O que tu farias?

por portugalgay quarta-feira, 25 Maio 2011 11:48

Se a empregada começasse a tratar mal um casal de pais ou mães do mesmo sexo com crianças em pleno restaurante?

Eis o que aconteceu no TEXAS.

 


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Stu Rasmussen - o Mayor transgénero

por portugalgay segunda-feira, 23 Maio 2011 15:19

Stu Rasmussen é um homem de 63 anos.

É Mayor (Presidente da Câmara) da cidade de Silverton em Oregon, uma cidade rural com cerca de 10'000 habitantes, e antes já tinha sido Mayor em Willamette Valley. Tem um historial de 22 anos de cargos eleitos.

Stu começou a sua vida profissional na Tektronix tendo formação superior na área da Eletrónica e continua ainda hoje a trabalhar em programação para sistemas embebidos como leitores de MP3, GPSs, etc.

Como empresário foi pioneiro no serviço de cabo na sua região e é hoje co-proprietário de um pequeno cinema local entre outros pequenos negócios.

Stu vive com a sua companheira Vitoria que conheceu em 1973.

Stu Rasmussen é um homem que sempre gostou de roupas de mulher mas só nos anos mais recentes é que passou a mostrar esta sua faceta abertamente. Fê-lo em parte para evitar ter "esqueletos no armário" durante as campanhas eleitorais, mas também para viver a sua vida abertamente. Neste momento tem também implantes mamários.

E Stu vive bem quer no papel social de mulher, quer de homem, não lhe fazendo diferença nenhuma ser tratado por "senhor" ou "senhora", desde que as pessoas se sintam bem com o prenome que lhe atribuírem.

E sim, Stu Rasmussen foi o primeiro Mayor transgénero eleito nos E.U.A.

E não, Stu Rasmussen não se identifica como transexual.


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Dois comunicados seguidos contra a transfobia

por transfofa terça-feira, 17 Maio 2011 13:16

No dia 15 de Março foi enviado aos meios de comunicação e associações e grupos LGBT o seguinte comunicado:

Grupo Transexual Portugal

Apresentação Grupo Transexual Portugal; Transfobia em notícia da Lusa

Por se ter considerado haver necessidade de uma voz transexual própria, independente dos lobbies clínicos e LG, considerou-se necessária a constituição de um grupo que reúna as seguintes condições
  • que lute contra a patologização da transexualidade;
  • que lute contra a associação da transexualidade com as Cirurgias de Redesignação de Sexo e outras cirurgias;
  • que lute contra a intolerável e abusiva ingerência da Ordem dos Médicos nos processos de transexualidade;
  • que lute por um tratamento digo e respeitador dos media quando relatam factos sobre transexualidade e/ou quando entrevistam pessoas transexuais:
  • que lute contra a discriminação e a transfobia instaladas, fora e dentro da comunidade LGB e mesmo na T;
  • que lute pelo esclarecimento do que é a Identidade de Género e pela IG de cada pessoa;
  • que lute pela eliminação da transexualidade da nomenclatura generalista "transgénero";
  • que lute pela defesa do respeito e dignidade de qualquer pessoa transexual, independentemente da sua ocupação laboral;
  • que se assuma como voz independente;
  • que incentive o activismo dentro da comunidade transexual portuguesa;
  • que defenda e promova o direito de qualquer pessoa transexual a uma vida digna.
Como primeira acção vimos denunciar mais um tratamento desrespeitoso da transexualidade e consequentemente das pessoas transexuais por parte da Agência Lusa e que por seu intermédio foi largamente distribuído por um grande número de meios de comunicação social.
 
Como se pode observar em qualquer notícia, o tratamento dado a (mais) uma jovem mulher transexual, mesmo sabendo que o nome dela era Luisa, é o que foi dado contínua e reiteradamente pelos media no triste caso de Gisberta Salce Júnior e noutros mais recentes: tratam-na sempre no masculino.
 
