Comentário ao "O meu nome não é o meu sexo"

por transfofa quarta-feira, 26 Maio 2010 06:57

PARTE I

Este Sábado saiu uma reportagem sobre transexualidade no Diário de Notícias intitulada “O meu nome não é o meu sexo”. Como uma das pessoas que contribuiu para o artigo, vou tecer algumas considerações sobre o mesmo.

Em primeiro lugar, repudio totalmente o “Envergonhados” com que termina o lead da notícia. Expuseram uma maneira de sentir de uma parte da população T, sem explicarem que existem pessoas transexuais que não têm vergonha de o serem.

Da leitura do artigo retira-se a ilacção de que a comunidade transexual tem vergonha da sua transexualidade, como se o facto de se ser transexual seja motivo de vergonha e de repúdio. Nada mais falso.

Existem de facto transexuais que o sentem, sendo que as razões deste procedimento saberão eles quais são. Mas dar-se a ideia de que a comunidade toda é assim é ofensivo para quem aceita plenamente a sua transexualidade e não a renega.

Minoria silenciosa estamos, finalmente, a deixar de o ser, para sermos uma minoria que luta pelos seus direitos. E já não é de agora.

No meio das confusões, com tanta gente a dar o testemunho, acontecem erros, como o facto de ter iniciado o processo há dez anos, quando na realidade foi há mais ou menos cinco anos.

Podia ter sido muito mais inspirada, considerando, pelo menos, o que eu falei na entrevista, mas ficou-se mais pela banalidade dos coitadinhos. A abordagem quanto a mim, pecou nisto. Focou-se no comum, no mesmo que as outras entrevistas anteriores, em vez de aflorar aspectos talvez mais complicados mas de certeza menos banais. Compreenda-se, já saíram “n” entrevistas com pessoas transexuais a descreverem os problemas vivenciados e discriminações sofridas. Nada de novidades por este lado.

PARTE II

Mas existe algo que pode trazer uma discussão que, pelos vistos, ainda se torna necessária.

Refiro-me concretamente ao parágrafo “Vai contracorrente às pessoas e médicos do Santa Maria. "Um transexual que é transexual quer mudar o sexo!" É uma afirmação que se repete ao longo da reportagem.”

Ora bem, analizemos o parágrafo. Primeiro a frase “Um transexual que é transexual quer mudar o sexo”. Bem, esta afirmação é um completo anacronismo. O que define uma pessoa transexual? O ter nascido com genitália de um sexo e a sua Identidade de Género do sexo oposto. Identidade de Género (IG) refere-se a como cada pessoa se sente dentro do binómio masculino-feminino. Ou seja é a percepção que cada pessoa tem de si própria como pertencendo a um dos géneros.

Isto já foi dito e redito inúmeras vezes. Porque continua então a discriminação de uma minoria contra as restantes? Bem, a questão tem muito a ver com a psiquiatrização da transexualidade e com a auto-estima das pessoas transexuais.

Existe uma maioria de psiquiatras e psicólogos que vêem esta problemática do ponto de vista da genitália, desprezando a Identidade de Género. Homens têm pénis, mulheres têm vagina e pronto. A IG não é para aqui chamada. Ora como as pessoas nascem com um sexo ou outro, devem ter a sua IG concordante. As que não têm são etiquetadas imediatamente como doentes.

E então, como o corpo é que deve ter razão, e sem tomarem em conta que existe a possibilidade de o que está mal é o corpo, etiquetam logo essas pessoas como tendo um transtorno de Identidade de género, portanto se são doentes, e se a IG é mental, estas pessoas têm de ser doentes mentais.

E mesmo depois de anos de terapias falhadas para mudarem as IGs consideradas doentes, decidiram que o melhor seria fazerem-se as cirurgias e assim ficava tudo bem. Uma medida acertada tomada pelas razões erradas, na minha opinião.

