A insanidade da legalização dos incentivadores ao ódio!

por portugalgay segunda-feira, 06 Setembro 2010 13:28

 

Andava eu nas minhas andanças cibernéticas, parte do meu trabalho, quando me deparo com um título de um artigo de opinião no Jornal da Madeira de 1 de Setembro de 2010.

A primeira coisa que me veio à cabeça foi uma ou outra declaração de JJ sobre o “contenente”. Mas como tenho os profissionais do JM como meus colegas, o primeiro reparo que faço é mesmo: ”Como deixaram que este artigo fosse publicado?” Ou melhor: como é possível difundir tanta ignorância num jornal sem que ninguém (aparentemente) dessa publicação se tenha dado ao trabalho de apresentar um contraponto lógico e científico?

Este artigo de opinião “brada aos céus” de tão pouco católico, quanto mais cristão!

Este Sr. Padre, que é o autor do dito, alem de me parecer um pouco perturbado, está igualmente deslocado no tempo. Talvez o celibato esteja a provocar-lhe algumas alterações de humor e psíquico-temporais, mas definitivamente algo de errado se passava com o senhor quando escrever aquele texto..

Comecemos pelo título, “A legalização da homossexualidade “brada aos céus””. Sr Padre a homossexualidade foi “legalizada” há quase 30 anos em Portugal (mais precisamente com o Código Penal de 1982). Isto depois de ter sido criminalizada por Salazar no Estado Novo, e das perseguições da Santa Inquisição nos séculos XVI e seguintes. Durante o tempo de Salazar as pessoas que fossem acusadas de homossexualidade eram perseguidas, presas e sujeitas a isolamento social forçado. Já na Santa Inquisição (aquela instituição coordenada pela Igreja Católica) já todos sabemos que as coisas ainda eram piores. Fora de Portugal são vários os exemplos de perseguição recente e próxima: quer o regime de Franco, quer o regime de Hitler também foram exímios em exterminar gays e lésbicas em pleno século XX entre outros “anti-sociais” e “inimigos da sociedade”. E não é preciso recordar a forma como a Igreja Católica apoiou quer um quer outro regime.

Mas o texto está revestido de algumas afirmações que eu sinceramente estou em pleno acordo, por exemplo, a determinada altura do texto o senhor diz “…o prazer próprio do homem é o prazer de cumprir o seu dever, a lei, aquilo que é justo e a que tem direito.” No “cumprir o seu dever” referir-se-á o senhor ao procriar e, logo aqui o senhor ofende todos os homens e MULHERES que por muito que o desejem a mãe natureza não os apetrechou de tal capacidade, por isso muitas dessas pessoas sentem-se infelizes porque desejavam criar a sua família com os seus respectivos companheiros e companheiras e não conseguem. Ao invés de escrever as linhas que o senhor escreve a minha mensagem como cristão é de que DEUS nos dá o ”fardo” que conseguimos carregar, nem mais nem menos, e por isso espera de nós uma resposta positiva, fraterna, e altruísta, não uma condenação. Em termos de cumprir a “lei” o que tenho visto nos últimos tempos - e precisamente vindo da ICAR - é que Padres criminosos quando julgados e condenados pela justiça fogem apoiados pelos seus pares, e altas hierarquias, à lei e à justiça.

Terminamos com o restante da sua frase, “aquilo que é justo e a que tem direito”, e que é nada mais nada menos, que o direito á vida, no respeito pela sua condição humana, tratando todos e cada um de forma igual dentro das diferenças que a todos assiste.

Mas o senhor padre vai mais longe e aponta os homossexuais como ateus que na sua cabeça vê como um crime hediondo, claro. ”Ser, pois, homossexual é uma das muitas maneiras práticas de ser ateu”. Sabe… não vou discutir o que é ser-se ateu, pois tenho muito amigos que o são. Curiosamente na sua maioria heterossexuais (só falta o senhor dizer que eles estão enganados e que são homossexuais uma vez que são ateus), mas para completar a “pintura” o meu noivo (dentro de algumas semanas marido) é ateu, conhece a bíblia melhor que muitos católicos e vai casar-se com um cristão, eu. Sabe que mais, nem ele deixou de ser ateu nestes quinze anos que estamos juntos, nem eu deixei de ser cristão. E o senhor continua com as suas demagogias e ofensas, apontando o DEUS cristão (aquele que dita a minha fé), como o “único bem absoluto”, agredindo desta maneira não só os ateus, mas todas as outras confissões religiosas. Que moral tem o senhor enquanto padre católico, para dizer que a sua confissão é melhor que as demais religiões? Que moral tem o senhor perante um passado e um presente manchado de crimes contra a humanidade de onde sempre saíram impunes? Que moral é essa que em nome de um DEUS vocês mataram, instigaram guerras, abusaram de anjos. Porque parece tão complicado à ICAR aplicar o DEUS misericordioso, sempre presente ao lado dos mais fracos e oprimidos?

Sobre isto não vejo o padre preocupado!

O seu texto é um festival de “impropérios”. Os mesmos que em tempos idos perante uma sociedade ignorante e analfabeta serviram para violar todas as leis fundamentais da natureza e do ser humano. Mas deixe que lhe lembre que estamos no século XXI. Infelizmente, ainda existam muitas pessoas que não tiveram a oportunidade de estudar, e de outras que embora o tenham feito não conseguem decifrar o sentido das palavras. Mesmo pesando estes contras, o senhor tem que ter em atenção que hoje as pessoas já deixaram de acreditar em tudo o que os padres dizem, especialmente quando revelam tamanha ignorância.

