O Paradoxo do Casamento Católico

por portugalgay quarta-feira, 16 Abril 2008 12:33

Recentemente o governo apresentou uma proposta para tornar os divórcios mais simples e menos burocráticos.

Quase imediatamente vieram várias reacções de sectores católicos em Portugal dizendo que se está a prejudicar a família, o casamento, etc... houve até quem dissesse que havia o "casamento à séria" que seria o católico e o "outro" que seria o civil.

Vamos lá por partes...

Em primeiro lugar é preciso ter consciência que para um Católico o casamento religioso é a única forma de constituir família. É uma das directrizes mais "marteladas" pelo lider espiritual dos católicos e é referenciada como tal em diversos documentos sobre família. As pessoas que se dizem católicas e não cumprem estes requisitos estão em pecado grave segundo a visão da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR). Ao estarem em pecado não podem aceder a outro dos actos mais importantes de toda a fé Católica: a comunhão.

Qual o problema disto? O problema é que na prática metade dos casamentos realizados em Portugal não são casamentos religiosos. Na verdade temos mais de metade dos casamentos realizados à revelia da ICAR e contra ela (sim... que nisto de fé e directrizes religiososas ou estamos a favor ou estamos contra, não há meios-termos). Para piorar como é vista a ICAR na nossa sociedade, um em cada 4 filhos nasce fora de *qualquer* tipo de casamento, isto mesmo quando o casamento civil "per se" resolve uma série de questões burocráticas relativamente a estas crianças.

Resumindo: embora mais de 90% da população se identifique como "Católica", na prática temos uma maioria que não se revê numa das dizectrizes que a ICAR dedica tanto tempo de antena a promover: o casamento religioso como única forma válida de construir família.

É esta mesma ICAR que não tem capacidade sequer para convencer a maioria dos seus "fieis" (?) das virtudes do casamento religioso. Muito menos tem capacidade para os manter "até que a morte os separe"...

E eis que não contente com a sua miserável performance em termos de seus fieis (ou melhor... "fieis selectivos") vem tentar impor as suas regras a todos os outros habitantes de Portugal!

Serei só eu a achar isto muito estranho?


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