Carta Aberta à TVI

por portugalgay sexta-feira, 30 Julho 2010 01:05

Carta Aberta

Ao Director-Geral e Administrador da TVI

Ao Director-Geral da Plural Portugal

À Administração da Média Capital

 

Assunto: Cancelamento, pela TVI, de uma cena de afectividade entre casal de namorados, na série "Morangos com Açúcar"

29 de Julho de 2010

 

Exmo. Sr. Bernardo Bairrão,

Exmo. Sr. André Cerqueira

Exma. Sr.ª Ana Esteves,

 

Tomámos conhecimento, através de notícia publicada no Jornal de Notícias a 19 de Julho de 2010, da decisão de cancelar a emissão de uma cena de afectividade protagonizada por um casal de rapazes na série "Morangos com Açúcar". Segundo informa a mesma fonte, a cena, que inclui um beijo entre os dois rapazes, foi gravada pelos autores da série e rejeitada pela direcção de programas da TVI. Procuramos com a presente carta obter um esclarecimento quanto ao porquê desta decisão e alertar para o impacto extremamente negativo da mesma.

Entendemos não existir justificação para a não emissão de qualquer conteúdo que expresse a diversidade de afectos e relacionamentos que existem na sociedade, tendo em conta os critérios avaliados para o horário e público a que se destina a série, mas sempre com respeito pelo compromisso de igualdade consagrado na Constituição da República Portuguesa (Art. 13º), no Tratado da União Europeia (Art. 10º) e na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia (Art. 21º), que no caso aqui apresentado se relaciona directamente com um tratamento desigual baseado na orientação sexual das personagens. 

Qual é a gravidade desta infracção? Tratando-se de uma série de jovens para jovens, em emissão desde 2003, com um público substancial que encontra nela um retrato das vidas de sucesso, complicações, dramas e conquistas da juventude portuguesa, compreendemos ser importante que o desenvolver da série “Morangos com Açúcar” seja inclusivo e se estenda sem discriminações à realidade de jovens lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros (LGBT) em Portugal.

A visibilidade positiva e a informação correcta sobre orientação sexual e identidade de género são aspectos cruciais na desmistificação destes assuntos, na educação de mentalidades e no desenvolver de uma personalidade e capacidades sãs entre jovens com uma orientação sexual minoritária, que, infelizmente, não contam ainda com modelos positivos no seu dia-a-dia devido à discriminação e ao preconceito. 

A comunicação social e os média desempenham um papel importantíssimo nesta área, tendo o direito e o dever de retratar e noticiar, sem medo ou preconceito, mas com respeito e verosimilhança, as histórias desta camada da população, honrando e apoiando todos aqueles que ainda sofrem constantemente pelo preconceito direccionado pela sua orientação sexual ou identidade de género.

A omissão de personagens LGBT e de cenas que retratem o dia-a-dia destas pessoas, com dúvidas e receios tão legítimos quanto os de seus pares heterossexuais, e que fazem parte da vida de milhares de jovens no nosso país, é absolutamente preocupante, descaracteriza a série em relação à sociedade que pretende retratar e isola muitas crianças e adolescentes que encontram um sinal positivo na história das personagens Nuno e Fábio e na aparente legitimidade que a TVI confere à mesma, revelando-se afinal discriminatória e incapaz de respeitar as vivências destes jovens no seu todo.

Esta decisão reduz a existência e os sentimentos destes adolescentes e propicia a invisibilidade, veiculando a ideia de que são menos dignos que os seus pares heterossexuais, sentimentos e pensamentos que levam à instabilidade emocional e que poderão expressar-se no maior isolamento, insegurança, repressão, desrespeito próprio, auto-mutilação, tentativa e ideação de suicídio, como tem sido recentemente documentado. 

Vivemos numa época em que estão reunidas todas as condições para o apoio e o respeito às pessoas LGBT, e estamos certos/as que a sociedade portuguesa está mais do que preparada para assistir às imagens desta história de amor, que afinal é igual a tantas outras. Pedimos que não deixem de participar e de contribuir de forma positiva para esta educação de mentalidades, repondo a cena cujo cancelamento representa uma infracção das normas nacionais e internacionais dos direitos humanos e um sinal triste de retrocesso civilizacional.

