariedade Social – João Paulo II – não reuniu consenso. O deputado da CDU, Jorge Sarabando, elogiou as escolhas de Eça de Queirós, Teixeira Lopes e Edgar Cardoso para patronos, respectivamente, dos prémios de Literatura, Artes Plásticas e Ciência, Tecnologia e Inovação. Contudo, manifestou o desacordo com as escolhas de João Paulo II e de Victor Cunha Rego para patronos dos prémios de Solidariedade Social e de Jornalismo e Comunicação, enunciando os nomes de Alberto Andrade e de Raul Rêgo. E considerou que “este conjunto de prémios é ambicioso e oneroso” face “aos sacrifícios pedidos aos munícipes”. A discussão aqueceu com a intervenção do BE. Eduardo Pereira discordou de “João Paulo II”. Ele “marcou negativamente o Século XX”, considerou o bloquista, relembrando as posições do antigo papa em matéria de IVG e preservativo. Eduardo Pereira propôs a figura do Padre Luís e a CDU associou-se à proposta. Contudo, a alteração não foi aceite pelo executivo.
O deputado do PSD, António Rocha, sublinhou que foi João Paulo II “pediu desculpas pelas atrocidades cometidas pela igreja”.
Eduardo Pereira retorquiu que “também deveria ter pedido desculpas ao homossexuais e aos infectados com Sida” e frisou que a questão “nada tem que ver com questões religiosas”.
O presidente da câmara em exercício, Firmino Pereira, recusou-se a “entrar em polémica” e salientou que a autarquia está à procura de empresas que suportem os encargos com os prémios ao abrigo da lei do mecenato. Os prémios serão entregues, pela primeira vez, no Dia do Município.