Tal tratamento, além de ser ofensivo para a dignidade de uma mulher que infelizmente nasceu com gentália masculina, não respeita a sua Identidade de Género e, por seu intermédio, ofende e prejudica gravemente todas as pessoas que se encontram na mesma situação.
 
É este tipo de tratamento que ajuda a que situações como esta se continuem a verificar continuamente ano após ano.
 
Mesmo pensando-se que a Lusa nada mais fez que traduzir a notícia dos jornais venezuelanos, tinha a obrigação de saber que Portugal não se encontra na América Latina mas sim na Europa. E que na Europa cada vez mais se dá a importância devida à Identidade de Género, tal como recomendado inúmeras vezes pela União Europeia, não esquecendo que em Portugal se pode agora alterar nome e sexo em concordância com a IG de cada um.
 
Tal tratamento é estigmatizante e aglutinador da discriminação ainda existente, ainda mais quando se aproxima o 17 de Maio, dia de luta contra a homofobia e transfobia. É revelador da necessidade premente de educação de quem se mete a escrever sobre temas sobre os quais nada sabe ou que nem se importa com quem ofende e desrespeita.
 
Lamentável sobre todos os aspectos e que levanta um grito de repúdio e revolta da parte de quem lute pelos direitos humanos.

Pelo Grupo Transexual Portugal, 
Eduarda Santos e Lara Crespo

Praticamente no dia seguinte o segundo comunicado:

Comunicado​: Mais Transfobia no Dia Internacio​nal contra a Homofobia e a Transfobia

Mais uma vez o grupo Transexual Portugal vem por este meio demonstrar o seu repúdio pelo tratamento dado pelos meios de comunicação e por um sexólogo às pessoas transexuais.

Numa notícia feita para hoje, 17 de Maio, o Dia Internacional Contra a Homofobia e a Transfobia, intitulada "Dia Mundial de Luta contra a Homofobia e Transfobia - Sara entrega pedido de mudança de nome e género no registo civil", difundida pelo jornal Público (não mencionado é a fonte da notícia, a agência Lusa, como se pode comprovar pelas notícias do DN: "CASA assinala Dia de Luta contra Homofobia e Transfobia" e pela notícia da TVI24: "Transexuais: CASA apoia Gil a ser Sara"). Refere-se a do Público por ser a mais completa.

Como de costume referem-se a uma mulher transexual como "um" transexual, reafirmando a não aceitação da Identidade de Género da pessoa, o que como já se afirmou, é desrespeitador e ofensivo para a pessoa em causa, e para a generalidade das pessoas transexuais.

Agradeciamos que a agência Lusa,o jornal Público e a TVI24 evitassem ao máximo este lamentável tratamento, evitando também que sejamos forçados a emitir diariamente comunicados condenando este tipo de transfobia. Ainda por cima no dia em que é.

Mas ainda há mais. Não contentes com isto, ainda divulgam o nome de baptismo da pessoa em causa. Não se sabe se foi com autorização da pessoa em causa, mas o discurso, em que somente o sexólogo fala em discurso directo, leva a perceber-se que a entrevista foi com ele e não com a transexual.

A ser assim a atitude deste sexólogo é contrária ao espírito da lei, que inclusivé tem um artigo a proteger a divulgação do nome de baptismo, e desrespeitadora das pessoas transexuais, que não aceitam esse nome como seu. Para alguém que diz ter 20 anos de experiência destes casos, já devia ter aprendido esta regra elementar há pelo menos uns 19 anos. Também é condenável ver-se que um sexólogo tem um estereotipo do que é uma mulher, sabendo-se da variedade humana existente. Questiona-se como será com uma mulher transexual que não se encaixe dentro do que considera como "mulher perfeita".

É lamentável que neste dia 17 de Maio, haja necessidade de se emitir um comunicado para outra coisa que não fosse a celebração deste dia. Mais lamentável é que neste dia estes tratamentos indignos e desrespeitosos continuem a ser a norma e não a excepção.

Pelo grupo Transexual Portugal
Eduarda Santos e Lara Crespo

A todas as associações e grupos que concordem, pede-se que escrevam um comunicado e o enviem para os media. Este abusivo tratamento tem de acabar algum dia. Hoje, 17 de Maio, juntemo-nos e iniciemos o seu desaparecimento.