Com os nossos melhores cumprimentos, 

As Associações:

 

ATTACILGA Portugalnão te prives;Panteras RosaPolyPortugalPortugalGay.pt;rede ex aequoRede Portuguesa de Jovens para a Igualdade de Oportunidades entre Mulheres e HomensUMAR


Nota de imprensa - Não Matarás

por portugalgay domingo, 16 Maio 2010 11:05

comunicado do GAT - www.gatportugal.org

NOTA DE IMPRENSA

Não Matarás!

O Cardeal Joseph Ratzinger, Papa Bento XVI, visita Portugal entre 11 e 14 de Maio, a convite da Presidência da República e da Conferência Episcopal. É possível que durante esse período Bento XVI reafirme uma série de opiniões da hierarquia católica, que pretendem influenciar o modo como os católicos e os não católicos portugueses vivem a sua vida sexual.

Tendo em conta o recorrente posicionamento da Igreja Católica em relação a questões como o VIH/SIDA, o uso de preservativos e a educação sexual – bem como a intensa difusão dada a estas declarações –, o GAT, Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA, considera importante chamar a atenção para determinados factos relacionados com a epidemia da SIDA no mundo.

As posições da Igreja Católica sobre o uso do preservativo impõem que se reflicta acerca da sua responsabilidade na infecção pelo VIH de milhões de homens, mulheres e crianças. De facto, a epidemia da SIDA já provocou mais de 40 milhões de mortes e a ONUSIDA estima que, a nível global, um quarto das pessoas seropositivas seja católico.

Há cerca de um ano, durante a sua visita ao continente Africano, Bento XVI rejeitou os preservativos como forma de combate à epidemia da SIDA. Apesar dos protestos internacionais e da comunidade científica, a Igreja Católica nunca se retractou destas afirmações.

De facto, com estas declarações, Bento XVI coloca-se ao nível dos que não defendem a vida e contraria as posições oficiais da Organização Mundial de Saúde e das agências das Nações Unidas que, num documento divulgado no ano passado, afirmam que “o preservativo é um elemento crucial numa estratégia integrada, efectiva e sustentável na prevenção e tratamento do VIH”.

Luís Mendão, presidente do GAT, alertou que “as declarações inaceitáveis do Papa colocam em risco a vida de milhões de católicos que terão de viver no dilema de seguir as orientações da Igreja e tentar manter-se não infectados”.

Desde o início da epidemia, a condenação do uso do preservativo por João Paulo II e posteriormente por Bento XVI constituiu um enorme obstáculo na luta contra a SIDA no mundo e, em especial, no continente Africano.

Essas declarações do Papa são ainda mais graves se tivermos em conta que em numerosos países em desenvolvimento a Igreja Católica ocupa um lugar de destaque nos cuidados de saúde; ou ainda, pelo facto de facilitar que as autoridades reduzam as suas politicas de prevenção ou acesso aos preservativos em países ou contextos em que a Igreja Católica está presente.

Actualmente podemos considerar que as políticas de prevenção baseadas exclusivamente na abstinência e na fidelidade são um fracasso, por um lado porque a abstinência sexual não é humanamente aceitável, por outro porque não são sustentáveis a longo prazo. Estes programas, postos em prática por influência da moral religiosa, desviaram os governos das verdadeiras políticas de prevenção.

Menos de 20% da população mundial tem acesso aos preservativos apesar da epidemia afectar quase 40 milhões de pessoas e de continuar a expandir-se. O número de novas infecções continua superior ao número de pessoas que iniciam tratamento.

Apesar da compaixão manifestada pela Igreja Católica face às pessoas seropositivas e do facto de esta afirmar que cuida de 25% dos doentes de todo o mundo, não podemos ignorar, ou melhor insistimos em afirmar, que as posições sobre o uso do preservativo da hierarquia católica contribuem para milhões de novas infecções pelo VIH.

«Este divórcio absoluto entre a realidade da sexualidade humana e as posições dogmáticas da Igreja Católica demonstra uma insensibilidade que se aproxima da irresponsabilidade. Esperamos que os católicos portugueses que não se revêem nessa posição da hierarquia católica façam ouvir com força as suas vozes de condenação», frisou ainda o responsável do GAT.

A Direcção do GAT, 12 de Maio de 2010


Ricky Martin

por portugalgay terça-feira, 30 Março 2010 15:04

http://www.rickymartinmusic.com/portal/news/news.asp?item=114532


VERSION ESPAÑOL

3/29/2010

En los últimos meses me di a la tarea de escribir mis memorias.

