Sobre Lobos, Cordeiros e Fadas

por portugalgay domingo, 27 Setembro 2009 23:54

Pois bem este é último post do festival de cinema QueerLisboa 13 e dos filmes que agendei para visionar e sábado o dia de encerramento. Assim vi três das sete sessões programadas, mas apenas duas merecem o meu comentário.

Patrik, Age 1.5

ou "O Cordeiro com pele de Lobo"
“Patrik, Age 1.5”, não poderia estar mais actual o tema deste filme. Dois homens homossexuais, decidem adoptar, desejam um bebe com um ano e meio, mas aquilo que lhe vão dizendo é que não tem crianças adoptáveis com essa idade, numas expressões faciais dos técnicos declaradamente homofóbicas. Mas Göran, um dos elementos do casal não desiste, até que recebe uma carta a dizer que têm um "candidato". Algum tempo depois desta missiva um jovem bate-lhe á porta, trás consigo um saco e um envelope, Göran, entende que se trata de um novo carteiro e fecha a porta ao jovem embora este não saia da porta.
Até que se faz luz, e Göran lê o conteúdo do envelope, e percebe que houve um erro na missiva anterior, porque onde dizia “1.5” era na verdade “15.”.
Assim entra Patrik na vida de Göran e Sven, um jovem problemático com uma lista de crimes apreciável, e a cereja no bolo, é homofóbico. Sven não quer ficar com Patrik, tem inclusive medo dele, e faz o que pode, e até o que não pode, o que o leva a ser detido, para reenviar Patrik de volta.
Contudo nesta guerra, Sven perde para Göan, que decide dar espaço, deixar que Patrik evolua por si, escuta os seus lamentos, e chega mesmo a colocar questões proibidas para o raciocínio e a vida do jovem.
Sven vê-se derrotado, e sai de casa, deixando espaço para os dois novos amigos, Göan versos Patrik, estreitarem laços. Mas o processo de reenviar Patrik, já havia sido iniciado, e facto de os seus pais adoptivos se terem separado não ajuda, pois agora teria de começar um novo processo. Não melhorou a situação, Göran, consegue preparar
Patrik, mas o jovem tem uma missão antes de partir, assim a jeitos de compensar o seu novo amigo, e por isso ajuda-o a reconquistar Sven.
Esta história não poderia ter melhor final, Patrik conhece a sua nova família, até gosta mas a desculpa de que não querem ter cães e ele quer muito um cachorro, trá-lo de volta a Göran e Sven.

ou "As fadas estão em todo o lado"
O filme de encerramento, foi uma agradável surpresa, e mais ainda quando um dia antes o no mesmo dia, não me recordo, perguntei a um amigo se ia ver, ao que ele responde que já tinha estado a ver na net e era uma porcaria. Bom, ainda bem que li a sinopse do filme, como li a de todos a que assisti, pois só assim poderia escolher entre uns e outros, e decidi ir ver “Were The World Mine”, um musical brilhante com vozes brilhantes, e uma historia de amor, de amizade, e de preconceitos, … da conquista desse amor, da importância dos amigos, e da necessidade de deitar por terra o preconceito que fere, que humilha, distância e por vezes (vezes demais por sinal), mata.
Um musical dentro de um musical que muda a forma como os jovens durões de uma equipa de futebol da escola da cidade, reagem á diferença, que altera a interacção entre amigos de escola, levando-os a dar valor ás capacidades do colega do lado.
Um musical que ajuda a perceber que todos/as temos aspirações e sonhos, sendo que de certo são todos diferentes de pessoa para pessoa, e a diferente que assiste a cada um desses sonhos, é que enriquece não só quem o sonha mas, quem poderá com o sonhador viver uma possível realidade.

Intervenção... No VIH/SIDA e nas nossas vidas

por portugalgay sábado, 26 Setembro 2009 20:24

Falta um dia para o fim (este post é referente a sexta-feira), marquei 4 filmes para este dia, mas destaco dois.

