Vi num dos
muitos blogs existentes no ciber-espaço um comentário a um
cartaz das “Panteras Rosa”. Depois de ler o post feito senti que ainda há muito por fazer contra a homofobia dos próprios LGBT (felizmente há outros que apontam em sentido contrário como
este ou que apresentam razões ou análises mais completas como
este).
Nesse post lê-se a certa altura,...
"Considero este tipo de apelos vindos das associações de defesa dos direitos LGBT, como se intitulam, um péssimo exemplo." Lamentavelmente ainda se pode lêr ou ouvir comentários destes por parte de pessoas que se dizem assumidamente homossexuais ou lésbicas. Queiramos ou não as associações são feitas por pessoas, e por isso mesmo, porque as pessoas tem personalidades as associações tem personalidades diferentes. Por outras palavras o cartaz apresentado pelas Panteras faz todo o sentido dada a personalidade desta associação. Não têm de dar exemplos a quem quer que seja... Esta associação não se intitula uma
"associação de defesa dos direitos LGBT", esta associação
DEFENDE de facto os direitos das pessoas LGBT. Por exemplo foi esta associação que esteve frente aos polícias quando duas lésbicas ficaram sem tecto, foram eles que estiveram frente a C.M.L. pela mesma razão, foi esta associação que enfrentou as autoridades no Parque Eduardo Sétimo, quando um casal de Gays foi abordado de forma violenta porque estavam a namorar no jardim. Penso que não preciso dizer mais nada a este respeito...
Cito: ...
”O cartaz apela ao não-voto na direita, o que é dizer que apela ao voto na esquerda.” Mais uma vez errado, aquilo que o cartaz quer dizer, é que as pessoas que se preocupam com os direitos dos homossexuais não votem na direita, ponto. O que por outro lado quer dizer que votemos mais à esquerda, e não na esquerda, se houvesse centro apelaria ao voto tambem no centro.
No mesmo post lê-se ainda algumas questões colocadas pela autora do mesmo,...
Cito:
"1. Será que eu, enquanto lésbica, não tenho toda a legitimidade para votar na direita ou na esquerda, consoante achar melhor, de acordo com todos os requisitos que considero válidos para o meu voto?" Mas é claro que pode votar na direita ou na esquerda, afinal somos livres de pensar e actuar em conformidade com a nossa consciência, depois sempre temos gays e lésbicas nos dois lados como seus representantes legítimos. Já quanto aos eleitores, vai de cada um votar num lado ou no outro, ora eu não sou sadomaso político logo votarei naquele que penso pode fazer algo pelos LGBT e pela sociedade em geral, a questão poderá eventualmente estar em que prioridade damos aos direitos dos LGBT ("nós") em contrapartida com os direitos de todos. Mas parece que esta questão de prioridades (para mim a única questão realmente legítima) é um mero detalhe no post original.
"...a orientação sexual de cada homossexual deve transformar-se no critério fundamental de escolha na hora de votar?". Não sei se deve ser fundamental, mas de uma coisa estou seguro: no meu caso faz diferença, e deveria fazer diferença a qualquer pessoa que se preocupe com a discriminação com base na orientação sexual (nota: é bom que se entenda que "ser homossexual" não é sinónimo de "procupar com os direitos do homossexuais"), tal como fará no jovem que vive em Bragança, sobe o tecto dos pais, sem carro, e que tem consciência que não pode exteriorizar a sua orientação sexual seja de que forma for, sobe pena de ser enxovalhado, insultado ou mesmo agredido. De certo que para ele poderá ter um enorme peso saber que tem o partido B que faz mais pela sua liberdade que o partido A.
"Porque isto é, nada mais, nada menos, do que a partidarização do movimento LGBT. Isto é tudo o que o movimento LGBT não precisa." O objectivo de qualquer activista é mudar mentalidades da sociedade em geral e dos que tomam decisões em particular... e isso é, por definição, um acto político. E, quer queiramos quer não, os políticos em Portugal são eleitos por partidos... vai daí
"...que os lgbt sejam politicamente conotados com um partido." é uma falácia. Isto já parece ser o discurso sobre "boatos"... Não fui eu quem disse isso, mas tem quem o faça.
"...porque não é aos políticos que cabe decidir sobre os direitos que os seres humanos têm enquanto seres humanos, como o direito à igualdade e o direito a casar e constituir família. Esses direitos existem e ponto final." Não sei de onde foi desencantar tal afirmação. As leis são propostas por políticos, e aprovadas ou não na Assembleia da Republica, ou seja são os políticos que decidem os direitos efectivos que os seres humanos tem ou não, pelo menos em Portugal. Mesmo a entidade máxima nestas questões (Tribunal Constitucional) é eleita por políticos, embora a longo prazo. Que me conste os LGBT não podem constituir uma família reconhecida legalmente em Portugal. Sou obrigado a perguntar em que país vive...
"Sou totalmente a favor da constituição de 'grupos de pressão política' nas associações de defesa dos direitos dos LGBT, desde que esses grupos de pressão actuem em todos os quadrantes, junto de todos os partidos." Sempre disse que as associações tinham de falar para dentro da sociedade LGBT com a finalidade de informar e ao mesmo tempo mobilizar aqueles que defendem. Isto para dizer que os grupos de pressão política dentro das associações já existem faz muito tempo, e actuam em todas as direcções politicas e não apenas numa. Ou será que ainda se pensa que aquilo que hoje os LGBT tem disponível na lei nacional foi porque mero acaso? E já agora, fica a pergunta: qual a principal motivação dos partidos? Os "grupos de pressão" ou os "votos nas urnas"?
Terminando, depois de ler o post fiquei com a certeza de que o meu trabalho e o trabalho dos activistas LGBT em Portugal, faz cada vez mais sentido.