Um desses exemplos de ignorância é o bicho papão de “Sodoma e Gomorra”. Não acha que já está mais que na hora de se deixarem dessas coisas? Então não havia crianças na cidade? Como se pode acusar um bebé recém-nascido de “sodomia”? Como é possível que numa cidade que se dedicava à “depravação” em tempos que não se falava de preservativos e outras coisas que tais não estivessem a nascer crianças todos os dias? E, já agora… se ler com cuidado o texto se calhar vai chegar à mesma conclusão que muitas outras pessoas também já chegaram: Deus destruiu Sodoma e Gomorra porque as cidades eram locais de depravação, luxúria, mas também, acima de tudo, porque não havia “homens justos” na cidade. E não haveriam mulheres capazes de pensar por si? Como é possível em pleno século XXI achar que este tipo de narrativa é algo para seguir à letra?

Desconheço a formação do Sr. Padre, mas as suas conclusões sobre o que é a natureza deixam-me com vontade de processar os canais como a Odisseia, ou o National Geographic, porque parece que afinal o que eles apresentam é tudo uma treta. Então o senhor padre acha que se fosse da natureza humana sermos homossexuais, seriamos todos homossexuais! Daqui a nada o senhor está a dizer que ter os olhos rasgados, cabelo loiro, ou ser-se preto, é uma aberração da natureza, são pessoas anti-naturais… espere… como classifica o senhor as pessoas que nascem cegas? Ou sem todas as suas capacidades mentais? Ou ainda com limitações motoras? Não me vai dizer que estas pessoas são resultado de uma má educação e convivência doentia continuada, como diz no seu texto “…o homossexualismo vem duma má educação e convivência doentia continuada das mesmas pessoas”. Há-de me explicar como é que chegou a esta conclusão… é que todas as pessoas que se dedicaram de forma científica a estudar o assunto são claras: a homossexualidade não é algo que se transmita numa sociedade. A única diferença é que temos sociedades onde os homossexuais que vivem segundo a sua natureza abertamente, e temos outras sociedades em que tem de viver escondidos… casado com mulheres ou dedicando-se a actividades celibatárias.

Termino já, já… o senhor não se esqueceu mesmo de ninguém, nem sequer dos hermafroditas… que não percebo o que fazem neste seu caldo retórico. É que não sei se reparou mas as possíveis dificuldades que iria encontrar ao tentar classificar uma pessoa hermafrodita de homossexual são exactamente as mesmas que iria encontrar para classificar essa mesma pessoa de heterossexual. Resumindo: a sua causa não aquece nem arrefece com as pessoas hermafroditas. Ainda por cima ignora que para a maior parte das pessoas hermafroditas a classificação não tem nada de complicado pois vivem a sua vida segundo um dos dois géneros sociais pré-definidos… tal como o resto da sociedade em que estão inseridas.

Sobre os bissexuais nem sequer vale a pena escrever muito mais. Há pessoas bissexuais que se sentem atraídas por ambos os sexos ao mesmo tempo, tal como há muitas pessoas não-bissexuais que se sentem atraídas por várias pessoas ao mesmo tempo. Agora o que se faz com essa atracção depende de cada um. Ser monogâmico não é algo de “extraordinário” numa pessoa bissexual.

Relativamente à ONU… em primeiro lugar convém esclarecer que existem organizações de defesa dos direitos de pessoas LGBT presentes em órgãos formais das Nações Unidas. Se a ONU condena a homossexualidade então não faria sentido estes grupos estarem presentes. Em segundo lugar em LADO NENHUM da Declaração Universal dos Direitos Humanos se lê uma condenação da homossexualidade, pelo contrário! No artigo 16 sobre a família pode ler-se no original em Inglês (que foi o texto efectivamente aprovado na Assembleia Geral em 1948): “A partir da idade núbil, os homens e as mulheres têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião”. A declaração diz apenas que quer homens quer mulheres têm o direito de casar. Não diz nada sobre o facto de se casarem entre si, ou vários homens com várias mulheres, ou uma mulher com uma mulher.

Ao ler o seu texto depreende-se um ódio da sua pessoa relativamente aos homossexuais. Eu sou homossexual e não tenho ódio nenhum em relação a si. Tenho pena que não seja capaz de enxergar e ver o que está mesmo ao seu lado. Já o meu avô dizia que o pior cego é aquele que não quer ver, e o senhor está ao que parece do seu texto “cego” pela ignorância, e pelo ódio, e por isso lamento e rezo pelo senhor, para que DEUS lhe mostre o caminho da luz, da verdadeira fé, fraternidade e amor ao próximo.

Pessoas sábias, por sinal católicas, ensinaram-me que DEUS somos nós, porque ELE vive em cada um de nós, e que por isso quando atentamos contra alguém, atentamos contra DEUS.

Se calhar… valia a pena o senhor padre pensar nisto.


 


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Nota de imprensa - Não Matarás

por portugalgay domingo, 16 Maio 2010 11:05

comunicado do GAT - www.gatportugal.org

NOTA DE IMPRENSA

Não Matarás!

O Cardeal Joseph Ratzinger, Papa Bento XVI, visita Portugal entre 11 e 14 de Maio, a convite da Presidência da República e da Conferência Episcopal. É possível que durante esse período Bento XVI reafirme uma série de opiniões da hierarquia católica, que pretendem influenciar o modo como os católicos e os não católicos portugueses vivem a sua vida sexual.