VIEW ENGLISH VERSION BELOW

En los últimos meses me di a la tarea de escribir mis memorias. Un proyecto que sabia seria uno verdaderamente importante para mi porque desde que escribí la primera frase me di cuenta que seria la herramienta que ayudaría a liberarme de cosas que venia cargando desde hace mucho tiempo. Cosas que pesaban demasiado. Escribiendo este minucioso inventario de mi vida, me acerque a mis verdades. Y esto es de celebrar!

Si existe un lugar que me llena porque estremece mis emociones, es el escenario, es mi vicio. La música el espectáculo, el aplauso, estar frente a un publico me hace sentir que soy capaz de cualquier cosa. Es un tipo de adrenalina y euforia que no quiero que deje de correr por mis venas jamás. Si ustedes, el publico y la musa me lo permiten, espero seguir en los escenarios muchos años mas. Pero hoy la serenidad me lleva a un lugar muy especial, uno de reflexión, comprensión y mucha iluminación. Me siento libre! Y lo quiero compartir.

Mucha gente me dijo que no era importante hacerlo, que no valía la pena, que todo lo que trabaje y todo lo que había logrado se colapsaría. Que muchos en este mundo no estarían preparados para aceptar mi verdad, mi naturaleza. Y como estos consejos venían de personas que amo con locura, decidí seguir adelante con mi "casi verdad". MUY MAL. Dejarme seducir por el miedo fue un verdadero sabotaje a mi vida. Hoy me responsabilizo por completo de todas mis decisiones, y de todas mis acciones.

Y si me preguntaran el dia de hoy ¿Ricky, a que le tienes miedo? Les contestaría - "a la sangre que corre por las calles de los países en Guerra, a la esclavitud sexual infantil, al terrorismo, al cinismo de algunos hombres en el poder, al secuestro de la fe". Pero miedo a mi naturaleza, a mi verdad? NO MAS! Al contrario, estas me dan valor y firmeza. Justo lo que necesito para mi y para los míos, y mas ahora que soy padre de 2 criaturas que son seres de luz. Tengo que estar a su altura. Seguir viviendo como lo hice hasta hoy, seria opacar indirectamente ese brillo puro con el cual mis hijos han nacido. BASTA YA! LAS COSAS TIENEN QUE CAMBIAR! Estoy claro que esto no se supone que pasara hace 5 ni hace 10 años atrás . Esto se supone que pasara hoy. Hoy es mi dia, este es mi tiempo, mi momento.

Que pasara de ahora en adelante? Quien sabe. Solo me puedo enfocar en lo que estoy viviendo ahora. Estos años en silencio y reflexión me han fortalecido y me recordaron que el amor vive dentro de mi, que la aceptación la encuentro en mi interior, y que la verdad solo trae la calma. Hoy para mi el significado de la felicidad toma otra dimensión

Ha sido un proceso muy intenso, angustiante y doloroso pero también liberador. Les juro que cada palabra que están leyendo aquí nace de amor, purificación, fortaleza, aceptación y desprendimiento. Que escribir estas líneas es el acercamiento a mi paz interna, parte vital de mi evolución. Hoy ACEPTO MI HOMOSEXUALIDAD como un regalo que me da la vida. ¡Me siento bendecido de ser quien soy!-

RM


ENGLISH VERSION

A few months ago I decided to write my memoirs, a project I knew was going to bring me closer to an amazing turning point in my life. From the moment I wrote the first phrase I was sure the book was the tool that was going to help me free myself from things I was carrying within me for a long time. Things that were too heavy for me to keep inside. Writing this account of my life, I got very close to my truth. And thisis something worth celebrating.

For many years, there has been only one place where I am in touch with my emotions fearlessly and that's the stage. Being on stage fills my soul in many ways, almost completely. It's my vice. The music, the lights and the roar of the audience are elements that make me feel capable of anything. This rush of adrenaline is incredibly addictive. I don't ever want to stop feeling these emotions. But it is serenity that brings me to where I'm at right now. An amazing emotional place of comprehension, reflection and enlightenment. At this moment I'm feeling the same freedom I usually feel only on stage, without a doubt, I need to share.

Many people told me: "Ricky it's not important", "it's not worth it", "all the years you've worked and everything you've built will collapse", "many people in the world are not ready to accept your truth, your reality, your nature". Because all this advice came from people who I love dearly, I decided to move on with my life not sharing with the world my entire truth. Allowing myself to be seduced by fear and insecurity became a self-fulfilling prophecy of sabotage. Today I take full responsibility for my decisions and my actions.

