
As transmissões televisivas motivadas pelo falecimento do Papa têm suscitado polémica um pouco por toda a Europa. A agência France Press não resistiu a assinalar, ontem, o caso português da estação de origem católica, a TVI, que não deixou de exibir um jogo de futebol e de fazer o acompanhamento do período que se seguiu ao anúncio da morte de João Paulo II, através de meras mensagens de rodapé.
Na vizinha Espanha, a longa edição da televisão pública dedicado à temática suscitou contestação política. O partido Esquerda Verde dirigiu uma carta à directora-geral da TVE, Carmen Caffarel, na qual deu conta de considerar "desproporcionada" a cobertura realizada pela estação. O facto de a TVE ter emitido 24 horas de programação alusiva ao Papa está, no seu ponto de vista, em desacordo com a definição de Estado laico presente na Constituição. Também na Hungria se deu contornos políticos à questão da cobertura televisiva do acontecimento, ou da falta dela, no caso, na estação pública. Segundo a agência de notícias francesa, a classe política criticou o atraso da MTV, a televisão pública, na interrupção dos programas logo depois de conhecido o falecimento do Santo Padre. "Para um homem que marcou de maneira profunda a sua época, e particularmente a Europa central e oriental, seria conveniente que os programas tivessem sido interrompidos", declarou o partido socialista (no poder), em comunicado. O principal partido da oposição, de direita, portanto, solicitou, inclusive, a abertura de um inquérito, com o objectivo de averiguar o que se passou nesse dia no funcionamento do canal ligado ao Estado. Em oposição, sublinhe-se, os canais privados interromperam de imediato a programação em curso nesse dia para introduzirem o directo do Vaticano.