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Manifesto da Marcha Contra a Homofobia e Transfobia de Coimbra

por portugalgay segunda-feira, 02 Maio 2011 20:51

Coimbra, 17 de Maio de 2011

REVELA-te! QUEERiza-te! TransFORMA-TE!

A 17 de Maio de 1990 a Assembleia Geral da Organização Mundial de Saúde retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais. Exactamente vinte anos depois, a 17 de Maio de 2010 aprovou-se, em Portugal, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o que veio reafirmar este dia como um marco na luta pelos direitos de lésbicas, gays, bissexuais transsexuais e transgénero (LGBT). Hoje, protestamos contra as diferentes formas de autoritarismo social, particularmente aquele que constrange a liberdade de quem possui uma orientação sexual ou identidade de género vista como não hegemónica.

Lutamos contra a Homofobia, a Transfobia e todas as formas de discriminação, uma vez que estas existem e persistem no nosso quotidiano, reproduzindo-se nos mais variados contextos sociais e políticos: do escolar ao académico, do familiar ao laboral, do privado ao público.

Lutamos por uma mudança efectiva que aniquile a discriminação estrutural que perpetua e legitima determinadas relações de poder. Lutamos ainda por uma sociedade justa e igualitária que derrube a discriminação racial, religiosa, de classe, por deficiência, de nacionalidade, de género, de orientação sexual e relacionais, entre muitas outras.

Colocamos em destaque na marcha deste ano a luta pelo reconhecimento das diversas identidades de género, tais como a transexualidade e o transgenderismo, relegadas sistematicamente para espaços de exclusão. Basta de repressão e basta de perseguição aos homossexuais, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais, transgéneros e outros modos de expressão do género e da sexualidade.

Defendemos que as orientações sexuais e identidades de género não sejam um impedimento ou barreira para o desenvolvimento pessoal, social e político. Exigimos o direito a constituir família, incluindo a possibilidade de adopção e a reprodução por inseminação artificial. Acreditamos que o modelo patriarcal de família precisa de ser questionado e ter o seu valor simbólico desconstruído, abrindo espaço para outras famílias independentemente das questões de identidade de género e sexuais.

Não aceitamos concessões nem meios direitos, exigimos o reconhecimento pleno dos nossos direitos.

Encaramos a intervenção no espaço público como uma forma de lutar pela mudança de mentalidades e reivindicar as liberdades de todos e de todas.

Assim, em Coimbra, saímos à rua a 17 de Maio para romper o silêncio e combater a vergonha.

Saímos à rua para lutar contra as caixinhas/ armários que nos isolam, invisibilizam e reduzem.

Saímos à rua contra rótulos impostos.

Por isso apelamos à participação na Marcha contra a Homofobia e a Transfobia com todas as pessoas que, independentemente da sua orientação sexual e identidade de género, acreditam que esta seja uma luta pela democratização social e política.

EM COIMBRA, A 17 DE MAIO DE 2011

Contra a vergonha, gritamos: REVELA-TE!

Contra a normalização, gritamos: QUEERiza-te!

Contra os rótulos, gritamos: TransFORMA-TE!

Subscrevem:
PATH – Plataforma Contra a Transfobia e a Homofobia, constituída por pessoas
singulares e vários organismos:
Associação não te prives – Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais
Associação de Pesquisadores e Estudantes Brasileiros – APEB
Associação Cultural Janela Indiscreta
rede ex aequo
República ‘Marias do Loureiro’
República ‘Baco’
Secção de Defesa dos Direitos Humanos da Associação Académica de Coimbra
SOS Racismo
E ainda os seguintes colectivos:
Caleidoscópio LGBT
Colectivo Feminista
Clube Safo
ILGA Portugal
Opus Gay
Movimento 12 de Março (Geração à Rasca)
Panteras Rosa
PolyPortugal
Ponto Bi
PortugalGay.pt
UMAR