Grupo Transexual Portugal - Comunicado

por transfofa quarta-feira, 31 Agosto 2011 10:40

COMUNICADO

No dia 29 deste mês, o jornal Público, na sua edição em papel, publicou um artigo de opinião, transcrito de seguida a fim de informar quem não o leu.


“Igualdade de género ou falsa identidade
por Gonçalo Portocarrero de Almada
Se se permite, tão facilmente e totalmente grátis, a mudança de género, por que não também a de espécie?

Quem viveu conscientemente o 25 de Abril, talvez ainda conserve, entre outras recordações, a lembrança de uma canção revolucionária em que, a páginas tantas, se badalava:“ Uma gaivota, voava, voava, asas de vento, coração de mar. Como ela, somos livres, somos livres de voar”.

Como nunca mais ouvi aquela melodiosa voz, temi que, embalada por um tão sugestivo texto, a dita cançonetista tivesse mesmo voado para parte incerta. Ou que,tendo desafiado as leis da gravidade, a experiência lhe tivesse sido fatal. Felizmente nenhuma destas aziagas hipóteses se confirmou, pelo que é de supor que ainda esteja disponível para ser de novo a voz do PREC, ou seja, do processo revolucionário em curso. A sua histórica balada é, com efeito, um magnífico hino à nova e subversiva política da identidade de género em que o anterior Governo, à falta de mais urgente e necessária reforma social, tão entusiasticamente se empenhou, depois de ter empenhado, com indiscutível êxito, o país.

Entende-se modernamente que a identidade pessoal não deve ser aferida por circunstâncias objectivas, como eram antigamente o sexo, a idade, a altura e o peso, mas sim por um acto libérrimo da vontade de cada qual. Assim, se um macho quer ser ofi ialmente fêmea, o Estado obedece ao capricho do cidadão e falsifica, a seu bel-prazer, o respectivo registo de identidade. Portanto, pela mesma razão, se uma septuagenária, de um metro de estatura e pesando cinco arrobas, quiser ser oficialmente uma menina de vinte anos, de um metro e setenta e quarenta quilos, também deveria poder sê-lo, se de facto se sente tão jovem, alta e leve quanto o dito
sujeito se acha feminino. Ou será que o faz-de-conta é válido para o sexo, mas já não para a idade, a altura e o peso?

Mas, se se permite, tão facilmente e totalmente grátis, a mudança de género, por que não também a de espécie?! Se o sexo já não é algo objectivo e predeterminado geneticamente, por que o há-de ser a natureza? Se a mulher pode “virar” homem e vice-versa, por uma simples declaração de vontade, por que não pode ser alguém, como Fernão Capelo, gaivota?!

Quem não gostaria de obter, oficialmente, o estatuto jurídico de ave protegida?! Não passarinho, que releva alguma inferioridade, nem passarão, que sugere algum governante ou administrador de empresa pública, mas pássaro, como a gaivota da canção, para ser livre, livre de voar! Para além da isenção de impostos e a inimputabilidade penal, a condição aviária tem grandes vantagens também ao nível da viação que, neste caso, passa a ser, muito propriamente, aviação.

A estas e outras razões gerais tenho a acrescentar umagratificante experiência pessoal quase-aviária. No ano passado, ao sofrer um acidente, tive que esperar pela ambulância, no lugar do sinistro, cerca de uma hora. Porém, quando na urgência do hospital me colocaram uma pulseira colorida, fui logo objecto dos mais extremosos e diligentes cuidados médicos. Enquanto ser humano, mereci pouca atenção, mas assim que, graças à bendita anilha, me confundiram com uma ave, beneficiei de imediato da principesca protecção dispensada às espécies em vias de extinção. Uma pessoa pode ser negligenciada e até impunemente morta antes de nascer, mas um animal protegido não pode ser maltratado. Moral da história: humano nunca mais! Ser ave é que está a dar!

Um slogan revolucionário exigia: 25 de Abril sempre! Não chegámos a tanto, mas, de certo modo, pode-se dizer que agora, graças à famigerada igualdade de género, todos os dias são dias de 1 de Abril, porque são dias de mentiras. Talvez não fosse despropositado criar um dia
anual da verdade, em que cada qual, mais por via de excepção do que por regra, seja, muito originalmente, o que de facto é. 

Licenciado em Filosofia e vice-presidente da Confederação Nacional das Associações de Família”


O grupo Transexual Portugal vem por este meio demonstrar o seu mais profundo repúdio pelas diatribes e falsas presunções escritas pelo autor Gonçalo Portocarrero de Almada no referido artigo de opinião.

Com efeito este senhor demonstra uma total ignorância sobre o assunto que foca. Parece ignorar que, para se aceder à alteração de nome e género na documentação oficial, a pessoa transexual tem de passar por uma infinidade de exames exaustivos durante muito mais tempo do que se pensa ou se quer fazer acreditar. Portanto, ao alterar o seu nome e género encontra--se apoiada num diagnóstico exaustivo e não num qualquer acto subversivo de um qualquer governo.

E já que foca o assunto, esse senhor ainda não reparou que o estado em que o país chegou se deve não tanto aos sucessivos governos que tivémos (PSD e PS) mas mais a um ataque concertado ao Euro? Espanta que um licenciado em filosofia não tenha reparado numa tal evidência.

Mais demonstra de seguida uma total ignorância e compreensão do que é a identidade de género e do seu papel como parte determinante no género de cada ser humano. Troca os valores, pois efectivamente é antes da mudança que a identidade é uma "falsificação".

Também confunde a identidade de género com masoquismo, pois uma pessoa que "por capricho" deseje tal mudança para passar o resto da vida a "levar" com "brindes" deste tipo e outras discriminações e mesmo ofensas psicológicas e à sua integridade física só pode ser masoquista mesmo. Portanto a afirmação do "capricho" é bem demonstrativa desta confusão e da ignorância que tem sobre o assunto. É que a identidade de género não é escolha nenhuma, logo não pode ser capricho.

Percebe-se bem a razão deste tipo de discurso, nomeadamente o saudosismo expresso embora de forma encoberta, pelos idos tempos de antes do 25 de Abril, quando se sabe que a pessoa em causa é padre, pormenor que se esqueceu de mencionar. E como se sabe, a Igreja tinha um papel relevante de apoio ao regime, com fábulas que indicavam que quase mais valia ser pobre do que ser-se rico. E como se sabe, com os constantes e ininterruptos casos de pedofilia no seio da dita, qualquer representante dessa instituição tem pouca moral para criticar ou ajuizar.

Isto a juntar aos factos da instituição ter ajudado criminosos nazis, no final da 2ª Guerra Mundial, a escaparem ao julgamento dos seus crimes, fornecendo documentação falsa a muitos que fugiram para a América do Sul, nomeadamente Argentina. Isto põe em dúvida a moral de qualificarem algo como "falsidades". Como se costuma dizer "quem tem telhados de vidro não atira pedras ao céu".

Tal como o autor, lamenta-se que não se possa mudar de espécie. Não que este senhor tivesse alguma espécie que o desejasse acolher, mas por ter de dividir a humanidade com pessoas deste calibre. Mas diga-se em abono da verdade que, pelo menos na imputabilidade e nos impostos quem assim fala encontra-se em muito melhor posição que a restante população portuguesa, não precisa ser pássaro para isso. Porque pássaro engloba inúmeras espécies e ainda podia acontecer que, em vez de se ser um Fernão Capelo gaivota podia ser-se um abutre.

Curiosamente mesmo as espécies de aves protegidas são mortas antes de nascerem, portanto ainda no ovo, entenda-se. Por outros predadores e mesmo por outras aves. Aconselhava este senhor a ver mais documentários sobre a natureza, não são difíceis de encontrar, ao fim de semana na SIC e nos canais por cabo da National Geographic e Odisseia.

Remata com uma alusão à igualdade de género que compara a uma mentira. Logo, como bom representante da instituição a que pertence, nega às mulheres os mesmos direitos que detêm os homens. Com efeito, e sem nenhuma razão plausível, é negado às mulheres, por exemplo, o direito do sacerdócio. Portanto obviamente que este senhor não pode aceitar a igualdade de géneros. Nem devia desejar um dia da verdade. Podia ser descoberto como um preconceituoso, cheio de ódio, mentalmente incapaz de acompanhar o evoluir dos tempos e das descobertas científicas, um verdadeiro saudosista do antigamente.

O grupo Transexual Portugal lamenta também que este tipo de pessoas tenha voz num jornal com a qualidade a que nos habituou o jornal Público. Considera que este tipo de discurso não contribui em nada para a manutenção dos níveis de qualidade a que esta publicação nos habituou. Muito pelo contrário, discursos deste tipo, que nada mais fazem do que expôr as limitações mentais, desconhecimento e preconceitos de quem os escreve não são dignos deste jornal, sendo mais indicados para pasquins ou boletins de grupos de extrema direita, nunca para um jornal que tem primado por uma isenção exemplar.