Porque eu não vejo as coisas assim. Penso que o que define o género a que pertence uma pessoa é a sua IG e não o sexo com que se nasce. E porquê? Porque as terapias, aceites por muitos psiquiatras extremamente preconceituoso como o famoso e mal-amado Kenneth Zucker, adepto fervoroso destas terapias, têm sistematicamente resultado em rotundos fracassos.

Isto devia pelo menos avisar de que havia algum problema em relação à definição de género indicada pelo sexo de nascença.

Para mim indica claramente que o nosso género é aquele que a IG de cada pessoa indica, e não o que o sexo indica. Também me parece que, a ser assim, existe a possibilidade de nada estar errado com a IG da pessoa mas sim ser o corpo que está mal. Ou seja, o defeito está no corpo e não na mente.

Por isso sou totalmente contra a transexualidade ser considerada como doença mental. Concordo muito mais com a classificação de condição. Somos mulheres e homens que nasceram com a condição da transexualidade. Mas de modo algum me parece que sejamos doentes mentais.

Muitas pessoas transexuais acabam por se rejeitarem, tal é a estigmatização e discriminação existentes na sociedade. E o resultado é a auto-estima descambar.

Ficam pessoas que têm vergonha de serem quem são. E os psiquiatras aproveitam-se logo disto para fazerem vingar a sua teoria de que é o sexo que determina o género. Têm uma campanha que convence as pessoas que só é transexual quem se quer operar. Apanhando as pessoas com pouca ou nenhuma auto-estima, dizem frases que soam, para estas pessoas, como um engodo irresistível. Operas-te e ficas mulher (ou homem, conforme o caso).

Obviamente que estas pessoas já são mulheres e homens, pois é o que a sua IG lhes indica. E sabem-no perfeitamente, pois se não o fossem não eram transexuais. Mas a necessidade de elevar a auto-estima é muito forte, e acabam por, apesar de saberem bem demais que é a IG que determina o género, por interiorizar esta ideia e elevarem a auto-estima à custa de outras pessoas, que tem uma IG não concordante com o seu sexo, mas que até convivem o suficiente com esta situação para não desejarem passar por cirurgias introsivas e custosas em demasia.

E vai daí aparecerem classificações como “transexualidade primária”, “secundária”, etc, que felizmente se encontram a entrar em desuso, só utilizadas pelos mais reticentes às mudanças. O pior é que estas transexuais acabam por se convencerem que são melhores que as outras, que elas é que são mulheres.

Isto também deriva das pessoas transexuais (a partir daqui a serem denominadas como trans), devido ao modo displicente e muitas vezes ignorante como a sociedade vê estes assuntos, se convencerem que para serem mulheres ou homens têm de ter os atributos sexuais deles. Ou seja, sabem que são de um género, mas ao mesmo tempo têm dúvidas se o são efectivamente, pois não têm o sexo indicado.

E a IG, que lhes dá o mote para iniciarem processos, acaba por ser diminuída, sendo a genitália que comanda.

Isto tudo junto faz com que digam excentricidades como “nós é que somos, os outros/outras não passam de travestis”.

Tudo incica que é efectivamente a IG que determina o género de uma pessoa, não o sexo. Portanto quem é transexual é-o por ter uma IG de um género e o sexo de outro. A maioria das pessoas transexuais nem se quer operar. Mas como, para os psiquiatras, só as operadas contam, os outros casos são ignorados ou definidos como não transexuais.

PARTE III

Este estado de coisas contribui para que se encontrem espalhadas pela net, verdadeiras pérolas da lógica.

Por exemplo, num dado espaço de discussão algures nas profundezas da vastidão virtual, encontrei estas duas afirmações feitas pela mesma pessoa, uma transexual feminina:

Eu sou uma mulher, em todos os sentidos, incluindo a genitália.
Por qualquer razão, na presente realidade isso não se verifica, fisicamente falando. Por essa razão, estou a iniciar a transição, porque sou mulher com um corpo masculino.