Tendo em conta o recorrente posicionamento da Igreja Católica em relação a questões como o VIH/SIDA, o uso de preservativos e a educação sexual – bem como a intensa difusão dada a estas declarações –, o GAT, Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA, considera importante chamar a atenção para determinados factos relacionados com a epidemia da SIDA no mundo.

As posições da Igreja Católica sobre o uso do preservativo impõem que se reflicta acerca da sua responsabilidade na infecção pelo VIH de milhões de homens, mulheres e crianças. De facto, a epidemia da SIDA já provocou mais de 40 milhões de mortes e a ONUSIDA estima que, a nível global, um quarto das pessoas seropositivas seja católico.

Há cerca de um ano, durante a sua visita ao continente Africano, Bento XVI rejeitou os preservativos como forma de combate à epidemia da SIDA. Apesar dos protestos internacionais e da comunidade científica, a Igreja Católica nunca se retractou destas afirmações.

De facto, com estas declarações, Bento XVI coloca-se ao nível dos que não defendem a vida e contraria as posições oficiais da Organização Mundial de Saúde e das agências das Nações Unidas que, num documento divulgado no ano passado, afirmam que “o preservativo é um elemento crucial numa estratégia integrada, efectiva e sustentável na prevenção e tratamento do VIH”.

Luís Mendão, presidente do GAT, alertou que “as declarações inaceitáveis do Papa colocam em risco a vida de milhões de católicos que terão de viver no dilema de seguir as orientações da Igreja e tentar manter-se não infectados”.

Desde o início da epidemia, a condenação do uso do preservativo por João Paulo II e posteriormente por Bento XVI constituiu um enorme obstáculo na luta contra a SIDA no mundo e, em especial, no continente Africano.

Essas declarações do Papa são ainda mais graves se tivermos em conta que em numerosos países em desenvolvimento a Igreja Católica ocupa um lugar de destaque nos cuidados de saúde; ou ainda, pelo facto de facilitar que as autoridades reduzam as suas politicas de prevenção ou acesso aos preservativos em países ou contextos em que a Igreja Católica está presente.

Actualmente podemos considerar que as políticas de prevenção baseadas exclusivamente na abstinência e na fidelidade são um fracasso, por um lado porque a abstinência sexual não é humanamente aceitável, por outro porque não são sustentáveis a longo prazo. Estes programas, postos em prática por influência da moral religiosa, desviaram os governos das verdadeiras políticas de prevenção.

Menos de 20% da população mundial tem acesso aos preservativos apesar da epidemia afectar quase 40 milhões de pessoas e de continuar a expandir-se. O número de novas infecções continua superior ao número de pessoas que iniciam tratamento.

Apesar da compaixão manifestada pela Igreja Católica face às pessoas seropositivas e do facto de esta afirmar que cuida de 25% dos doentes de todo o mundo, não podemos ignorar, ou melhor insistimos em afirmar, que as posições sobre o uso do preservativo da hierarquia católica contribuem para milhões de novas infecções pelo VIH.

«Este divórcio absoluto entre a realidade da sexualidade humana e as posições dogmáticas da Igreja Católica demonstra uma insensibilidade que se aproxima da irresponsabilidade. Esperamos que os católicos portugueses que não se revêem nessa posição da hierarquia católica façam ouvir com força as suas vozes de condenação», frisou ainda o responsável do GAT.

A Direcção do GAT, 12 de Maio de 2010


Colóquio: Ateísmo, Laicidade e Clericalismo em Portugal, Coimbra

por portugalgay quinta-feira, 06 Maio 2010 09:43

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) solicita a amabilidade da divulgação do seu programa cívico e cultural, a realizar em Coimbra, no próximo dia 13 de Maio, para o qual convida a população e espera que a comunicação social nos distinga com a sua presença.

 

 

Quinta-Feira, 13 de Maio 2010

 

Colóquio: Ateísmo, Laicidade e Clericalismo em Portugal

 

 

14H00 – Tema: «A laicidade e o "Estado" do Vaticano»

 Ricardo Alves

 

15H 00 – Tema: Saber sobre deuses e crer em Deus
  Onofre Varela

 

16H00 – Tema: Ateísmo, laicidade e visita papal

 Carlos Esperança

 

Local: Auditório do INATEL – Instituto Nacional p/ Aproveitamento dos Tempos Livres

           Delegação de Coimbra – Rua Dr. António Granjo, 6 (Junto à Estação Nova)

   

Apresentando os meus cumprimentos, subscrevo-me,

 

Carlos Esperança 

(Presidente da Direcção)

 

-- 
AAP - Associação Ateísta Portuguesa
http://aateistaportuguesa.org
Pessoa colectiva n.o 508 563 380
Rua de Nampula, n.o 3 - 1oB
2675-413 Odivelas
Tlf. 219347959 Fax. 219347957


PETIÇÃO sobre visita do papa. Para quem quiser assinar e divulgar!

por portugalgay quarta-feira, 05 Maio 2010 12:02

http://www.peticaopublica.com/?pi=CPL2010

Senhor Presidente da República Portuguesa,

Nós, cidadãs e cidadãos da República Portuguesa, motivados pelos valores da liberdade, da igualdade, da justiça e da laicidade, manifestamos, através da presente carta, o nosso veemente protesto contra as condições – oficialmente anunciadas – de que se revestirá a viagem a Portugal de Joseph Ratzinger, Papa da Igreja Católica.