Pelo grupo Transexual Portugal
Eduarda Santos e Lara Crespo

 


Manifesto para a insurreiçom TransFeminista (em Galego)

por portugalgay terça-feira, 08 Dezembro 2009 19:55

Fazemos um chamamento à insurreiçom TransFeminista:

 

Vimos do feminismo radical, somos as bolheras, as putas, xs trans, as migrantes, as negras, as hetero-dissidentes….somos a raiva da revoluçom feminista, e queremos amossar os dentes; sairmos dos gabinetes do gênero e das políticas correctas, e sermos guiadas polo nosso desejo sendo politicamente incorrectas, amolando, repensando e resignificando as nossas mutaçons. Já nom vale com sermos só mulheres. O sujeito político do feminismo “mulheres” ficou pequeno, é exluínte por sim próprio, deixa fora às bolheras, às/aos trans, às putas, às do véu, às que ganham pouco e nom vam à úni, às que berram, às sem-papéis, às marikas…

 

Dinamitemos o binómio gênero e sexo como prática política. Sigamos o caminho que começamos, “nom se nasce mulher, chega-se a sê-lo”, continuemos a desenmascarar as estruturas de poder, a divisom e ierarquizaçom. Se nom aprendemos que a diferença homem mulher, é umha produçom cultural, ao igual que o é a estrutura ierárquica que nos oprime, reforçaremos a estrutura que nos tiraniza: as fronteiras homem/mulher. Todas as pessoas produzimos gênero, produzamos liberdade. Argumentemos com infinitos gêneros…

 

Chamamos à reinvençom desde o desejo, à luita com os nossos corpos ante qualquer regimem totalitário. Os nossos corpos som nossos!, ao igual que o som os seus límites, mutaçons, cores e transacçons. Nom precissamos protecçom entorno às decisons que tomamos nos nossos corpos, transmutamos de gênero, somos o que nos peta, travestis, bolhos, superfem, butch, putas, trans, levamos véu e falamos wolof, somos rede: manada furiosa.

 

Chamamos à insurreiçom, à ocupaçom das ruas, dos blogues, à desobediência, a nom pedir permissom, a gerar alianças e estruturas próprias: nom nos defendamos, façamo-nos temíveis!

 

Somos umha realidade, operamos em diferentes cidades e contextos, estamos conectadxs, temos objectivos comuns e já nom nos calades. O feminismo será transfronteiriço, transformador, transgênero ou nom será, o feminismo será TransFeminista ou nom será…

 

Keremos-vos

Rede PutaBolloNegraTransFeminista.

 

Medeak, Garaipen, La Acera Del Frente, Itziar Ziga, Lolito Power, Las Chulazas, Diana J. Torres AKA Pornoterrorista, Parole de Queer, Post_op, Maribolheras Pr ecárias, Miguel Misse, Beatriz Preciado, Katalli, MDM, Colectivo Transgaliza, Laura Bugalho, EHGAM, NacionScratchs, IdeaDestroyingMuros, Sayak Valencia, TransFusión, Stonewall, Astrid Suess, Alira Zinkunegi, Juana Ramos, 7menos20, Kim Pérez (Cofundadora de Conjuntos Difusos), bizigay, d-generadas, lasdel8 y et al, Beatriz Espejo, Xarxa d’Acció Trans-Intersex de Barcelona, Guerrilla Travolaka, Towanda, Ciclobollos.


Transfofa - Sobre a despatologização trans

por transfofa quarta-feira, 16 Setembro 2009 21:55
A luta pela despatologização trans (trans de transgénero, não de transexual) é, e pelos vistos vai continuar a ser, um tema nada consensual nem pacífico dentro da comunidade transexual e seus apoiantes.

E o curioso é que, invariavelmente, usam a transexualidade como exemplo da patologização trans. Curioso ou não, não passa de um aproveitamento da situação das pessoas transexuais para legitimar a luta contra o binarismo de género.

Numa conversa informal que tive com um defensor destas teorias, chegou-se à conclusão que cada pessoa é um género em si.

É uma teoria, tem a sua lógica própria, as suas razões e os seus apoiantes, como qualquer outra teoria. O facto de pessoalmente não concordar com ela não lhe tira nenhum mérito. Claro que também não dá.

O problema é que existe uma corrente que, por exemplo, diz que a identidade de género é apreendida pelo indivíduo, durante o seu crescimento. Bem, quem o diz lá terá as suas razões. As minhas, para não concordar, são simples. Se a identidade de género fosse apreendida pelo indivíduo, como se explica que, em crianças com quatro e cinco anos de idade, já saibam perfeitamente que são meninos ou meninas? É que, no caso de uma criança transexual, portanto que a sua identidade de género não coincide com a sua genitália, e que consequentemente foi criada e ensinada a comportar-se de acordo com o género ditado pela sua genitália, como se explica então que essa criança saiba perfeitamente que a sua identidade de género não corresponde ao que lhe têm estado a impingir?

Porque essa criança tem sido ensinada, portanto tem apreendido a comportar-se de um determinado género. Portanto, se a identidade de género fosse uma mera construção social, não existiam pessoas transexuais. Toda a gente apreendia o que a sociedade dizia que lhe competia, e evitavam-se muitos problemas e discriminações.

Mas o simples facto de existirem pessoas transexuais deixa esta teoria de rastos. A identidade de género não se apreende mas sim, nasce com o indivíduo. O que se apreende, isso sim, são os papéis de género, em que a sociedade afirma que os meninos comportam-se de uma determinada maneira e as meninas de outra. E eventualmente será a partir dos papéis de género que cada pessoa poderá começar a questionar-se sobre a sua própria identidade de género.

Outra teoria que também serve para confundir as coisas é precisamente a do binarismo de género. Já se sabe que o binarismo de género implica a existência única de dois géneros, o masculino e o feminino.. Há quem diga que existem mais géneros, servindo-se erradamente e abusivamente das pessoas transexuais e intersexuais como exemplos de outros géneros.

No entanto, uma pessoa transexual tem a plena consciência que é ou masculina ou feminina. Também as pessoas intersexuais têm essa consciência. Daí vem a necessidade de se adequar a genitália e restante corpo ao género ditado pela nossa identidade de género, tanto no caso das pessoas transexuais como no caso das pessoas intersexuais.

Portanto, e apesar de repetidamente falarem em trans (que imediatamente se associa a transexuais),quando sentem a necessidade de justificar os pretensos géneros extra-binários, a realidade é precisamente a contrária.

Na minha opinião, a coisa é muito mais simples. Existem dois géneros, o masculino e o feminino, estanto um nos 0º e o outro nos 180º. Entre os dois existe uma gama quase infinita onde cabem todos. Cada pessoa mais ou menos masculina ou feminina. Mas géneros são só dois.

Que cada uma dessas pessoas tenha os seus direitos humanos é inquestionável. Que devem ser aceites também. Mas que cada uma seja um género, desculpem mas essa não engulo. Eu sou uma mulher transexual, sei-o bem, e também sei que não sou um terceiro género, ou quarto ou quinto, etc. Eu sou do género feminino, ponto final, doa a quem doer, concordem ou não. E assim como eu, ainda estou para encontrar quem seja transexual e não se considere ou do género masculino ou do feminino. É provavel que exista, debaixo deste sol cabe tudo. Mas ainda não a encontrei.

A transexualidade nada mais faz que reforçar a teoria do binarismo de género. E é por isso que é abusivo e até lesivo o uso da transexualidade como joguete de tentativas de legitimação precisamente do oposto.

E é a partir destas teorias, que advém a pretensa luta contra a patologização das pessoas trans. Note-se, da comunidade transgénero, que insistentemente inclui a comunidade transexual (a intersexual já obteve a nível internacional o reconhecimento da sua sigla I), as únicas pessoas forçadas a penarem em processos intermináveis são precisamente as pessoas transexuais. Mais ninguém tem esse estigma.

Portanto contra que patologização trans se luta então? Só pode ser a transexual. Travestis, andróginos, cross-dressers, nenhum é forçado a submeter-se a consultas de psiquiatria e psicologia para serem quem são. Só as pessoas transexuais têm esse estigma.

A luta pela despatologização é legítima? Sem dúvida nenhuma, aliás, é uma necessidade. O timing é que é muito questionável.

Existem muito poucos países em que as cirurgias de redesignação de sexo sejam comparticipadas ou pagas pelos respectivos serviços estatais de saúde. E esses países pagam essas cirurgias precisamente porque a transexualidade é considerada uma doença mental, apesar de qualquer psiquiatra ou psicólogo saber perfeitamente que essa doença só existe nos volumosos calhamaços sobre medicina (neste caso sobre sexologia, mais precisamente).

E é um erro crasso (expressão que refere os erros tácticos de Marco Licínio Crasso na batalha de Carras. Estes equívocos passaram à história através da expressão erro crasso, que remete a uma falha grosseira de planeamento com consequências trágicas.) o de se querer uma despatologização da transexualidade antes de se garantir, se possível constitucionalmente, as cirurgias e tratamentos referentes à transexualidade, bem como a obtenção da alteração de nome e género na documentação oficial, independentemente das cirurgias.

Depois de obtidos estes direitos, então sim, vamos lutar por uma despatologização. Antes será um verdadeiro tiro no pé.

Porque muitas pessoas transexuais, há alguns anos atrás, quando em Portugal a transexualidade era tabú e confundida com a homossexualidade, muitas mulheres transexuais arriscavam a vida em cirurgias nas mãos de verdadeiros carniceiros em Marrocos, por exemplo, onde em vez de ficarem com uma neo-vagina ficavam com um buraco, quando a coisa corria bem e não tinham infecções não raras vezes mortais.

Porque muitas pessoas transexuais, por impossibilidade de ganharem em tempo útil o montante necesário para se submeterem às cirurgias necessárias, viam no suicídio a única forma de fugirem a uma vida de discriminação e sofrimento.

