A insanidade da legalização dos incentivadores ao ódio!

por portugalgay segunda-feira, 06 Setembro 2010 13:28

 

Andava eu nas minhas andanças cibernéticas, parte do meu trabalho, quando me deparo com um título de um artigo de opinião no Jornal da Madeira de 1 de Setembro de 2010.

A primeira coisa que me veio à cabeça foi uma ou outra declaração de JJ sobre o “contenente”. Mas como tenho os profissionais do JM como meus colegas, o primeiro reparo que faço é mesmo: ”Como deixaram que este artigo fosse publicado?” Ou melhor: como é possível difundir tanta ignorância num jornal sem que ninguém (aparentemente) dessa publicação se tenha dado ao trabalho de apresentar um contraponto lógico e científico?

Este artigo de opinião “brada aos céus” de tão pouco católico, quanto mais cristão!

Este Sr. Padre, que é o autor do dito, alem de me parecer um pouco perturbado, está igualmente deslocado no tempo. Talvez o celibato esteja a provocar-lhe algumas alterações de humor e psíquico-temporais, mas definitivamente algo de errado se passava com o senhor quando escrever aquele texto..

Comecemos pelo título, “A legalização da homossexualidade “brada aos céus””. Sr Padre a homossexualidade foi “legalizada” há quase 30 anos em Portugal (mais precisamente com o Código Penal de 1982). Isto depois de ter sido criminalizada por Salazar no Estado Novo, e das perseguições da Santa Inquisição nos séculos XVI e seguintes. Durante o tempo de Salazar as pessoas que fossem acusadas de homossexualidade eram perseguidas, presas e sujeitas a isolamento social forçado. Já na Santa Inquisição (aquela instituição coordenada pela Igreja Católica) já todos sabemos que as coisas ainda eram piores. Fora de Portugal são vários os exemplos de perseguição recente e próxima: quer o regime de Franco, quer o regime de Hitler também foram exímios em exterminar gays e lésbicas em pleno século XX entre outros “anti-sociais” e “inimigos da sociedade”. E não é preciso recordar a forma como a Igreja Católica apoiou quer um quer outro regime.

Mas o texto está revestido de algumas afirmações que eu sinceramente estou em pleno acordo, por exemplo, a determinada altura do texto o senhor diz “…o prazer próprio do homem é o prazer de cumprir o seu dever, a lei, aquilo que é justo e a que tem direito.” No “cumprir o seu dever” referir-se-á o senhor ao procriar e, logo aqui o senhor ofende todos os homens e MULHERES que por muito que o desejem a mãe natureza não os apetrechou de tal capacidade, por isso muitas dessas pessoas sentem-se infelizes porque desejavam criar a sua família com os seus respectivos companheiros e companheiras e não conseguem. Ao invés de escrever as linhas que o senhor escreve a minha mensagem como cristão é de que DEUS nos dá o ”fardo” que conseguimos carregar, nem mais nem menos, e por isso espera de nós uma resposta positiva, fraterna, e altruísta, não uma condenação. Em termos de cumprir a “lei” o que tenho visto nos últimos tempos - e precisamente vindo da ICAR - é que Padres criminosos quando julgados e condenados pela justiça fogem apoiados pelos seus pares, e altas hierarquias, à lei e à justiça.

Terminamos com o restante da sua frase, “aquilo que é justo e a que tem direito”, e que é nada mais nada menos, que o direito á vida, no respeito pela sua condição humana, tratando todos e cada um de forma igual dentro das diferenças que a todos assiste.

Mas o senhor padre vai mais longe e aponta os homossexuais como ateus que na sua cabeça vê como um crime hediondo, claro. ”Ser, pois, homossexual é uma das muitas maneiras práticas de ser ateu”. Sabe… não vou discutir o que é ser-se ateu, pois tenho muito amigos que o são. Curiosamente na sua maioria heterossexuais (só falta o senhor dizer que eles estão enganados e que são homossexuais uma vez que são ateus), mas para completar a “pintura” o meu noivo (dentro de algumas semanas marido) é ateu, conhece a bíblia melhor que muitos católicos e vai casar-se com um cristão, eu. Sabe que mais, nem ele deixou de ser ateu nestes quinze anos que estamos juntos, nem eu deixei de ser cristão. E o senhor continua com as suas demagogias e ofensas, apontando o DEUS cristão (aquele que dita a minha fé), como o “único bem absoluto”, agredindo desta maneira não só os ateus, mas todas as outras confissões religiosas. Que moral tem o senhor enquanto padre católico, para dizer que a sua confissão é melhor que as demais religiões? Que moral tem o senhor perante um passado e um presente manchado de crimes contra a humanidade de onde sempre saíram impunes? Que moral é essa que em nome de um DEUS vocês mataram, instigaram guerras, abusaram de anjos. Porque parece tão complicado à ICAR aplicar o DEUS misericordioso, sempre presente ao lado dos mais fracos e oprimidos?

Sobre isto não vejo o padre preocupado!