Fig Trees
"Fig Trees", um musical, uma ópera de intervenção. Em questão a luta internacional pelo acesso ao tratamento contra o VIH/SIDA. Um documentário cantado e falado com uma cooreografia visual muito interessante. Entrevistados centrais, e a razão de ser desde documentário, Tim McCaskell de Toronto, Canadá e Zackie Achmat da Cidade do Cabo, Africa do Sul. Ambos desenvolveram um trabalho notável no acesso a medicação de qualidade.

O Signo da Cidade
O segundo filme "O Signo da Cidade" é uma abordagem sobre as nossas preocupações do dia a dia nos fazem esquecer os qu estão memo ali ao nosso lado. As carências, o completo desconecimento do sofrimento do vizinho, porque só a nossa dor interessa, nem que para a ultrapassar tenhamos de espezinhar os outros. Um filme desinibido de preconceitos, que mostra a infelicidade da solidão, a frustação por sonhos adiados, a impotência para ajudar quando queremos. Um filme fantástico que nos faz reflectir sobre nós próprios.

Os muros que nos separam, os amores que nos unem

por portugalgay sexta-feira, 25 Setembro 2009 20:16

Estamos na recta final do festival, hoje já é quinta-feira, e o festival acaba depois de amanhã, mas a programação ainda reserva-nos bons momentos de cinema, e outros menos bons, mas isto é um festival e têm de ter um pouco de tudo para todos os gostos.

Westler

Este sétimo dia iniciei-o só ás 17:30, com um filme representativo da vida na Alemanha oriental, onde os do ocidente podem atravessar o muro para visitar o oriente mas o contrário é impossível. Aquilo que começa por ser apenas uma visita de dois amigos ao outro lado transforma-se não só numa relação de amor para um deles, mas também de tomada de consciência da falta de liberdade dos que vivem do lado de lá do muro. Félix é o visitante e Thomas o residente. Félix passa a visitar Thomas com a maior frequência possível, mas dado que existe o recolher obrigatório tem sempre de voltar a casa cedo. Além disso, as suas visitas frequentes levantam suspeitas na polícia a ponto de isolarem Félix na alfândega e o despirem sem justificação, sem perguntas, e por isso sem respostas. Félix sente na pele a repressão em que Thomas vive. Terminamos com a expectativa de que numa viagem autorizada de Thomas até Praga, o caminho para a liberdade continue, mas ficamos com a certeza que a liberdade dele é o fim da relação de ambos pois Thomas não quer sair do seu país.

Intimidade de Shakespeare y Victor Hugo

A velha tem pinta, é uma mulher vivida, e que viveu bem, conta-nos a história do hóspede de outros tempos de seu nome Jorge. Um menino sem instrução, mas que pintava e sabia coisas sobre a escrita e a literatura. Coisas que não se esperava ele saber… era até pintor, e das obras que vimos no filme, diz-nos que seria um artista de mão cheia. E tudo corria bem até ao dia em que os arrumos do telhado pegaram fogo, e Jorge ficou queimado, acabando por morrer, porque não resistiu ás queimaduras. É depois deste incidente que a dona da casa fica a saber onde ia Jorge todas as noites, e constata a triste realidade de que Jorge era o assassino que andava a deixar as mulheres do México em sobressalto. Jorge saia de noite para matar, estrangulando-as, e por norma mulheres que eram mães solteiras. Claro que nenhum acto justifica que se tire a vida de alguém, mas pode no mínimo explicar. Jorge foi deixado pela mãe (solteira) num seminário, mais tarde casa e tem dois filhos e nessa altura lembra-se de ir buscar Jorge, contudo não o deixa entrar em casa, ele não fazia parte daquela família, dá-lhe, de comer, trata da sua roupa, mas deixa-o a dormir fora da porta numa tábua. Talvez por isso Jorge, o assassino de mulheres, deixa-se as vítimas debaixo da cama das mesmas. Uma história que embora triste, é contada de uma forma leve e até lamenta que alguém tão fantástico, carinhoso, e talentoso, tenha sido tratado assim, e se tenha tornado alguém tão revoltado a ponto de matar.