Porque na tentativa de se submeterem à CRS, a única possibilidade que havia de se perfazer os montantes necessários (Portugal nunca foi conhecido como um país com bons ordenados) era uma vida de prostituição de rua, à mercê da polícia, dos energúmenos transfóbicos, dos proxenetas e dos traficantes de droga.

A inclusão destas cirurgias no SNS veio mudar isto. E considero isto sério o suficiente para não querer arriscar uma despatologização que, no caso de Portugal, certamente irá retirar estas cirurgias do SNS.

Ainda há poucos anos atrás, quando para Bastonário da Ordem dos Médicos foi eleito o Prof. Dr. Gentil Martins, um conceituado cirurgião nacional, um verdadeiro expert mundialmente reconhecido na sua área, mas infelizmente transfóbico, uma das medidas que tomou foi a paralização destas cirurgias. Muto bom cirurgião na sua área, mas quando nos metemos em áreas que não são as nossas, como neste triste caso, deixamos que convicções religiosas e conceitos mal formados levem a que se faça asneira.

Portanto nem sequer agora, que se praticam estas cirurgias, as temos como garantidas. Portanto será de se pôr em risco o pouco que temos por questões que na prática não servem para nada? Penso que neste caso será uma mais-valia o lutar-se por coisas que ajudem esta comunidade no seu dia-a-dia do que por teorias que, não questionando a sua justeza, pecam por muito pouco trazerem como benefícios, arriscando-se mesmo a serem prejudiciais.

Noutra conversa informal com um defensor desta despatologização, questionei-o sobre estes riscos. A resposta que obtive foi “Mas essas cirurgias não tarda saem do SNS”. Ou seja, como o mais provável é um dia destes, por exemplo com outro bastonário transfóbico ou com um governo de direita (que são conhecidos por não respeitarem os direitos humanos, salvo se estiverem incluídos), perder-se estas cirurgias, então que se percam já. A lógica da batata, diria eu.

Também gostam muito de dar o exemplo que a homossexualidade já foi considerada uma doença e que já não o é. Mas o que nunca dizem é que, no caso da homossexualidade, os homossexuais eram muitas vezes forçados a tratamentos variados na tentativa de se “curar” esse mal. Portanto a retirada da homossexualidade das doenças sexuais só veio trazer benefícios, pois nenhum homossexual necessita de qualquer tipo de cirurgia para o ser. O que não é, de todo, o caso das pessoas transexuais. Embora existam transexuais que não necessitem de uma CRS para se sentirem bem com elas próprias, uma larga quantidade necessita. Duas coisas completamente distintas e que em caso algum podem servir como exemplo mútuo ou como qualquer tipo de comparação (salvo nas discriminaçãoões sofridas, em que a comunidade transexual largamente segue em primeiro lugar, infelizmente).

Mas existem pessoas transexuais que apoiam esta despatologização. Por exemplo, quem não deseja ou necessita de fazer uma CRS ou quem já a fez. De resto, onde estão as (poucas) pessoas transexuais portuguesas sem medo de aparecerem ou sem vergonha de serem quem são, que apoiem esta pretenção?

Num evento próximo, a acontecer no Porto e em Lisboa, onde irá ser apresentada a campanha “STOP PATOLOGIZAÇÃO TRANS 2012” quem são os oradores? Transexuais (mesmo que não queiram ou já tenham feito a CRS)? Não, ou pelo menos não totalmente. No Porto será um activista gay, uma psicóloga e um activista pertencente à rede trans e intersexual de Barcelona, que não se sabe se é trans, intersexo ou unicamente activista. Em Lisboa, um representante dos médicos pela escolha (que pelos vistos quer escolher pela comunidade transexual portuguesa), o mesmo activista gay e o mesmo activista de Barcelona.

Ou seja, como se já não bastasse que qualquer pessoa que o queira que fale pela comunidade transexual, reivindicando em nosso nome pretenções sobre as quais não existe consenso nem discussão sequer, dentro da comunidade, agora até vêm de Espanha tentar convencer-nos das razões pelas quais lutar. O que não é de admirar, pois em Espanha, apesar de ter sido uma promessa do governo, o serviço de saúde espanhol ainda não contempla estas cirurgias.

Bem, eu continuo na minha, apoio toda e qualquer pretenção das associações e grupos transexuais espanhóis que sejam justas, mas em caso algum vou a Espanha falar por eles. E acho que as associações e grupos espanhóis deviam fazer o mesmo. No máximo falaria com eles, o que não acontece cá, pois representantes da comunidade, nem vê-los como oradores. Além de que devia haver debates e discussões dentro da(s) comunidade(s) visada(s) sobre isto, o que não aconteceu.

E falando em debates, na mailing list da Transgender Europe levantei precisamente estas questões. O feedback recebido foi que a TGEU apoia esta pretenção, salvo a comunidade T italiana, que tem problemas muito parecidos com os nossos, quer dizer, a possibilidade de governos de direita que neguem os direitos humanos LGBTTI, sendo que a qualquer momento poderão perder o pouco ou nada que detêm, e que curiosamente pensam da mesma maneira que eu, primeiro garantir os direitos essenciais para o dia-a-dia das pessoas transexuais, e só depois avançar-se para uma despatologização.

Eduarda Santos

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Sobre a lei de educação sexual

por transfofa segunda-feira, 24 Agosto 2009 22:07

Finalmente foi publicada a nova Lei de Educação Sexual nas Escolas, no Diário da República, 1.ª série N.º 151 de 6 de Agosto de 2009.

Para esta lei foi feita uma Audição Parlamentar sobre Educação Sexual nas Escolas do dia 14 de Abril, na qual não pude estar presente devido à tromboflebite de que fui vítima.. No entanto, representantes de diversos movimentos, pro e contra, devem ter estado presentes. E de certeza que entre eles se encontravam representantes de movimentos LGBTTI.

Uma lei deste tipo, que visa ensinar as gerações emergentes sobre temas sexuais, deverá contribuir para acabar com os muitos tabús existentes na nossa atrasada sociedade sobre conteúdos de cariz sexual, nomeadamente a prevenção e contenção das (não) tão conhecidas doenças sexualmente transmissíveis e o reforço dos esforços para terminar com estereotipos gastos e ultrapassados sobre as diversas orientações sexuais e sobre a identidade de género, contribuindo para uma melhor desmistificação destas realidades, tão velhas como a humanidade, e para um contínuo cessar das discriminações existentes das maiorias sobre as restantes minorias.

Foi trabalho dos activistas presentes, ou deverá ter sido, o foco sobre os problemas levantados devido à não informação ou mesmo ausência total de informação em relação à assexualidade, pansexualidade, homossexualidade e bissexualidade, que lidam com a orientação sexual, bem como os problemas inerentes à androginia, transexualidade e intersexualidade, que lidam com a identidade de género.

Porque, ou se entende que se nasce de uma determinada maneira, constante e imutável, e nesse caso a informação não irá alterar nada, mas servindo para se acabar com fobias e discriminações, ou se entende que existem coisas que podem mudar ao longo da vida e que uma pessoa pode escolher determinadas coisas, e neste caso é necessária uma informação completa e não tendenciosa para que seja quem for possa decidir com plena consciência a sua vida.

Assim foi com surpresa e frustração que li na lei as alíneas referentes a estas questões, a alínea f) do artº 2º (finalidades) que diz o seguinte:
O respeito pela diferença entre as pessoas e pelas diferentes orientações sexuais, e a alínea i) do mesmo artigo: A eliminação de comportamentos baseados na discriminação sexual ou na violência em função do sexo ou orientação sexual.

Não se encontram mencionadas as questões sobre a identidade de género. Ou seja, a identidade de género continua a ser considerada como filha de um deus menor, estando as pessoas incluídas neste grupo relegadas para uma ausência de informação com todas as cargas negativas presentes e de boa saúde e continuando a serem vítimas de uma censura imposta.

A que se deve isto? Ao governo, que no seu programa espantosamente (confesso que não estava à espera) tem mencionada a identidade de género com a seguinte redacção: “
Durante a próxima legislatura, o PS compromete-se a combater todas as discriminações e, em particular, a envidar todos os esforços no sentido de proporcionar a todas as pessoas, independentemente da sua orientação sexual e identidade de género, o pleno usufruto dos direitos constitucionais. Com este passo, acreditamos contribuir para uma sociedade mais justa, estruturada no respeito pelos Direitos Fundamentais, pela democracia e pela inclusão de todas as pessoas.
• Propor a aprovação de uma Lei da Igualdade;
• Remover as barreiras jurídicas à realização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo;
• Aperfeiçoar os mecanismos de apoio a vítimas de discriminação em função da orientação sexual e identidade de género
”?

Se até vem mencionado no programa do governo não me parece que fosse um tema tão obscuro que fosse intransigentemente excluído de uma lei que se quer educativa, completa e isenta.

Se foi por causa de elementos transfóbicos existentes na nossa sociedade, e que numa auditoria deste tipo teriam tanto peso como os apoiantes, deve-se relembrar que o secretário geral do PS, presentemente primeiro-ministro e candidato a primeiro-ministro nas próximas eleições afirmou a sua vontade (e do PS) de lutarem contra todas as discriminações ainda existentes.

Terá sido por causa da transfobia existente em muitos dos activistas existentes no nosso meio que bradam aos céus pelos direitos humanos de todas as pessoas? Todas? Não. Existem pessoas pertencentes a grupos que, numa analogia à aldeia de Asterix, agora e sempre são excluídas dos direitos humanos: as pessoas que se inserem nos temas relacionados com a identidade de género. E neste caso só uma coisa se pode dizer: os activistas presentes na auditoria fizeram um péssimo trabalho do qual, se tiverem um pingo de vergonha e dignidade se devem retratar. Que mais se pode chamar a isto senão uma vergonha para toda uma comunidade que se diz inclusiva mas que sistematicamente exclui a identidade de género das suas reivindicações?