O seu texto é um festival de “impropérios”. Os mesmos que em tempos idos perante uma sociedade ignorante e analfabeta serviram para violar todas as leis fundamentais da natureza e do ser humano. Mas deixe que lhe lembre que estamos no século XXI. Infelizmente, ainda existam muitas pessoas que não tiveram a oportunidade de estudar, e de outras que embora o tenham feito não conseguem decifrar o sentido das palavras. Mesmo pesando estes contras, o senhor tem que ter em atenção que hoje as pessoas já deixaram de acreditar em tudo o que os padres dizem, especialmente quando revelam tamanha ignorância.

Um desses exemplos de ignorância é o bicho papão de “Sodoma e Gomorra”. Não acha que já está mais que na hora de se deixarem dessas coisas? Então não havia crianças na cidade? Como se pode acusar um bebé recém-nascido de “sodomia”? Como é possível que numa cidade que se dedicava à “depravação” em tempos que não se falava de preservativos e outras coisas que tais não estivessem a nascer crianças todos os dias? E, já agora… se ler com cuidado o texto se calhar vai chegar à mesma conclusão que muitas outras pessoas também já chegaram: Deus destruiu Sodoma e Gomorra porque as cidades eram locais de depravação, luxúria, mas também, acima de tudo, porque não havia “homens justos” na cidade. E não haveriam mulheres capazes de pensar por si? Como é possível em pleno século XXI achar que este tipo de narrativa é algo para seguir à letra?

Desconheço a formação do Sr. Padre, mas as suas conclusões sobre o que é a natureza deixam-me com vontade de processar os canais como a Odisseia, ou o National Geographic, porque parece que afinal o que eles apresentam é tudo uma treta. Então o senhor padre acha que se fosse da natureza humana sermos homossexuais, seriamos todos homossexuais! Daqui a nada o senhor está a dizer que ter os olhos rasgados, cabelo loiro, ou ser-se preto, é uma aberração da natureza, são pessoas anti-naturais… espere… como classifica o senhor as pessoas que nascem cegas? Ou sem todas as suas capacidades mentais? Ou ainda com limitações motoras? Não me vai dizer que estas pessoas são resultado de uma má educação e convivência doentia continuada, como diz no seu texto “…o homossexualismo vem duma má educação e convivência doentia continuada das mesmas pessoas”. Há-de me explicar como é que chegou a esta conclusão… é que todas as pessoas que se dedicaram de forma científica a estudar o assunto são claras: a homossexualidade não é algo que se transmita numa sociedade. A única diferença é que temos sociedades onde os homossexuais que vivem segundo a sua natureza abertamente, e temos outras sociedades em que tem de viver escondidos… casado com mulheres ou dedicando-se a actividades celibatárias.

Termino já, já… o senhor não se esqueceu mesmo de ninguém, nem sequer dos hermafroditas… que não percebo o que fazem neste seu caldo retórico. É que não sei se reparou mas as possíveis dificuldades que iria encontrar ao tentar classificar uma pessoa hermafrodita de homossexual são exactamente as mesmas que iria encontrar para classificar essa mesma pessoa de heterossexual. Resumindo: a sua causa não aquece nem arrefece com as pessoas hermafroditas. Ainda por cima ignora que para a maior parte das pessoas hermafroditas a classificação não tem nada de complicado pois vivem a sua vida segundo um dos dois géneros sociais pré-definidos… tal como o resto da sociedade em que estão inseridas.

Sobre os bissexuais nem sequer vale a pena escrever muito mais. Há pessoas bissexuais que se sentem atraídas por ambos os sexos ao mesmo tempo, tal como há muitas pessoas não-bissexuais que se sentem atraídas por várias pessoas ao mesmo tempo. Agora o que se faz com essa atracção depende de cada um. Ser monogâmico não é algo de “extraordinário” numa pessoa bissexual.

Relativamente à ONU… em primeiro lugar convém esclarecer que existem organizações de defesa dos direitos de pessoas LGBT presentes em órgãos formais das Nações Unidas. Se a ONU condena a homossexualidade então não faria sentido estes grupos estarem presentes. Em segundo lugar em LADO NENHUM da Declaração Universal dos Direitos Humanos se lê uma condenação da homossexualidade, pelo contrário! No artigo 16 sobre a família pode ler-se no original em Inglês (que foi o texto efectivamente aprovado na Assembleia Geral em 1948): “A partir da idade núbil, os homens e as mulheres têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião”. A declaração diz apenas que quer homens quer mulheres têm o direito de casar. Não diz nada sobre o facto de se casarem entre si, ou vários homens com várias mulheres, ou uma mulher com uma mulher.

Ao ler o seu texto depreende-se um ódio da sua pessoa relativamente aos homossexuais. Eu sou homossexual e não tenho ódio nenhum em relação a si. Tenho pena que não seja capaz de enxergar e ver o que está mesmo ao seu lado. Já o meu avô dizia que o pior cego é aquele que não quer ver, e o senhor está ao que parece do seu texto “cego” pela ignorância, e pelo ódio, e por isso lamento e rezo pelo senhor, para que DEUS lhe mostre o caminho da luz, da verdadeira fé, fraternidade e amor ao próximo.