Embora reconhecendo que o Estado português mantém relações diplomáticas com o Vaticano e que a religião católica é a mais expressiva entre a população nacional, não podemos deixar de sublinhar que ao receber Joseph Ratzinger com honras de chefe de Estado ao mesmo tempo que como dirigente religioso, o Presidente da República Portuguesa fomenta a confusão entre a legítima existência de uma comunidade religiosa organizada, e o discutível reconhecimento oficial a essa confissão religiosa de prerrogativas estatais, confusão que é por princípio contrária à laicidade.

Importa ter presente que o Vaticano é um regime teocrático arcaico que visa a defesa, propaganda e extensão dos privilégios temporais de uma religião, e que não reúne, de resto, os requisitos habituais de população própria e território para ser reconhecido como um Estado, e que a Santa Sé, governo da Igreja Católica e do «Estado» do Vaticano, não ratificou a Declaração Universal dos Direitos do Homem – não podendo portanto ser um membro de pleno direito da ONU – e não aceita nem a jurisdição do Tribunal Penal Internacional nem do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, antes utilizando o seu estatuto de Observador Permanente na ONU para alinhar, frequentemente, ao lado de ditaduras e regimes fundamentalistas.

Desejamos deixar claro que, se em Portugal há católicos dos quais uma fracção, mais ou menos importante, se regozijará com a visita de Joseph Ratzinger, há também católicos e não católicos para quem o carácter oficial da visita papal, o seu financiamento público e a tolerância de ponto concedida pelo Governo, são agressões perpetradas contra os princípios de laicidade do poder político que a própria Constituição da República Portuguesa institui.

Esta infracção da laicidade a que estão constitucionalmente vinculadas as autoridades republicanas torna-se ainda mais gritante e deletéria quando consideramos que se celebra este ano o Centenário da Implantação da República, de cujo legado faz parte o princípio de clara separação entre Estado e Igreja, contra o qual atentará qualquer confusão entre homenagens a um chefe de Estado e participação oficial dos titulares de órgãos de soberania em cerimoniais religiosos.

Declaramos também o nosso repúdio pelas posições veiculadas pelo Papa em matéria de liberdade de consciência, igualdade entre homens e mulheres, auto-determinação sexual de adultos, e outras matérias políticas.

Porque nos contamos entre esses cidadãos que entendem que a laicidade da política é condição fundamental das liberdades e direitos democráticos em cuja defesa e extensão estão apostados, aqui deixamos o nosso protesto e declaramos a Vossa Excelência o nosso propósito de o mantermos e alargarmos através de todos os meios de expressão e acção ao nosso alcance enquanto cidadãos activos da República Portuguesa.

Subscritores iniciais:
Alexandre Andrade, Andrea Peniche, António Serzedelo, Carlos Esperança, Eugénio de Oliveira, Francisco Carromeu, João Pedro Cachopo, João Tunes, Joana Amaral Dias, Joana Lopes, José Rebelo, Ludwig Krippahl, Luís Grave Rodrigues, Luís Mateus, Luis Sousa, Maria Augusta Babo, Miguel Cardina, Miguel Duarte, Miguel Madeira, Miguel Serras Pereira, Onofre Varela, Palmira Silva, Pedro Viana, Porfírio Silva, Ricardo Gaio Alves, Rui Tavares, J. Xavier de Basto.

Os signatários


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Tudo muito católico

por portugalgay terça-feira, 17 Novembro 2009 23:54

Foi ontem que na Universidade Católica em Lisboa que aconteceuum debate... ou melhor: uma sessão de esclarecimento, sobre o Casamento homossexual.