E o mais grave é que, apesar desta transfobia declarada de exclusão de tudo que seja referente à identidade de género, ainda declaram ter um “
grande prazer” (como descrevia um email que recebi) em divulgar mais uma manifestação da discriminação existente.

Como activista transexual só posso manifestar o meu mais completo repúdio pela inaptidão demonstrada no tratamento deste tema, num assunto que pode não parecer muito relevante momentaneamente, mas que futuramente se poderá revelar como uma excelente arma contra a homofobia e a transfobia, a educação sexual, e no prazer que demonstram em mais uma vez discriminarem um grupo de pessoas já de si tão discriminados pela sociedade. É uma vergonha para todo o "colectivo" LGBTTI a ausência da identidade de género nesta lei. E não se compreende como o facto de mais uma vez se excluir a identidade de género pode ser "
muito bem recebido por todos os colectivos e activistas que trabalham as questões dos direitos humanos"(como está descrito no PortugalGay.pt na notícia relativa). Afinal é GLBT; como no post ou é só GLB? E que dizer então do trabalho destes activistas, que falharam numa coisa tão simples mas tão essencial como a educação? É assim que querem acabar com a discriminação? Tenham pelo menos a vergonha suficiente para não receberem tão "bem" a continuação desta discriminação, e assumam finalmente que não lutam pelas pessoas GLBT mas GLB, agora dizerem uma coisa e praticarem outra está muito, mas muito mal.

Como disse, o programa do PS inclui a identidade de género como segmento a defender. Esperemos que não sejam só mais palavras vãs do tipo politicamente correcto, tão usual nestes últimos tempos, e que se dediquem a ver as propostas existentes para uma lei de identidade de género, que tanta falta nos faz.

O programa do BE também menciona este tema com o seguinte teor:
• Medidas para que a identidade de género seja respeitada na lei, reconhecendo a autodeterminação das pessoas transsexuais e transgénero, que facilitem os processos de adaptação do nome e do sexo nos documentos de identificação;
Também neste caso se espera uma colaboração com activistas e com o governo, este último terá que demonstrar disponibilidade para tal para que as suas declarações no seu programa não sejam vazias de conteúdo, de maneira a que se acabe de uma vez com a censura existente em relação à identidade de género, e que se faça finalmente uma lei de identidade de género não inferior à espanhola, mesmo melhorando certos aspectos. Por estarmos em Portugal não poderemos conseguir isto? Como está muito em voga agora “Sim, podemos”.


Temas Minoritários

por transfofa quarta-feira, 12 Agosto 2009 23:54
Segundo parece, o futuro deputado independente do PS, Miguel Vale de Almeida, argumentou que temas minoritários como as questões transexuais não podem impedir a obtenção de direitos para as maiorias lgbt.

Este curioso argumento (curioso porque ouvi-o muitas vezes de pessoas não LGBTTI quando se referiam às reivindicações LG) dito por um suposto activista dos direitos das minorias parece ser uma contradição.

Mas vem confirmar tudo o que eu sempre disse sobre as associações e grupos que se dizem LGBTTI, que quando se trata de obtenção de direitos, deixam de ser LGBTTI para serem LG.

Erros desta linha de pensamento? Bem, como lógica LG, não tem nenhum. Como lógica LGBTTI tem logo à partida um erro crasso. Pela mesma linha de pensamento, porque razão se há-de perder tempo a discutir e a legislar sobre temas minoritários como os temas LG, por exemplo, quando a população tem tantas necessidades prementes que irão influenciar a totalidade das pessoas e não somente uma minoria LG?

Pois é, estão a ver o problema desta linha de pensamento? Se toda a gente pensasse desta maneira, a orientação sexual ainda não estaria inserida no Artº 13º da Constituição Portuguesa e não se estaria a lutar pelo direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas ainda se estaria a lutar pela descriminalização da homossexualidade, bem como pela exclusão da homossexualidade do rol das doenças mentais.

Por outro lado, gostava de saber como é que as reivindicações transexuais impedem a obtenção de direitos a alguém. Que eu saiba, nas nossas reivindicações não se encontra nenhuma que contrarie as reivindicações da restante comunidade.

O que deve querer dizer é que, dado os altos níveis de transfobia deste país, mesmo dentro da comunidade LG, se se reivindicasse temas trans corria-se o risco de se ver negadas todas as pretenções associadas. Mas neste caso não são as reivindicações de temática transexual que obsta à obtenção de direitos, mas sim a transfobia de certos e alguns.

Também é revelador da não existência ou da vontade de não querer que exista uma comunidade LGBTTI. E porquê? Porque se houvesse uma comunidade conjunta de todas estas siglas, lutava-se por uma inclusão de direitos referentes à comunidade e não egoisticamente só a parte dela.

Tenho a certeza de que, se a maioria da comunidade LGBTTI fosse de pessoas transexuais, Miguel Vale de Almeida como pessoa G teria um discurso completamente diferente, mesmo oposto a esta linha de pensamento. Talvez até afirmasse que, se existe ou se se quer que exista uma comunidade LGBTTI, deve-se reivindicar o que necessário seja para toda a comunidade e não só para uma parcela, usando argumentos discriminativos como este.

Claro que o mal é geral, não é só no nosso portugalinho. Ainda há bem pouco tempo, activistas gay nos Estados Unidos da América iniciaram uma luta para conseguirem que uma lei fosse criada para impedir a discriminação laboral denominada ENDA (Employment Non-Discrimination Act). Inicialmente, a lei deveria proibir a discriminação pela orientação sexual e pela identidade de género. Como a identidade de género ainda faz muita confusão a certas pessoas, os congressistas gay no senado estatal resolveram retirar a menção sobre esta. O burburinho das associações transexuais existentes e de muitas associações que nos apoiam foi tal que depressa se arrependeram de o terem feito. Mesmo assim, ainda tentaram que a orientação sexual e a identidade de género fossem em duas leis diferentes com o mesmo teor. Com a eleição de Obama para presidente, a proposta inicial foi retomada, sendo agora novamente uma proposta inclusiva da identidade de género. No entanto e como se vê, existe transfobia mesmo naqueles que se dizem nossos aliados e que adoram ter um ou dois têzinhos para poderem bradar em altos berros como lutam com afinco pelos direitos de todos.

Não espanta portanto que até usem a transexualidade como moeda de troca para obterem direitos que de outra maneira seriam mais complicados de obter. Quando se lutou para a inclusão da orientação sexual no Artº 13º da Constituição, originalmente também era inclusiva, como a ENDA nos EUA. Agora temos a orientação sexual protegida na Constituição e a identidade de género ainda a servir como moeda de troca para futuras reivindicações LG que sejam mais complicadas de obter.

E nem se coíbem de usar a transexualidade como justificação para reivindicarem temas com os quais as pessoas transexuais em Portugal não se identificam nem desejam. E muito convenientemente nunca falam em transexualidade ou em transexuais, pois sabem bem que algumas reivindicações que andam por aí a ser feitas não têm o apoio d@s transexuais, e usam simplesmente o termo “trans” (que supostamente será de transgénero mas que a maioria das pessoas associa sempre à transexualidade) num uso abusivo e que porventura será até contraproducente para a alguma população transexual.

Chegou-se ao ponto de uma das principais figuras públicas de um grupo que luta pelos direitos LGBTTI, entre outros, afirmar publicamente numa entrevista dada a Bruno Horta do semanário Time Out Lisboa, quando questionado por ter afirmado que haveria um silenciamento sobre as restantes questões da agenda LGBT se se referia à defesa das pessoas transgénero, que “Não só. A homoparentalidade [adopção, reprodução assistida, filhos biológicos, etc.] é mais importante ainda.” Ou seja, toda a agenda LGBTTI é mais importante que a agenda trans. E depois destas declarações, o grupo insiste em reivindicar, em nosso nome, aspectos que, como disse atrás, não são o que as pessoas transexuais querem e desejam. Mas levantar o tema de uma lei de identidade de género ou a inclusão da identidade de género no Artº 13º da Constituição aproveitando a oportunidade soberana dada pela discussão sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi coisa que não se viu.

Além disso, na sua luta (que até é legitima mas não nesta altura do campeonato onde até se poderá tornar prejudicial) clam am por uma despsiquiatrização das identidades trans que não existe. Somente as pessoas transexuais são forçadas a suportar longos e intermináveis processos psiquiátricos para verem a sua identidade reconhecida. Porque uma pessoa transexual só é reconhecida como tal depois de ter ultrapassado anos e anos de consultas psiquiátricas, na restante panóplia de pessoas abrangidas pelo termo transgénero não o são. Um travesti não tem de passar por isto para ser reconhecido como travesti, nem um cross-dresser, nem um andrógino. Os que mais se aproximam das pessoas transexuais serão as pessoas intersexuais, das quais pouco se sabe a não ser o que vem de lá de fora.. Como se vê, usa-se e abusa-se desta parcela de pessoas, negando-se direitos por não serem muitas, mas usando e abusando do nosso estatuto quando convém à comunidade LG.