If someone asked me today, "Ricky, what are you afraid of?" I would answer "the blood that runs through the streets of countries at war...child slavery, terrorism...the cynicism of some people in positions of power, the misinterpretation of faith." But fear of my truth? Not at all! On the contrary, It fills me with strength and courage. This is just what I need especially now that I am the father of two beautiful boys that are so full of light and who with their outlook teach me new things every day. To keep living as I did up until today would be to indirectly diminish the glow that my kids where born with. Enough is enough. This has to change. This was not supposed to happen 5 or 10 years ago, it is supposed to happen now. Today is my day, this is my time, and this is my moment.

These years in silence and reflection made me stronger and reminded me that acceptance has to come from within and that this kind of truth gives me the power to conquer emotions I didn't even know existed.

What will happen from now on? It doesn't matter. I can only focus on what's happening to me in this moment. The word "happiness" takes on a new meaning for me as of today. It has been a very intense process. Every word that I write in this letter is born out of love, acceptance, detachment and real contentment. Writing this is a solid step towards my inner peace and vital part of my evolution.

I am proud to say that I am a fortunate homosexual man. I am very blessed to be who I am.

RM


Tags:

Medicação e Pacheco Pereira

por portugalgay quinta-feira, 14 Janeiro 2010 14:36

http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/noticias-pais/2010/1/pacheco-pereira-ps-nao-avanca-com-adopcao-por-casais-homossexuais-por-causa-do-risco-de-pederastia08.htm

Quando o mundo está em linha de mudança, quando parece que afinal deixa de haver cidadãos de primeira e de segunda, eis que surge o impensável, ou não!

Pacheco Pereira, deputado do PSD, deve ter trocado a medicação, e por isso teve aquilo que se espera um momento de delírio.

A questão encoberta que ninguém quer falar é a adopção por casais do mesmo sexo, em especial das mulheres homossexuais, que desejam ter sexo com pessoas mais novas que elas, seja procuram perpetrar actos de pederastia.

No meio daquele surto Pacheco Pereira teve pelo menos a lucidez de dizer que não era para confundir pedofilia com pederastia, eram coisas diferentes.

São de facto, mas os efeitos secundários da troca medicamentosa que deve ter feito, fizeram-no afirmar que esse é o assunto escondido e aquilo que as em especial as mulheres lésbicas anseiam porque a historia o diz que é assim.

A história recente também nos diz que são os familiares directos, que violam menores, com centenas de vítimas, a história recente diz-nos que padres são predadores dentro das quatro paredes onde acolhem menores desprotegidos.

Mas nunca vi o Dr Pacheco Pereira a falar desse assunto que todos evitam, na defesa do supremo interesse das crianças e de punir os agressores.

As palavras proferidas por Pacheco Pereira não só são ofensivas, como ultrajante, e agressivo para com a dignidade das mulheres lésbicas e mães, bem como para toda a sociedade em geral.

Dizer que os homossexuais, em especial as mulheres homossexuais querem adoptar para assim conseguirem satisfazer instintos pederastas, devia suscitar das forças políticas e de justiça deste país uma repreensão violenta ao Sr Dr Pacheco Pereira.

Lamento que estejamos todos a pagar para sermos, não apenas os homossexuais masculinos e ou femininos, mas todas as pessoas de bem, com afirmações do género.

João Paulo
Editor PortugalGay.pt


Eu não sei se infectei alguém, porque também não se preocuparam em saber se me infectaram

por portugalgay sexta-feira, 04 Dezembro 2009 10:41
Ridículo, é a palavra!

Dias atrás passou num dos canais da televisão Portuguesa uma reportagem sobre um indivíduo que se dizia seropositivo.

Ate aqui estamos todos bem, pois estávamos perto de recordar o dia internacional da luta contra a infecção pelo VIH/Sida, e como é norma tem sempre uma ou outra reportagem que nos dá uma imagem de como está a situação no momento.

Mas depois toda a reportagem surge numa visão do coitadinho, do "pobre de mim que me infectaram".

Sempre ouvi dizer que para dançar o tango são preciso dois, logo em pleno século XXI com toda a informação disponível, as pessoas "não são infectadas" mas, geralmente, "infectam-se", e embora pareça a mesma coisa, não o é!

Se este senhor está infectado é porque ele não tomou as devidas precauções, é porque ele não se soube proteger e como tal não precisa de vir dizer que o infectaram e que ele é um pobre coitado.