Os oradores foram escolhidos de forma a serem imparciais, pois esperava-se esclarecer uma plateia que ainda não teria entendido bem aquilo a que se propôs o Partido Socialista durante a campanha eleitoral, e agora também apresentado no plano do Governo.
Foram oradores o Padre Gonçalo Portocarrero Almada, e o Padre Nuno Serras Pereira. Completamente imparciais os dois oradores deram uma visão do casamento civil, ao longo da história, ou mais ou menos isso. Contudo introduziram uma alteração ao termo, deixando a determinada altura de se chamar Casamento Civil, para ser Matrimónio Civil.
Que apropriado, ou não estivéssemos nós na Universidade Católica, e não fossem os interlocutores representantes de uma instituição especialista em servir a Deus e ao Diabo. Verdadeiros especialistas em iludir o povo com discursos de clemência, de alusão ao amor, fraterno ou não, e de muito sofrimento para que os mais incautos se sintam impelidos a seguir as suas ideias, os seus propósitos e sintam que devem apoiar as suas posições e teses.
Mas devo confessar de que se por um lado me torci de agonia ao escutar as apresentações de um e outro, por outro lado pude saborear, diria mesmo deliciar-me, que os súbditos - ou supostos súbditos - não mais pensam pela cabeça dos outros e tem as suas próprias posições, as suas próprias leituras da realidade, e daquilo que deve ser uma sociedade justa.
Assim desde já o meu bem-haja ás intervenções dos que na fase das perguntas e respostas, se mostraram insatisfeitos com o "não-esclarecimento" prestado.
Bem... como facilmente perceberam estava a ser irónico quanto à imparcialidade dos oradores, porque aquilo a que se assistiu na “não” sessão de esclarecimento, foi a apresentação, algo suave é verdade, do ministério da fé, ou daquilo que é a posição da Igreja, pelo que penso esta sessão deveria ter-se chamado, “A posição da ICAR sobre o Casamento entre pessoas do mesmo sexo!”.
Vou tentar reproduzir algumas das afirmações e/ou noções que foram proferidas pelos oradores.
O primeiro orador,Portocarrero, até começou bem, questionando como poderia um Padre opinar sobre o Casamento Civil, não sendo este um direito canónico, mas sim civil?
Começou, lá isso começou. E embora o deva cumprimentar pela sua brilhante apresentação, um orador de excelência, aquilo que escolheu dizer foi algo que se ficou pela demagogia barata com uma série de argumentos vazios, observando a realidade actual das diferentes estruturas familiares, e das posturas da ICAR ao longo da historia relativamente ás ditas minorias, e perante uma grande maioria que são as mulheres.
Uma das suas primeiras afirmações foi dirigida ao Português, enquanto língua, que por vezes é usado de forma a iludir e originar conflitos. Citando o caso particular do aborto, que agora se chama IVG (interrupção voluntária da gravidez). Mas os termos foram mudando ao longo dos anos em diversos locais e não se vê grande alarme nisso. Por exemplo, as "contínuas", agora chamam-se “pessoal de acção educativa”, será que estamos a iludir alguém? Depois penso que deviam até ficar contentes pois se a moda de dar novos nomes ás coisas está tão viva na sociedade e na política isso deve-se á mestria da Igreja, que conseguiu (e ainda consegue) ler e reler a Bíblia Sagrada, dando tantos significados quanto aqueles que são precisos no momento.
Depois fiquei a saber que os homossexuais não têm uma relação matrimonial, porque isso é algo apenas relativo aos heterossexuais.
Mas a minha aprendizagem continuou: fiquei a saber que afinal o Código Civil tal como o conhecemos não impede os homossexuais de casar, afinal qualquer homem homossexual pode casar com uma mulher, tal como uma mulher lésbica pode casar com um homem. Por isso é "falaciosa" a nossa pretensão de alterar código civil.
E mais á frente a plateia foi informada que ao Direito não lhe interessa saber a orientação sexual, ou quaisquer outras características dos nubentes. Mais: a discriminação é um sinónimo de respeito pelas distinções existentes em cada um.
“O casamento que não observe a essência do casamento, não é um casamento e por isso é uma fraude” e “Não queremos [os homossexuais] casar, queremos viver juntos, porque aquilo que queremos não é casamento”. Estas foram algumas afirmações que deixo á vossa consideração.
Mas vamos então para a palavra que cada vez mais me deixa com mais dúvidas: “natural”. Esta palavra surge na apresentação de Portocarrero, aliada ao matrimónio, na frase, “o matrimónio natural não decorre de nenhuma repercussão religiosa ou jurídica”, e por isso “abrir o casamento civil a homossexuais, é abrir a caixa de Pandora, porque um mal nunca vem só”.
Ora Senhor Padre não poderíamos estar mais esclarecidos, seja casar é mau, mas na se preocupe, nós seres humanos imperfeitos, estamos habituados a sofrer e queremos por isso aceder a este “mal”, porque acreditamos que o amor que nos une será capaz de o transformar em algo positivo.
O Padre Gonçalo Portocarrero Almada, termina dizendo que tempos difíceis vem a caminho para as famílias Portuguesas. Parece-me que não reparou que a crise económica e a falta de emprego já cá estão, porque no que se refere ao Casamento Civil quase tudo fica na mesma. Apenas mudará o facto de que a minha relação de 14 anos vai poder ser oficializada pelo Estado Português, como oficial são os impostos que religiosamente pago desde sempre.
Mas não nos poderemos esquecer que eram dois oradores, e o segundo, embora não goze do dom da oratória, tem uma oratória que no seu conteúdo é de gozo.
Serras Pereira, começa por dizer que o seu antecessor não merecia as palmas que estava a receber, mas sim muitas mais. Coisa que depois da apresentação de Serras Pereira não poderia estar mais de acordo.
Então aqui fica uma das primeiras afirmações: "as pessoas nascem 'barão' e mulher, podem ter acidentes de percurso que podem ser alvo de correcção”. Fiquei logo alvoraçado porque na sei porque os homens são “barões” e as mulheres não podem ser “baronesas” (será que é da prenuncia do norte?) Mas por outro lado fico satisfeito que o Sr. Padre tenha no seu discurso uma alusão ás pessoas transexuais.
Mas a minha inquietação manteve-se com as frase seguintes: “a relação sexual é a realização de um acto entre duas pessoas diferentes [de sexo diferente], … a única coisa que só pode ser feita por duas pessoas, um homem e uma mulher, … tudo que seja diferente disto não é uma complementaridade”
Ora muito me surpreende que a ICAR tenha um discurso tão virado para o sexo carnal, esperava-os castos, e promotores do sexo reprodutivo, mas pelos vistos afinal o sexo é bom, deve ser praticado, e é a essência do casamento.
No entanto outros dogmas da ICAR não mudam, se não vejamos como apresenta Serras Pereira a "Criação do Mundo": Adão "representa a humanidade". Adão andava metido naquilo que faz rir, entra em transe e é-lhe retirada uma costela (qual Deus a fazer de ladrão de rins) de onde nasce a mulher, esse ser inferior. Perante isto a humanidade/Adão grita de espanto: "um ser igual a mim!".
Confesso que fiquei desordenado, e ao mesmo tempo com a ideia de que Eva afinal era uma Transexual M to F. Até imaginei no meu miolo uma cena animada com o Adão aos saltitos no paraíso a brincar ás casitas com Eva.
Mas depois fiquei realmente perturbado: "a semente de Deus é o sémen de Deus, que vem fecundar mais um filho para a ICAR" - isto no ritual do baptismo - assim o disse Serras Pereira. Eu tenho cá para mim que a água do baptismo é o símbolo da pureza e não do esperma de Deus, isto pareceu-me tudo um pouco repugnante... mas quem sou eu?
Mas a altercação realmente medieval veio pouco de depois, qual bicho papão que atormenta as mentes mais incautas: "Aprovar o casamento civil entre homossexuais, trás consigo a aprovação de outras uniões como o incesto, a poligamia, entre grupos, dos bissexuais, e até com animais." Imagine-se os frades todos do convento a casarem-se uns com os outros! Deus nos livre e guarde! E eu a pensar que tais argumentos básicos tinham sido abandonados há largos anos depois dos debates sobre os casamentos inter-raciais.
Devo ainda confessar, já que estamos a falar de padres, que fiquei maravilhado com o profundo conhecimento de Serras Pereira sobre as actividades deleitosas a que os praticantes da homossexualidade se dedicam. Desde o uso de "utensílios sintéticos e/ou orgânicos introduzidos no ânus" por essas pessoas passando pelas práticas de Sado-maso e até às conhecidissimas "golden-queens". Aparentemente estas actividades estão obstadas pela Santa Madre Igreja de serem realizadas pelas pessoas heterossexuais... aparentemente tal medida não teve grande efeito prático.
"50% das violações de menores são perpetradas por homossexuais" foi a revelação científico-teológica seguinte que, face à forma como a Igreja Católica trata a questão do abuso sexual de menores só pode ser resultado de um qualquer decreto Papal "porque sim". Como os decretos Papais que esconderam os abusadores Católicos das autoridades civis "porque sim".
"Depois da aprovação do casamento civil para pessoas do mesmo sexo, a seguir vem a opressão com base nos actos tidos como homofóbicos, e sendo assim pessoas como os padres que estejam a ler uma qualquer passagem da bíblia que seja considerada homofóbica correm o risco de ir presas". É preciso mesmo ter muita desventura: com milhares de passagens para escolher na bíblia, foram logo pegar naquelas duas que rejeitam a homossexualidade... não haverá mais nada de interessante para ler?
Serras Pereira vai mais longe, e afirma que as pessoas homossexuais não são seres felizes: "não acredito que essa pessoa [homossexual] seja feliz, sei por experiência própria e de vida, que essa pessoa não pode ser feliz contrariando os mandamentos de Deus". Novamente a dúvida! A surpresa! Que experiências terá tido Serras Pereira para ficar tão abalado? Se calhar foi na mesma circunstância em que deleitou-se com as "Golden-Queens"...
Termino com uma questão colocada por um dos jovens. Queria ele saber como sustentavam os dois oradores que o casamento civil seja apenas para heterossexuais, ou apenas realizável entre um homem e uma mulher. Na resposta Padre Portocarrero diz "o contexto natural da procriação é o matrimónio, algo fora disso é ofensivo à condição humana". Ficamos esclarecidos que mais de 1 em cada 4 crianças em Portugal é uma ofensa à condição humana (por nascerem fora do casamento).
Mas a melhor parte do "debate" foi quando um jovem tentou, em vão, colocar a sua pergunta sobre o casamento civil e a presidente da Associação Mulheres em Acção, Alexandra de Almeida Teté, levanta-se do seu lugar, e em consonância com a restante plateia que vaiava o dito aluno desde o início, retira a este o microfone da mão, dizendo que "o direito só vai proteger aquilo que é o bem comum".
Tudo muito católico como se vê.