Pessoas sábias, por sinal católicas, ensinaram-me que DEUS somos nós, porque ELE vive em cada um de nós, e que por isso quando atentamos contra alguém, atentamos contra DEUS.

Se calhar… valia a pena o senhor padre pensar nisto.


 


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Comunicado de Imprensa

por portugalgay quarta-feira, 28 Julho 2010 18:37

Faz hoje pouco mais de um ano que o Ministério da Saúde, dirigido por Ana Jorge, em documento enviado à Presidência do Conselho de Ministros, no dia 10 de Julho 2009, alegava: 

“A necessidade de garantir que os potenciais dadores não têm comportamentos de risco que, em termosobjectivos e cientificamente comprovados, podem constituir uma ameaça à saúde e à vida dos potenciaisbeneficiários, leva à exclusão dos potenciais dadores masculinos que declarem ter tido relações homossexuais”. 

Na altura, várias associações empenhadas na defesa dos direitos das pessoas lésbicas, gays,bissexuais e transgenéros (LGBT) vieram, mais uma vez, a público denunciar que tal directrizconstituía uma grave violação do princípio constitucional da igualdade - que no seu artigo 13º é claro: “nenhum/a cidadão/cidadã pode ser discriminado em função da sua orientação sexual” -para além de salientarem que proibir homens de doar sangue, só por terem tido alguma vez relações sexuais com outros homens, era uma prática manifestamente discriminatória sem qualquer fundamento científico. Mais: O Presidente do Instituto Português do Sangue – Gabriel Olim – em entrevista ao jornal i, a 30 de Julho 2009, teve declarações imbuídas de preconceitoe estigmatizantes, concepções cuja credibilidade já tinha sido de resto posta em causa pelo próprio Coordenador Nacional para a Infecção do VIH/SIDA, epidemiologista (re) conhecido(Lusa, 17-07-2009).

Em inícios de Abril, depois de vários anos de denúncia por parte do movimento LGBT, é, finalmente, aprovado na Assembleia da República um projecto de resolução do Bloco de Esquerda contra a discriminação das pessoas homossexuais e bissexuais nos serviços de recolha de sangue. Projecto, relembramos, aprovado por larga maioria, dado apenas ter contado com a abstenção de 20 deputados/as do CDS PP e de uma deputada independente eleita pelo PS.

Relembramos também que essa resolução se alicerçava na directiva europeia sobre a matéria, definindo que sejam excluídos «os dadores cujo comportamento coloque grande risco de contraírem doenças transmissíveis graves». Bem cientes de que a homossexualidade não é,nem nunca foi, um comportamento de risco, a Assembleia da República aprovou a Resolução com vista à adopção urgente por parte do Ministério da Saúde de medidas que acabassem com aquela discriminação. Cerca de 4 meses depois, verificamos que não só o Ministério da Saúdenão acatou tal recomendação como uma notícia do Jornal de Notícias de ontem denuncia quenão vislumbra fazê-lo.

Por que motivo(s)? Não percebemos nem aceitamos que tal volte a acontecer. Já são demasiados anos em volta deste folhetim interminável que só acentua o preconceito e a desigualdade em volta das pessoas LGBT. Não se pode, por um lado, aprovar medidas que visem a promoção da igualdade e, por outro, perpetuar uma discriminação sem qualquer fundamentoque põe de lado milhares de potenciais dadores quando existe sempre necessidade de sangue. Os avanços e recuos verificados nesta matéria somente contribuem para o aumento do estigma em relação às pessoas homossexuais que em nada favorece uma sociedade que se quer livre, inclusiva e democrática.

Deverão ser os comportamentos de risco a determinar a exclusão da doação de sangue,sejam homens ou mulheres, homossexuais ou heterossexuais e não outro qualquer factor arbitrário e discriminatório que parte de pressupostos estereotipados. 

A homossexualidade não é sinónimo de comportamentos de risco, tal como aheterossexualidade não é garantia da sua ausência! Quantas vezes teremos que o dizer?

Nem a ciência, nem as estatísticas, nem os princípios da não discriminação e da igualdade justificam tal comportamento por parte do Ministério da Saúde pelo que exigimos, por isso, a adopção urgente das medidas solicitadas na Resolução adoptada na AR. 

Organizações subscritoras: Amplos, ATTAC, Ilga Portugal, Médicos pela Escolha, Não te prives, Panteras Rosa, Poly Portugal, Portugal Gay, Rede Ex Aequo, SOS Racismo, UMAR


D. Duarte e as criancinhas...

por portugalgay domingo, 16 Maio 2010 11:47

Cópia da entrevista dada ao DN de hoje.

 

Há questões, como o divórcio, que na Monarquia seriam impossíveis!
Hoje em dia é mais fácil despedir a mulher ou o marido do que um funcionário de uma empresa. Ora, a estabilidade de um emprego não é mais importante do que a estabilidade da família.