Strella – A Woman’s Way

O que é uma família? Pai, mãe e os filhos? Nope! Hoje como antes a família é aquilo que as pessoas envolvidas querem que seja, dizia eu há dias que as famílias podem tantas as cores como as pessoas que as compõem. E foi isso que se viu em “Strella – A Woman’s Way”, um filme rodado na Grécia. Yiorgos foi preso durante 15 anos, deixando um filho que decide procurar quando sai da prisão. No caminho encontra uma mulher transexual, por quem se apaixona e vive um romance, ao mesmo tempo que vai investigando o paradeiro do filho. Descobre alguém com o nome de família que é policia e pensa que esse é o seu filho, crente dessa descoberta ai á terra onde residia antes da sua detenção onde vai descobrir uma verdade perturbadora: o seu filho é agora uma mulher transexual… coincidência? Não… afinal essa mulher é Strella o que origina um drama que se resolve eventualmente… com uma nova família (com novas adições pelo caminho) todos juntos vivem a primeiro passagem de ano, uma passagem para o futuro, animado diga-se, de uma nomenclatura familiar colorida, guerreira, determinada, mas recheada de amor.

Tearoom

Terminamos com “Tearoom” embora a tradução nos possa inspirar um qualquer bar, ou salão e chá onde encontros se poderiam dar para belo prazer de pessoas homossexuais, Tearoom é na verdade um pesadelo, vivido por algumas pessoas homossexuais que viveram num tempo de repressão e perseguição por parte das autoridades policiais de então. A policia de Mansfield, no Ohio, numa campanha contra sexo em público, ou em espaços públicos, aquilo que na verdade era uma perseguição às pessoas homossexuais. O realizador conseguiu obter essas imagens dos arquivos da policia, e quase sem lhes mexer, editando apenas a ligação de cada tempo de filmagem, e mostrar aqueles que visitavam um WC no sentido de terem sexo com outros homens.

Destaco três pontos desta violação de privacidade impensável hoje em dia num país civilizado.

1. O facto de alguém decidir filmar alguém no sentido de prejudicar, humilhar, condenar outros.

2. Depois o quanto humilhante deve ter sido ver estas imagens numa sala de tribunal, com familiares, vizinhos, e pessoas da cidade.

3. Reparei que cerca de 90% das pessoas filmadas tinham aliança, logo casadas. Se pensarmos que nos anos sessenta era imperioso um homem casar depois da tropa, ou mesmo antes, não seria de esperar outra coisa.

E por último o que foi que a sociedade ganhou com esta situação? Famílias que até então iam vivendo confortavelmente, penalizando apenas uma das partes, com este processo de humilhação acabou por penalizar todos, desde as esposas, aos filhos, tivessem a idade que tivessem, podemos facilmente imaginar o estigma social que estes devem ter sentido depois do seu marido e pai ter sido julgado por actos homossexuais em público.

Mas a bem da verdade ainda hoje a vivemos na luta pelos direitos humanos, o direito á felicidade, á vida, ao AMOR.


Momentos Alegres

por portugalgay quinta-feira, 24 Setembro 2009 14:39

Bem... ontem foi um dia com pouco que vos contar... destaques tenho dois.


O primeiro foi o Show Case com os “Amália Hoje”. Um espectáculo com muita gente, um momento fantástico do festival de cinema que vai mais longe do que as simples películas.