Comunicado da Associação Ateísta Portuguesa

por portugalgay segunda-feira, 19 Janeiro 2009 02:04

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP), sem se rever nos conselhos do Sr. Patriarca, José Policarpo, às católicas jovens que eventualmente queiram casar com muçulmanos, manifesta-lhe pública solidariedade perante a onda de falsa indignação com que pretendem impedir-lhe o direito à livre expressão e aos conselhos que entende dar.

Carecem de legitimidade moral para condenar o patriarca, por sinal bastante tolerante, para um bispo, os que defendem a poligamia, a discriminação das mulheres, a decapitação dos apóstatas e a lapidação das mulheres adúlteras e pretendem que o Corão substitua o Código Penal.

Antes de se manifestarem ofendidos com o cardeal, os líderes islâmicos em Portugal devem penitenciar-se do seu silêncio perante as ditaduras teocráticas do Médio Oriente e o carácter implacavelmente misógino do Islão. Face a qualquer mullah até Bento XVI parece um defensor dos Direitos do Homem.

Quem pretende que compreendam os seus preconceitos tem de os explicar com clareza. E quem quiser que respeitem as suas crenças tem de demonstrar que estas merecem algum respeito. Falta aos muçulmanos europeus explicar a que tipo de regime submeteriam os não muçulmanos se deixássemos que Alá se tornasse grande e Maomé fosse o único profeta. Falta-lhes justificar porque havemos de respeitar as suas crenças acerca das mulheres, dos apóstatas, dos outros crentes, dos ateus e de todos que critiquem a sua religião.