A questão do aborto também?
A lei do aborto livre é para muitos uma lei que escraviza as mulheres porque hoje ela pode ser obrigada a abortar pelos patrões, amantes e pais. Esta é a situação de muitas mulheres, pois é raro que queiram abortar por vontade própria. Esta lei, que as escraviza, é ultraliberal e ultracapitalista e não percebo como é que a esquerda em Portugal apoia isto.

Uma esquerda que também apoia o casamento homossexual...
Esse é um problema mais complicado porque há uma confusão entre o direito a viver junto, a ter alguns benefícios fiscais, a ter certo reconhecimento legal para pessoas que querem partilhar a sua vida e que muitas vezes até podem ser duas velhas amigas, vizinhas ou irmãos. A legislação sobre o casamento tem basicamente o objectivo de proteger as crianças e creio que não se devia confundir o casamento como unidade que pode produzir uma futura geração, educá-la e ter responsabilidades nela, com as uniões de facto que podem ser aquelas que interessam aos homossexuais. Dizia alguém – a brincar claro – que hoje os padres e os homossexuais é que se querem casar, os outros preferem as uniões de facto porque dão-lhes menos responsabilidades.


Nota de imprensa - Não Matarás

por portugalgay domingo, 16 Maio 2010 11:05

comunicado do GAT - www.gatportugal.org

NOTA DE IMPRENSA

Não Matarás!

O Cardeal Joseph Ratzinger, Papa Bento XVI, visita Portugal entre 11 e 14 de Maio, a convite da Presidência da República e da Conferência Episcopal. É possível que durante esse período Bento XVI reafirme uma série de opiniões da hierarquia católica, que pretendem influenciar o modo como os católicos e os não católicos portugueses vivem a sua vida sexual.

Tendo em conta o recorrente posicionamento da Igreja Católica em relação a questões como o VIH/SIDA, o uso de preservativos e a educação sexual – bem como a intensa difusão dada a estas declarações –, o GAT, Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA, considera importante chamar a atenção para determinados factos relacionados com a epidemia da SIDA no mundo.

As posições da Igreja Católica sobre o uso do preservativo impõem que se reflicta acerca da sua responsabilidade na infecção pelo VIH de milhões de homens, mulheres e crianças. De facto, a epidemia da SIDA já provocou mais de 40 milhões de mortes e a ONUSIDA estima que, a nível global, um quarto das pessoas seropositivas seja católico.

Há cerca de um ano, durante a sua visita ao continente Africano, Bento XVI rejeitou os preservativos como forma de combate à epidemia da SIDA. Apesar dos protestos internacionais e da comunidade científica, a Igreja Católica nunca se retractou destas afirmações.

De facto, com estas declarações, Bento XVI coloca-se ao nível dos que não defendem a vida e contraria as posições oficiais da Organização Mundial de Saúde e das agências das Nações Unidas que, num documento divulgado no ano passado, afirmam que “o preservativo é um elemento crucial numa estratégia integrada, efectiva e sustentável na prevenção e tratamento do VIH”.

Luís Mendão, presidente do GAT, alertou que “as declarações inaceitáveis do Papa colocam em risco a vida de milhões de católicos que terão de viver no dilema de seguir as orientações da Igreja e tentar manter-se não infectados”.

Desde o início da epidemia, a condenação do uso do preservativo por João Paulo II e posteriormente por Bento XVI constituiu um enorme obstáculo na luta contra a SIDA no mundo e, em especial, no continente Africano.

Essas declarações do Papa são ainda mais graves se tivermos em conta que em numerosos países em desenvolvimento a Igreja Católica ocupa um lugar de destaque nos cuidados de saúde; ou ainda, pelo facto de facilitar que as autoridades reduzam as suas politicas de prevenção ou acesso aos preservativos em países ou contextos em que a Igreja Católica está presente.

Actualmente podemos considerar que as políticas de prevenção baseadas exclusivamente na abstinência e na fidelidade são um fracasso, por um lado porque a abstinência sexual não é humanamente aceitável, por outro porque não são sustentáveis a longo prazo. Estes programas, postos em prática por influência da moral religiosa, desviaram os governos das verdadeiras políticas de prevenção.

Menos de 20% da população mundial tem acesso aos preservativos apesar da epidemia afectar quase 40 milhões de pessoas e de continuar a expandir-se. O número de novas infecções continua superior ao número de pessoas que iniciam tratamento.

Apesar da compaixão manifestada pela Igreja Católica face às pessoas seropositivas e do facto de esta afirmar que cuida de 25% dos doentes de todo o mundo, não podemos ignorar, ou melhor insistimos em afirmar, que as posições sobre o uso do preservativo da hierarquia católica contribuem para milhões de novas infecções pelo VIH.

«Este divórcio absoluto entre a realidade da sexualidade humana e as posições dogmáticas da Igreja Católica demonstra uma insensibilidade que se aproxima da irresponsabilidade. Esperamos que os católicos portugueses que não se revêem nessa posição da hierarquia católica façam ouvir com força as suas vozes de condenação», frisou ainda o responsável do GAT.

