Foi ontem que em Lisboa se realizou mais uma edição do Arraial Pride, no Terreiro do Paço. Logo depois do almoço sentia-se a agitação da preparação de uma noite de festa.
Uma organização da associação ILGA Portugal com a Câmara Municipal de Lisboa, aquele que até há algum tempo foi o espaço associativo e reivindicativo por excelência, ontem surgiu como algo deserto dessa presença.
Sentiu-se a falta de muitos colectivos LGBT, estando apenas no recinto principal a Rede Ex Aequo e o Queer Lisboa (festival de Cinema) e no espaço mais afastado do palco a Não Te Prives e Amplos. Também presentes apoiantes, de muitas acções políticas e sociais concretas, tínhamos o GAT, APF, APAV, Abraço e Amnistia Internacional.
Entre os presentes ouvia-se os comentários menos favoráveis da música, que teve várias quebras e, um espectáculo que não se via, além do "no sense" de um anúncio de "after show party" a partir das 22 horas... quando o Arraial se proporcionava noite dentro e, ainda mal tinha começado a sua animação.
A organização dizia que o Arraial deste ano teria inicia às 14 horas, mas uma hora depois ainda se ouvia a construção de um último stand, assim como o "Sound check", que continuou até perto das 20 horas(!)
Outro comentário que escutamos foi: "O arraial este ano parece uma feira económica!", dado o número de stands comerciais que estavam presentes no recinto além dos óbvios e animados bares da noite LGBT lisboeta.
Eis chegada a hora dos discursos, foi apresentado um vídeo com várias intervenções na Assembleia da República durante o processo legislativo de alteração à lei do Casamento Civil em geral com foco no dia 8 de Janeiro 2010 em particular. No palco a mensagem foi menos diversa com praticamente apenas uma voz a falar e a defender os pontos de vista da ILGA Portugal em relação à igualdade no Casamento, sem uma única referência ao problemas directos da parentalidade e muito menos a outras questões LGBT (que além de Lésbicas e Gays inclui também Bissexuais e Transgéneros).
Segundo as nossas contas (que valem o que valem, como quaisquer outros números), esta edição pode contar com 4 mil a 5 mil pessoas que aproveitaram este momento para confraternizar uns com os outros e muitos foram os que não se viam à muito e ali tiveram o seu ponto de encontro numa noite diferente.
Para o ano tem mais.
Nota PG: Dark Horses
Este é o nome de uma equipa de Rugby de Lisboa. Um destaque especial, uma vez que é organizada por pessoas homossexuais (mas aberta a todas as orientações sexuais) e que teve o seu stand no recinto. Este deve ter sido talvez dos stands mais visitados e animados, entre os não comerciais, tão animado que nem os cortes de energia apagaram a festa e o convívio ali vivido. Este stand visava divulgar a sua existência e consegui cativar novos adeptos e praticantes.
Recordamos que a próxima marcha do orgulho é no dia
10 de Julho no Porto.
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