Rainhas
O segundo foi o documentário “Rainhas” sobre o concurso dos meninos que se apresentam meninas para a eleição da Miss Brasil Gay.
Os realizadores presentes na sala mostraram-nos o quanto naífes eram quado começaram este projecto: a ideia era fazer uma ficção sobre um pequeno concurso de transformismo. Pouco depois descrobriram que esse concurso já existia há mais de 20 anos e dirigiram as suas energias para apresentar a realidade e não a ficção: jovens homossexuais que se preparam durante um ano para participar na eleição da Miss Brasil Gay… hoje em dia este evento é um acontecimento grandioso em Juiz de Fora, em Minas Gerais, anunciado como o maior evento gay do Brasil (excluindo as paradas do orgulho) com cerca de 5000 participantes.
Poder visionar este filme foi um momento de diversão e alegria depois das sessões tão violentas de ontem!

Make Love not War

por portugalgay quarta-feira, 23 Setembro 2009 21:28

O dia de ontem não foi fácil, as emoções andaram á solta, e não eram daquelas divertidas ou fáceis de lidar. Foram emoções pesadas e que trouxeram imagens, nomes, pessoas, situações, histórias, muitas histórias que em 13 anos de PortugalGay.pt, 9 de activismo mais directo, e 41 de vida fui ouvindo e tomando conhecimento. E também ajudando pessoas a ultrapassar situações de vida ou a acompanhá-las até à partida da viagem de ida sem volta.

Comecemos então pelo princípio: programa de curtas, quatro filmes de onde destaco “My name is love”, a história de duas pessoas que se conhecem num engate que como tantos outros devia ser seguido de um acto consentido, acaba numa violação violenta, e fria. De onde uma das partes sai sinceramente magoado, ferimentos psíquicos que de tão profundos não consegue nem apresentar na policia embora tenha passado frente á esquadra quando fugia do que lhe tinha acontecido, à minutos atrás.

Shank
Depois fui ver “Shank”. O registo anterior foi violento, o senhor que se segue também o é: um grupo de jovens que se diverte a atormentar toda e qualquer pessoa que encontram pelo caminho. Dois deles (Cal e Jonno) são muito íntimos, mas nunca são capazes de confessar esse amor um ao outro, Cal encontra uma forma de satisfazer as suas necessidades sexuais, marcando encontros pela net, sendo por vezes violento com as pessoas que encontra, depois de as servir, servindo-se. Olivier, chega à cidade, um jovem homossexual que poderíamos dizer bastante visível pelo seu comportamento efeminado é atacado pelos três amigos, Cal, Jonno e Nessa, a líder do grupo. Enquanto Jonno espanca Olivier, Nessa filma com o telemóvel, ao mesmo tempo que Cal vai pedindo que parem... até Cal não aguentar mais a cena e impedir que continuem. Cal segue Olivier por quem vem a desenvolver uma relação… mas entrar num gang é fácil, já sair é outra conversa, algo bem mais grave do que ser homossexual. O gang do filme é similar as que alguns de nós já conhecemos ou já ouvimos falar: mais ou menos organizados, eles existem e precisam ser apontados para as autoridades estarem atentas.
Remate para o fim da tarde, Richard Zimler, conheceu Harvey Milk! Cerca de uns 45 minutos a escutar como havia sido a sua passagem pela Rua Castro, em São Francisco. Delicioso por um lado, e um sentimento de inveja por ter conhecido alguém tão extraordinário como Milk, afinal eu até tenho o mesmo nome “Leite”. Como gostaria de ter sido eu a contar aquelas histórias, era sinal que o tinha conhecido.