A Direcção do GAT, 12 de Maio de 2010


Imaginem se fosse homossexual? (Parte II)

por portugalgay sábado, 15 Maio 2010 00:32

Imaginem se fosse homosexual?

por portugalgay sexta-feira, 14 Maio 2010 16:19

O "Alarme Social" é uma coisa gravíssima... imaginem se fosse um homem gay então!

http://www.publico.pt/Educação/camara-de-mirandela-vai-tomar-decisao-sobre-professora-que-posou-para-playboy_1437255

 

 


Medicação e Pacheco Pereira

por portugalgay quinta-feira, 14 Janeiro 2010 14:36

http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/noticias-pais/2010/1/pacheco-pereira-ps-nao-avanca-com-adopcao-por-casais-homossexuais-por-causa-do-risco-de-pederastia08.htm

Quando o mundo está em linha de mudança, quando parece que afinal deixa de haver cidadãos de primeira e de segunda, eis que surge o impensável, ou não!

Pacheco Pereira, deputado do PSD, deve ter trocado a medicação, e por isso teve aquilo que se espera um momento de delírio.

A questão encoberta que ninguém quer falar é a adopção por casais do mesmo sexo, em especial das mulheres homossexuais, que desejam ter sexo com pessoas mais novas que elas, seja procuram perpetrar actos de pederastia.

No meio daquele surto Pacheco Pereira teve pelo menos a lucidez de dizer que não era para confundir pedofilia com pederastia, eram coisas diferentes.

São de facto, mas os efeitos secundários da troca medicamentosa que deve ter feito, fizeram-no afirmar que esse é o assunto escondido e aquilo que as em especial as mulheres lésbicas anseiam porque a historia o diz que é assim.

A história recente também nos diz que são os familiares directos, que violam menores, com centenas de vítimas, a história recente diz-nos que padres são predadores dentro das quatro paredes onde acolhem menores desprotegidos.

Mas nunca vi o Dr Pacheco Pereira a falar desse assunto que todos evitam, na defesa do supremo interesse das crianças e de punir os agressores.

As palavras proferidas por Pacheco Pereira não só são ofensivas, como ultrajante, e agressivo para com a dignidade das mulheres lésbicas e mães, bem como para toda a sociedade em geral.

Dizer que os homossexuais, em especial as mulheres homossexuais querem adoptar para assim conseguirem satisfazer instintos pederastas, devia suscitar das forças políticas e de justiça deste país uma repreensão violenta ao Sr Dr Pacheco Pereira.

Lamento que estejamos todos a pagar para sermos, não apenas os homossexuais masculinos e ou femininos, mas todas as pessoas de bem, com afirmações do género.

João Paulo
Editor PortugalGay.pt


Tudo muito católico

por portugalgay terça-feira, 17 Novembro 2009 23:54

Foi ontem que na Universidade Católica em Lisboa que aconteceuum debate... ou melhor: uma sessão de esclarecimento, sobre o Casamento homossexual.

