As barreias que nos separam, os amores que nos unem

por portugalgay domingo, 20 Setembro 2009 17:11

Bem isto são mais filmes que tempo disponível para os comentar,… o social entre e depois das sessões, e a necessidade de descanso retiram o pouco tempo que teríamos entre sessões para escrever.


City of Borders
Mas como o que é prometido é devido aqui estou para vos dar relato dos filmes que ontem sábado tive oportunidade de ver,… e vou faze-lo por ordem de preferência, o que sendo assim, faz que comece por “City of Borders
Um documentário sobre a vida em Jerusalém, ou em parte dela. Quando festejamos há quase 20 anos a queda do muro de Berlim, palestinianos e judeus continuam hoje em dia divididos por um novo muro que tal como o anterior muro europeu serve para deixar mensagens e dividir uma região e dois povos.
O documentário reside nas incursões de jovens GLBT do lado palestiniano ate ao lado israelita para se poderem divertir entre iguais no bar gay “shushan” existente junto dessa divisão.
Mas mais que mostrar as dificuldades dessas idas o filme mostra-nos a luta de um povo que afinal, e pelo menos dentro desta comunidade, não se quer mal, não se fere, até se ama, como um casal de Lésbicas que uma (doutora) é Israelita e outra (enfermeira) é palestiniana, as duas vivem um romance, vivem juntas, trabalham juntas, e sobrevivem aos olhares da rua, e enfrentam com coragem as diversas marchas e manifestações que se prendem com os direitos dos GLBT, mas mais que isso com direitos humanos com vista ao fim de um muro de betão e social.
“City of Borders” concorre na secção de documentário, ainda não vi os outros é verdade mas, este já ganhou o meu voto.

Ander
No seguimento das minhas preferências vem “Ander”, que traduzindo de Basco para Português será provavelmente “André”. Ander é o patriarca da família uma vez que o seu pai faleceu. Vive com a mãe e uma irmã também adulta, e toda a família rege-se por regras restritas de etiqueta. Os criados não se sentam perto do chefe da família, etc, etc… aquilo que poderíamos chamar de uma família tradicionalista ou conservadora.
Ander não tem namorada, faz apenas visitas frequentes a uma mãe (Reme) abandonada pelo marido, que devido ao seu isolamento aprendeu a viver vendendo o seu corpo. A irmã de Ander está para casar e isso afecta em muito o conservadorismo da mãe que não entende que o filho varão não case antes da irmã.
Enfim maneiras de pensar que ainda hoje sobrevivem em determinadas famílias,… no entretanto Ander tem um pequeno acidente e parte uma perna. Como tal é necessário ajuda adicional e é então que chega José, o peruano, que aqui para nós e segundo os meus standards de interesse, é uma delícia de rapaz.
Humilde, educado, e bom - no trabalho é claro - ele cativa a atenção de Ander, e da irmã, mas não da mãe que não vê com bons olhos toda esta atenção por um operário.
José torna-se cúmplice de Ander nas visitas á tal senhora, e desenvolve com esta uma amizade sincera. Embora o desejo de Ander por José seja mais que óbvio para sua mãe, é apenas no dia do casamento da irmã de Ander que, numa inocente ida à casa de banho, Ander e José envolvem-se sexualmente.
Este acto desencadeia um ambiente hostil, entre José e Ander, um quer ir embora mas não vai porque a família não conseguiria manter-se, o outro decide punir o empregado com um novo tom de voz e com a indiferença.
Neste espaço a mãe de Ander morre, e ele sente-se culpado pela sua morte, acreditando que a morte da mãe deve-se ao desgosto de ele não ter casado, e ao ambiente vivido com José.
Ander debate-se com os seus velhos demónios, de uma homossexualidade reprimida, pela família e pelo povo da aldeia, … mas quando tudo parece que vai ter um final triste Reme, a tal mulher abandonada pelo marido, surge em casa de Ander trazida por um amigo de Ander onde um evento inesperado demonstra a fidelidade de José por Reme.
No dia seguinte Ander iria tirar o gesso, por isso José deve ir embora, e Reme regressar a sua casa... mas uma conversa entre Ander e Reme depois do jantar onde todas a regras familiares foram quebradas, Reme senta-se no lugar da mãe de Ander e José senta-se ao seu lado.
Na manhã seguinte o filho de Reme queria Cola-Cao para o leite, e porque não havia, Ander aproveita a deixa e diz algo do género, …”quando formos á cidade, enquanto tiro o gesso deves ir com Reme ver o que mais falta em casa e comprar…”
O convite embora subtil estava feito, e a casa que ia ficar vazia acaba de ganhar uma nova vida, como disse Peio depois de levar uns sopapos, … “dois maricones e una puta”,… e eu respondo e tu com isso!
Não podia estar mais assertivo este filme, família é aquela que cada um faz, no respeito e no Amor entre os intervenientes.