Mas compete também aos bispos católicos fazer o mesmo. Explicar o que fez a sua religião pela democracia e pelo livre-pensamento, sabendo-se que a derrota política da Igreja está na origem das liberdades individuais de que gozamos. E justificar porque hão de merecer respeito as crenças católicas acerca das mulheres, do divórcio, do sacerdócio, da homossexualidade e do que é ou não é pecado.

Não são só os muçulmanos que criam um "monte de sarilhos" sem necessidade. A AAP recorda que as três religiões do livro – judaísmo, cristianismo e islamismo – são anti-humanas e patriarcais. A misoginia não é uma tara exclusiva do Islão mas apanágio do texto bárbaro da Idade do Bronze – o Antigo Testamento –, herdada pelas referidas religiões. O racismo, a xenofobia, a misoginia e a homofobia são valores do Antigo Testamento.

As três religiões não têm feito mais do que reproduzir esses valores cruéis e obsoletos sendo o Islão, actualmente, a religião que mais implacavelmente se bate pela manutenção do obscurantismo.

A AAP reitera o seu firme propósito de defender as liberdades, nomeadamente a religiosa, do mesmo modo que defende o direito à descrença e à anti-crença.

Odivelas, 18 de Janeiro de 2009
Carlos Esperança
(Presidente da Direcção)


Transfofa - Prenda de Natal

por transfofa quarta-feira, 24 Dezembro 2008 01:13
Boas festas para tod@s.

Este Natal, temos finalmente o reconhecimento aberto e pleno pelo vaticano da transexualidade.

O papa, num dos seus discursos, afirmou que é preciso defender a heterosexualidade da homossexualidade e transexualidade, tal como as florestas esmeralda (também chamadas de rain forests - florestas da chuva) precisam de ser salvas.

Ou seja, no Vaticano, nada de novo. Nada, a não ser a adição da transexualidade como alvo, e a sua consequente separação da homossexualidade.

Como ponto positivo, revela uma compreensão de que Orientação Sexual e Identidade de Género são duas coisas independentes, embora possam estar interligadas. Finalmente uma pessoa transexual não é considerada homossexual devido à transexualidade.

Outro ponto positivo é que o facto deste imbecil ataque se dar revela que finalmente a transexualidade começa a ter uma visibilidade suficiente para começar a assustar os doutos líderes da(s) Igreja(s).

O resto são pontos negativos aos quais esta igreja já nos habituou, revelando que aquela compreensão que referi acima nada mais é que fruto do acaso. Como se sabe, a transexualidade e as pessoas transexuais não oferecem perigo nenhum à comunidade heterossexual, pois a esmagadora maioria das pessoas transexuais são hetero.

Mas querer-se que saibam destas coisas já é pedir muito. Quando a burrice chega ao ponto de afirmarem que a homossexualidade não tem mal nenhum, mas que o acto de fazer sexo com uma pessoa do mesmo género já tem (pois é precisamente por uma pessoa se sentir atraída sexualmente por outras do mesmo género que define a homossexualidade), não se pode esperar grande coisa.

Além de que, se somos tod@s criaturas de Deus, foi ele que quis que certas pessoas tivessem esta orientação sexual (que como se sabe, não é aprendida mas já nasce com a pessoa). Como sempre, têm a presunção de saber qual a vontade do senhor, eles, simples mortais iguais aos outros.

Também deve ter sido por vontade dele que se vendiam absolvições durante a idade média, por exemplo.

Bem, considerando a quantidade de séculos necessários para darem o dito por não dito sobre Galileu, até que o reconhecimento da transexualidade foi rápido.

Enfim, é a continuação da igreja como força de bloqueio à evolução dos direitos humanos e à própria evolução dos seres humanos. Nada de novo.

Eduarda Santos
http://transfofa.blogspot.com/

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Nota da ABGLT (Brasil) sobre a exclusão de homossexuais do sacerdote católico

por portugalgay sábado, 01 Novembro 2008 01:27

A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), entidade de abrangência nacional que congrega 203 organizações congêneres, e cuja missão é promover a cidadania e defender os direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, contribuindo para a construção de uma democracia sem quaisquer formas de discriminação, afirmando a livre orientação sexual e identidades de gênero, vem a público expressar indignação diante da atitude discriminatória do Vaticano em avaliar candidatos ao sacerdote por meio de exame psicológico, com rejeição daqueles que tal análise considerar serem homossexuais.

 

A ABLGT lamenta que, no ano em que a Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 60 anos, o Vaticano possa adotar uma prática flagrante de discriminação desta natureza. Citamos: “Artigo I: Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão  e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade. Artigo II: Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.”

 

Em dezembro de 2007, o Arcebispo italiano Silvano Tomassi, representando o Vaticano em sessão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, afirmou que os direitos básicos de cada ser humano “não estão sujeitos aos altos e baixos históricos ou interpretações de conveniências” e que a dignidade humana “transcende qualquer diferença religiosa, política ou cultural”, unindo todas as pessoas “numa única família”.

(Fonte: http://www.teologiafeevida.com.br/modules/news/article.php?storyid=83)

 

Ora, há uma nítida contradição no discurso do Vaticano, que por um lado prega o respeito aos direitos humanos e afirma que todas as pessoas fazem parte de “uma única família”, ao mesmo tempo em que exclui os homossexuais de seus quadros. Materializou-se a situação prevista por George Orwell, em sua sátira A Revolução dos Bichos [Triunfo dos Porcos*]: “todos os animais são iguais, mais alguns são mais iguais do que outros”.