Os oradores foram escolhidos de forma a serem imparciais, pois esperava-se esclarecer uma plateia que ainda não teria entendido bem aquilo a que se propôs o Partido Socialista durante a campanha eleitoral, e agora também apresentado no plano do Governo.
Foram oradores o Padre Gonçalo Portocarrero Almada, e o Padre Nuno Serras Pereira. Completamente imparciais os dois oradores deram uma visão do casamento civil, ao longo da história, ou mais ou menos isso. Contudo introduziram uma alteração ao termo, deixando a determinada altura de se chamar Casamento Civil, para ser Matrimónio Civil.
Que apropriado, ou não estivéssemos nós na Universidade Católica, e não fossem os interlocutores representantes de uma instituição especialista em servir a Deus e ao Diabo. Verdadeiros especialistas em iludir o povo com discursos de clemência, de alusão ao amor, fraterno ou não, e de muito sofrimento para que os mais incautos se sintam impelidos a seguir as suas ideias, os seus propósitos e sintam que devem apoiar as suas posições e teses.
Mas devo confessar de que se por um lado me torci de agonia ao escutar as apresentações de um e outro, por outro lado pude saborear, diria mesmo deliciar-me, que os súbditos - ou supostos súbditos - não mais pensam pela cabeça dos outros e tem as suas próprias posições, as suas próprias leituras da realidade, e daquilo que deve ser uma sociedade justa.
Assim desde já o meu bem-haja ás intervenções dos que na fase das perguntas e respostas, se mostraram insatisfeitos com o "não-esclarecimento" prestado.
Bem... como facilmente perceberam estava a ser irónico quanto à imparcialidade dos oradores, porque aquilo a que se assistiu na “não” sessão de esclarecimento, foi a apresentação, algo suave é verdade, do ministério da fé, ou daquilo que é a posição da Igreja, pelo que penso esta sessão deveria ter-se chamado, “A posição da ICAR sobre o Casamento entre pessoas do mesmo sexo!”.
Vou tentar reproduzir algumas das afirmações e/ou noções que foram proferidas pelos oradores.
O primeiro orador,Portocarrero, até começou bem, questionando como poderia um Padre opinar sobre o Casamento Civil, não sendo este um direito canónico, mas sim civil?
Começou, lá isso começou. E embora o deva cumprimentar pela sua brilhante apresentação, um orador de excelência, aquilo que escolheu dizer foi algo que se ficou pela demagogia barata com uma série de argumentos vazios, observando a realidade actual das diferentes estruturas familiares, e das posturas da ICAR ao longo da historia relativamente ás ditas minorias, e perante uma grande maioria que são as mulheres.
Uma das suas primeiras afirmações foi dirigida ao Português, enquanto língua, que por vezes é usado de forma a iludir e originar conflitos. Citando o caso particular do aborto, que agora se chama IVG (interrupção voluntária da gravidez). Mas os termos foram mudando ao longo dos anos em diversos locais e não se vê grande alarme nisso. Por exemplo, as "contínuas", agora chamam-se “pessoal de acção educativa”, será que estamos a iludir alguém? Depois penso que deviam até ficar contentes pois se a moda de dar novos nomes ás coisas está tão viva na sociedade e na política isso deve-se á mestria da Igreja, que conseguiu (e ainda consegue) ler e reler a Bíblia Sagrada, dando tantos significados quanto aqueles que são precisos no momento.
Depois fiquei a saber que os homossexuais não têm uma relação matrimonial, porque isso é algo apenas relativo aos heterossexuais.
Mas a minha aprendizagem continuou: fiquei a saber que afinal o Código Civil tal como o conhecemos não impede os homossexuais de casar, afinal qualquer homem homossexual pode casar com uma mulher, tal como uma mulher lésbica pode casar com um homem. Por isso é "falaciosa" a nossa pretensão de alterar código civil.
E mais á frente a plateia foi informada que ao Direito não lhe interessa saber a orientação sexual, ou quaisquer outras características dos nubentes. Mais: a discriminação é um sinónimo de respeito pelas distinções existentes em cada um.
“O casamento que não observe a essência do casamento, não é um casamento e por isso é uma fraude” e “Não queremos [os homossexuais] casar, queremos viver juntos, porque aquilo que queremos não é casamento”. Estas foram algumas afirmações que deixo á vossa consideração.
Mas vamos então para a palavra que cada vez mais me deixa com mais dúvidas: “natural”. Esta palavra surge na apresentação de Portocarrero, aliada ao matrimónio, na frase, “o matrimónio natural não decorre de nenhuma repercussão religiosa ou jurídica”, e por isso “abrir o casamento civil a homossexuais, é abrir a caixa de Pandora, porque um mal nunca vem só”.
Ora Senhor Padre não poderíamos estar mais esclarecidos, seja casar é mau, mas na se preocupe, nós seres humanos imperfeitos, estamos habituados a sofrer e queremos por isso aceder a este “mal”, porque acreditamos que o amor que nos une será capaz de o transformar em algo positivo.
O Padre Gonçalo Portocarrero Almada, termina dizendo que tempos difíceis vem a caminho para as famílias Portuguesas. Parece-me que não reparou que a crise económica e a falta de emprego já cá estão, porque no que se refere ao Casamento Civil quase tudo fica na mesma. Apenas mudará o facto de que a minha relação de 14 anos vai poder ser oficializada pelo Estado Português, como oficial são os impostos que religiosamente pago desde sempre.