Ok, tudo bem, nada a objectar: a seguir sai-se com esta “pérola”:

A transexualidade parece-me a mim algo de mais extremo. Homem e Mulher. Não se fica pelo intermédio.
O homem não tem vagina, a mulher não tem pénis.
Por isso é que nós, transexuais (e falo por TOD@S @s que conheço), desejamos para além do tratamento hormonal e do reconhecimento legal e social (como tu, XXXXX, referiste), a SRS, porque o nosso órgão genital simplesmente não nos pertence.


Primeiro afirma que é transexual, e pelas palavras vê-se que não é operada, portanto só se pode estar a referir à sua IG. De seguida afirma que homens não têm vagina e mulheres não têm pénis.

Se fosse assim, meramente a genitália a definir o nosso género, não havia transexuais. Se fosse assim, essa pessoa nunca poderia afirmar que é mulher, pois as mulheres não têm pénis.

Este pensamento, que originou inclusivé muitos tratamentos com electrochoques e outros que tais, e que ficaram para a história como tratamentos feitos à comunidade homossexual, é tão absurdo que qualquer pessoa trans, que sabe perfeitamente que muito antes de qualquer cirurgia já era homem ou mulher, vê logo a sua absurdidade.
Claro que, aqueles que já têm a cabeça feita, acham que só são homens e mulheres depois da cirurgia, o que convém muito a certos psiquiatras e psicólogos.

Como se viu, isto leva a declarações como a anterior, em que assume falar pelos trans, rectificando depois que afinal são só os que conhece, desejam fazer a CRS.
Claro que esta pessoa deve conhecer muito pouca gente, e se calhar os conhecimentos são filtrados, tipo só é apresentada a quem pense assim ou coisa parecida. Portanto no seu pequeno mundo isto até pode ser verdade.

O que incomoda mais é a absoluta negação de outro ponto de vista diferente. Quem não se quer operar, não é, ponto.

Conheci muitos clínicos que pensam assim. Caramba, até sei de clínicos que acham que as pessoas trans são doentes e que se deviam parar as CRS. Em Portugal, neste século.

Eu conheço, assim de repente, pelo menos, uma, duas, três, quatro, cinco, seis pessoas que são mulheres trans e não se querem operar.

Também, e então a nível da psique humana nem se fala, não existe nada extremo. Existem dois pólos opostos, e entre eles existe toda uma gama de graduações que suporta toda e qualquer pessoa existente, que tenha existido ou que venha a existir. Como com tanta coisa na vida, nada é extremo. Falar-se em situações extremas é completamente absurdo.

Mas as coisas virtuais não se ficam por aqui. Chegam ao ponto de se verem afirmações de Kenneth Zucker, o internacionalmente conhecido “especialista” em terapias de reparação do género em crianças e adolescentes, que visam a aceitação por parte da criança ou adolescente trans do seu género biológico. Não se sabe quantificar o mal que o dito especialista já fez a quantas crianças, mas seria agradável que quem com tanto afinco o cita (para tentar impingir a CRS obrigatória a pessoas trans) fosse para o Canadá e fizesse por lá o seu processo. Juntavam-se os transfóbicos e toda a gente ficava contente.

Outras “pérolas” existem como esta:

"A maioria dos transexuais, estudam, trabalham e têm uma vida normal e muito feliz DEPOIS da transição."

Falta aqui que estes trans são os que, depois da transição, abandonam tudo o que tenha a ver com transexualidade, e escondem o facto de o serem. E isto é importante. Importante porque a luta das pessoas transexuais é, ou pelo menos devia sê-lo, por uma vida estudantil e laboral “normal” (não se explica o que é considerado normal ou não) e muito feliz ANTES e DURANTE a transição, não só depois. Que toda a gente pode ter uma vida normal e feliz toda a gente sabe, Tem é de se lutar pelas condições necessárias.

Também seria interessante que se fornecesse os estudos onde se basearam para chegarem a esta conclusão, para fundamentá-la. Mas quanto a isso, nada.