Faltou sem dúvida no inicio do discurso sobre o VIH em Portugal, uma atitude mais assertiva, que não tivesse sido um conjunto de políticas e acções baseadas no preconceito, e por isso muitas pessoas nem deram conta do que de facto se estava a falar, e numa postura tipicamente Portuguesa, foi-se facilitando e acreditando que era uma coisa "dos outros", particularmente dos maricas, ou de pessoas promíscuas (ainda hoje alguna pensam ser sinónimos), e que por isso a outra parte não precisava de protege-se, por isto ou aquilo.

Assim este senhor de que vos falo representa um papel ridículo, uma postura que nem no tempo do AZT se viu. Para quem não sabe ou não se recorda o AZT era a única medicação contra o VIH/SIDA no início da guerra contra este vírus e tinha extremos efeitos secundários mas que, mesmo assim, conseguiu prolongar a vida de muitas pessoas nos finais dos anos 80 dando uma esperança de vida e não uma sentença de morte.

O comentário de que dói muito tomar a medicação para o VIH é mais que uma inverdade: é um insulto a todos aqueles que de facto tem tratamentos dolorosos, como por exemplo os pacientes de cancro. O tratamento actual do VIH/SIDA tem, a bem da verdade, alguns efeitos secundários, mas na esmagadora maioria dos pacientes o diálogo com a equipa médica consegue resolver estas situações e os pacientes têm uma vida perfeitamente normal realizando todas as actividades do dia a dia.

E é um insulto ainda maior porque põe em risco a vida do senhor em causa quando se sabe que "deixar a doença andar" não é um bom método para prevenir complicações do VIH/SIDA e que, embora existam pessoas HIV+ que vivem o dia-a-dia sem medicação estas são seguidas regularmente por uma equipa médica que debate caso a caso quais as melhores estratégias terapêuticas.

E é um insulto à inteligência porque é um contra-senso: ao deixar a doença evoluir estão a fechar-se oportunidades de tratamento e as opções terapêuticas começam cada vez a ser mais limitadas, e aí sim: se a única opção disponível tiver efeitos secundários graves os médicos vêem-se com muito limitada capacidade de manobra.

Mas este testemunho é também lamentável, são mais que muitos os testemunhos de pessoas que infectadas, sentem que a vida lhes deu mais uma oportunidade, e aproveitam essa oportunidade para ver a vida de uma forma mais positiva, sendo que a única culpa que apontam é a sua.

Este senhor diz que foi infectado e que agora não quer saber dos outros e por isso não tomou precauções em uma outra situação, afirmou mesmo que já depois de saber que estava seropositivo teve relações desprotegidas, colocando em risco quem com ele se relacionou.

Pessoalmente custa-em a engolir este verdadeiro atentado contra a vida de um ser humano na forma premeditada.

E porque este tipo de tempo de antena trás sempre quem pense que aquilo que ai foi dito seja mesmo assim, aqui fica algumas sugestões.

Os centros CAD existentes no nosso pais fazem testes de forma anónima (inclusivé para estrangeiros), gratuita, e com apoio psicológico!

Não devem ir a correr fazer o teste quando tiverem uma situação de risco, devem aguardar algum tempo que varia de pessoa para pessoa, assim sugere-se que aguardem pelo menos duas a três semanas, e quando forem fazer o teste digam quando foi que
tiveram esse comportamento.

Mas se estiverem mesmo com dúvidas no "dia seguinte" o CAD também está lá para as esclarecer.

Se por ventura o teste der positivo, os CAD normalmente encaminham-vos para o hospital da área, cumpram os concelhos do vosso medico/a e vão ver que além de poderem ter uma vida sem problemas de maior, a medicação é apenas alguns comprimidos, que graças a evolução farmacêutica se pode resumir a uma toma diária.

Para que nada disto se venha a acontecer tenham sempre em mente que todo e qualquer parceiro/a sexual é um potencial portador não só de VIH mas de qualquer outra doença sexualmente transmissível.

Protejam-se e façam o favor de serem felizes.

Tags: , ,

Regiões TV - Esclarecimento sobre Falhas e Buracos

por portugalgay segunda-feira, 02 Novembro 2009 19:47

Alguns dias atrás fui convidado para ir a um canal de cabo (Regiões TV), para desvendar um pouco do PortugalGay.pt e do seu trabalho em 13 anos de existência.