Pedro
Fui jantar e voltei para a sessão da noite com uma longa-metragem e um conjunto de curtas que não achei minimamente interessantes. Mas a longa-metragem foi de arrasar. “Pedro”, ou devemos dizer Pedro Zamora, um Cubano que foi para Miami, e que por causa de um reality show passou a ser o rosto de uma luta que nos anos 80 estava a dar os seu primeiros passos, Pedro era seropositivo desde os 17 anos e disse-o no show da MTV, afirmando-se como homossexual também. Pedro inicia a tarefa de ir de escola em escola, de plateia em plateia falar como se previne, e como se vive com o VIH/Sida. Os amigos que se juntam a ele, o namorado que o idolatra, e para rematar com chave de ouro, o seu trabalho é reconhecido pelo então Presidente dos Estados Unidos da América, Bill Clinton (que continua hoje em dia a lutar pela prevenção VIH/Sida e contra o Aquecimento Global). O nosso querido Pedro Zamora, morre aos 22 anos, rodeado pela família, os amigos, e o mundo que seguia as notícias do seu estado. Para muitos Pedro foi o único amigo (mesmo que da TV) que conheciam com VIH/Sida.

Curtas Metragens e uma Longa Viagem

por portugalgay terça-feira, 22 Setembro 2009 23:53

Hoje começamos por um conjunto de curtas que estão em competição e numa selecção que captou a minha atenção do primeiro ao último. O primeiro filme mostra-nos o quanto difícil é a vida de um homossexual como pessoa de fé. E como é viver essa fé num ambiente hostil onde a religião pesa segundo dogmas que aprisionam aqueles que, segundo a interpretação de alguns sobre os escritos faz da sua orientação sexual um acto abominável, são "desrespeitadores da religião". Isso dá-se com a fé católica, mas este filme mostra algo mais dramático, e fundamentalista. O jugo da religião muçulmana castra aqueles que embora homossexuais são homens de fé, e que sentem por demasiadas vezes se sentem culpados de amar.

Neste filme, essa culpa desvanece-se quando a pessoa descobre que a sua fé por Deus não é incompatível com o Amor, seja ele por quem for.

James
Segue-se “James”, um miúdo inteligente, com cerca de 13 anos que se sente atraído por pessoas do mesmo sexo, e nos regressos a casa passa por uma casa de banho pública. Numa dessas passagens conhece um homem muito mais velho na casa dos cinquenta, com quem tem uma primeira conversa mas que o medo do novo, o faz fugir. Por não ter um ambiente familiar propício, embora sua mãe até se mostre preocupada com o seu silêncio, ele procura alguém para conversar e poder desabafar e procura no seu professor essa personagem. Mas o professor, ou por não se sentir à vontade com o assunto, ou por uma outra razão que não é perceptível no filme, deixa-o na sala sozinho, depois deste ter aberto o seu coração e clamar por alguém que o escute… como não obteve resposta ele sai da escola e procura o mesmo homem que tinha conhecido na casa de banho pública e entra directo no seu carro pedindo-lhe para o levar para algum lado… e desta forma ficamos com a ideia que o jovem reprimido, sozinho, sem apoio, irá iniciar a sua vida sexual... ou talvez não pois o filme acaba aqui.


Tanjong Rhu
“Tanjong Rhu”, foi o “senhor” que se seguiu: os encontros clandestinos de um parque que serve de zona de engate entre homens homossexuais prosseguidos pelas autoridades de Singapura, que se fazem passar por homossexuais para capturarem os interessados. Neste processo a personagem principal do filme perde alguém que numa noite conhecera ali. Depois de uma rusga efectuada pela policia, doze homens são presos e sentenciados com pena de prisão e vergastadas. Um filme que mostra que algures neste mundo ainda existe uns quantos países onde homossexuais mais que prosseguidos pela sociedade são punidos pela lei do estado.