Outra verdadeira “pérola” virtual esta:

por precisarem de viver a vida em prostituição dizem-se transexuais e mais uma vez, leva o nosso nome a sarjeta!

Algumas considerações: Em todos os compêndios que li, nunca vi escrito que quem seja transexual, tenha sido posto no olho da rua pelos pais, com uma mão à frente e uma atrás, e tenha tido a necessidade de recorrer à prostituição, não possa ser transexual por esse facto.

A realidade demonstra cabalmente que muitas pessoas transexuais têm de recorrer a esse meio de sobrevivência. As razões são muitas, mas baseiam-se quase todas em dois factores quase semelhantes: a discriminação e o preconceito.

Então temos umas quantas pessoas, que não foram postas fora de casa, que tiveram o apoio dos pais ou pelo menos o sustento, todas ofendidas, coitadas, porque existem outras que não tiveram tanta sorte.

E que pensar então de Carla Antonelli, que em dado momento da sua vida teve de vivenciar o trabalho sexual. Se calhar a Carla não é transexual porque foi trabalhadora sexual, querem ver... Ou se calhar a Carla dá mau nome às pessoas transexuais... Ou então a ignorância é tal que nem sabem quem é a Carla Antonelli.

O que eu penso desta atitude não fica bem aqui, ficava melhor noutro lado. Só digo isto: nunca fui nem fiz trabalho sexual, mas como mulher transexual repugna-me este tipo de atitudes, um reflexo da sociedade podre em que se vive hoje em dia, que ostraciza quem não vive sob uma moral católica.

Onde estava essa moral quando o Papa Pio XII, junto com a Cruz Vermelha internacional, ajudou criminosos nazis a fugirem para a América do Sul, como Adolf Eichmann, conhecido como o arquitecto do holocausto, ou Josef Mengela, o anjo da morte de Auschwitz-Birkenau? Esta moral afinal serve para quê? Para que trans ostracizem e discriminem outras trans? Faço ardentes votos para que esta gentalha acabe os seus processos depressa e desapareçam, senão da face da terra, pelo menos de Portugal.

Sempre fui contra a associação entre transsexualidade e trabalho sexual. Mas nunca, nunca discriminando quem teve de recorrer a este meio para sobreviver. Mesmo quem o faça por outras razões, não se pode aceitar esta discriminação, ainda por cima vinda de quem também sofreu e sofre com discriminações. Tenho vergonha que estas pessoas sejam transexuais, disto tenho vergonha, sim.

As restantes pérolas encontradas andam sempre à volta do mesmo (e existem muitas mais, estas são só as mais gritantes):

O nome "transexual", da-se portanto durante essa transição (e só deve ser usado para esse fim) com o culminar essencial/premente da cirurgia de redesignação de sexo (cirurgia genital)!"

"Só se pode chamar "transexual" a individuos que fizeram ou almejam fazer a cirurgia de redesignação de sexo, porque de facto esses individuos tem um grave problema com o seu sexo/identidade psicologica e biologica!"

"Essas pessoas que sentem pertencer ao sexo oposto, mas que não desejam fazer a SRS, e não querendo rebaixá-las em relação a mim, não são transexuais."

"O transexual quer ser do sexo físico oposto, que corresponde ao seu género. ponto.

"Transexual = pessoa de um género que nasce com o corpo do género oposto, certo?"

A definição mais acertada será “pessoa que nasce com a sua IG de um género e a genitália do género oposto. Note-se que mesmo a mais recente proposta do DSM já não submete a transexualidade à CRS, como estas pessoas ainda tendem a fazer.

O próprio Prof. Dr. Rui Xavier, na sua entrevista, mudou radicalmente o seu discurso e, muito embora ainda fale em transexualidade primária, já admite a existência de pessoas transexuais que não desejam fazer a CRS.

A nível mundial, a quantidade de pessoas que desejam fazer a CRS é largamente ultrapassada pelas que não o desejam. Não existem razões para duvidar que em Portugal o panorama seja diferente.