Era suposto falar das mais de 20.000 páginas que ilustram o directório, as noticias, as sondagens, bem como a secção de apoio, entre outros temas como a saúde, … era ainda suposto dizer que temos mais de 5000 pessoas por dia que nos visitam pelas mais diversas razões, e que resultam em mais de cinco milhões de page views, e muito perto de dois milhões de pessoas por ano. Devia ainda falar das reportagens presentes no portugalgay.pt/tv e do número verde 800206919 o único totalmente gratuito para que as pessoas possam deixar as suas denúncias e também pedir informações e apoio, alertando que só o podemos fazer quando deixam contacto para o efeito.

Era suposto falar de tudo isto e mais, sobre o PortugalGay.pt que se confunde com o seu Editor (eu mesmo), mas estavam outros convidados presentes na entrevista, e um desses convidados era a Alexandra de Almeida Teté, representante da associação “Mulheres em Acção”.



Presente esteve também a “DJ Buondi” que se mostrou algo agradada com a postura de Teté durante a sua entrevista, tal como eu mesmo. Em pleno século XXI inda são necessárias associações que defendam a igualdade, e que a paridade não deve ser uma mera questão de retórica.

Contudo toda esta nossa concordância muda, e o abismo surge, quando, ainda não estou muito certo como, entra o tema do Casamento Civil acessível a todos e todas, em que Teté se mostra completamente contra, e adianta a sua posição também contrária á adopção por homossexuais.

Ora foi aqui que tudo que era suposto eu dizer caiu por terra, pois os entrevistadores, do programa “Chá de Frutas”, preferiram o debate entre a minha pessoa e a Teté.

Não vou descrever o debate, pois foi penoso ver alguém com responsabilidades sociais a ter posturas de uma tal profunda discriminação e preconceituosas que deixou a mim e a Dj Buondi (segundo ela mesma me disse) surpresos, para não dizer chocados, com tais posturas. Contudo acredito que este debate venha a estar presente na secção de multimédia do site da RTV (http://www.rtv.com.pt/www/).

O que me leva a escrever estas linhas não é o debate em si, mas sim algo que eu disse no calor da discussão que quero aqui deixar claro o que quis de facto dizer.

A certa altura a Senhora Alexandra Teté, diz que o que não falta são pais a querer adoptar,… e eu respondi que esses pais querem adoptar bébes, para colmatar falhas, para tapar buracos,...

Pois bem as “falhas” e “buracos” a que me refiro, não são falhas dessas pessoas ou que a vida dessas pessoas tenham buracos que precisam ser tapados, e que o serão com a adopção de bebés! Nada disso.

Aquilo a que me referia no momento é falhas da natureza, que priva alguns seres humanos da sua capacidade de fecundação, levando-os a pensar na adopção, para colmatar um vazio (buraco) que existe nas suas vidas, a vontade de exercer a parentalidade, de educar, de criar, de formar um ser à sua imagem e semelhança. Esse é o significado das minhas palavras que ali, e como já disse no calor da discussão, ficou por esclarecer.

Mas aqui também incluo as pessoas, e casais que com o coração cheio de amor para dar, se sentem impelidos, e na obrigação de oferecer ás crianças institucionalizadas uma oportunidade de acreditarem nos adultos e nas famílias.

Entre essas pessoas estão os homossexuais, homens e mulheres que desejam exercer esse seu lado de responsabilidade perante um ser em construção! Pessoas que desejam ser pais e mães! E os homens e mulheres homossexuais já são pais e mães hoje em dia mas não são reconhecidos legalmente como pais ou mães com a pessoa com que partilham a sua vida.

Por isso defendo que a discriminação com base na orientação sexual, identidade de género, origem étnica ou religião não têm lugar quando alguém se propõe a adoptar uma criança. O objectivo é dar a essa criança um ambiente estável, acolhedor, com amor, com regras, com educação, de dar um espaço a que possa chamar de LAR e uma família que possa ela adoptar como sua. E ao avaliar as capacidades de uma ou duas pessoas nesta tarefa com base em preconceitos está-se a reduzir as probabilidades de encontrar o lar mais adequado a cada criança em particular.

Quanto a Alexandra de Almeida Teté, que no início da sua entrevista tanto defendeu a necessidade de ser exercida uma acção na defesa dos direitos da mulher no local de trabalho, que desde já tem o meu inteiro apoio, deixo uma reflexão:

Qual seria a sua postura enquanto representante da Associação Mulheres Em Acção, quando uma lésbica lhes pedisse ajuda, porque a sua entidade patronal não quis situar as suas férias em consonância com as da sua companheira/esposa; ou se, por outro lado, não quis dar licença de parto, para poder acompanhar a gravidez da sua companheira e primeiro passos do filho delas?