Enfim, voltando ao tópico, que dizer deta teoria? É discriminatória contra parte da população que supostamente deviam defender, é egoista pois reflecte um modo de ver as coisas “as nossas reivindicações é que nos interessam, as vossas não”, e é cínica pois usa argumentação que já foi usada no passado para negar direitos a uma minoria da população portuguesa (veio-me agora à ideia uma frase pronunciada por um dirigente deste país logo a seguir ao 25 de Abril, que dizia mais ou menos isto: o 25 de Abril não foi feito para maricas e putas).

“Temas minoritários como as questões transexuais não podem impedir a obtenção de direitos para as maiorias lgbt” é tão discriminatório como “Temas minoritários como as questões homossexuais não podem impedir a obtenção de direitos para as maiorias populacionais”. Se esta ultima frase fosse proferida por alguém heterossexual, era imediatamente rotulado como “homofóbico”. Que dizer então de quem proferiu a outra frase?

Eduarda Santos

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Transfofa - Prenda de Natal

por transfofa quarta-feira, 24 Dezembro 2008 01:13
Boas festas para tod@s.

Este Natal, temos finalmente o reconhecimento aberto e pleno pelo vaticano da transexualidade.

O papa, num dos seus discursos, afirmou que é preciso defender a heterosexualidade da homossexualidade e transexualidade, tal como as florestas esmeralda (também chamadas de rain forests - florestas da chuva) precisam de ser salvas.

Ou seja, no Vaticano, nada de novo. Nada, a não ser a adição da transexualidade como alvo, e a sua consequente separação da homossexualidade.

Como ponto positivo, revela uma compreensão de que Orientação Sexual e Identidade de Género são duas coisas independentes, embora possam estar interligadas. Finalmente uma pessoa transexual não é considerada homossexual devido à transexualidade.

Outro ponto positivo é que o facto deste imbecil ataque se dar revela que finalmente a transexualidade começa a ter uma visibilidade suficiente para começar a assustar os doutos líderes da(s) Igreja(s).

O resto são pontos negativos aos quais esta igreja já nos habituou, revelando que aquela compreensão que referi acima nada mais é que fruto do acaso. Como se sabe, a transexualidade e as pessoas transexuais não oferecem perigo nenhum à comunidade heterossexual, pois a esmagadora maioria das pessoas transexuais são hetero.

Mas querer-se que saibam destas coisas já é pedir muito. Quando a burrice chega ao ponto de afirmarem que a homossexualidade não tem mal nenhum, mas que o acto de fazer sexo com uma pessoa do mesmo género já tem (pois é precisamente por uma pessoa se sentir atraída sexualmente por outras do mesmo género que define a homossexualidade), não se pode esperar grande coisa.

Além de que, se somos tod@s criaturas de Deus, foi ele que quis que certas pessoas tivessem esta orientação sexual (que como se sabe, não é aprendida mas já nasce com a pessoa). Como sempre, têm a presunção de saber qual a vontade do senhor, eles, simples mortais iguais aos outros.

Também deve ter sido por vontade dele que se vendiam absolvições durante a idade média, por exemplo.

Bem, considerando a quantidade de séculos necessários para darem o dito por não dito sobre Galileu, até que o reconhecimento da transexualidade foi rápido.

Enfim, é a continuação da igreja como força de bloqueio à evolução dos direitos humanos e à própria evolução dos seres humanos. Nada de novo.

Eduarda Santos
http://transfofa.blogspot.com/

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Transfofa - Mudar de sexo é grátis

por transfofa sexta-feira, 07 Novembro 2008 16:29
Ainda há bem pouco tempo, escrevi um post sobre a maneira como os media amiúdas vezes falam/escrevem sobre transexualidade.

Bem pouco tempo depois, saíu uma reportagem no jornal 24 horas, um artigo que supostamente deveria ser centrado na cirurgia que uma transexual, a “primeira cantora transexual portuguesa” estava em vias de fazer.

A reportagem em si até nem estava mal, embora relegasse a transexual para segundo plano, remetendo-a para uma caixinha. Mas, se calhar numa tentativa de chocar muita gente e criar mais uma polémica, o título da dita reportagem era: “Serviço Nacional de Saúde comparicipa a 100 por cento das cirurgias - Mudar de sexo é grátis”.

Como seria de prever, a toda a gente que por várias razões necessita de ser operada e tem de pagar porque o estado não as comparticipa totalmente, esta notícia caiu muito mal. Claro que na sua mais que justa indignação, muitas vezes fruto de um total desconhecimento destas matérias, as pessoas têm tendência de passar ao lado do verdadeiro cerne da questão, subliminarmente influenciadas por títulos manipulados como neste caso.

E porque analiso eu as coisas desta maneira? Porque, e claro que isto não foi mencionado de forma nenhuma, o verdadeiro escândalo não é existirem cirurgias totalmente comparticipadas pelo estado, mas sim haverem cirurgias que não são totalmente comparticipadas. Isto é que é escandaloso num estado que apregoa que a saúde é um direito.

Ou seja, a mensagem subliminar consiste em fazer passar uma imagem de uma espécie de favoritismo em relação a uma classe (que por sinal até é bem conhecida por ser das que mais discriminação sofre quer a nível social quer a nível laboral) em detrimento de outras mais aceitáveis socialmente. Portanto, continuando a lógica subjacente (mas nunca explícita) deve-se cortar essa comparticipação total, nivelando toda a gente a uma suposta “igualdade”.

Este argumento cai logo pela base quando se pensa qual a igualdade entre um trabalhador que tenha de pagar, por exemplo, 5000€ por uma cirurgia e que ganhe o ordenado mínimo, comparando por exemplo, com um gestor de um banco que ganha muitos ordenados mínimos por mês.

Também é falso o argumento quando se pensa que a solução social para muita coisa será, não o descer o nível de quem vive melhor, mas sim subir o nível de quem vive pior. Ou seja, não é por causa de “uns” terem direito a certas coisas que “outros” não têm, que se deve cortar o direito a essas coisas, mas sim, alargar esse direito aos que não o têm. Muitos regimes ditos comunistas o fizeram, nivelando tudo por baixo, quando deviam era ter elevado os mais baixos,
como bem se sabe.

Está-se assim perante uma descarada tentativa de manipulação da opinião pública, escamoteando a verdadeira questão, fazendo parecer favorecida toda uma comunidade que como se sabe é na realidade das mais desfavorecidas.

Em seguimento, saiu uma outra peça na RTP1 de hoje, com o seguinte título: “Antigo membro dos Onda Choc submete-se a mudança de sexo”. No pouco que tem como parte escrita, começa logo com um total desrespeito à pessoa transexual feminina e que seria o tema principal da peça, mas que não é sequer mencionada, tratando-a como “O jovem de 26 anos”. No próprio dia em que essa pessoa realiza a sua CRS.

Mais uma vez, embora a peça até nem esteja nada mal (afirmações mais controversas serão da autoria das pessoas entrevistadas, como a deliciosa frase em que a homossexualidade pode ser confundida com transexualidade), se nota que o destaque dado no rodapé enquanto a peça era transmitida rezava o seguinte: “Mudança de sexo – cirurgia 100% comparticipada pelo Serviço Nacional de Saúde”. Pergunta: isto não faz lembrar nada? Mais uma vez uma tentativa de manipulação da opinião pública, mais uma vez escamoteando a verdadeira questão. Duas quase de seguida, com boas reportagens, mas com títulos ou rodapés tendenciosos da opinião pública. Será coincidência?

E ainda não se viu uma reportagem sobre o porquê, por exemplo, de ainda estar uma avaliação psicológica/psiquiátrica há seis anos à espera de vir de Coimbra para Lisboa. Nem se viu uma reportagem sobre os porquês da necessidade de uma lei de identidade de género em Portugal.

Curioso como a balança tem tendência de tombar sempre (ou quase) para um lado...


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Ronaldo - Carta Aberta

por portugalgay segunda-feira, 05 Maio 2008 12:14

"Carta Aberta Associação das Travestis RJ sobre caso Ronaldo

Carta Aberta da ASTRA RIO (Associação das Travestis e Transexuais RJ)á apresentadora ANA MARIA BRAGA em respostas a suas declarações Transfóbicas.

Carta Aberta á Apresentadora Ana Maria Braga
Rio de janeiro 1 de Maio de 2008

Excelentíssima Senhora,

"A Associação das Travestis, Transexuais e Transgêneros do Estado do Rio de Janeiro (ASTRA RIO), uma entidade fundada em 29 de Janeiro de 2004 com objetivo de organizar associar e atender as demandas da população de Travestis, Transexuais e Transgêneros deste estado, vem por meio desta manifestar publicamente sua indignação com os comentários feitos pela senhora, quando citava o caso sobre o envolvimento do craque Ronaldo com as Travestis durante o programa exibido em 30 de Abril de 2008. Assistir as declarações e falas da Senhora quando disse que o Ronaldo deveria dormir mais cedo ao invés de se envolver em situações como essa e com esse tipo de gente, onde a senhora ainda sugeria que o caso se trataria de um golpe praticado frequentemente por Travestis e Transexuais profissionais do sexo do RJ, foram como reviver mais uma vez nosso triste fluxo social , como acontece com a maioria de nós Travestis e Transexuais , primeiro nossos pais e familiares nos rejeitam, em seguida o ambiente escolar também nos exclui, amigos não querem mais a minha presença ,nesta manhã do dia 30 vi mais uma pessoa querida a quem recebo toda manhã , me ferir e segregar brutalmente em suas palavras que para min foram flechas.