Mas não nos poderemos esquecer que eram dois oradores, e o segundo, embora não goze do dom da oratória, tem uma oratória que no seu conteúdo é de gozo.
Serras Pereira, começa por dizer que o seu antecessor não merecia as palmas que estava a receber, mas sim muitas mais. Coisa que depois da apresentação de Serras Pereira não poderia estar mais de acordo.
Então aqui fica uma das primeiras afirmações: "as pessoas nascem 'barão' e mulher, podem ter acidentes de percurso que podem ser alvo de correcção”. Fiquei logo alvoraçado porque na sei porque os homens são “barões” e as mulheres não podem ser “baronesas” (será que é da prenuncia do norte?) Mas por outro lado fico satisfeito que o Sr. Padre tenha no seu discurso uma alusão ás pessoas transexuais.
Mas a minha inquietação manteve-se com as frase seguintes: “a relação sexual é a realização de um acto entre duas pessoas diferentes [de sexo diferente], … a única coisa que só pode ser feita por duas pessoas, um homem e uma mulher, … tudo que seja diferente disto não é uma complementaridade”
Ora muito me surpreende que a ICAR tenha um discurso tão virado para o sexo carnal, esperava-os castos, e promotores do sexo reprodutivo, mas pelos vistos afinal o sexo é bom, deve ser praticado, e é a essência do casamento.
No entanto outros dogmas da ICAR não mudam, se não vejamos como apresenta Serras Pereira a "Criação do Mundo": Adão "representa a humanidade". Adão andava metido naquilo que faz rir, entra em transe e é-lhe retirada uma costela (qual Deus a fazer de ladrão de rins) de onde nasce a mulher, esse ser inferior. Perante isto a humanidade/Adão grita de espanto: "um ser igual a mim!".
Confesso que fiquei desordenado, e ao mesmo tempo com a ideia de que Eva afinal era uma Transexual M to F. Até imaginei no meu miolo uma cena animada com o Adão aos saltitos no paraíso a brincar ás casitas com Eva.
Mas depois fiquei realmente perturbado: "a semente de Deus é o sémen de Deus, que vem fecundar mais um filho para a ICAR" - isto no ritual do baptismo - assim o disse Serras Pereira. Eu tenho cá para mim que a água do baptismo é o símbolo da pureza e não do esperma de Deus, isto pareceu-me tudo um pouco repugnante... mas quem sou eu?
Mas a altercação realmente medieval veio pouco de depois, qual bicho papão que atormenta as mentes mais incautas: "Aprovar o casamento civil entre homossexuais, trás consigo a aprovação de outras uniões como o incesto, a poligamia, entre grupos, dos bissexuais, e até com animais." Imagine-se os frades todos do convento a casarem-se uns com os outros! Deus nos livre e guarde! E eu a pensar que tais argumentos básicos tinham sido abandonados há largos anos depois dos debates sobre os casamentos inter-raciais.
Devo ainda confessar, já que estamos a falar de padres, que fiquei maravilhado com o profundo conhecimento de Serras Pereira sobre as actividades deleitosas a que os praticantes da homossexualidade se dedicam. Desde o uso de "utensílios sintéticos e/ou orgânicos introduzidos no ânus" por essas pessoas passando pelas práticas de Sado-maso e até às conhecidissimas "golden-queens". Aparentemente estas actividades estão obstadas pela Santa Madre Igreja de serem realizadas pelas pessoas heterossexuais... aparentemente tal medida não teve grande efeito prático.
"50% das violações de menores são perpetradas por homossexuais" foi a revelação científico-teológica seguinte que, face à forma como a Igreja Católica trata a questão do abuso sexual de menores só pode ser resultado de um qualquer decreto Papal "porque sim". Como os decretos Papais que esconderam os abusadores Católicos das autoridades civis "porque sim".
"Depois da aprovação do casamento civil para pessoas do mesmo sexo, a seguir vem a opressão com base nos actos tidos como homofóbicos, e sendo assim pessoas como os padres que estejam a ler uma qualquer passagem da bíblia que seja considerada homofóbica correm o risco de ir presas". É preciso mesmo ter muita desventura: com milhares de passagens para escolher na bíblia, foram logo pegar naquelas duas que rejeitam a homossexualidade... não haverá mais nada de interessante para ler?
Serras Pereira vai mais longe, e afirma que as pessoas homossexuais não são seres felizes: "não acredito que essa pessoa [homossexual] seja feliz, sei por experiência própria e de vida, que essa pessoa não pode ser feliz contrariando os mandamentos de Deus". Novamente a dúvida! A surpresa! Que experiências terá tido Serras Pereira para ficar tão abalado? Se calhar foi na mesma circunstância em que deleitou-se com as "Golden-Queens"...
Termino com uma questão colocada por um dos jovens. Queria ele saber como sustentavam os dois oradores que o casamento civil seja apenas para heterossexuais, ou apenas realizável entre um homem e uma mulher. Na resposta Padre Portocarrero diz "o contexto natural da procriação é o matrimónio, algo fora disso é ofensivo à condição humana". Ficamos esclarecidos que mais de 1 em cada 4 crianças em Portugal é uma ofensa à condição humana (por nascerem fora do casamento).
Mas a melhor parte do "debate" foi quando um jovem tentou, em vão, colocar a sua pergunta sobre o casamento civil e a presidente da Associação Mulheres em Acção, Alexandra de Almeida Teté, levanta-se do seu lugar, e em consonância com a restante plateia que vaiava o dito aluno desde o início, retira a este o microfone da mão, dizendo que "o direito só vai proteger aquilo que é o bem comum".
Tudo muito católico como se vê.