E não há razão nenhuma que justifique que o colectivo trans se submeta a uma tirania perpretada por uma minoria com o conluio dos psiquiatras e psicólogos.

O ser humano é mesmo assim, quando não há nada para discriminar, ostracizar e ofender, inventam.


D. Duarte e as criancinhas...

por portugalgay domingo, 16 Maio 2010 11:47

Cópia da entrevista dada ao DN de hoje.

 

Há questões, como o divórcio, que na Monarquia seriam impossíveis!
Hoje em dia é mais fácil despedir a mulher ou o marido do que um funcionário de uma empresa. Ora, a estabilidade de um emprego não é mais importante do que a estabilidade da família.

A questão do aborto também?
A lei do aborto livre é para muitos uma lei que escraviza as mulheres porque hoje ela pode ser obrigada a abortar pelos patrões, amantes e pais. Esta é a situação de muitas mulheres, pois é raro que queiram abortar por vontade própria. Esta lei, que as escraviza, é ultraliberal e ultracapitalista e não percebo como é que a esquerda em Portugal apoia isto.

Uma esquerda que também apoia o casamento homossexual...
Esse é um problema mais complicado porque há uma confusão entre o direito a viver junto, a ter alguns benefícios fiscais, a ter certo reconhecimento legal para pessoas que querem partilhar a sua vida e que muitas vezes até podem ser duas velhas amigas, vizinhas ou irmãos. A legislação sobre o casamento tem basicamente o objectivo de proteger as crianças e creio que não se devia confundir o casamento como unidade que pode produzir uma futura geração, educá-la e ter responsabilidades nela, com as uniões de facto que podem ser aquelas que interessam aos homossexuais. Dizia alguém – a brincar claro – que hoje os padres e os homossexuais é que se querem casar, os outros preferem as uniões de facto porque dão-lhes menos responsabilidades.


Nota de imprensa - Não Matarás

por portugalgay domingo, 16 Maio 2010 11:05

comunicado do GAT - www.gatportugal.org

NOTA DE IMPRENSA

Não Matarás!

O Cardeal Joseph Ratzinger, Papa Bento XVI, visita Portugal entre 11 e 14 de Maio, a convite da Presidência da República e da Conferência Episcopal. É possível que durante esse período Bento XVI reafirme uma série de opiniões da hierarquia católica, que pretendem influenciar o modo como os católicos e os não católicos portugueses vivem a sua vida sexual.

Tendo em conta o recorrente posicionamento da Igreja Católica em relação a questões como o VIH/SIDA, o uso de preservativos e a educação sexual – bem como a intensa difusão dada a estas declarações –, o GAT, Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA, considera importante chamar a atenção para determinados factos relacionados com a epidemia da SIDA no mundo.

As posições da Igreja Católica sobre o uso do preservativo impõem que se reflicta acerca da sua responsabilidade na infecção pelo VIH de milhões de homens, mulheres e crianças. De facto, a epidemia da SIDA já provocou mais de 40 milhões de mortes e a ONUSIDA estima que, a nível global, um quarto das pessoas seropositivas seja católico.

Há cerca de um ano, durante a sua visita ao continente Africano, Bento XVI rejeitou os preservativos como forma de combate à epidemia da SIDA. Apesar dos protestos internacionais e da comunidade científica, a Igreja Católica nunca se retractou destas afirmações.

De facto, com estas declarações, Bento XVI coloca-se ao nível dos que não defendem a vida e contraria as posições oficiais da Organização Mundial de Saúde e das agências das Nações Unidas que, num documento divulgado no ano passado, afirmam que “o preservativo é um elemento crucial numa estratégia integrada, efectiva e sustentável na prevenção e tratamento do VIH”.

Luís Mendão, presidente do GAT, alertou que “as declarações inaceitáveis do Papa colocam em risco a vida de milhões de católicos que terão de viver no dilema de seguir as orientações da Igreja e tentar manter-se não infectados”.