Tags:

Jornal Público - Será “indesculpável” se o Governo não aprovar o casamento entre pessoas do mesmo género

por portugalgay sexta-feira, 23 Outubro 2009 19:25
Congresso “Género, Media e Espaço Público”

22.10.2009 - 16:19 Por Lusa

A dirigente da associação Não te Prives Ana Cristina Santos disse hoje que será “indesculpável” se o Governo de José Sócrates não aprovar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo nos próximos quatro anos.

“A sociedade civil e a comunidade internacional não perdoariam ao Governo socialista um recuo nesta matéria”, defende Ana Cristina Santos, da Não te Prives

“Acredito que a questão será resolvida nesta legislatura, não poderá ser de outra forma, seria de todo indesculpável e uma surpresa”, afirmou a socióloga, que falava à Lusa após abordar o tema “Olhares mediáticos sobre o activismo LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros) em Portugal”, no congresso internacional “Género, Media e Espaço Público”, a decorrer hoje e sexta-feira em Coimbra.

A investigadora da Universidade de Londres e do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra frisou que a promessa “já vem atrasada e tanto a sociedade civil como a comunidade internacional não perdoariam a Portugal, ao Governo socialista, um recuo nesta matéria”.

“Basta pensarmos no exemplo espanhol, país aqui ao lado, com um passado de ditadura de direita, com um peso da Igreja Católica bastante acentuado, mas onde nada serviu de desculpa ao governo de Zapatero para adiar uma questão de direitos humanos”, observou Ana Cristina Santos, sublinhando que a lei espanhola inclui também o direito à adopção.

Nos últimos anos, Portugal tem revelado uma evolução positiva na cobertura jornalística das acções do movimento LGBT, que se tornou “mais justa, inclusiva e objectiva”, mas “há ainda um longo caminho a percorrer”, na opinião de Ana Cristina Santos.

“Há uma transformação positiva, mas falta um caminho longo, sobretudo no deixar de objectivar o activismo, as causas LGBT, perceber que são causas de direitos sexuais e, como tal, de direitos humanos, que dizem respeito a todos, independentemente da orientação sexual”, sustenta.

A investigadora acrescenta que, quando “políticos, jornalistas, professores, todas as pessoas perceberem que é de interesse geral e humano acolher a diversidade, todos terão a ganhar”.

A questão do género no tratamento jornalístico dos media espanhóis foi o tema central da comunicação de Joana Gallego, da Universidade Autónoma de Barcelona, presente no mesmo congresso.

A investigadora, que participa num estudo sobre o estatuto feminino nos meios de comunicação, criticou o facto de as mulheres serem apresentadas como “objectos de observação”, sem individualidade, ao contrário dos homens, referenciados como “protagonistas da informação”.
“As mulheres não têm uma individualidade. Quando são notícia saem primeiro como mulher e depois como notícia”, compara, referindo alguns títulos: “Nobel da Economia distingue pela primeira vez uma mulher” e “A UE busca uma mulher para melhorar a sua imagem”.

Para Joana Gallego, esta abordagem em que a mulher “nunca actua em nome próprio mas de um colectivo” “não ajuda à igualdade do género” e os meios de comunicação tornam-se “sancionadores sociais”.


Prémio Nobel da Genética Médica para Portugal

por portugalgay domingo, 01 Março 2009 20:52

"A e B são gémeos. A é homossexual porque às n semanas no útero o seu cérebro não foi suficientemente masculinizado pela Testosterona ao contrário do seu irmão B que é heterossexual".


Nem mais.

O Telejornal de hoje da SIC revelou-nos uma descoberta extraordinária.

Comunicado da Associação Ateísta Portuguesa

por portugalgay segunda-feira, 19 Janeiro 2009 02:04

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP), sem se rever nos conselhos do Sr. Patriarca, José Policarpo, às católicas jovens que eventualmente queiram casar com muçulmanos, manifesta-lhe pública solidariedade perante a onda de falsa indignação com que pretendem impedir-lhe o direito à livre expressão e aos conselhos que entende dar.

Carecem de legitimidade moral para condenar o patriarca, por sinal bastante tolerante, para um bispo, os que defendem a poligamia, a discriminação das mulheres, a decapitação dos apóstatas e a lapidação das mulheres adúlteras e pretendem que o Corão substitua o Código Penal.