Yo Sólo Miro
Se viver num país cuja lei nos prossegue é terrível, viver uma mentira por causa de uma sociedade que gosta de entrar na casa e na cama do vizinho, é ainda pior. É isso que mostra o filme “Yo Sólo Miro”: um casal que vive a monotonia de um casamento longo, até que a mulher, na preparação de uma viagem de trabalho do marido, descobre escondidas umas cassetes de vídeo de filmes homossexuais… tenta com algumas dicas que o marido lhe diga algo, mas não funciona. Quando ele volta da viagem ela pergunta se esta tudo bem, e numa resposta vaga, ela pergunta porque ele nunca lhe lhe falou dos vídeos. Mas a vergonha apenas o leva a dizer que ela não entende… numa tentativa de fazer o marido feliz ela contrata um acompanhante masculino. O marido pergunta o que aquilo quer dizer e ela apenas responde...”yo solo miro”

A sessão seguinte foi com o documentário “Das Andere Estanbul”, onde se vê o trabalho de um activista da associação “Lambda Estanbul” num processo de abrir mentalidades, num pais de maioria Muçulmana, o mesmo país que está na corrida para fazer parte da comunidade Europeia. Mas o filme do dia foi mesmo a história de uma jovem (Mel) de aspecto masculino, que conhece uma menina (Jenny) loira, linda, e com défice de atenção por parte do seu namorado. Não entende que quem acaba de conhecer é alguém do sexo feminino e deixa-se levar pelo sorriso apaixonado de Mel, e pela atenção que esta lhe dispensa. Mel que acaba de conhecer um novo amigo de emprego, um português chamado Miguel, aproveita o facto e em conversas vai tirando dele informações que depois lhe servem para criar uma personagem masculino de seu nome Miguel e português, fazendo Jenny acreditar nessa personagem por quem se apaixona…contudo o verdadeiro Miguel descobre e aconselha Mel a contar a verdade, coisa que ela faz numa visita inesperada de Jenny ao seu trabalho,…o choque de Jenny perante a verdade, e o ataque do seu namorado de Jenny a Mel, faz com que Mel tenha uma atitude de ruptura, conte ao pai e ao irmão e no seguimento despeça-se dos dois e vá com o Miguel para Portugal.

Fitas Quebradas & Variações da Memória

por portugalgay segunda-feira, 21 Setembro 2009 22:40

Rabioso sol; Rabioso cielo
Ontem, Domingo, num filme que até estava a ser do meu agrado (e que por isso lhe faço referência) a fita partiu duas vezes. O filme "Rabioso sol; Rabioso cielo" em suporte "tradicional" de bobina ficou com uns minutos a mais numa película que já de si é longa. Um filme que se debruça pela falta de coragem das pessoas em se darem, em se amarem sem medos em geral, e sem medo de sofrer em particular.
Porque se amar fosse tudo rosas não haveria tantos poemas, histórias, literatura de amores sofridos, amores sem retribuição, e lutas por se ser amado, e ou amar alguém. Por isso amar é sofrer, mas também é principalmente alegria, partilha, aconchego, beijos, abraços, presença.
Assim o filme, com os seus 191 minutos, mostra aquela que pode ser a fase inicial de muitos amores! Jovens que se cruzam num cinema de pornografia, jovens heteros e menos heteros, gays e outros que nem por isso, que trocam momentos de prazer, momentos de uma satisfação carnal, mas que o realizador fez que também fosse presente a procura de que uns e outros faziam de um abraço, de beijos, de se sentirem desejados.
Embora tendo uma longa parte de surrealismo, algo demasiado transcendente, não deixa de ser um filme que a exemplo de tantas outras histórias de amor, este sentimento vence todas a vicissitudes da vida.


Num espaço inédito do Queer Lisboa 13, o "Espaço Memória", ontem foi a vez de António Variações. Para alem da audição da obra deste magnifico artista, que mudou o panorama musical Português, e que pela sua figura extravagante abriu caminho para um movimento GLBT algo adormecido, esteve na sala Buondi a realizadora daquele que é, até ao momento, o único trabalho biográfico do artista, realizado em 1996, seu nome Maria João Rocha.
E acreditem foi delicioso escutar a paixão com que Maria João e Nuno Galopim, o moderador de serviço. Mas a paixão deles foi também a paixão dos presentes na sala, que parecia absorverem cada palavra do seu discurso.
Assim deu para confirmar que António Variações foi, é, e será, uma referência na música e na sociedade de uma época, estando ele tão à frente do seu tempo.