Desde o início da epidemia, a condenação do uso do preservativo por João Paulo II e posteriormente por Bento XVI constituiu um enorme obstáculo na luta contra a SIDA no mundo e, em especial, no continente Africano.

Essas declarações do Papa são ainda mais graves se tivermos em conta que em numerosos países em desenvolvimento a Igreja Católica ocupa um lugar de destaque nos cuidados de saúde; ou ainda, pelo facto de facilitar que as autoridades reduzam as suas politicas de prevenção ou acesso aos preservativos em países ou contextos em que a Igreja Católica está presente.

Actualmente podemos considerar que as políticas de prevenção baseadas exclusivamente na abstinência e na fidelidade são um fracasso, por um lado porque a abstinência sexual não é humanamente aceitável, por outro porque não são sustentáveis a longo prazo. Estes programas, postos em prática por influência da moral religiosa, desviaram os governos das verdadeiras políticas de prevenção.

Menos de 20% da população mundial tem acesso aos preservativos apesar da epidemia afectar quase 40 milhões de pessoas e de continuar a expandir-se. O número de novas infecções continua superior ao número de pessoas que iniciam tratamento.

Apesar da compaixão manifestada pela Igreja Católica face às pessoas seropositivas e do facto de esta afirmar que cuida de 25% dos doentes de todo o mundo, não podemos ignorar, ou melhor insistimos em afirmar, que as posições sobre o uso do preservativo da hierarquia católica contribuem para milhões de novas infecções pelo VIH.

«Este divórcio absoluto entre a realidade da sexualidade humana e as posições dogmáticas da Igreja Católica demonstra uma insensibilidade que se aproxima da irresponsabilidade. Esperamos que os católicos portugueses que não se revêem nessa posição da hierarquia católica façam ouvir com força as suas vozes de condenação», frisou ainda o responsável do GAT.

A Direcção do GAT, 12 de Maio de 2010


Imaginem se fosse homossexual? (Parte II)

por portugalgay sábado, 15 Maio 2010 00:32

Imaginem se fosse homosexual?

por portugalgay sexta-feira, 14 Maio 2010 16:19

O "Alarme Social" é uma coisa gravíssima... imaginem se fosse um homem gay então!

http://www.publico.pt/Educação/camara-de-mirandela-vai-tomar-decisao-sobre-professora-que-posou-para-playboy_1437255

 

 


Pessoas a ver o Papa no Porto

por portugalgay sexta-feira, 14 Maio 2010 13:31

E, como seria de esperar, a euforia jornalística continuou no Porto... 150'000 era o número apresentado nos noticiários a "verem a missa".

E qual o problema? O problema é que a Avenida dos Aliados tem cerca de 20'000m² (quem quiser que vá ao Google Earth e tire as medidas).

E não vamos estar com teorias fantásticas... a verdade é que as pessoas que estavam nas ruas perpendiculares à avenida não chegavam para ocupar as vias de circulação na mesma.

Até a Praça D. João I que é mesmo ali ao lado estava com uma densidade muito pequena com pessoas sentadas no chão durante a missa.

Então quantas pessoas cabem em 20'000m²?

Numa densidade já simpática (para um evento deste tipo) de 3 pessoas / m² teremos cerca de 60'000 pessoas e com uma densidade extrema de 4 pessoas / m² teremos cerca de 80'000 pessoas.

Note-se que estes são os cálculos das pessoas a assistirem à missa, mas algo nos diz que não haveria o dobro destas pessoas a ver o Papa na sua curta deslocação pelas ruas da área.


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Pessoas a ver o Papa em Lisboa

por portugalgay quinta-feira, 13 Maio 2010 15:42

As mesmas contas do post anterior fazem-se para Lisboa facilmente... desta vez, por coincidência, com uma foto da Praça do Comércio no dia do Arraial Pride de 2007.

Temos:

32'300m² na Praça do Comércio

4'500m² na Praça do Município

6'000m² em cada uma das ruas principais: Rua Augusta, Rua da Prata e Rua Áurea (sendo que uma delas teria de ter densidade reduzida pois foi usada para a saída do Papa)

Total: 36'800 + 15'000 =51'800m²

Esta é uma estimativa por cima, que não inclui nem as áreas de circulação nem lugares sentados, coro, etc...