Diferentemente dos demais dias onde acompanho as mensagens matinais que a muitos telespectadores emocionam com lindas citações de inclusão, respeito, fraternidade, amor e esperança , nesta manhã me vi sendo ridicularizada e classificada como cidadã de segunda ou de nenhuma categoria. Aquela companheira querida exemplo de mulher, tornava-se naquele momento parte do grupo dos meus algozes sociais, responsáveis por grande parte da situação desigual e miserável que ainda hoje obrigam travestis e transexuais a buscarem seu auto sustento nas calçadas. Será que nossa querida companheira esqueceu que dentre os valiosos pontinhos do IBOPE existem muitas travestis e transexuais brasileiras com a televisão ligada a espera da sua companhia, umas acordando para seu dia de trabalho, enquanto outras assistem chegando das ruas e mesmo cansadas ainda ouvem as noticias ou anotam uma receita e não sabiam que este programa não era apropriado par ESTE TIPO DE GENTE , tipo de gente este que acompanham sua carreira e também realizaram orações e pedidos para sua cura, comemoraram sua felicidade amorosa e lhe desejam todo bem . Pena que pelo que parece não somo merecedoras do mesmo respeito por parte de quem admiramos.Independente dos casos vinculados a mídia, Travestis e Transexuais não são nenhum fenômeno esportivo mas com certeza são o segmento populacional mais brutalmente discriminados, verdadeiros fenômenos de sobrevivência , onde quem tem o poder do microfone , tem que usa-lo com sabedoria e justiça pois comentários sem conhecimento do que realmente se dá na relação cliente e Travestis onde é clichê em casos de desentendimento as falas: PENSEI Q FOSSE MULHER ou ELES QUERIAM ME ROUBAR como fulga da constatação do envolvimento com o alvo do seu desejo e da sua culpa.


Portanto ESTE TIPO DE GENTE citado estava trabalhando para atender um mercado que AQUELE TIPO DE GENTE PROCURA.

O movimento social organizado de Travestis e Transexuais é extremamente contrario a utilização e ao tráfico de entorpecentes e esclarece que as Travestis e Transexuais profissionais do sexo não têm como parte de suas atividades como prostituta, roubo, extorsão o tráfico nem a utilização de drogas. Quanto o ocorrido entre a Transexual Anderia Albertini e o Jogador Ronaldo esta instituição deseja que os fatos sejam esclarecidos com imparcialidade no tratamento e averiguação policial e que tudo a verdade possa vir a tona para que nenhuma das partes envolvidas sejam injustiçadas.

Finalizo reafirmando minha tristeza com seu posicionamento mais expressando a senhora e equipe votos da mais elevada estima e distinta consideração, deixando abaixo um texto meu para reflexão que com certeza reflete quem somos.

QUANDO EU ERA PEQUENO, MINHA MÃE TINHA UM MEDO,
MEDO DE QUE EU USASSE SUAS ROUPAS, MEDO QUE UM DIA, EU QUISESSE USAR BATOM,
COMO SE EU JÁ NÃO SOUBESSE O GOSTO,
COMO SE EU JÁ NÃO FOSSE ELA, QUANDO ELA NÃO ESTAVA EM CASA...
O QUE MINHA MÃE NÃO SABIA OU FINGIA NÃO SABER
É QUE POR DENTRO EU ERA TÃO MULHER QUANTO ELA,
EU SÓ NÃO PODIA APARECER,
QUEM PODE ME ENTENDER? QUEM TENTA ME ENTENDER?
TALVEZ EU NÃO PRECISE SER ENTENDIDA, TALVEZ EU NÃO QUEIRA PRECISAR,
MAS ANTES DE VOCÊ ME CHAMAR DE BONECA...
SAIBA QUE AS QUE QUIS TER NÃO TIVE, A VIDA COLOCOU PARTE DELAS EM MIM,
BRAÇOS DE UMA, PEITOS DE OUTRAS, E ME FEZ SENTIR QUEM EU SOU!
QUEM DERA SER UMA BONECA DE FATO,
QUEM SABE ESTARIA MAIS FELIZ NO COLO DE SUA FILHA DO QUE NO SEU,
E SE EU NÃO ACHAR QUE A PROSTITUIÇÃO NÃO É MEU CAMINHO,
VOCÊ ACEITA??????????? VOCÊ ME DARIA EMPREGO??????
OU É MAIS FÁCIL DIZER QUE SOU INFELIZ?
QUE SOU PERIGOSA???? PROVAVELMENTE SEUS MARIDOS NÃO ACHAM,
E EU SEI QUEM SOU, A MINHA LUZ, OS MEUS DESEJOS, AS MINHAS VITÓRIAS E TRISTEZAS.
E EU SEI DE MIM, MAIS QUE VOCÊ DE VOCÊ MESMO
MESMO PORQUE SOU NO MÍNIMO DUAS,
QUEM EU SOU DE VERDADE, SOU QUEM APARENTO SER,
GENTE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!(Rafael ?Vice presidente Grupo CaboFREE) "

Sem mais,

Majorie Marchi Presidente ASTRA RIO


Revisão da Situação Legal das Pessoas LGBT em Portugal - Um Ponto de Vista

por portugalgay terça-feira, 08 Abril 2008 01:28

O texto abaixo foi consequência da audiência do PortugalGay.pt com o deputado José Soeiro do Bloco de Esquerda.

Representa não só o nosso ponto de vista neste momento como também algumas sugestões de medidas legislativas que nos parecem adequadas nesta altura.

João Paulo
Editor


 

PortugalGay.PT: Revisão da Situação Legal das Pessoas LGBT em Portugal

 

Casamento Civil

Temos presente que o PS, governo em exercício, disse durante a sua campanha que só numa próxima legislatura se debateria o Casamento Civil entre pessoas do mesmo sexo. Contudo as pessoas atraídas por pessoas do mesmo sexo vivem hoje, como antes, dramas de vida, que ao existir essa figura jurídica, não viveriam. Assim a alteração do artº 1577 do Código Civil (dando razão à Constituição Portuguesa e aos seus artigos 36º e 13º), retirando a este a referência do género ou sexo dos cônjuges alteraria tudo na vivência familiar dos casais do mesmo sexo! Tornaria possível o seu registo; passaríamos a ter acesso ao regime patrimonial; seríamos herdeiros dos nossos/as companheiros/as, e não aquela parte da família que nunca quis saber de nós; seríamos os dois responsáveis pelas nossas dívidas; teríamos a protecção da casa de morada da família; seríamos de facto os cônjuges dos/as nossos/as companheiros/as com opinião e decisão hospitalar bem como de visita, deixando assim de ser aquele amigo “sarnento” que é deixado lá fora porque não é da família. Aliás seria útil fazer uma apresentação exaustiva do que de facto é o “Casamento Civil”. Esta figura jurídica, junta dois cidadãos em comunhão de uma vida e que fazem essa promessa com o Estado Português, e não perante qualquer outra instituição, e muito menos, perante qualquer “embaixada” de um outro qualquer Estado. Esta figura tão renhidamente defendida por alguns, trata-se apenas de um contrato que é celebrado hoje e que “amanhã”, de comum acordo se desfaz. Assim leva a questionar, então para quê tanto alarido sobre o assunto, porquê tanto empenho em que não se cumpra os dois artigos da Constituição Portuguesa?

Redacção actual:

“Casamento é o contrato celebrado entre duas pessoas de sexo diferente que pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida, nos termos das disposições deste Código”

Redacção pretendida:

“Casamento é o contrato celebrado entre duas pessoas que pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida, nos termos das disposições deste Código”

Além da alteração do artigo 1577 do código civil, todos os outros códigos que derivam deste, sejam alteradas as expressões que façam referência ao sexo dos contraentes para cônjuges, tal como removidas quaisquer indicações implícitas ou explícitas ao sexo legal dos cônjuges. 
 

Adopção

Neste processo deve ser incluído sim, a adopção, e não se trata de um capricho político mas sim de uma acção em prol da sanidade e da felicidade da criança adoptada. Hoje em dia em Portugal um indivíduo singular já pode adoptar, não faz por isso sentido que eu, adopte uma criança ela venha viver comigo e com o meu companheiro e que este não tenha sobre ela os mesmos direitos e deveres que teria se fossemos um casal heterossexual. Tapar o sol com uma peneira não é solução e, tão pouco opção por parte do PortugalGay.pt. Já existem muitas crianças adoptadas, em Portugal, por pessoas homossexuais, que vivem “maritalmente” (como diz o meu pai), com outra pessoa do mesmo sexo. Hoje em dia existem em Portugal muitas crianças, com esperança na vida, crianças acompanhadas, amadas, com o seu quarto, os seus brinquedos, os seus avós, tios e tias, … já existem em Portugal crianças amadas e respeitadas por casais do mesmo sexo, a quem chamam de pais ou mães, não das 9 a.m. ás 5 p.m., mas 24 horas por dia. Crianças que não vivem numa escola mas que passam por lá porque tem a certeza que os seus pais ao final do dia passam para as ir buscar de volta ao lar. Contudo estas famílias para as suas crianças, e em termos legais, só existem pela metade. São só filhos de um pai/mãe e não dos dois. É por isso urgente assumir a sua existência, e criar condições legais para uma sã convivência em sociedade, no respeito por todo e qualquer cidadão e acima de tudo por respeito ás crianças adoptadas.