 

A competência, ou “rigidez de caráter”, de um sacerdote independe de sua orientação sexual, assim como a prática da pedofilia não é exclusiva aos homossexuais. Estudos demonstram que a pedofilia é praticada contra crianças de ambos os sexos, majoritariamente por homens heterossexuais, muitas vezes o pai ou parente próximo da vítima. É improvável que a medida tomada pelo Vaticano resulte na almejada diminuição dos casos de pedofilia praticados por seus sacerdotes. A ABGLT condena a pedofilia e,  conforme disposições de seu estatuto e as resoluções do seu I Congresso, não aceita a afiliação de organizações que promovem a pedofilia.

Para a ABGLT, a atitude do Vaticano não é atitude cristã, é uma atitude discriminatória, ou seja, anti-cristã. Trata-se de martirizar pessoas que apresentam essa diferença em relação à maioria, demonizando-as. Trata-se de manter a discriminação, aquela que a Igreja diz combater.

A ABGLT já solicitou ao Conselho Federal de Psicologia que se pronuncie sobre esse acinte à cidadania da comunidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais,  tendo em vista que em 1999 o Conselho publicou a Resolução 001/99 que diz que “a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão” e que “os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas”. O Conselho deverá se pronunciar dentro de uma semana.

 

Na semana que vem, será realizada a XXIV Conferência Mundial da Associação Internacional de Lésbicas e Gays (ILGA), em Viena, Áustria. O evento reunirá delegados de organizações LGBT do mundo inteiro e a delegação brasileira solicitará a emissão de uma nota de repúdio ao Vaticano em nome da comunidade internacional LGBT.

 

Toni Reis

Presidente da ABGLT


*nota PortugalGay.PT


O Paradoxo do Casamento Católico

por portugalgay quarta-feira, 16 Abril 2008 12:33

Recentemente o governo apresentou uma proposta para tornar os divórcios mais simples e menos burocráticos.

Quase imediatamente vieram várias reacções de sectores católicos em Portugal dizendo que se está a prejudicar a família, o casamento, etc... houve até quem dissesse que havia o "casamento à séria" que seria o católico e o "outro" que seria o civil.

Vamos lá por partes...

Em primeiro lugar é preciso ter consciência que para um Católico o casamento religioso é a única forma de constituir família. É uma das directrizes mais "marteladas" pelo lider espiritual dos católicos e é referenciada como tal em diversos documentos sobre família. As pessoas que se dizem católicas e não cumprem estes requisitos estão em pecado grave segundo a visão da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR). Ao estarem em pecado não podem aceder a outro dos actos mais importantes de toda a fé Católica: a comunhão.

Qual o problema disto? O problema é que na prática metade dos casamentos realizados em Portugal não são casamentos religiosos. Na verdade temos mais de metade dos casamentos realizados à revelia da ICAR e contra ela (sim... que nisto de fé e directrizes religiososas ou estamos a favor ou estamos contra, não há meios-termos). Para piorar como é vista a ICAR na nossa sociedade, um em cada 4 filhos nasce fora de *qualquer* tipo de casamento, isto mesmo quando o casamento civil "per se" resolve uma série de questões burocráticas relativamente a estas crianças.

Resumindo: embora mais de 90% da população se identifique como "Católica", na prática temos uma maioria que não se revê numa das dizectrizes que a ICAR dedica tanto tempo de antena a promover: o casamento religioso como única forma válida de construir família.

É esta mesma ICAR que não tem capacidade sequer para convencer a maioria dos seus "fieis" (?) das virtudes do casamento religioso. Muito menos tem capacidade para os manter "até que a morte os separe"...

E eis que não contente com a sua miserável performance em termos de seus fieis (ou melhor... "fieis selectivos") vem tentar impor as suas regras a todos os outros habitantes de Portugal!

Serei só eu a achar isto muito estranho?


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Igreja insiste em controlar governo

por portugalgay domingo, 30 Março 2008 22:34

E como se não bastasse faz papel de vítima!

Mas pelo menos ficamos a saber o que pensam(?) os senhores (sim, porque não há mulheres, mesmo) da hierarquia católica em Portugal:

1. Qualquer alteração à lei do divórcio é "é mais um sinal claro da postura de afrontamento que o actual Governo assumiu relativamente à Igreja Católica". ?!?? Mas se a Igreja nem sequer liga nenhuma ao Casamento Civil, porque se há de preocupar com o Divórcio?!

2. Pensam que "faz falta, da parte do primeiro-ministro, uma vigilância coordenadora"... vigilância?!?

3. "O Estado tem a obrigação de reconhecer o papel social da Igreja e de o promover do mesmo modo que promove o desporto, ao apoiar a construção de estádios"... Estádios... bom exemplo de como o estado gasta, esbanja, estoura dinheiro... não lhes poderia ter saído nenhuma comparação mais feliz? E quanto ao "papel social da Igreja", qual é? É que o que mais vejo são instituições FINANCIADAS pelo Estado a dar má educação...

4. Aparentemente quem foi parar, por azar, a um hospital público tem azar a dobrar: é que além de ter de passar pelo serviço de (baixa) qualidade reconhecida, tem ainda de aturar os "apoios espirituais", mesmo que não os tenha pedido.

Mas estes senhores não se deviam preocupar com outras coisas? Sei lá... como, por exemplo, o facto de haver cada vez menos casamentos religiosos, haver menos pessoas nas igrejas, haver cada vez menos padres, etc... etc...