Também parte do princípio que as ruas principais estariam completamente cheias em todo o seu comprimento o que não foi o caso segundo relatos no local.

Com 3 pessoas / m² e as ruas usadas em todo o comprimentos temos cerca 155'000 pessoas, com as ruas a metade este valor desce para 133'000 pessoas.

Infelizmente não temos forma viável de estimar a ocupação real das ruas, nem de áreas adicionais (como a área em direcção à Estação de Santa Apolónia).

Note-se que segundo os noticiários a PSP estimou em 80'000 as pessoas na Praça do Comércio (uma densidade de 2.5 pessoas/m² da área total).


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Pessoas a ver o Papa em Fátima

por portugalgay quinta-feira, 13 Maio 2010 15:15

Há uns tempos atrás começamos a mexer um bocadinho na arte de calcular multidões e não estaríamos à espera que tal actividade viesse a ser tão útil durante a visita do Papa a Portugal.

Senão vejamos... esta é uma foto aérea da área do santuário de Fátima (cortesia do Google Earth):

 

A foto é da altura em que estava a ser construída a nova igreja mas dá para ter uma ideia que a área máxima útil do santuário se situará entre os 48'000 (até às obras) a 57'000 m² (até à parede da nova igreja).

Isto é a área bruta sem retirar os espaços de circulação, a escadaria monumental, assim como espaços ocupados por edifícios que serão pouco mais de 5'000 m².

Posto isto vamos colocar a área final disponível nos 53'000 m² o que é, apesar de tudo, uma estimativa por cima.

Mesmo com uma densidade de 4 pessoas por m² (mesmo assim um valor elevado para um evento deste tipo) isto dá uma capacidade máxima de 212'000 pessoas, uma densidade mais aceitável de 3 pessoas por m² baixa este valor para 160'000 pessoas.

E isto é ignorando que havia áreas com uma densidade bem menor onde estavam sentadas pessoas.

Posto isto não se percebe como aparecem alguns rodapés nas televisões a alegar que estiveram 500'000 pessoas em Fátima para ver o Papa.

 


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Offline

por portugalgay sexta-feira, 07 Maio 2010 00:34

Devido a um problema técnico na ligação do nosso servidor à Internet estivemos offline por algumas horas...

Embora fora do nosso controlo fica aqui a explicação.

João Paulo
Editor


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Colóquio: Ateísmo, Laicidade e Clericalismo em Portugal, Coimbra

por portugalgay quinta-feira, 06 Maio 2010 09:43

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) solicita a amabilidade da divulgação do seu programa cívico e cultural, a realizar em Coimbra, no próximo dia 13 de Maio, para o qual convida a população e espera que a comunicação social nos distinga com a sua presença.

 

 

Quinta-Feira, 13 de Maio 2010

 

Colóquio: Ateísmo, Laicidade e Clericalismo em Portugal

 

 

14H00 – Tema: «A laicidade e o "Estado" do Vaticano»

 Ricardo Alves

 

15H 00 – Tema: Saber sobre deuses e crer em Deus
  Onofre Varela

 

16H00 – Tema: Ateísmo, laicidade e visita papal

 Carlos Esperança

 

Local: Auditório do INATEL – Instituto Nacional p/ Aproveitamento dos Tempos Livres

           Delegação de Coimbra – Rua Dr. António Granjo, 6 (Junto à Estação Nova)

   

Apresentando os meus cumprimentos, subscrevo-me,

 

Carlos Esperança 

(Presidente da Direcção)

 

-- 
AAP - Associação Ateísta Portuguesa
http://aateistaportuguesa.org
Pessoa colectiva n.o 508 563 380
Rua de Nampula, n.o 3 - 1oB
2675-413 Odivelas
Tlf. 219347959 Fax. 219347957