  1. Assim sejam abertas a listas de adopção a casais do mesmo sexo
  2. Sejam avaliadas as suas condições para candidatos a adopção como qualquer outro casal
  3. Reveja-se a lei, e crie-se condições justas para com a sociedade, e acima de tudo para com as perspectivas de vida da criança institucionalizada

Educação sexual nas Escolas

Quando pretendemos construir uma casa fazemo-lo a partir dos alicerces, e procuramos que estes sejam fortes, com bastante ferro e argamassa, para segurar a casa perante os abalos da natureza.

Quando nascemos, e crescemos somos educados segundo valores socialmente aceites, como o certo e errado, o bom e o mau, mas nem sempre nos são incutidos esses valores de forma a estarmos flexíveis aos abalos da vida sem que caiamos em acções, e palavras anti-sociais. Nem sempre esses valores que nos são ensinados são os melhores ou socialmente correctos, isto quando estamos em casa, mas… e na escola? Nas escolas onde passamos a maior parte da nossa formação (ou pelo menos devíamos passar), recebemos (mal ou bem) informação que se não for inclusiva, se não for dada sem pré-conceitos, e preconceitos, vai potenciar nesses jovens uma má formação baseada em fobias sociais que não ajudam no desenvolvimento intelectual de quem as tem, nem da sociedade em que estão inseridos. Por tudo isso é mais que urgente, é imperativo que tenhamos uma educação sexual, e de cidadania, que entre muitas outras coisas vai a longo prazo poupar investimento na saúde e potenciar uma inserção plena de todos os cidadãos. Uma educação feita por professores devidamente formados, que em conjunto com Associações, grupos e activistas da sociedade, que detêm o “Know How”, nas matérias ás quais estão ligadas. Agora é importante que essa educação seja uma realidade e não uma quantidade de normas que apenas existem no papel. Pois enquanto assim for, as contas de farmácia e os actos de violência por racismo, sexismo, xenofobia, e homofobia, vão continuar e vão aumentar a vergonha nacional (se é que a temos), do numero crescente de infectados e afectados com doenças sexualmente transmissíveis (e não só), bem como o número de gravidezes juvenis. Será que é isso que desejamos para o nosso país, será esse tipo de recordes que desejamos? Não me parece, … não me parece mesmo!

Convém salientar que as actuais aulas de “Formação cívica” e “Estudo Acompanhado”, são, em demasiados casos, uma “farsa”, sendo usadas para fins que em nada se prendem com o fim para que foram criadas. Em diferentes escolas pode constatar-se que a aula de “Formação Cívica”, onde deviam receber formação que os estimulasse á não discriminação, com base no respeito pela diferença, pelo espaço dos outros e o espaço comum, o respeito próprio, onde se devia ensinar regras de sã convivência em sociedade, ao invés de tudo isso, esta aula é utilizada para discutir o que está menos bem na turma, enquanto turma! Já o “Estudo Acompanhado”, difere de escola para escola, se num lado temos um professor de Educação Visual ou outro qualquer que vai discutir as noticias do dia anterior, outras tem que estão a aplicar o conceito correctamente tendo várias aulas por semana de 45 minutos cada, com professores das disciplinas base, como línguas, matemática, ou história. A educação que todo e cada cidadão recebe, na sua vida é o alicerce, bom ou mau, onde vai assentar toda uma sociedade, por isso uma educação abrangente, diversificada, inclusiva, só traria a Portugal excelentes resultados a médio e longo prazo. Deixou-se de ensinar ás crianças e aos adolescentes como e porquê lavar os dentes, e o que dai advêm quando não se lava; estamos na geração saúde, incentiva-se os putos ao desporto mas não se fala que é importante secarem-se muito bem porque existe vários fungos que habitam um balneário de um ginásio. Querem que os nossos jovens tenham uma sexualidade equilibrada e sadia mas não ensinam nada sobre o ciclo menstrual das mulheres; nem o que é masturbação; nem das doenças, várias, sexualmente transmissíveis, … e o não se falar deste tipo de assuntos leva ao dispêndio de verbas elevadas para acções correctivas a posteriori, verbas tão necessárias em outras áreas, como a educação, por exemplo!

  1. Devem as escolas do ciclo e secundário encontrar horário curricular para implementar as aulas de educação sexual.
  2. As mesmas devem ser ministradas por professores devidamente formados, e habilitados.
  3. As escolas que não obtenham estes docentes, devem exercitar com a comunidade onde está inserida a escola, acordos com a classe médica, com associações, e activistas.
    1. Esta interacção com a sociedade envolvente tem que existir mesmo que a escola tenha docente responsável pela área de Educação Sexual.
    2. A colaboração referida em 3/a deve existir também nas aulas de Educação Cívica.
  4. As aulas de E.C. e E.S. devem ser aulas interactivas solicitando o envolvimento dos alunos quer na aprendizagem, quer na avaliação dos professores e colaboradores convidados.

Transexualidade

Estamos em Portugal numa situação que relega algumas facções da sociedade para uma viagem em 3ªclasse.

Os Transexuais são uma parte dessa sociedade, vivendo como “ratos” de laboratório, são avaliados, são julgados, … são mal tratados.

Uma pessoa transexual que inicia o seu processo de transição, toma essa iniciativa não porque lhe apetece, mas porque essa transição é necessária para o seu equilíbrio emocional e intelectual. E o primeiro passo desse processo é com o seu médico. Este vai avaliar a situação e medicar a pessoa requerente, e juntos traçam o caminho a percorrer para se chegar ao objectivo. Contudo parece que, aos olhos do legislador, este clínico não esta habilitado a tratar do processo clínico, pois o último passo só é dado após avaliação por uma junta médica, um verdadeiro atestado de incompetência ao clínico que iniciou o processo e, simultaneamente, a pessoa transexual que aqui é julgada pela primeira vez. Depois de o mesmo processo ser aceite, a pessoa transexual vai ser de novo julgada por um Juiz que vai decidir se lhe altera o nome ou não! Assim como se não chegasse que este ser humano que tenta corrigir o seu corpo, tornando-o coerente com o seu intelecto, e é julgado todos os dias por uma sociedade mal informada, depois é julgado como se de um criminoso se tratasse, pelas instituições, que o deviam proteger.

No entanto tem muitos destes transexuais que não querem, e cada um tem as suas razões, completar todo o processo, vivendo um género diferente do seu sexo biológico, e é assim que querem contribuir para a sociedade em que estão inseridos. Contudo como pode um transexual encontrar um emprego das 9 a.m. ás 5 p.m. se quando vai fazer a sua entrevista de emprego tem no BI um nome como “José Manuel”, e se apresenta fisicamente como Maria José? Como vai esta pessoa enfrentar a má formação que graça na nossa sociedade, como vai ela encarar o sarcasmo, e por vezes a má criação e a ofensa?

Uma vez que estes seres humanos vivem a sua vida como indivíduos de um género claramente definido, não deveriam poder alterar o seu nome próprio, no sentido de tornar as coisas mais civilizadas e respeitadoras da vontade de cada um? Se não, que importa terem discursos de lamentação e ou preocupação, com estes, quando não lhes é dado forma de encontrar um caminho socialmente mais aceite por toda a sociedade?

Assim a posição do PortugalGay.pt nesta matéria, é que qualquer pessoa Transexual deve ter o direito de escolher o seu médico que a acompanhará no processo de transição. E é este médico e a pessoa transexual que, com o apoio dos meios que acharem necessários, farão não só uma análise prévia sobre a integridade psíquica, intelectual, social e física da pessoa transexual, mas também estarão disponíveis para planear e acompanhar todo o processo futuro. Com este esquema conseguia-se tornar todo o processo menos penoso, mais célere, mais humanizado, e mais económico. Como forma de tornar o processo o menos traumático possível deveriam ser encontradas soluções legais (compatíveis com a vivência em sociedade) para que a pessoa Transexual possa alterar o seu nome próprio mesmo antes de completar o processo clínico, para desta forma simplificar a vida do mesmo, no seu dia a dia. Devia ser possível a uma mulher transexual mudar o seu nome legal de, por exemplo, “José Manuel de Andrade Silva” para “Manuela de Andrade Silva” num processo simples e sem juízos desnecessários.

Nesta proposta só o nome próprio poderia ser alterado mantendo todo o restante nome familiar. Tal como é possível hoje em dia alterar o nome legal por via de casamento de forma trivial, um processo similar de mudança de nome deveria estar disponível para as pessoas transexuais. Desta forma as pessoas Transexuais poderiam legalizar a sua existência perante a sociedade e o Estado. Com esta disposição teriam mais capacidade para encontrar um emprego, poderiam optar por vários empregos e formas de vida. Infelizmente no estado actual as opções reais de emprego são extremamente reduzidas (para não dizer nulas) para uma pessoa transexual em processo de transição.

  1. Uma pessoa Transexual que deseje iniciar o seu processo de reajustar o seu corpo á sua personalidade, deve poder escolher o clínico que deseja para o acompanhar no processo.
    1. O clínico pode recusar a sua assistência, por não se sentir habilitado a realizar o processo, ou por objecção de consciência.
    2. O clínico quando rejeite a solicitação do requerente, é obrigado a encontrar no tempo útil de 15 dias a contar do pedido inicial, um clínico que o substitua.
    3. O requerente pode rejeitar o clínico encontrado pelo primeiro, e ele mesmo procurar outro clínico que o assista.
  2. Fica o clínico solicitado e/ou aceite pelo o requerente obrigado a constituir uma equipa adequada no período máximo de 15 dias após a primeira reunião do requerente e com o acordo expresso do mesmo quer em termos de especialidades a incluir na equipa quer com os clínicos seleccionados.