 


As barreias que nos separam, os amores que nos unem

por portugalgay domingo, 20 Setembro 2009 17:11

Bem isto são mais filmes que tempo disponível para os comentar,… o social entre e depois das sessões, e a necessidade de descanso retiram o pouco tempo que teríamos entre sessões para escrever.


City of Borders
Mas como o que é prometido é devido aqui estou para vos dar relato dos filmes que ontem sábado tive oportunidade de ver,… e vou faze-lo por ordem de preferência, o que sendo assim, faz que comece por “City of Borders
Um documentário sobre a vida em Jerusalém, ou em parte dela. Quando festejamos há quase 20 anos a queda do muro de Berlim, palestinianos e judeus continuam hoje em dia divididos por um novo muro que tal como o anterior muro europeu serve para deixar mensagens e dividir uma região e dois povos.
O documentário reside nas incursões de jovens GLBT do lado palestiniano ate ao lado israelita para se poderem divertir entre iguais no bar gay “shushan” existente junto dessa divisão.
Mas mais que mostrar as dificuldades dessas idas o filme mostra-nos a luta de um povo que afinal, e pelo menos dentro desta comunidade, não se quer mal, não se fere, até se ama, como um casal de Lésbicas que uma (doutora) é Israelita e outra (enfermeira) é palestiniana, as duas vivem um romance, vivem juntas, trabalham juntas, e sobrevivem aos olhares da rua, e enfrentam com coragem as diversas marchas e manifestações que se prendem com os direitos dos GLBT, mas mais que isso com direitos humanos com vista ao fim de um muro de betão e social.
“City of Borders” concorre na secção de documentário, ainda não vi os outros é verdade mas, este já ganhou o meu voto.

Ander
No seguimento das minhas preferências vem “Ander”, que traduzindo de Basco para Português será provavelmente “André”. Ander é o patriarca da família uma vez que o seu pai faleceu. Vive com a mãe e uma irmã também adulta, e toda a família rege-se por regras restritas de etiqueta. Os criados não se sentam perto do chefe da família, etc, etc… aquilo que poderíamos chamar de uma família tradicionalista ou conservadora.
Ander não tem namorada, faz apenas visitas frequentes a uma mãe (Reme) abandonada pelo marido, que devido ao seu isolamento aprendeu a viver vendendo o seu corpo. A irmã de Ander está para casar e isso afecta em muito o conservadorismo da mãe que não entende que o filho varão não case antes da irmã.
Enfim maneiras de pensar que ainda hoje sobrevivem em determinadas famílias,… no entretanto Ander tem um pequeno acidente e parte uma perna. Como tal é necessário ajuda adicional e é então que chega José, o peruano, que aqui para nós e segundo os meus standards de interesse, é uma delícia de rapaz.
Humilde, educado, e bom - no trabalho é claro - ele cativa a atenção de Ander, e da irmã, mas não da mãe que não vê com bons olhos toda esta atenção por um operário.
José torna-se cúmplice de Ander nas visitas á tal senhora, e desenvolve com esta uma amizade sincera. Embora o desejo de Ander por José seja mais que óbvio para sua mãe, é apenas no dia do casamento da irmã de Ander que, numa inocente ida à casa de banho, Ander e José envolvem-se sexualmente.
Este acto desencadeia um ambiente hostil, entre José e Ander, um quer ir embora mas não vai porque a família não conseguiria manter-se, o outro decide punir o empregado com um novo tom de voz e com a indiferença.
Neste espaço a mãe de Ander morre, e ele sente-se culpado pela sua morte, acreditando que a morte da mãe deve-se ao desgosto de ele não ter casado, e ao ambiente vivido com José.
Ander debate-se com os seus velhos demónios, de uma homossexualidade reprimida, pela família e pelo povo da aldeia, … mas quando tudo parece que vai ter um final triste Reme, a tal mulher abandonada pelo marido, surge em casa de Ander trazida por um amigo de Ander onde um evento inesperado demonstra a fidelidade de José por Reme.
No dia seguinte Ander iria tirar o gesso, por isso José deve ir embora, e Reme regressar a sua casa... mas uma conversa entre Ander e Reme depois do jantar onde todas a regras familiares foram quebradas, Reme senta-se no lugar da mãe de Ander e José senta-se ao seu lado.
Na manhã seguinte o filho de Reme queria Cola-Cao para o leite, e porque não havia, Ander aproveita a deixa e diz algo do género, …”quando formos á cidade, enquanto tiro o gesso deves ir com Reme ver o que mais falta em casa e comprar…”
O convite embora subtil estava feito, e a casa que ia ficar vazia acaba de ganhar uma nova vida, como disse Peio depois de levar uns sopapos, … “dois maricones e una puta”,… e eu respondo e tu com isso!
Não podia estar mais assertivo este filme, família é aquela que cada um faz, no respeito e no Amor entre os intervenientes.