Antes de se manifestarem ofendidos com o cardeal, os líderes islâmicos em Portugal devem penitenciar-se do seu silêncio perante as ditaduras teocráticas do Médio Oriente e o carácter implacavelmente misógino do Islão. Face a qualquer mullah até Bento XVI parece um defensor dos Direitos do Homem.

Quem pretende que compreendam os seus preconceitos tem de os explicar com clareza. E quem quiser que respeitem as suas crenças tem de demonstrar que estas merecem algum respeito. Falta aos muçulmanos europeus explicar a que tipo de regime submeteriam os não muçulmanos se deixássemos que Alá se tornasse grande e Maomé fosse o único profeta. Falta-lhes justificar porque havemos de respeitar as suas crenças acerca das mulheres, dos apóstatas, dos outros crentes, dos ateus e de todos que critiquem a sua religião.

Mas compete também aos bispos católicos fazer o mesmo. Explicar o que fez a sua religião pela democracia e pelo livre-pensamento, sabendo-se que a derrota política da Igreja está na origem das liberdades individuais de que gozamos. E justificar porque hão de merecer respeito as crenças católicas acerca das mulheres, do divórcio, do sacerdócio, da homossexualidade e do que é ou não é pecado.

Não são só os muçulmanos que criam um "monte de sarilhos" sem necessidade. A AAP recorda que as três religiões do livro – judaísmo, cristianismo e islamismo – são anti-humanas e patriarcais. A misoginia não é uma tara exclusiva do Islão mas apanágio do texto bárbaro da Idade do Bronze – o Antigo Testamento –, herdada pelas referidas religiões. O racismo, a xenofobia, a misoginia e a homofobia são valores do Antigo Testamento.

As três religiões não têm feito mais do que reproduzir esses valores cruéis e obsoletos sendo o Islão, actualmente, a religião que mais implacavelmente se bate pela manutenção do obscurantismo.

A AAP reitera o seu firme propósito de defender as liberdades, nomeadamente a religiosa, do mesmo modo que defende o direito à descrença e à anti-crença.

Odivelas, 18 de Janeiro de 2009
Carlos Esperança
(Presidente da Direcção)


ComOut Nº3 - Setembro - Editorial

por portugalgay terça-feira, 14 Outubro 2008 17:06

O nº 3 da revista ComOut já está nas bancas há algumas semanas, infelizmente só agora nos foi possível actualizar a secção revistas com a informação respectiva.


Fica aqui o texto do editorial respectivo da responsabilidade da revista.
Tristes Figuras

Um nome bem conhecido da nossa praça, com provas dadas na sua profissão e com uma reputação acima de qualquer suspeita reagiu da seguinte forma a um telefonema feito pela redacção da Com’Out: “Não presto qualquer declaração e aviso-os que esta conversa está a ser gravada. Se publicarem nem que seja uma palavra minha serão processados”. Assim, sem mais.

E que pergunta lhe fizemos?

Nenhuma.

Bastou dizer que éramos uma revista dirigida à comunidade LGBT. Quatro letrinhas apenas que provocaram uma reacção desconcertante para a qual não temos explicação.

Era obrigado a falar connosco? Claro que não.

Mas para isso existem formas mais polidas de recusa. Até porque nem sequer se dignou a ouvir a questão (que, já agora, era tão simplesmente: concorda que o casamento tem como objectivo a procriação?)

Esqueletos no armário? Talvez. Mas não é por aí que queremos ir. Não nos interessa a vida privada de ninguém. Só se expõe quem quer e toda a gente tem direito a viver a sua vida sem ter de explicar nada aos outros. Nunca iremos perguntar a alguém se é lésbica ou gay, até porque num país civilizado essas questões não se colocam. Se achamos que as figuras públicas têm o dever de se assumir?

Cada um sabe de si. Acreditamos que se houvesse um coming out geral não seriam suficientes todas as páginas dos jornais e revistas portuguesas para publicarem os nomes. O que provoca uma certa indignação é muitas dessas ditas figuras se exibirem na praça pública inventando namoros, fabricando mentiras a troco da aceitação da sociedade. Em Portugal ainda se continua a pagar um preço muito alto pela saída do armário. E muitos concluem que mais vale continuar a ser sócio do clube dos hipócritas, do que ser excluído do circo, onde estão condenados a desempenhar eternamente o mesmo papel...

Editoral ComOut
Setembro 2008


Tags: