por portugalgay
quarta-feira, 15 Março 2006 18:21
Recebido em
Recortes de Imprensa - Assassinato de Gisberta no Porto
Sobre o artigo do Público republicado no vosso site (e no link http://jornal.publico.clix.pt/noticias.asp?a=2006&m;=03&d;=12&uid;=&id;=67927&sid;=7465):
Para além de muita insensibilidade no tratamento da questão (alguma da qual vocês "repararam"), o artigo está muitissimo errado em relação à relação entre Transexualidade primária / secundária e o desejo / possibilidade de se fazer a SRS (Sex Reassignment Surgery).
Tradicionalmente a transexualidade primária é definida como as pessoas que "descobriram" a sua transexualidade antes da puberdade. Também tradicionalmente, estas pessoas são heterossexuais. As pessoas transexuais secundárias "descobrem" a sua transexualidade mais tarde, tipicamente depois da puberdade, e costumam ser homossexuais. A definição dada não corresponde às teorias de género convencionais (será uma nova teoria portuguesa??). De qualquer modo, a teoria-padrão é só um estereótipo muito parvinho e sem grande relação com a realidade. Conheço muitas Transexuais primárias homossexuais (i.e. lésbicas), e Transexuais secundárias hetero. Eu própria sou primária e lésbica :). Mas enfim, é um estereótipo muito comum e com base em conceitos estabelecidos há muito tempo...
Agora a relação entre primária / secundária e o querer-se fazer a SRS ou não é uma coisa que nunca ouvi antes! Quem lhes disse isto não sabe nada de Transexualidade (deve ter sido um psiquiatra do SNS, essas abébias convencidas de que são médicos a sério...). Existem TSs primárias que não querem / podem fazer a SRS e secundárias que querem e fazem a SRS. Querer-se fazer ou não depende da vontade da pessoa se sujeitar a uma cirurgia altamente invasiva e arriscada (e das possíveis complicações advintes, incluindo perda de sensibilidade permanente), da pessoa se sentir desconfortável (ou não) com o seu corpo como ele é, da sua sexualidade, da sua sensibilidade pessoal, e, claro está, das possibilidades económicas e / ou competência (ou falta dela...) dos cirurgiões locais (os cirurgiões portugueses, embora se "atirem" a fazer SRSs, não estão minimamente preparados para ela, e os resultados costumam ser pior que maus), entre muitos outros motivos, que nada têm a haver com a Transexualidade ser "primária" ou "secundária".
Enfim, mais um artigo desinformativo e preconceituoso... gostava de saber quem elaborou estas respostas! E será coincidência ter sido publicado no jornal de JMF, esse cruzado anti-LGBT??
Saudações a tod@s!
pessoa não identificada
Fica aqui a nota, que me parece fazer muito mais sentido que o artigo original do Público.
João Paulo
Editor