Querer o Queer Lisboa 13

por portugalgay sábado, 19 Setembro 2009 21:41

Conforme o PG tem vindo a anunciar ontem teve lugar a abertura da 13ª edição do “QueerLisboa", antes “Festival de cinema Gay & Lésbico de Lisboa”.

Treze anos que lhes trouxe fama e o prestígio de que hoje gozam.
Podíamos viver sem o QueerLisboa?
Podíamos, mas não era a mesma coisa!
Esta mostra de cinema com produções vindas de todo o mundo teve um árduo caminho, mas é hoje um certame incontornável da cultura GLBT, Queer e não só em Portugal.
Neste espaço muitos filmes são gritos de alerta aos quais tod@s devíamos estar atentos.
Ainda a procissão vai no adro, mas o festival já começou e pretendo aqui partilhar convosco a minha humilde opinião e critica aos filmes que vou vendo.
“Morrer como um homem”, de João Pedro Rodrigues, que ficou conhecido para muitos de nós por ter produzido o “Fantasma”, foi o filme escolhido para abrir o festival.
Confesso que logo o título faz-me confusão: soa a jeito que uma homofobia internalizada, um processo de negação, é pelo menos isso que a frase me inspira.
Contudo o filme é uma agradável surpresa, por um lado... Pelo outro falta-lhe… falta-lhe qualquer coisa!
Estava ao telefone e perguntavam-me pelo filme e dei por mim a fazer a seguinte comparação: o filme era a mesma coisa que comer um cozido à portuguesa mas sem sal… é indiferente se gostamos de cozido ou não, imaginem outra coisa qualquer sem o tempero certo…
O filme tem momentos fantásticos, e a história no seu global é dramática mas muito interessante, porque desenvolve um espírito de amor, e entreajuda, mas também de vidas que se perdem entre a alucinação e os vícios.
Mas depois a forma como o guião conta esta historia é muito “sem sal” chegando mesmo a perder-se, e não foi uma ideia minha, pois na sala o comentário assim "meio à socapa", era esse e até se ouvia, que os cães foram os melhores actores, coisa que discordo (sem desprimor dos canídeos que estiveram muito bem).
Tendo em conta que alguns dos actores já o são nos palcos das discotecas onde actuam todas as noites, esta representação que tiveram no filme de João Pedro Rodrigues apenas foi uma forma diferente fazer o que normalmente fazem no seu dia a dia.
Por isso os meus parabéns a eles que souberam mostrar o quanto dedicado o coração de alguém pode ser, e ao mesmo tempo mostrar a genialidade daqueles que vivem "do" e "no" palco!
Embora com estes senãos, sugiro que quem ainda não viu o vá ver quando for para o circuito comercial o que deverá acontecer em breve.
Também em breve espero escrever mais uma missiva directamente de Lisboa.