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Viver - 40 anos

por portugalgay segunda-feira, 30 Agosto 2004 19:30

Tenho 40 anos e há seis descobri-me seropositivo. Senti um grande impacto, pois sempre imaginamos que essas fatalidades acontecem sempre com os outros, nunca conosco.
Por ter descoberto o vírus por acaso, venho fazendo acompanhamento médico regular. Não tomo nenhuma medicação porque os níveis têm estado a conteto, de modo que vou levando. Nunca tive doenças oportunistas e creio que a paz de espírito contribui enormemente para meu estado geral.
Faço ginástica regularmente, musculação e procuro, acima de tudo, fazer o que me dá prazer. Acendi profissionalmente, fiz duas pós-graduaçãoes, trabalho no que gosto e, por isso, posso dizer que tenho noção do que quero, das minhas potencialidades e necessidades.
Há dois anos e meio conheci meu companheiro, seronegativo, com quem tenho sido bastante feliz. Tomamos os cuidados de praxe que todos, aliás, devem ter.
A seropositividade não foi um caminho que deliberadamente escolhi, mas tenho aprendido a conviver com ela e, com certeza, sou um ser humano melhor.

vfduarte2002@yahoo.com.br

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por portugalgay domingo, 29 Agosto 2004 13:28
Antes de mais... os meus comportamentos não são exemplo para ninguém... é somente mais um testemunho... dispenso julgamentos de carácter. Tenho 29 anos e sou seropositivo desde Outubro 1997. Apaixonei-me por alguém, treze mais velho do que eu, que conheci através da Net e que vivia a 300 km de mim. Apesar de saber que a "fidelidade" não fazia parte do seu modo de vida, fomos dispensando o preservativo. Até que um dia, uns meses mais tarde, numa visita que me fez, no primeiro momento íntimo que íamos ter após várias semanas de separação, parou e disse-me que tinha descoberto que era seropositivo. Não reagi. Estava-me literalmente nas tintas. Estava apaixonado, estávamos "juntos" (apesar dos 300 km) e isso era o que importava. Uns meses mais tarde a relação degradou-se porque decidi não suportar mais a distância e a sua vida de boémio. Até hoje, falo com ele e vejo-o regularmente; é um bom amigo. A partir do final da relação, e face ao meu "futuro", fui-me um bocado abaixo. Como iria ser com outras pessoas? Seria possível voltar a ter uma relação com alguém? Contar ou não contar? Decidi contar... não resultou... simpaticamente e educadamente acabavam por se afastar... e eu percebia. Inicialmente, decidi não contar nos encontros de uma noite para, depois, passar a não contar nunca (usando preservativo), inclusivé a alguns namorados. Vivia com o medo e o tormento de acontecer algo. Até que reencontrei, há dois anos, alguém que já conhecia de vista. Apaixonamo-nos... e nunca usamos preservativo (e eu a viver um inferno dentro de mim!). Ele não sabia. Três meses depois, ele queria que ambos fizessemos o teste. Menti, inventei, fugi ao assunto... Como era de prever, ele ficou contagiado. Falamos e perdoou-me. Mudei-me para a casa dele. Pensei que, a partir daquele momento, nada nos podia parar, depois de uma prova dessas; tudo era "perfeito"! Acabamos, oito meses depois, por uma questão idiota sem sentido; resultado de mútua teimosia. Resolveu cortar relações. Desde então, agora quase um ano, nunca mais tive uma relação (amorosa ou sexual). Tenho mais medo do que nunca de me apaixonar por alguém que não seja HIV+. Os muitos que são HIV+, preferem ignorar e viver a vida. Os que sabem, escondem-se. Tenho vários amigos que sabem; alguns muito antes, outros depois de um linfoma. Nunca tomei a medicação correctamente, isto se a palavra "tomar" se puder aplicar ao meu caso. Estou fisicamente bem com níveis aceitáveis de CD e carga viral, tendo em conta a minha falta de respeito pela doença. O futuro? Não sei... Cada dia é mais um dia e vou vivendo "feliz", apesar de alguns momentos de solidão.

J.G.

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por portugalgay sábado, 28 Agosto 2004 13:27
Ola!
So queria partilhar a minha experiencia de viver com o HIV. Sou seropositivo ha 2 dois anos e cheio de saude. Nao preciso de tomar medicacao e a minha vida segue na mesma: trabalho, tenho um namorado (seronegativo) e uma relacao estavel ha um ano, faco ginasio/musculacao 3/4 vezes por semana, vou ao cinema, bares com amigos, etc.
Saber que era seropositivo foi um grande choque. Adquiri o HIV de um namorado que mentiu sobre o estatuto dele e so soube 3 meses apos acabar a relacao. Foi dificil mas o tempo curou muitos sentimentos dificeis. O que me custou muito aceitar foram os meus proprios sentimentos e pensamentos relativos ao HIV que eu associava, consciente ou subconscientemente, a toxicodependentes ou pessoas com vidas sexuais promiscuas. Como consequencia, apos o diagnostico entrei num ritmo destrutivo de orgias e muito sexo ocasional sem preservativo e com drogas. Felizmente, apercebi-me a tempo das causas de tal rotina auto-destrutiva e abandonei esse estilo de vida.
So queria deixar uma mensagem para aqueles que foram diagnosticados recentemente: nao vejam isto como o fim da vida. A vida continua e ha muitas coisas boas nela para serem vividas.,

Anónimo

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por portugalgay quinta-feira, 26 Agosto 2004 15:29
Aos 21 anos num espaço de duas semanas vi-me confrontado com questões que antes nunca tinha pensado. Conheci um homem que despertava em mim algo que não tinha equacionado nunca, apesar de o desejar muito mesmo, o estar com um homem, sentir um beijo de uma cara com barba. Um dia, já um pouco embriagado tive a coragem de me "deixar levar", deve ter sido o dia mais bonito desses 21 anos. Não houve sexo com penetração, mas caricias.. e tal... Estava completamente apaixonado por esse homem mais velho que me fazia vibrar. Creio que ele também... Até que chega o dia em que ele diz que tinhamos que falar, e contou-me que era seropositivo, passou-me algo pela espinha dorsal, uma especie de calafrio, não conhecia a doença, e tinha "entrado" no mundo gay há pouquisimo tempo. O meu medo imediato, foi "estou doido por ele e ele tem os dias contados" o dele foi que eu me afastasse, disse-me que o que se tinha passado não implicava qualquer risco para mim, e eu acreditei. Contou-me que já o era á sete anos, que tinha uma vida normal e que os valores dele eram normais. Uma coisa notei, ele sempre parecia disfrutar das coisas de uma forma mais intensa... Não, não acaba como uma linda historia de amor, pouco tempo depois ele afastou-se, voltamo-nos a ver umas vezes e mantemos contacto, mas não falamos sobre nós. Até hoje não sei muito bem porque se afastou, talvez tenha sido medo de investir em algo mais sério. Doe-me ele ter-se afastado, mas não há nada que o tempo não cure. Fiz os testes já 3 vezes e faço-os de 6 em 6 meses (algo importante também) e felizmente dão sempre negativo Conto isto porque foi uma altura da minha vida em que me tive que confrontar com algumas questões sérias em muito pouco tempo, e creio que as encarei como devem ser encaradas, bem, com normalidade.

André

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