Género

Existem já inúmeras pessoas que vivem um género diferente do seu sexo biológico, e a falta de condições legais, jurídicas que os protejam, faz que vivam vidas algo clandestinas e marginalizadas.

Gisberta Salce júnior, foi assassinada por ser uma pessoa do género feminino com sexo masculino, foi humilhada repetidamente por inúmeras pessoas e instituições, que repetidamente se referiram e ela como “ele”. Gisberta é apenas um exemplo.

Um indivíduo que sendo do sexo masculino, tendo por isso identificado no seu BI esta condição, e viva o seu dia a dia com o género feminino, não consegue por esta razão encontrar um emprego, dito, socialmente digno, tornando-se por isso difícil de garantir a sua subsistência. Assim não faz sentido a existência no cartão de identificação pessoal, o sexo biológico da pessoa. Assim como não faz sentido que uma pessoa que vive o seu dia a dia um determinado género tenha que alterar o seu sexo biológico, de forma a dizer “a cara com a careta”, e dessa forma poder alterar então o seu nome no BI.

Gisberta Salce Júnior era, aos olhos da sociedade, uma mulher, linda por sinal, que poderia ter sido a telefonista, a secretária, a directora, a presidente de uma qualquer empresa, mas que graças á falta de meios de sociabilização, de humanização de uma sociedade esquecida por muitos, teve de remeter a sua subsistência ao mundo do espectáculo, e no fim da sua vida á prostituição, … não teriam as Gisbertas uma maior escolha se a sociedade lhe desse meios dignos e as tratassem como gente, não ganharia a sociedade mais, empregando estes e assim aumentando a receita em impostos, não seria o Estado mais humanizado evitando que estes seres humanos fossem explorados quando conseguem obter um emprego, que pela sua condição não só ganham menos como trabalham mais, não obstante que os seus patrões não pagam impostos porque eles/as não existem.

Todos ganharíamos mais respeitando a diversidade, e tratando os seres humanos como seres humanos que são.

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    1. Um Transexual ou indivíduo que viva um género diferente do seu sexo biológico (transgénero) e pretenda por isso alterar as características dos seus documentos de identificação, tornando estes de acordo com o seu género, pode junto de uma repartição do registo civil proceder á mesma alteração.
      1. Não é solicitado ao requerente a constituição de advogado para o efeito, podendo por isso ser o próprio, através do preenchimento de impresso regulado, solicitar a alteração do seu nome próprio, dentro da lista dos nomes existentes em Portugal.
      2. O requerente deve juntar ao pedido, documentos que justifica a sua pretensão, como por exemplo cartas e outros documentos que se refiram ao requerente segundo o género que vive o seu dia a dia.
      3. Na falta de documentos, deve o requerente fazer-se acompanhar de duas testemunhas idóneas de maior idade, que presencialmente atestem a pretensão do requerente.
    2. Pode ainda o requerente requerer a alteração do seu nome próprio fazendo-se acompanhar de documento onde se declara a necessidade de tal alteração, vitais para o seu equilíbrio emocional e até de sobrevivência em sociedade.
      1. A declaração solicitada no ponto 2, deve ser devidamente autenticada e ser passada por um clínico reconhecido.
    3. A pessoa transexual deverá ter acesso a todos os direitos e deveres civis e legais como qualquer outro cidadão independentemente da sua condição de transexual.

Lei anti-ódio

A existência de uma lei que puna os ódios e fobias sociais existentes, é já por si só, um atestado de que a nossa sociedade, aquela em que vivemos, está desestruturada, está deficiente no que consta á sociabilização, á sã convivência.

Criamos leis porque precisamos de nos proteger, mas essa necessidade só existe quando algo anormal surge na sociedade, e na perspectiva de uma harmonia social criam-se regras e por isso leis, que punem quem as transgride.

Todos (estou em querer uma grande e esmagadora maioria) fica ou sente-se magoada, repugnada, chocada, quando assiste a relatos do sucedido durante o Holocausto Nazi, ou da escravatura existente em outros tempos… mas depois tudo é esquecido, quando se diz que um casal homossexual foi agredido em pleno Chiado a meio da tarde e ninguém fez nada. O sentimento, ou mesmo a palavra, Homofobia, não é conhecida por uma significativa parte da população Portuguesa, ou quando sabem o que é não têm consciência de que se pode morrer devido a esse sentimento, ou se não se morre pode-se sofrer seriamente na pele, a repulsa dos outros sobre nós. Falta por isso exigir das instituições “supostamente” responsáveis e ao Estado em particular, respostas pelas mortes do Alcides (ataque racista em Lisboa), de Gisberta (ataque homo/transfóbico por menores na cidade do Porto), estes dois casos conhecidos e fatais, mas por todos os outros actos de incentivo ao ódio, xenófobo, racista, homofóbico, sexista. Até hoje as situações repetem-se todos os dias com mais ou menos dor! Mas dirão os eruditos que não será tanto assim se não haveria queixas. De facto não devem haver muitas, mais que não seja porque neste como em outros casos para além da demora nos actos judiciais, os réus tem mais defesa, que as vítimas… basta ir a um qualquer julgamento de gangues, e ficamos com a ideia de quem esta a ser julgado é a vitima e não o réu. E pior… se a vítima não tem meios para se proteger fisicamente o estado continua, na prática, incapaz de garantir a integridade física da mesma.

  1. Assim deve o ministério público ter mecanismos e autoridade para intervir em situações de ódio sem qualquer necessidade da existência de uma queixa formal por parte de indivíduos, punindo e obrigando a responder os infractores pelos seus actos.
  2. Não deve nenhuma pessoa individual ou colectiva, instituição, associação, partido politico, confissão religiosa ou outra, incentivar a todo e qualquer tipo de ódio por meios propagandistas, sendo as mesmas punidas quando responsáveis por tal acção.
    1. Entenda-se por suporte propagandista, toda e qualquer forma de expressar uma ideia que incite a qualquer ódio e ou fobia social, em suporte móvel ou fixo, espaço publicitário, site de Internet, rádio ou TV, e ainda em reuniões e ou assembleias quando estas sejam efectuadas em espaço de acesso público e, ou tornadas públicas pelos meios de comunicação social ou outros.
    2. Devem os infractores ser punidos com uma coima, pena de prisão ou trabalho comunitário adequados nos casos das infracções se terem efectuado através de meios de grande impacto como Rádio, TV, sites da Internet, jornais e revistas, ou espaços publicitários.
    3. Nos restantes casos a penalização a aplicar nunca deve ser inferior á metade da primeira (reuniões e assembleias)
  3. 50% do valor das coimas aplicadas serão entregues a instituições que exerçam actividade na prevenção das situações particulares visadas pela agressão. Sendo que este fica á consideração do Juiz designar qual ou quais as instituições contempladas.
  4. A reincidência deve ser punida com penalização agravada.
  5. No caso de ficar provado a influência de tais actos em situações de violência concretas praticadas por terceiros também haverá lugar a penalização agravada de acordo com as consequências sofridas pelas vítimas.

União de Facto

Este é um dado hoje adquirido, as e os cidadãos Portugueses podem viver uma união de facto tendo com isso regalias que lhe foram conferidas logo de inicio, como a opção de entrega do IRS conjunto, e outras que foram chegando no entretanto, como a inscrição de parceiros na ADSE. Contudo o texto legal tem ainda algumas ambiguidades, em especial quando aplicada na prática em outras situações além das indicadas.

Quantas vezes vemos em textos legais e regulamentos as expressões: “análogas aos cônjuges” e “equivalentes aos cônjuges”? E se esta expressão se aplica a todas as pessoas que vivam em união de facto ou não é uma decisão que é tomada por cada pessoa que trata destes processos levando a aplicações diferentes da legislação para situações idênticas mas em locais diferentes.

Por outro lado o reconhecimento das uniões de facto nas Juntas de Freguesia embora nos pareça adequado não está claramente indicado na lei.

E, finalmente, há situações em que o processo aplicado a pessoas casadas é muito mais simples do que o aplicado a pessoas que vivam em união de facto sem nenhuma razão objectiva para esta burocratização. Este é o caso, por exemplo, da renovação dos cartões de cônjuge da ADSE.

  1. Deve ser clara e explícita a equiparação legal dos casais reconhecidos pela Lei de União de Facto com as leis e regulamentos em que são utilizadas as expressões “análogas aos cônjuges” e “equivalentes aos cônjuges” assim somo expressões similares.
  2. Sempre que seja necessário o reconhecimento legal de uma União de Facto a declaração prestada pela Junta de Freguesia deveria ser prova suficiente em qualquer situação sem prejuízo de outras formas de reconhecimento como, por exemplo, através de testemunhas.
  3. Nas situações em que a lei se aplique a “pessoas casadas” e a “pessoas que vivam em situações análogas aos conjugues” os processos administrativos devem ser equivalentes excepto, como é natural, na prova da situação conjugal. Exemplificando: se num caso é necessário uma certidão de casamento, no outro será necessária a certidão da junta de freguesia.

FishSpeakers: Mentira de Abril

por portugalgay sexta-feira, 04 Abril 2008 00:53

FishSpeakers: Mentira de Abril

É só pena o texto no link acima não ser de 1 de Abril...

Novas palavras para os leitores deste blog:

Transgenerofobia[*] - medo ou aversão a pessoas que não se enquadram nos estereótipos sociais de género.

Androfobia[w] - medo ou aversão a pessoas do género masculino.


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