Sangue, Insultos e Ciência

por portugalgay terça-feira, 21 Julho 2009 23:45

O Ministério da Saúde emitiu há dias uma missiva esclarecendo os deputados do Bloco de Esquerda que a exclusão na dádiva de sangue de homens que tivessem tido sexo com homens em Portugal era uma medida com o aval do governo e que advinha da “necessidade de garantir que os potenciais doadores não têm comportamentos de risco”.

Não posso deixar de exprimir a minha repulsa por este tipo de lógica invertida e insultuosa.

Insultuosa porque considera que um homem que tenha tido sexo com outro homem é de alguma forma inferior a um homem que não tenha tido sexo ou tenha tido sexo com milhares de mulheres.

Insultuosa porque ignora os verdadeiros comportamentos de risco concretos como ter múltiplos parceiros anónimos ou ter sexo anal desprotegido (que acontece muito mais vezes entre homens e mulheres do que entre homens) preferindo catalogar todos os homens que não oprimem a sua orientação sexual minoritária.

Insultuosa porque vem dar agora o dito por não dito: no passado o mesmo partido da Senhora Ministra veio a público dizer que não, que não havia nenhuma exclusão de homens que tivessem tido sexo com homens nas dádivas de sangue e que os casos reportados pelas associações eram coisas pontuais… vamos a ver e afinal a Senhora Ministra até está 100% a favor de tal medida.

Insultuosa porque alega não haver “qualquer discriminação fundada na orientação sexual dos potenciais doadores” tentando passar a ideia que a orientação sexual e a actividade sexual dos indivíduos são coisas completamente independentes.

Insultuosa porque ignora as recomendações internacionais de que cada país deve ter a sua própria política de triagem de doadores de sangue tendo em conta as suas próprias particularidades. Deve ser pela mesma razão que a Senhora Ministra ignora o facto de que em Espanha não há exclusão de homens que tem sexo com homens como doadores e pela mesma razão que ao ler a diretivas européias que recomendam políticas adequadas, a entende como uma ordem inequívoca para excluir homossexuais.

É importante haver uma política séria de triagem de doadores de sangue. É essencial garantir a segurança das pessoas que recebem dádivas de sangue.

Mas tal não se faz com políticas baseadas em preconceitos e sem fundamentação científica real que analisa as variáveis necessárias.

João Paulo
PortugalGay.pt

O cientista fez um teste com uma rã para ver em que situações a rã saltava.
Colocou a rã numa caixa e disse “rã salta!”, e ela saltou.
Cortou uma perna à rã e a rã mesmo assim saltou quando comandada.
Cortou outra perna à rã e a rã mesmo assim saltou quando comandada.
Cortou a 3ª perna à rã e a rã mesmo assim saltou só com uma pernita quando o cientista disse “rã salta!”.
Finalmente cortou a 4ª perna à rã e mesmo repetindo múltiplas vezes “rã salta!”, a rã não saiu do sítio.
Conclusão do “cientista”: rã sem pernas não ouve.

 


É possivel 'reajustar' a orientação sexual de alguém?

por portugalgay terça-feira, 26 Maio 2009 10:28

Comunicado

Tomada de Posição da Direcção da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica
Sobre Terapias para Mudar a Orientação Sexual

A Direcção da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica vem por este meio tomar uma posição pública face à recente discussão decorrente da reportagem publicada no Jornal Público de 2/5/2009 acerca da utilização de terapias de reorientação ou reconversão sexual.

Os estudos realizados em diversos campos, nomeadamente nos da História, Antropologia, Sociologia, Psicologia e da própria Medicina revelam que qualquer associação da homossexualidade com patologia é desprovida de sentido e desde 1973 que a Associação Americana de Psiquiatria, reconhecendo esta evidência, a retirou da sua lista de doenças mentais e passou a condenar explicitamente qualquer tentativa daquilo a que alguns chamam
reorientação ou reconversão . Duas décadas mais tarde, em 1992, a Organização Mundial de Saúde assumiu a mesma posição. Desta forma, a actual controvérsia parte de posições que contrariam claramente as directrizes da mesma Organização.

Assim:

A orientação sexual não heterossexual não é uma doença, perturbação ou síndroma clínico (APA, 1973). Não faz, portanto, sentido que técnicos de saúde mental usem para tratar a orientação sexual técnicas e procedimentos terapêuticos que visam melhorar a vida das pessoas e não servir convicções pessoais de cariz moral. Acresce que a utilização destes procedimentos indevidamente poderá agravar o sofrimento de quem procura ajuda por motivos associados à orientação sexual (Sandfort 2003).

É verdade que a orientação sexual não heterossexual está muitas vezes associada a sofrimento psicológico, exclusão social e familiar, bullying, efeitos da homofobia social, violência, discriminação profissional, heterossexismo e homofobia internalizada. De resto, os efeitos da homofobia fazem-se sentir em diferentes momentos do ciclo de vida e sobretudo nos períodos de transição psicológica e social, logo, de maior vulnerabilidade. Por isso mesmo, promover a adequação e diminuir o sofrimento pessoais, caso existam, de quem apresenta uma orientação homo ou bissexual, requer a mobilização de agentes educativos, cidadãos e técnicos para a luta por um sociedade mais justa, não discriminatória e não homofóbica.

Em termos especificamente profissionais, os técnicos de saúde mental, quando procurados, podem recorrer aos procedimento adequados para ajudar as pessoas não heterossexuais a aceitar de um modo pacífico a sua orientação sexual e/ou mesmo a assumi-la. Importante é salientar que caso um profissional de saúde mental não se sinta capacitado para intervir de acordo com as orientações clínicas e éticas internacionais, por dificuldades pessoais em face da situação ou falta de formação adequada, é seu dever encaminhar quem o procura para os serviços, técnicos ou associações que o podem fazer, sob pena de trair a confiança que em si foi depositada.

A Direcção da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica,

Pedro Nobre
Júlio Machado Vaz
Ana Carvalheira Santos
Jorge Cardoso
Patrícia Pascoal
Sandra Vilarinho
Tiago Reis Marques